UM ENCONTRO EM TOLEDO

O primeiro encontro de Academias que participei, foi em Londrina no ano de 2019.

Em 2020 as festividades foram canceladas devido à pandemia.

E nesse outubro de 2021 pudemos, graças a Deus, nos encontrar, claro que com os devidos cuidados, na linda Toledo.

A abertura se deu no Olinda Park Hotel onde fui representando a Academia Mourãoense de Letras.

Cheguei de ônibus em menos de quatro horas e fiquei encantada com a cidade! Quero logo ter outra oportunidade para visitá-la.

As palestras, almoços e jantares foram todas no mesmo local da hospedagem e, logo depois de um banho, fomos todos recepcionados por artistas do Circo Ático.

Coloquei nosso banner em evidência ao lado do 15º Encontro de Toledo.

Às 17 horas deu-se a solenidade de abertura dos trabalhos com a formação da mesa de honra e a presença do prefeito Beto Lunitti, do presidente da Academia de Letras do Paraná, Ernani Buchmann e da presidente da Academia de letras de Toledo, Lucrécia Welter, além de outras autoridades.

O Hino Nacional foi cantado por uma voz feminina e logo depois o Hino da ALT cantado por um casal convidado.

Todos estávamos portando a pelerine e após os discursos foi feita a foto oficial do encontro.

Foi um momento de congraçamento entre as Academias presentes e onde aproveitei para presentear meu livro Acalanto ao presidente da ALP.

Seguiu-se a apresentação de um grupo de 15 mulheres “Encanto Sul” que cantaram e dançaram lindamente.

Enquanto era servido um coquetel, apreciamos a apresentação da Orquestra São Gonçalo de Viola Caipira e numa descontração total, alguns pares saíram bailando…

Assim encerramos esse primeiro dia.

Essa modernidade às vezes chega a me surpreender!

Em duas telas grandes de TV bem posicionadas, chegou até nós o palestrante professor Dr. Stefano Busellato diretamente da Itália.

O tema foi “Dom Quixote: o duelo entre literatura e realidade”.

Envolvente a apresentação mostrando a interpretação romântica e realista do autor onde o herói confunde a ilusão com a realidade.

O autor espanhol, Miguel de Cervantes, trás através de seu livro, que é um dos mais importantes clássicos da literatura, a amada Dulcinéa, o fiel amigo e companheiro Sancho Pança e seu cavalo Rocinante.

Seguimos ainda, pela manhã, com a palestra do Mestre Jorge Pereira, (um jovem rapaz) sobre a “Escrita Criativa e Construção de Personagens”.

Interessante a colocação de que quando criamos um personagem, ele pensa em viver. E segue:

-experimentação verbal- quando o pensamento é transformado em palavras;

-alegorias- personagens e vozes da narrativa;

-símbolo- o personagem tem que existir;

-palavra como elemento fundamental- entrando na narrativa.

Sobre as estruturas: tempo/ espaço/ personagens/ intriga.

Em seguida, vários acadêmicos apresentaram as atividades de suas respectivas academias até irmos almoçar o tão esperado e tradicional “Porco no Rolete”, prato típico da cidade.

Tivemos pouco tempo para o descanso (ainda mais desse almoço delicioso) porque às 14:00 horas já estávamos prontos para uma nova palestra.

Foi a vez do também jovem, Lucas Fonseca com uma mesa de conversa sobre “O Artista em Processo- literatura e artes plásticas”.

Iniciou falando sobre o criador e a criatura, desenvolvendo a visualidade (do autor e do leitor), o tempo e o produto (o livro).

Sobre o livro pensar sobre o pessoal como sua obra e o profissional como o mercado, extensão e o produto.

Logo depois voltamos às apresentações dos acadêmicos contando sobre as atividades das suas respectivas academias.

Foi aí que coloquei o nosso banner à frente, ao meu lado, onde se lia nele toda a nossa programação e projetos.

Como o tempo máximo de explanação era de cinco minutos, comecei saudando as Academias presentes, em nome da nossa presidente Dalva Helena de Medeiros contando sobre a impossibilidade de sua presença por há muito tempo estar com viagem marcada.

