RESSONÂNCIA

A crônica de hoje foi escrita há dez anos atrás quando fiz esse exame pela primeira vez. 

Como repeti agora há poucos dias, achei oportuno mostrá-la.

Então… vamos lá!

RESSONÂNCIA

Bem que se diz que a velhice nos traz experiência!

É verdade!

Eu nunca precisei saber o que era ressonância magnética até sentir minha primeira dor nos joelhos e, depois de ir ao médico, fazer a seu pedido esse exame.

joelhos

A clínica, bonita por fora, dentro mais parecia um hospital: corredores com portas de vai e vem, avisos disso e daquilo, cheiro de remédio no ar, pessoas andando com camisolões e soro nas veias, enfermeiras ziguezagueando por ali.

Fui encaminhada ao vestiário e também precisei usar aquela “linda” roupa esterilizada.

Comecei a fazer parte do ambiente assim que terminei de retirar brincos, relógio, anel, corrente e fivela de cabelo e então me sentei num cantinho da sala de espera.

Percebi um corre- corre diferente e vieram me informar que a máquina acabara de estragar… cancelaram todos os exames.

Também em pleno domingo à tarde, até a máquina se viu no direito de descansar.

Claro que fiquei chateada porque além de ter perdido minha tarde de folga, teria que agendar um novo dia.

Mas… lá estou eu novamente, num final de tarde, depois de um dia cansativo de trabalho.

Respondo de novo todas as perguntas e o ritual se inicia.

Entro na sala.

máquina

A tão falada máquina é realmente assustadora!

Enorme!

Fui deitada, colocaram meu joelho em evidência, ajustaram fones em meus ouvidos recomendando que não me assustasse com o barulho, que não me mexesse, deram-me uma campainha para o caso de me sentindo mal, apertá-la e…saíram.

Então começou o exame.

O barulho é  muito alto e os sons vão mudando.

Eu tensa, imóvel.

Só meus olhos viravam de um lado para outro e meu pensamento, ah! esse sim, dava voltas e mais voltas.

Comecei a contar os quadrados do forro.

Aí parei o olhar em um respiradouro de ar com doze saliências em metal, como uma grade, e pareceu-me ver o Tom Cruise descendo por ela como no filme Missão Impossível.

E aquele monstro, codinome máquina, tremia, esbravejava, sacudia, urrava, querendo e conseguindo me apavorar.

Pelo tanto de sinais que emitia, meu joelho estava sendo devassado, esmiuçado, dissecado, pobrezinho!

Aí, de repente o silêncio!

Voltam os enfermeiros, colocam o outro joelho (ainda bem que não sou uma centopeia, nem sei se centopeia tem joelhos) para ser examinado e começa tudo de novo.

Mas aí já estou até me acostumando e o tempo passa mais rápido.

Silêncio!

Os atendentes voltam solícitos:

– Tudo bem com a senhora? Está sentindo alguma coisa?

E eu respondo sorrindo que tudo está bem, agora.

Afinal acumulei mais uma experiência em meu currículo…

Saí apressada para me vestir, pegar um táxi e correr para casa a tempo de assistir o penúltimo capítulo da novela das sete.

tv

Do meu livro Confidências ao Meio Dia

Imagens: 1) kilorias.band.uol.com.br; 2) http://www.forebrain.com.br; 3) newvagaboard.blogspot.com

A MENINA ESCOLHIDA

Quando dei por mim, eu tinha pai, mãe, um irmão e uma babá.

Ela tinha a pele bem escura, um colo macio, era alegre, cozinhava como ninguém e engomava minhas anáguas que eu vestia aos domingos para ir à Igreja.

– Tem que ficar bem armada, Pedrina! Bem duras que parem de pé! Eu falava na minha impaciência de criança.

E ela engomava novamente, passava, me vestia e penteava meus cabelos crespos, sempre ouvindo meus choramingos.

Aí sentávamos para conversar: lareira acesa, pinhão estourando na brasa, vento gelado passando pelas frestas da porta, lá em Castro onde morávamos.

