UM MURO EM MEU CAMINHO

Eu e minhas andanças à pé pela cidade, dou de repente com esse muro e seus dizeres esquisito.

Parei e fotografei para depois refletir sobre quem e por que, alguém escreveria isso.

-Uma mensagem para alguém?

-Uma afirmação para si mesmo?

Comecei a analisar.

“Quando não me amo”, significa que ele se ama algumas vezes e em outras, deixa de se amar.

“Eu me machuco”, essa frase tem várias conotações, como por exemplo:

-ele se fere fisicamente?

-Ele se machuca interiormente?

-Ele já passou por isso quantas vezes, porque deixa implícito que já aconteceu anteriormente.

-Isso faz com que ele tenha necessidade de se manifestar através da escrita?

-Seria o caso dele estar com tantos problemas reais que não consegue se amar?

(Aqui vale uma observação: estou me referindo a ELE, masculino, com a impressão de ter sido um homem a escrever essa frase. Meu instinto falou mais alto…)

Fui olhar no meu amigo Google para ver se existia alguma coisa, como uma música talvez, em que tivesse uma referência a essa frase.

Achei um poema no Youtube de Marina Peralta, onde ela diz: “quando não me amo eu me machuco” e em seguida “lembra? Lembra?” para encerrar com: “me amo, me acolho, me aceito, me escolho.”

Então será que nosso desconhecido passante conhecia essa letra?

Ou foi em um rasgo de emoção que pensou e escreveu?

Seja como for, parei para pensar nesse assunto…

E tudo que pensamos, pode sim virar um texto, um poema ou tema para reflexão.

Como a simples frase escrita no muro, me fez escrever!

Imagens: 1) ponto de interrogação: emojiterra.com; 2) coração partido: noticias.uol.com.br

“EIS QUE, NA PALMA DAS MINHAS MÃOS, TE TENHO GRAVADO; OS TEUS MUROS ESTÃO CONTINUAMENTE PERANTE MIM.” Isaías, 49- 16

 

A POESIA EM MIM

Um dia desses, eu falava para mais ou menos 100 estudantes da oitava e nona séries de um colégio, sobre…poesia.

Comecei contando que aos 10 anos já lia um livro do meu pai que se chamava : “Grandes Poetas Românticos do Brasil”.

E aí já me encantava com os versos épicos de Gonçalves Dias em Juca Pirama, com as aventuras de Navio Negreiro contada por Castro Alves, com o romantismo de Olavo Bilac em Via Láctea, que declamei para eles.

Ouvidos atentos e eu tentando encantar.

Falei então.

-Para começar a escrever você tem que ler muito, vários assuntos e diversos autores. Aos poucos vai pegando o jeito e acaba escrevendo algo que às vezes pode nem achar muito bom, mas que deve procurar guardar em uma gaveta ou uma caixa.

Dali um tempo, lê novamente e vai vendo que até que estava bem interessante. Ou não…

Continuei contando que, um belo dia, há muito tempo atrás, juntei muitas poesias escritas e guardadas e mostrei a meu companheiro nessa época, que eu julgava ser muito inteligente, para dar uma opinião sobre elas.

Pois bem.

Fiquei na maior aflição aguardando sua palavra que pensava ser muito importante para mim.

E foi, não da maneira que eu esperava, mas foi!

Ele leu, tirou os óculos, olhou para mim e disse:

-Fraquinhas!

Pensam que desisti? Pois foi aí que me tornei mais forte!

Bem, o “casamento” acabou, mas meu primeiro livro “Um Pouco de Mim” saiu logo depois pela Fundação Cultural no ano de 2005.

Aplausos!

O importante é não desistir, continuar lendo, aprendendo, escrevendo.

Muitas vezes a poesia surge quase pronta em nossas mentes e aí você tem que correr para colocá-la no papel.

Às vezes demora a acontecer e você então procura frases, palavras e rimas até achá-las de repente o que torna mais vivo esse poeta dentro de nós.