Falei sobre o “Café com Letras” e o “Primeiro Concurso Internacional de Poesias” onde naquele mesmo dia (30-10) encerrava as inscrições com mais de 1000 inscritos de todo o Brasil e outros países e também dos diversos lançamentos de livros, sendo pela AML os livros “Ad Immortalitatem” e “Obras Reunidas- Pedro Poleto” e diversos acadêmicos, como: Silvania Maria Costa (Enquanto o Tempo Passava), Dalva Helena de Medeiros (1.História e Trajetória do Curso de Pedagogia da Unespar/Fecilcam; 2. Obra Póstuma: Síntese Existencial Constantino de Medeiros), Jair Elias dos Santos Júnior (1. Araruna, a história de uma Cidade; 2. Uma História de Gerações- 70 anos do Clube Social e Recreativo 10 de Outubro); Marlene Kohts (Um Dia Normal) ; Edcleia Basso (Ensinar e Aprender uma Língua Estrangeira/ adicional nas diferentes idades vol.2) e eu com o lançamento on line do livro Acalanto.

Encerrei minha fala com a poesia “História sem Fim” sobre Campo Mourão.

Foram muitas pessoas usando a palavra para saudações e o momento foi de congraçamento.

Aproveitamos para observar a exposição de telas distribuídas juntamente com os banners das outras Academias presentes.

Tivemos um tempo para descansar antes de voltarmos para assistir a apresentação da Invernada Adulta do CTG- Província Gaúcha com muita animação por parte de todos os presentes.

Em seguida, a ALT prestou uma homenagem a todas as instituições presentes onde cada acadêmico foi convocado a fazer uma poesia para outra academia visitante.

Recebi três poemas, sendo dois para a AML e outra para a Academia de Filosofia de Campo Mourão.

Muito singelo o gesto escrito em letra cursiva e em papel pergaminho.

Fomos então ao jantar em comemoração aos 10 anos da ALT, com direito a bolo e mais fotos.

Nesse momento a chuva veio forte o que prejudicou a presença de muitos ao Sarau dos Acadêmicos que era em outro prédio.

Eu mesma fui diretamente ao meu apartamento para um merecido descanso.

Às nove horas do domingo, já depois de um gostoso café, voltamos para a palestra on line –interativa, da professora doutora Sonia Sirtoli Farber sobre “As Interfaces da Tanatologia nas Produções Literárias e sua contribuição para o enfrentamento das perdas”.

Ela, uma pessoa extremamente doce e gentil, iniciou falando sobre a realidade da morte.

Mas o que vem a ser a Tanatologia?

A ciência da vida e da morte que visa entender o processo de morrer e do luto.

E as letras são uma forma de imortalidade.

Escrever é uma resistência à morte que não deixa de ser uma realidade normal.

Quando fala sobre “sermos salvos pelos nossos autores”, ela deixa claro seu imenso reconhecimento a Dostoievski (Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov), seu autor preferido.

Deixando em aberto para perguntas ou interferências, fui a primeira a levantar e recitar o haicai de minha autoria:

Os poetas mortos

estão vivos nas lembranças.

Viverei um dia?

Foram feitas várias outras intervenções após a palestra aplaudidíssima por todos e em seguida passou-se aos temas sobre a pandemia onde diversos autores, inclusive eu com a poesia “E não houve Carnaval…”, leram seus poemas.

O término foi com o momento ALCA ( Associação das Academias de Artes e Letras do Paraná) com apresentação de trabalhos e da diretoria gestão 2023-2024 a ser eleita e empossada no 16º encontro em Irati, novembro de 2022.

A presidente da ALT e ALCA, Lucrécia Welter Ribeiro, foi homenageada com agradecimentos e flores.

Foi lida a Carta de Toledo com a avaliação do encontro e encerrada a solenidade.

Após o almoço, despedidas e saldo positivo com novos amigos que fizemos.

Acima eu e LUCRÉCIA, depois EDY, eu e MALGARETE/ abaixo MARIA EUNICE, eu, MARLENE e MARIA DILONÊ

Voltei para casa com um casal muito amável da cidade de Cornélio Procópio, Solange e professor Armando Paulo da Silva, representando a Academia de lá.