Castro

E sempre acabávamos pedindo para mamãe contar a “história da Pedrina”.

– “Eu e seu pai”, começava ela, “fomos morar, logo que casamos, em Machado, lá onde você, Silvinha, nasceu. Mas isso foi bem antes de você vir ao mundo. Como seu pai era pastor, visitávamos sempre as famílias da Igreja. Íamos a sítios, casas bem longe do centro e foi numa dessas vezes que chegamos em uma casinha bem pobre, de tábuas, chão de terra batida, apenas um cômodo onde morava a família da Pedrina: pai, mãe e sete filhos. Começamos a conversar, ensinar sobre higiene, cuidado com as crianças, quando vi, espiando pela porta aberta, uma carinha risonha. Colocava a cabeça, olhava, sorria e escondia de novo. Foi quando o pai dela contou-nos que não tinha condições de sustentar sua família, que estavam doentes e que, portanto, iam dar seus filhos. Se quiserem, ele falou, podem escolher qualquer um e levar. Eu então apontei para a porta e disse que era aquela menininha que eu iria levar. E assim, trouxemos a Pedrina para nossa casa. Como ela tinha piolhos, tivemos que raspar sua cabeça após o banho com bucha e sabão. Tiramos os bernes e colocamos creolina. Encontramos carrapatos e tiramos enquanto ela chorava… e nós também. Era magrinha de dar dó, mas fomos tratando com carinho e assim ela se curou e entrou para nossa família”.

Muitas vezes ouvimos essa narrativa e cada vez nos empolgávamos com a parte dos bichos e cada vez os olhos de Pedrina se enchiam de lágrimas de reconhecimento.

Como ela nos amava!

Viveu sempre ao nosso lado até se casar com um cabo do exército que servia com meu irmão.

Não podia ter filhos, mas queria tanto!

Até que um dia conseguiu engravidar e mamãe cuidou dela com infinita paciência, porque sua pressão subia pondo em risco sua vida e do bebê, que veio ao mundo recebendo o nome de Yedda em homenagem à minha mãe.

Mae negra (1)

Viveu pouco, depois disso.

Fiquei com aquela impressão triste de que se foi cedo demais…

Agora só restam lembranças e saudades!

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia)

Imagens: 1) http://www.castro.pr.gov.br; 2) simplismentevida.blogspot.com

O BRINCO QUE NÃO FOI PERDIDO

Era uma moça divorciada, já meio passadinha, mas que se achava a maioral!

Ela era realmente bonita ainda, estava com tudo em cima, mas nem tanto para ficar com essa bola toda.

Estava namorando um “bom partido” e devia dar graças a Deus e sossegar o facho, mas ela simplesmente não conseguia agir assim.

Era maior que ela a vontade de aparecer, ser admirada, valorizada…

Alguém já tinha até comparado esse seu jeito com um sabiá preso na gaiola, olhando para todos os lados com medo de perder alguma coisa.

PassarinhoGaiola

Assim foi que em uma bela noite, saíram os dois para um barzinho da moda.

Lugar agradável, música ambiente, comida gostosa, gente bonita.

Conversa vai, conversa vem e eis que nossa heroína já está desinteressada do seu companheiro, mal ouvindo o que ele fala e, portanto, observando as mesas ao lado.

Seus olhos batem certeiros nos de um homem lindo, maravilhoso, SOZINHO!

– Que falta de sorte! Pensa ela. Justo hoje que vim acompanhada me aparece esse deus grego! 

E tem início a mais descarada paquera!

O coitado do seu namorado nem se dá conta de tamanha canalhice!

Então ela pensa: – vou dar um jeito de ir para casa e volto depois no meu carro!

Foi o que fez.

Simulou aquela dor de cabeça e ele prontamente levou-a para casa.

Entrou por uma porta e saiu por outra.

Pegou seu carro e lá se foi maquinando como faria.

Tirou um brinco de ouro de uma orelha, guardou na bolsa e chegando à porta do bar, perguntou ao segurança se poderia entrar.