E, outras vezes ainda, você fica tão competente que começa a trabalhar com as palavras fazendo um jogo com elas, como é o caso desse pequeno poema meu:

MUDANÇAS

FULANO ESCREVE ASSIM,

SICRANO ESCREVE ASSADO, 

BELTRANO ASSIM E ASSADO.

EU ASSO ENQUANTO ESCREVO

E QUASE O DEIXO PASSADO.

MAS NÃO PASSOU,

O TEMPO.

O QUE ESCREVO MUDOU,

COMO EU.

É uma magia, uma teimosia que nos faz querer escrever, poetizar sem parar.

Espero que com minhas palavras, tenha despertado em alguns, o poeta adormecido que espera em algum momento, despertar.

NEM TODO O QUE ME DIZ: SENHOR, SENHOR! ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS, MAS AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.”Mateus, 7-21

 

 

SARAU LITERÁRIO

E nessa última quarta feira do mês, tivemos o I Concurso de Poesias Rubens Luiz Sartori, da Academia Mourãoense de Letras.

Foi um aprendizado para todos nós.

Fui uma das selecionadas e quero deixar abaixo, o poema que escrevi e inscrevi.

Na entrada ficaram expostos os livros dos acadêmicos e até parei para fotografar ( meu livro de poesias e o de história infanto juvenil estavam lá).

( Eu, Sinclair, Dalva, Cristina, Nelci e Giselta)

Segue minha poesia.

SOBRE SAUDADES…

Tenho saudades de coisas

que não vivi.

De pessoas que não conheci,

de mundos, momentos,

de sorriso aberto,

escancarado.

_____

De gestos desmedidos,

de cheiros, de gostos,

que nunca senti ou provei.

Tenho saudades

do pranto que chorei

sem saber porquê.

_____

Tenho saudades do luar

que entrava pela fresta da janela.

De sentir seus abraços, 

da brisa, do vento,

do som dos riachos,

do verde das matas.

_____

Tenho saudades da noite,

das estrelas,

do som de um violão.

Da cantiga tristonha

que embala e mexe

com meu coração.

_____

Tenho saudades do vulto,

daquele elo invisível,

do sentimento ausente

como uma sombra a perder.

Ah, tenho tanta saudade

de você, que sequer cheguei a conhecer…

 

(Aqui com os participantes)

“QUEM, POIS, TIVER BENS DO MUNDO E, VENDO O SEU IRMÃO NECESSITADO, LHE CERRAR O SEU CORAÇÃO, COMO ESTARÁ NELE A CARIDADE DE DEUS?”I João, 3- 17.

 

 

 

AH, ESSES POETAS INCOMPREENDIDOS…

Há muito tempo atrás, fui assistir a um júri em uma pequena cidade do interior, onde a promotora era minha amiga.

Ela era bem jovem e bonita e nesse dia se arrumou, como sempre, colocando uma peruca longa (usávamos muito, nesse tempo) e com a faixa vermelha sobre a beca, a saia ficando um pouco mais curta.

Nada de chamativo!

Pois bem, o advogado em sua fala, deu a entender claramente aos jurados, que eles iriam votar a favor da promotoria por ela ser uma bela mulher.

Na réplica, essa minha amiga levantou, parou em frente aos jurados, arrancou com fúria a peruca, tirou a faixa que segurava a toga, essa caindo para bem abaixo dos joelhos e falou:

– Estou tirando meus artifícios de mulher, para que vocês jurados me vejam como a profissional que sou!

Ela ganhou a causa!

Por que estou a contar isso?

Por um fato que aconteceu comigo essa semana.

Fui convidada pela AME (Associação Mourãoense de Escritores) para enviar um poema a ser colocado na página que temos no facebook.

De outra feita, eu já havia colaborado, mas enviei um poema do meu livro Um Pouco de Mim junto com minha foto.

Compartilhei em minha página e escrevi em cima: “momento romântico”.

Quase coloquei um “ka, ka ka”, mas acabei deixando como estava.

Qual não foi minha surpresa quando no dia seguinte vi uma centena de curtidas e comentários em minha página.