E preparem-se todos:

2023 o 17º Encontro de Academias vai ser aqui!!!

Acima, os acadêmicos da Academia de Letras de Toledo que tão bem nos recepcionaram.

Gratidão!

Campo Mourão espera todos de braços abertos!

“Ó SENHOR, SENHOR NOSSO, QUÃO ADMIRÁVEL É O TEU NOME SOBRE TODA A TERRA!” Salmos, 8- 9

POESIA EM VÍDEO

Há muito tempo, coloquei no youtube alguns vídeos de histórias infantis.

Na verdade, 4 pequenas histórias e um vídeo das comidinhas da vovó.

Nunca mais coloquei nada ali.

Acontece que comecei a gravar vídeos de poesias que me pediam para colocar em reuniões online, como manda a pandemia.

Assim gravei alguns e resolvi postá-los em outro canal do youtube com o nome de Sílvia Fernandes- POESIAS (assim como está escrito com o acento agudo e tudo).

Esse foi o primeiro que gravei para a AML (Academia Mourãoense de Letras), um poema de minha autoria: BAILARINA.

“FESTA JUNINA”, é o tema dessas quadrinhas que fiz para um sarau online da AME (Associação Mourãoense de Escritores).

Essa poesia também é minha e foi a pedido da AML e se chama : CONVERSA COM A NATUREZA.

Pablo Neruda é o autor desse pequeno poema sobre as “estações do ano” e gravei para a AME que pediu para um sarau sobre a PRIMAVERA.

Bem, por enquanto são só esses, mas gostei da ideia e a partir de agora vou gravar mais algumas poesias para esse canal.

Se quiserem, o link é:

https://www.youtube.com/channel/UC8lnrkD_MpUaU3mujn4vRWw

Espero que tenham gostado!

“O SENHOR, TEU DEUS, ESTÁ NO MEIO DE TI, PODEROSO PARA TE SALVAR; ELE SE DELEITARÁ EM TI COM ALEGRIA; CALAR-SE-Á POR SEU AMOR, REGOZIJAR-SE-Á EM TI COM JÚBILO.” Sofonias, 3- 17

ACALANTO ( MEU CAÇULA)!

Sempre chamo de filho os meus livros e falei sobre isso ao meu editor.

Então, numa tarde da semana passada, recebo uma ligação dele dizendo:

-Sílvia, tem uma criança aqui do meu lado chorando querendo a mãe!

Levei um milésimo de segundo até entender e soltar um grito: UAU!!!

Pois é.

O JAIR ELIAS DOS SANTOS JÚNIOR, da NOVA HISTÓRIA ASSESSORIA E GESTÃO CULTURAL, chegou trazendo nos braços, a minha criação!

Mas vamos começar do começo!

2020, um ano em que o mundo parou!

E fui desafiada a me submeter a novos hábitos de vida.

E em meio a tudo isso, eis que me encontro enclausurada, debruçando sobre textos guardados, a espera de saírem de suas gavetas.

Foi então que decidi reunir em um volume só, as Crônicas, Haicais e Poesias deixando pronto para depois que a pandemia passar (e ela vai passar), mostrar que em meio a reclusão, podemos sim continuar a sonhar.

E esse “ACALANTO” é mais uma realização de um sonho!

(Isso acima está escrito na orelha do livro)

Pensei muito em quem iria escrever o prefácio desse livro, mas quando pensei nele, foi como se sempre fosse dele essa tarefa: FÁBIO SEXUGI, presidente da ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS, biênio 2019 e 2020.

E ele escreveu tão lindamente que me emocionei ao ler!

A dedicatória também não foi difícil: “Para minhas filhas VIVIANE e FABIANE, com amor”.

É claro que já tenho outro preparado e que vai ser dedicado a meu filho PAULO EMÍLIO.

Essa capa linda foi obra do TIAGO SILVA ( o mesmo que desenhou a capa do nosso livro da Academia).

A revisão deixei a cargo da minha filha FABIANE PROHMANN, sendo que esse é o segundo livro que ela faz esse trabalho.

Agora, por que ACALANTO?

Porque esse nome remete a um momento único de carinho, prazer, de sentimento bom.