– Perdi meu brinco de ouro! Falou fazendo beicinho. Poderia entrar para procurá-lo? Tenho certeza que deixei cair perto da mesa onde estava.

Gentilmente o rapaz abriu a porta e acompanhou-a até a mesa.

Ela foi entrando e seu olhar rapidamente foi até a mesa onde DEVERIA estar o bonitão.

Não estava mais lá!

O homem tinha ido embora!

– Não acredito! Falou entre dentes.

E foi fazer seu papel: procurou o brinco em baixo da mesa, em volta, pediu desculpas, fez cara de triste e saiu.

– Console-se com o que tem! Repetiu para si mesma. Mas que a Globo perdeu uma atriz, isso com certeza!

Abriu a bolsa, pegou o brinco, colocou na orelha e lá se foi sorrindo…

mulher dirigindo

Imagens: 1) carinhoecasa.blogspot.com; 2) escrevalolaescreva.blogspot.com

E ATENÇÃO: NO PRÓXIMO POST, DIA 01 DE DEZEMBRO, COMEÇAM AS RECEITAS E REFLEXÕES NATALINAS, DURANTE TODO O MÊS!!!

O PALITO

Na crise de falta de homem em que o mundo anda, aquelas amigas resolveram sair numa bela noite.

– Vamos para a balada! Disse uma delas.

– Quem sabe não é hoje que vamos encontrar nosso “príncipe encantado”? Falou a outra.

– Estou tendo ótimos presságios! Afirmou a terceira.

E lá foram, animadas, para aquela casa noturna, dançar.

baile

Como o dinheiro estava curto e já tinham que pagar ingresso, dividir estacionamento (quanta roubalheira!), elas pediram um refrigerante que teria que fazer o favor de durar até o final da noite.

Jantar, nem pensar!

Primeiro porque iria a grana da semana e segundo porque ficaria com hálito de comida e como dançar juntinho cheirando molhos e temperos?

Então começa a investigação propriamente dita.

– Tá vendo aquele ali? Mostra uma delas. O cara é velho e arruma uma mocinha que podia ser sua neta!

– E aquela mulher lá? Aponta a outra. Com aquele homem horrível!

– Pelo menos ela tem namorado… fala a última fazendo beicinho.

E a casa vai lotando e elas a olhar para todos os lados.

– Parece que não existem mais homens sozinhos! Observa uma delas. Todos já tem donas…

– Isso sem falar na enxurrada de mulheres que está entrando! Olhem só a porta!

– Nem quero ver!

Nisso, atraídas como por um imã, aqueles três pares de olhos críticos, caem numa mesma mesa.

Elas olham, se entreolham e tornam a observar atentamente.

O homem recém chegado sozinho, num terno m a r a v i l h o s o, senta-se enquanto o garçom , mais do que solícito, lhe entrega o cardápio.

Ele abre, lê, chama educadamente o garçom e faz o seu pedido.

E as três ali, boquiabertas, sem perder nadica de nada.

– Que homem chique!

– Bonitão!

– Tão educado!

O engraçado seria se ele viesse até elas e convidasse uma para dançar!

As outras iriam ficar arrasadas enquanto a escolhida ganharia a noite!

Isso é o que passava pela cabeça das três enquanto não tiravam os olhos de cada movimento daquele pobre ser escolhido.

E lá vem o jantar e ele, como se estivesse sozinho no mundo, vai degustando vagarosamente cada garfada.

– Mas ele realmente é perfeito! Diz a mais velha.

– Um gato! Diz a outra.

– Nossa, gente, será que ele é de verdade mesmo? Pergunta a terceira.

E, terminado o jantar, o garçom volta para retirar os pratos e aquele homem se recosta no espaldar da cadeira, aí sim observando à sua volta.

Parece que, finalmente, ele vai se preparar para escolher alguém para dançar.

As amigas nem piscam!

É quando nosso herói pega um palito (isso mesmo, Danuza, um PALITO!)  e começa a fazer a limpeza com sua boca aberta.

De bocas abertas, além dos olhos, é que ficaram nossas amigas!