Mas, para a decepção da poeta aqui, quase todos falavam da minha foto e pouquíssimos sobre a poesia!

Claro que fiquei lisonjeada!

Quem não gosta de ser chamada de “linda” inúmeras vezes?

Mas ali era a poesia que precisava ter a atenção, ela era a estrela, a criação e não seu criador (no caso eu).

Por isso fiquei pensativa: o poeta quer que sua mensagem seja lida e entendida, que o sentimento dela transborde no coração do seu leitor.

Sem artifícios, sem fotos, somente palavras carregadas de significados e que encontre nos olhos de quem lê, a beleza ali contida.

Na idade em que estou, prefiro ser chamada de “talentosa” do que “linda”, mas se puder juntar as duas coisas, quem sou eu para contrariar meu público?

Da próxima vez, para garantir, vou enviar um poema sem foto!

Aprendi!

Observação: para quem tiver curiosidade de ler o poema, é só clicar aqui em Romantismo e para ver a foto em questão, clique aqui em “Ele Chegou“!

Imagens: 1) tripAdvisor; 2) freepik; 3) pinterest

” DIREI DO SENHOR: ELE É O MEU DEUS, O MEU REFÚGIO, A MINHA FORTALEZA, E NELE CONFIAREI.” Salmos, 91- 2

 

 

UM SÁBADO NA FAZENDA SANTA HELENA

Dalva Araci Lopes Medeiros, uma mulher sábia que aos 81 anos recebeu homenagem da Câmara da Mulher Empreendedora em reconhecimento ao seu trabalho, numa linda festa em maio passado.

E nós que fazemos parte da CME fomos até sua casa, em uma fazenda, onde ela com seu espírito empreendedor, transformou o local em um lugar para eventos.

Ônibus fretado, lotado, e todas numa animação até a chegada lá.

Quem nos recebeu foi ela própria ao lado de seu filho que nos levou a conhecer toda a instalação.

Era só celular tirando fotos daqui e dali, tanta coisa linda para ser registrada e ser vista de novo em casa com carinho.

A casa de paredes tortas e quase centenária que é como se fosse um museu, tantas pequenas coisas usadas antigamente e que vai despertando em nós aquela nostalgia de tempos passados.

O escritório onde seu marido escrevia (ele é falecido) continua intacto como se ele ainda estivesse por ali escrevendo poemas, livros e textos que fizeram dele um membro da Academia Mourãoense de Letras.

Tudo ali contrasta com a modernidade do salão de festas onde pudemos ouvir a doce senhora Dalva, nos contar sua história.

E o café colonial que nos ofereceu?

Só de lembrar dá água na boca!

Agora o que não posso esquecer mesmo, é que fui tirar uma foto ao lado de uma árvore linda, florida e que tinha ao lado um grande cacto com flores.

Não sei como foi, se encostei sem querer, só sei que de repente senti como se mil espinhos me espetassem.

Saí correndo até o banheiro e fui tirando casaco, camiseta procurando algum bicho ou formigas, mas nada!

Não se via nada!

Eram minúsculos, invisíveis como uma poeira mas que me pinicavam sem dó!

Meu corpo ficou com pequenas manchas grosseiras e até em outros dias, senti os espinhos em meu corpo.

Sei lá o que foi…

Procurei no Google, mas não encontrei nada que me desse uma explicação.

Mistério!

Saímos de lá bem a tardinha, sentindo ainda o abraço gostoso dessa senhora linda que uma vez, em seus poemas, o marido definiu mais ou menos assim:

“Dalva, uma estrela em minha vida, minha estrela Dalva!

Isso se chama amor!

“A NINGUÉM DEVAIS COISA ALGUMA, A NÃO SER O AMOR COM QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; PORQUE QUEM AMA AOS OUTROS CUMPRIU A LEI.” Romanos, 13- 8

 

MINHA AVÓ MARIA

Ah, como me lembro dela!