Viraram para o outro lado e o encanto acabou…

Tudo!

Menos palito!

Nem pensar!

palito

 Imagens: 1. significado.sonhos.nom.br; 2. historiasdelari.blogspot.com

IRRITAÇÃO

Há alguns anos atrás, minha mãe nos contou um fato que resultou em enormes gargalhadas de todos que ouviam.

– Eu entrei no ônibus (disse ela) com sacolas e pacotes depois de ter andado muito, e todos os lugares estavam ocupados, inclusive aqueles com os dizeres de preferenciais.

assento-preferencial

Parei me equilibrando perto de um deles onde estava sentada uma mocinha que olhou e perguntou se queria que ela levasse meus pacotes.

Respondi agradecendo e completei que eles não estavam cansados, mas eu sim!

Ela se levantou sem graça e me deu o lugar.

– Nossa, mãe, você teve coragem de falar assim? Perguntei.

– Claro! Eu sou uma idosa e estava cheia de razão! Mamãe respondeu.

Hoje em dia sou eu a idosa e tenho percebido o quanto é irritante presenciar a falta de educação das pessoas.

Moro em uma cidade considerada de primeiro mundo onde existe um sistema de transporte com ônibus que são como um metrô de superfície e que param em estações tubo.

curitiba

Primeiro as pessoas que estão dentro, descem para depois as outras que estão esperando, possam subir.

Esse sistema é até bem explicado em gravações que ouvimos durante o trajeto, mas não é assim que acontece.

A porta se abre e as pessoas mal conseguem sair porque outras já estão atropelando na ânsia de chegar primeiro.

E não é por medo de perder o ônibus não, porque ele até faz uma parada demorada.

É por falta de educação mesmo!

E eu fico ali, do lado de fora, parada como um alien, vendo o alvoroço.

Depois de todos saírem, de outros passarem por mim entrando, entro também e com um mau humor terrível!

Não posso fazer como eles, é claro, mas sempre acabo indo em pé porque outros passaram na minha frente.

dentro do ônibus

Outra coisa que me irrita é ver pessoas jogando papel ou outra coisa qualquer, no chão.

Tenho vontade de ir atrás, fazê-los juntar e jogar no cesto que está a poucos passos dali e ainda dar um sermão!

Isso é ser intolerante?

Implicante?

Coisa de velha?

Tenho certeza que não porque sei observar a boa educação, a gentileza, a solidariedade.

Como seria bom conviver com pessoas educadas, numa cidade realmente civilizada!

Por falar nisso, DESCULPEM o desabafo, POR FAVOR não me julguem tão severamente e OBRIGADA pela paciência!

Imagens: 1) turismoadaptado.wordpress.com; 2) foto de Luciano Roncolato; 3) sushicomkibe.com

O TIRO

Acordei com o tiro!

Ainda meio dormindo, ouvi os gritos:

– PARE! É A POLÍCIA! DEITA! DEITA, SEU FILHO DA MÃE!

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Despertei de pronto, olhei para o relógio que mostrava as horas em vermelho sangue:05:00 horas da manhã.

O barulho todo vinha da frente da janela do meu quarto que dava para a entrada do prédio.

Meus sentidos ficaram alertas e, completamente acordada, comecei a tremer.

Podia ouvir os chutes que davam e os gritos de dor na madrugada antes silenciosa.

Era a primeira vez que ouvia um tiro de verdade; apenas um, mas que me deixou pensativa até o dia clarear…

Queria orar e não conseguia.

Não sabia se devia pedir pelo bandido que apanhava ou se pela polícia que batia.

Talvez aquele homem matara alguém ou invadira a casa de pessoas inocentes para roubar ou sequestrar… ou podia ser até um inocente que passava por ali e estava sendo confundido com um suspeito… e os policiais, então?

Podiam estar abusando da autoridade fazendo de um pobre transeunte, um prisioneiro.

Ou não!

Tanta violência!

Uma coisa é assistir, acomodada em um sofá na segurança da sua casa, um filme com saraivas de balas distribuídas em corpos que caem em poças de sangue e outra é ser acordada como fui.

homem caído

Nem cheguei à janela para ver a cena… e o medo de balas perdidas?

E além do mais, foi tudo muito rápido: ouvi o som de um carro saindo apressado e depois o silêncio lá fora e as batidas do meu coração dentro do peito.

Passou muito tempo até eu conseguir dormir novamente.

A manhã serena de domingo me recebeu como sempre: o sol brilhando sobre as folhas das árvores ainda cobertas de orvalho.

Lembrei do tiro e das vozes.

Lembrei que a violência é real.

Fui à Igreja e orei.

Já sabia por quem pedir: por todos nós, criaturas humanas que somente pela misericórdia de Deus, podemos alcançar a paz!

Imagens: 1) dicastrocandoideias.blogspot.com; 2) http://www.rioverdeagora.com.br

19 DIAS SEM RUBEM ALVES

Nunca vai ser demais ler e escrever sobre Rubem Alves.

Ele nasceu em plena primavera de 1933.

Talvez por isso seu amor pelas árvores, principalmente os ipês amarelos onde em carta lida depois de sua morte, ele pede para serem jogadas suas cinzas.

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“Um livro são pedaços de mim espalhados ao vento como sementes, para irem nascer onde o vento as levar”.

Rubem Alves era uma das referências do país em temas relacionados à educação.

Além de educador e escritor, atuou como cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e até psicanalista, de acordo com sua página oficial na internet.

“Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma”.

Um dia, encontrei Rubem Alves e começamos a conversar “mineiramente”, que é falando de saudades.

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”.

Da nossa Minas Gerais e, continuando sobre os pães de queijo e bolinhos de chuva.

Contei a ele que em nossa casa, chamávamos de “bolinho de virar” e contei o porquê: ele vira sozinho quando está fritando na panela…

Ele gostou muito dessa história, mas o melhor mesmo foi que dei a ele, com dedicatória, o meu livro de poesias “Um Pouco de Mim”.

Ele olhou, folheou, agradeceu e colocou em sua pasta de mão dizendo:

– Vou ler no avião!

Gente, fiquei muito feliz!

Imaginei aquela figura tão importante, lendo o MEU livro no avião… não é para qualquer um!

Tudo o que ele escrevia era tão simples de entender e de uma profundidade tão grande!

Cada vez que terminava de ler algum texto dele me sentia tão plena, tão em consonância com suas palavras que me parecia ter eu escrito aquilo…

“Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que nos dá prazer é degustado vagarosamente.”

Sem saber disso, o nome que escolhi para o meu blog é justamente uma mistura de cultura e culinária… acho que ele ficaria orgulhoso de mim!

flor do ipê

“Sei que não resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui… escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês amarelos…”

“Deus existe para tranquilizar a saudade”.

Imagens: sedimentosdateca.blogspot.com

MEU PEDACINHO DE CHÃO

“Era uma vez um lugar chamado Vila de Santa Fé”.

Assim começou essa novela tão encantadora, cheia de pessoas simples, mostrando que existe vida, além de matanças, ciúmes e maus exemplos que cansamos de assistir a todo instante!

Quem não gostaria de morar nesse lugar encantado?

galo meu pedacinho...

Onde a neve cai de repente deixando tudo branquinho, onde a primavera enche de flores os caminhos, onde a locomotiva vem apitando pelas campinas, onde as crianças brincam sossegadamente, onde as mulheres se vestem com longos vestidos e onde existe a delicadeza de movimentos e música pairando no ar?

E esse faz de conta vai chegando ao fim…

Uma novela com um elenco tão enxuto, mas cheia de grandes nomes!

O que é o pequeno (no tamanho) Osmar Prado e que se tornou um gigante na pele do temível e adorável Coronel Epa?

O que é o formidável Antonio Fagundes que adota um andar puladinho, vestido de dono de bar como um Giácomo tão feio?

E o galã de outras novelas, Rodrigo Lombardi, que como Raj despertava suspiros e aparece agora como um barbudo analfabeto de nome Pedro Falcão?