Maria Luiza Pinheiro Novaes de Camargo, um nome extenso para aquela mulher baixinha, gordinha, olhos azuis penetrantes, cabelos curtos bem branquinhos e que chamávamos de tão somente, vó Maria.

Mineira de Jacutinga, nasceu em 1899.

Era enérgica e quando éramos pequenos, a lembrança que me vem dela era de muito brava conosco que passávamos as férias em sua casa.

Mas o momento que mais recordo com muito amor, é o que descrevo a seguir.

Cenário: uma sala de visitas com alguns sofás antigos e no canto, uma cadeira de balanço.

Era a sua cadeira.

Lá ela se sentava depois das tarefas diárias e se balançava.

Seus olhos azuis meio que se fechavam e eu sentia que ela começava a viajar por seu passado, lembrando fatos e coisas meio perdidas nas gavetas do pensamento.

Aí eu me sentava em um banquinho bem próximo a ela, já adivinhando o que viria a seguir.

– Menina, ela perguntava, porque você gosta tanto assim de poesia?

E eu respondia:

– Ah, vó, gosto tanto de ouvi-la declamando…quem sabe um dia eu também escreva e decore poesias como a senhora?

E ela continuava seu balanço como se ele a levasse lá para dentro dos seus guardados…

E começava com “A Doida”.

Era um poema longo que contava a triste história de uma mulher presa em uma torre, mas que sentia saudades de sua vida anterior e terminava com sua morte: “rola a doida pelo chão…”

Nunca encontrei nada sobre esse poema, mas me recordo do início:

“Lá nas brumas do poente

mal desponta o astro do dia,

quando um sabiá plangente

desprende suave melodia.

 

No galho em que pousava

ali bem perto ficava

as janelas gradeadas de sombria prisão

onde triste jazia então,

uma doida encerrada.”

Até aí consigo lembrar, mas o poema vai longe, muito longe…

E ela dizia todos os versos de cor enquanto  continuava seu balançar.

E eu ali, entre admirada e assustada, ouvindo com os ouvidos e o coração.

– Pronto! Terminei! Chega por hoje! Ela falava já mudando o tom de voz.

– Ah, vovó, só mais uma! Prometo! Eu pedia.

E ela recomeçava, balançando, cerrando seus olhos e em silêncio procurando em suas memórias.

Então vinha outra: “Beijos” que começava assim:

“Não queres que eu te beije?

E o beijo é a própria vida!

A invenção mais bela

e sublime do Senhor!”

E aquela menina decorou essa poesia inteira e ainda a diz, de vez em quando, enquanto lembra de sua avó.

Talvez por isso tenha tanta vontade de ter uma cadeira de balanço…

“COROA DOS VELHOS SÃO OS FILHOS DOS FILHOS; E A GLÓRIA DOS FILHOS SÃO SEUS PAIS.” Provérbios, 17- 6.

 

VOU VIRAR IMORTAL!!!

Pois é…

Dia 23 próximo, vou ter a honra de entrar para a ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS.

Mas o que vem a ser uma Academia de Letras?

“É uma instituição literária brasileira, fundada na cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 (Machado de Assis, Olavo Bilac, Ruy Barbosa entre eles).”

Por que seus membros são chamados de “Imortais”?

“A Academia é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, por isso alcunhados imortais, sendo cada novo membro eleito pelos acadêmicos para ocupar uma cadeira vazia devido ao falecimento do último titular.”

(Brasão da AML)

A fundação da AML se deu em 08 de junho de 2001 e instalada em 21 de maio de 2002.

Quando pensei que aquela pessoa que escrevia tão despretenciosamente iria entrar para tão seleto grupo de imortais? 

Mas aos poucos a trajetória foi se desenhando…

Em um encontro com nossa poeta maior Helena Kolody; com a presença de Túlio Vargas, presidente da Academia Paranaense de Letras no lançamento do meu primeiro livro; em palestras sobre literatura; com novo lançamento de livro infantojuvenil; etc.

Meus leitores do blog que amam minhas receitas, vão precisar ter um pouquinho de paciência porque quero colocar fotos e fatos importantes desse dia da minha posse.