Os verdadeiros atores são assim mesmo: nos encantam com suas atuações em qualquer papel que se nos apresente… grandes nomes que se dispuseram a deixar seus rótulos de galãs para enfeiarem em sua aparência, mas sem deixar de ser menos maravilhosos!

E ele se mostra apaixonado por sua esposa, a dona Tê (Inês Peixoto) que com seu acordeom deu vida à sua casa e chamando-o de “pai” se mostrou de uma versatilidade tão grande… sem dizer que eu nem conhecia essa atriz!

E aí vem a lindíssima Juliana Paes no papel da irriquieta Catarina que conquistava todos com sua risada aberta, escancarada, cheia de charme.

A “perfessora” Juliana (Bruna Linzmaier) com seus cabelos cor de rosa e que desperta a paixão no fabuloso Zelão (Irandir Santos).

Esse Zelão, sem saber, caiu nas graças de milhares de mulheres que o viram como um homem viril, sedutor e de uma sensibilidade tamanha!

pedacinho-de-ch-eo-blog2

E o jovem Ferdinando (Johnny Massaro) que acaba conquistando o coração da indomável Gina (Paula Barbosa) e vivendo uma linda história de amor?

E por aí vem: Padre Santo, o tão querido Emiliano Queiroz; Rodapé (Flávio Bauraqui) com seu jeito esquisito, cantando enquanto tira o leite da vaca; Amância (Dani Ornellas), uma empregada metida e tão amada; Mãe Benta (Teuda Bara) tão especial no seu papel de benzedeira; o Prefeito das Antas (Ricardo Blat) que ficou praticamente irreconhecível nesse papel; Marimbondo (Fernando Sampaio), Izidoro (Raul Barretto), Rosinha (Letícia Almeida) um rosto lindo que acaba conquistando o solitário italiano Giácomo; Doutor Renato (Bruno Fagundes) em sua primeira novela; Tuim (Kauê Ribeiro de Souza) o amigo querido das duas crianças e mais um casal lindo: Milita (Cintia Dicker) com suas sardas e tranças e Viramundo (Gabriel Sater), romântico e com uma voz suave e gostosa de ouvir…

E tem o Galo Bené, testemunha dos grandes acontecimentos da Vila.

E, por último, as duas crianças que, para mim, foram a grande revelação da novela: Pituquinha (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomás Sampaio).

O que eram essas crianças lendo, ou melhor, devorando os livros de Monteiro Lobato?

E a vontade de aprender que as pessoas tinham e a atual crítica sobre a política brasileira, tudo de uma maneira sutil e verdadeira?

Esse vídeo abaixo vai levar vocês a uma viagem musical com todos os personagens dessa novela.

Não deixem de assistir: é emocionante “por demais” e a música Chuá Chuá é um clássico sertanejo lindo!

CHUÁ CHUÁ

Benedito Ruy Barbosa é o autor dessa novela encantadora que já está deixando saudades…

Que venham mais “pedacinhos de chão” para nos encantar e sonhar com novos “Zelões” e que nos levem a voar sobre jardins floridos…

Imagem 1: redeglobo.globo.com; imagem 2: blogs.odiario.com

TRÊS MULHERES ESPECIAIS

Trabalho há anos numa grande empresa e é interessante observar a diferença que existe entre as pessoas.

E nem sou psicóloga…

Primeiro passei a notar a Halina que é uma moça bem jovem e bonita.

Num meio em que, muitas vezes, as pessoas nem se conhecem e mal se cumprimentam, ela oferece o seu “bom dia” mavioso.

Isso mesmo: mavioso, de suave, terno, afável.

Quase vejo notas musicais saindo desse seu bom dia que ela oferece a todos, indistintamente.

– BOM DIA!

notas musicais

A segunda e não menos importante, é a Ana Carla.

Estávamos passando por um período de grande estiagem.

A grama, flores e arvorezinhas do nosso jardim estavam secas e tristonhas.