Estou muito feliz!

“…PORQUE O SENHOR, VOSSO DEUS, É PIEDOSO E MISERICORDIOSO E NÃO DESVIARÁ DE VÓS O ROSTO, SE VOS CONVERTERDES A ELE.” II Crônicas, 30- 9

 

 

CAMINHOS “IN” VERSOS E PROSAS VII

“Antologia é o conjunto formado por diversas obras (literárias, musicais ou cinematográficas, por exemplo) que exploram uma mesma temática, período ou autoria. 

Na literatura, por norma, as antologias são formadas por diferentes textos (prosas ou versos) que são organizados dentro de um único volume, formando uma coletânea (coleção) de obras que abrangem um tema, período histórico ou autor específico.

Por exemplo, uma antologia poética consiste na reunião de vários poemas diferentes num único livro que, normalmente, são selecionados individualmente pelo autor”.(www.significados.com.br)

E foi assim que no dia 24 de Agosto desse ano, a nova Coletânea da AME (Associação Mourãoense de Escritores) da qual faço parte, foi lançada em um evento com a participação de muitos escritores e amigos.

Contribui com uma poesia “A Poesia e a Cidade” e uma prosa “Mãe África”.

Mas, como vocês sabem, meu blog é uma mistura gostosa de Literatura e Culinária e nessa Antologia encontrei um poema que disse tudo o que eu gostaria de ter escrito, do meu amigo Oswaldoir Capeloto o qual transcrevo para vocês.

BIBLIOTECA DOS VERSOS GOSTOSOS

Desconfio que as confeitarias

deveriam se chamar biblioteca.

Grafadas com letras luminosas,

coloridas, enormes:

-Biblioteca dos Versos Gostosos-

e saborosamente descontraídos.

_____

Meus olhos passeiam sobre cada um desses versos

e os devora com gosto e emoção:

Floresta Negra,

cueca virada,

espera marido,

sonho,

sonho de valsa… A imaginação

se põe a bailar, e baila, baila.

_____

Nega maluca…Ah, essa negra Fulô!

Quindim,

pé de moleque,

leite moça

bolinho de chuva… Quantos pingos d’água

serão necessários para se fazer um?

_____

Beijinho… Que doce!

Brigadeiro,

Suspiro… hum!

Baba de moça… Por quem ela baba?

Quintana babava pelas babás.

_____

Papo de Anjo,

pão de ló,

brisa de liz…Ao longe, ouço um fado de Amália.

Travesseiro de sintra… Sim, meus olhos passeiam

em terras portuguesas.

_____

Minas me serve um pãozinho de queijo

e enquanto o saboreio, boto-me a pensar

de onde vem tanta imaginação

para tão apetitosas guloseimas,

todas recheadas com infindáveis nomes poéticos.

_____

D repente, a lembrança me leva,

por um fio de ouro, até a cidade de Goiás.

Caminho pelos seus becos,

pela igreja do rosário,

pelo palácio conde dos arcos…

_____

Vejo uma ponte, uma casa antiga,

sinto um cheiro de passado e presente

unidos na mesma massa. Adentro a casa,

e nela se revela toda a história

de uma saudosa doceira

que adoçava os doces com açúcar

e a gula,com poesia.

_____

Ah, doce doceira, que doce poetisa!…

Está explicada a razão de tantos

e tão poéticos nomes de doces.

Tudo a ver com poesia.

_____

E assim, refaço a minha desconfiança

para a mais clara das certezas:

As confeitarias deveriam se chamar biblioteca.

-Biblioteca dos Versos Gostosos-

“SE ALGUÉM DIZ: EU AMO A DEUS E ABORRECE A SEU IRMÃO, É MENTIROSO. POIS QUEM AMA SEU IRMÃO , AO QUAL VIU, COMO PODE AMAR A DEUS,A QUEM NÃO VIU? E DELE TEMOS ESSE MANDAMENTO: QUE QUEM AMA A DEUS, AME TAMBÉM SEU IRMÃO.” I João, 4- 20 e 21.