Aí, uma manhã, dois empregados da manutenção, chegaram com sua máquina Vap de lavar calçadas e começaram a esfregar o pátio demoradamente.

Algumas horas depois ela chega transtornada pedindo que parassem com aquilo, que era muita água sendo desperdiçada.

– São ordens! Responderam eles, continuando.

Ela então vai até a administração e conta o problema.

Mais tarde, ela que sempre se mostrou calma, contou-me que não tinha sido atendida, mas que tinha deixado registrado o seu protesto.

– Não adiantou nada! Disse ela tristemente.

lavadora VAP

Engano seu, minha amiga, são exemplos como o seu que nos fazem parar e pensar!

E a terceira é a Solange.

Nem trabalha mais conosco, mas talvez se soubessem de suas atitudes teria sido mais valorizada.

Nós usamos copos descartáveis para tomar água.

Como eles são muito frágeis, muitas vezes pegamos dois copos para ficar mais firme.

Um belo dia, ela chegou com um presente para todos do setor: um porta copos de plástico duro, perfeito para ser colocado o outro dentro.

– Assim não será preciso usar dois. Um só basta! Ela falou.

Em outra ocasião, na cozinha que fica ao lado, várias canecas e chaleiras ferviam água para o café.

A zeladora que o preparava não estava por ali.

Muitos tinham passado sem fazer nada.

Ela entrou, desligou a chama do gás para não ficar fervendo à toa.

Ninguém viu… só eu, mas foi um exemplo maravilhoso de alguém que, sem se mostrar, fez a sua parte.

chaleira

E eu fiquei pensando com meus botões: ainda bem que existem pessoas como essas mulheres que oferecem sorrisos, que se importam com o meio ambiente, que sabem a importância do poupar!

Nem tudo está perdido!

No final do túnel, existe luz!

uma_luz_no_fim_do_tunel

Imagens: 1) pensando.dihitt.com; 2) http://www.americanas.com.br; 3) http://www.robsonpiresxerife.com; 4) andretaka.wordpress.com

 

DIA DOS NAMORADOS/ PRIMEIRO JOGO DO BRASIL

UAU!!!

As duas comemorações juntas?

Como vai ser?

coração verde e amarelo

Muito se tem escrito sobre o Dia dos Namorados e a estreia do Brasil na Copa e muito tenho lido sobre isso.

Sobre o primeiro, confesso que já nem comemoro mais… meus tempos de namoro já estão bem longe.

Sobre o segundo, sim: gosto de futebol!

Torço e sofro pelo meu time.

Assisto às partidas na TV e, quando não passa, ouço pelo rádio.

Agora, a Copa do Mundo é ainda mais emocionante!

Todos torcemos juntos pelo nosso país.

Penso e fico triste ao lembrar do desperdício de dinheiro, o uso desmedido dele e o quanto poderia ter sido feito em prol de uma vida mais digna para milhares de brasileiros que, esquecidos da dor, do sofrimento e da vergonha, vão pular, torcer e gritar hoje, na hora em que o jogo começar e, como eu, vestir o verde e amarelo.

E passo a observar o casal de namorados que se prepara para assistir o jogo na sala onde estou.

Os dois com a camisa da seleção.

Ele, ansioso, mal olha para ela, parece estar concentrado, contendo a respiração.

Ela, a olhar para ele, pegando em sua mão, esperando palavras ou gestos de carinho nesse dia que é dos dois.

– Será que ele se lembra? Será que comprou alguma coisa para mim?

E começa o jogo e as vozes de um Brasil inteiro cantam unidas ao bater de um só coração… bem próprio para hoje!

bola-brasil

E termina o espetáculo!

E é quando ele se lembra de olhar ao lado e tira da mochila um presente para ela.

Ela sorri feliz e rasga o papel, curiosa, retirando algo de dentro.

Chego mais perto ao ver a decepção estampada no rosto dela!

– Completo! Ele diz com ares de vitória!

Em suas mãos o presente: um álbum de figurinhas da Copa…

Imagens: 1) seuperfilmega.blogspot.com; 2) portalcapacitar.com.br