 

 

UM FELIZ ANO NOVO!

 FELIZ_ANO_NOVO_escrito_com_cascata_

“Para você, desejo o sonho realizado.

O amor esperado.

A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida.

Todas as alegrias que puder sorrir.

Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices.

Que sua família esteja mais unida.

Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas… Mas nada seria suficiente… Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes… E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade!”

(www.belasmensagens.com.br)

(Imagem: oficina-do-gif.blogspot.com)

Mais sobre o Ano Novo você encontra em Poetizando o Ano Novo! (clicando em cima) com poemas de Drummond e Quintana.

” O SENHOR TE ABENÇOE E TE GUARDE; O SENHOR FAÇA RESPLANDECER O SEU ROSTO SOBRE TI E TENHA MISERICÓRDIA DE TI; O SENHOR SOBRE TI LEVANTE O SEU ROSTO E TE DÊ A PAZ.” Números 6- 24, 25 e 26

CIDADES ONDE MOREI: 8- CURITIBA (1ª PARTE)

E cá estou eu de volta com a série sobre “Cidades onde morei”…

Morar em Curitiba sempre foi o sonho dos meus pais e foi assim que chegamos.

O ano era 1964 e eu completando 16 anos.

instituto

Entrei no Instituto de Educação do Paraná para fazer o curso Normal, hoje Magistério e comecei a namorar sério aquele que veio a ser meu marido.

Nesses três anos de curso todas as moças eram noivas ou estavam com data marcada para o casamento e era o que meus pais esperavam de mim: ser professora normalista e casar.

E assim foi.

beatles

E foram anos de inúmeros acontecimentos marcantes no Brasil e no mundo: Beatles (eu sempre preferi Elvis Presley), o homem pisando na lua, festival de Woodstock, guerra do Vietnã, Jovem Guarda, Pelé, O Pasquim, etc, etc, etc.

Bem, terminei o curso, dei aulas no Instituto Maria José que ficava na rua Dr. Murici, bem no lugar onde hoje temos um viaduto e… casei.

curitiba anos 60

(Praça Rui Barbosa daquele tempo)

Tendo meu marido passado no concurso para Juiz de Direito, arrumamos nossa mudança e fomos morar no interior do Paraná, uma cidade que pertencia à primeira instância e onde começamos nossa jornada.

E segue um poema da nossa eterna Helena Kolody.

CURITIBA, CIDADE-MENINA
Curitiba, cidade menina
paisagem do meu amanhecer.
Por toda parte, a marca de meus passos,
o fantasma de meus sonhos.
Jardins, pomares,
pinheiros e mais pinheiros,
onde moravam sabiás cantores
e bem-te-vis moleques
As torres da Catedral
olhavam por cima dos sobrados.
Carroças de Santa Felicidade
trepidavam no calçamento das ruas
e faziam tremer a voz cantante
das colonas italianas:
– “Qué comprá lenha,
batata doce, repolho,óvo!”
Bondes elétricos circulavam, vagarosos,
do centro para os bairros.
Perdia-se nos longes
o pregão do peixeiro português:
-“Pei…..xe! Camarão!”
Corria pelas ruas
o anúncio dos pequenos jornaleiros:
– “Gazeta do Dia”
– “Diário da Tarde!”
Estudantes eletrizavam a cidade
com sua ruidosa juventude.
Acotovelavam-se risos e conversas de crianças,
pombos brancos a caminho da escola.
Recordo Curitiba adolescente..
Uma névoa de saudade
me envolve o coração.
Helena Kolody 1997
Helena e eu 001
Para ler um poema meu sobre Curitiba, você clica em: Curitibano.
Imagens: 1) institutoerasmopilotto.blogspot.com; 2) beatlemania.musicblog.com.br; 3) publicar-atualidades.blogspot.com
” DISSE JESUS: O CÉU E A TERRA PASSARÃO, MAS AS MINHAS PALAVRAS NÃO HÃO DE PASSAR.” Mateus, 24- 35.