Me faz lembrar de uma cadeira de balanço, que é onde quero ficar contando histórias, declamando poesias, recitando haicais.

ACALANTO é um desejo profundo de estar em paz, conversando com você, meu amigo leitor.

Que possamos traduzir nesse embalo da palavra a sonoridade da minha alma para a sua.

(Isso está na contra capa do livro)

Já dei uma dica sobre ele em SPOILER- PALAVRA DA MODA em outro post.

No lançamento do livro O NASQUIMI DOURADO E OUTRAS HISTÓRIAS, pude fazer uma verdadeira festa com muitos convidados, coquetel, fotos, etc.

Veja lá em: Ele chegou!!!A festa para ele!!! como foi tudo lindo!

Esse ano, devido a pandemia, os lançamentos de livros estão sendo através de lives pelo Facebook, na página da Academia Mourãoense de Letras.

E é lá que farei assim que minhas filhas que moram fora do Brasil, chegarem.

Então é isso!

Aguardem para ler!!!

“POR TI TENHO SIDO SUSTENTADO DESDE O VENTRE; TU ÉS AQUELE QUE ME TIRASTE DO VENTRE DE MINHA MÃE; O MEU LOUVOR SERÁ PARA TI CONSTANTEMENTE.” Salmos, 71- 6

UM MURO EM MEU CAMINHO

Eu e minhas andanças à pé pela cidade, dou de repente com esse muro e seus dizeres esquisito.

Parei e fotografei para depois refletir sobre quem e por que, alguém escreveria isso.

-Uma mensagem para alguém?

-Uma afirmação para si mesmo?

Comecei a analisar.

“Quando não me amo”, significa que ele se ama algumas vezes e em outras, deixa de se amar.

“Eu me machuco”, essa frase tem várias conotações, como por exemplo:

-ele se fere fisicamente?

-Ele se machuca interiormente?

-Ele já passou por isso quantas vezes, porque deixa implícito que já aconteceu anteriormente.

-Isso faz com que ele tenha necessidade de se manifestar através da escrita?

-Seria o caso dele estar com tantos problemas reais que não consegue se amar?

(Aqui vale uma observação: estou me referindo a ELE, masculino, com a impressão de ter sido um homem a escrever essa frase. Meu instinto falou mais alto…)

Fui olhar no meu amigo Google para ver se existia alguma coisa, como uma música talvez, em que tivesse uma referência a essa frase.

Achei um poema no Youtube de Marina Peralta, onde ela diz: “quando não me amo eu me machuco” e em seguida “lembra? Lembra?” para encerrar com: “me amo, me acolho, me aceito, me escolho.”

Então será que nosso desconhecido passante conhecia essa letra?

Ou foi em um rasgo de emoção que pensou e escreveu?

Seja como for, parei para pensar nesse assunto…

E tudo que pensamos, pode sim virar um texto, um poema ou tema para reflexão.

Como a simples frase escrita no muro, me fez escrever!

Imagens: 1) ponto de interrogação: emojiterra.com; 2) coração partido: noticias.uol.com.br

“EIS QUE, NA PALMA DAS MINHAS MÃOS, TE TENHO GRAVADO; OS TEUS MUROS ESTÃO CONTINUAMENTE PERANTE MIM.” Isaías, 49- 16

 

A POESIA EM MIM

Um dia desses, eu falava para mais ou menos 100 estudantes da oitava e nona séries de um colégio, sobre…poesia.

Comecei contando que aos 10 anos já lia um livro do meu pai que se chamava : “Grandes Poetas Românticos do Brasil”.

E aí já me encantava com os versos épicos de Gonçalves Dias em Juca Pirama, com as aventuras de Navio Negreiro contada por Castro Alves, com o romantismo de Olavo Bilac em Via Láctea, que declamei para eles.

Ouvidos atentos e eu tentando encantar.

Falei então.

-Para começar a escrever você tem que ler muito, vários assuntos e diversos autores. Aos poucos vai pegando o jeito e acaba escrevendo algo que às vezes pode nem achar muito bom, mas que deve procurar guardar em uma gaveta ou uma caixa.

Dali um tempo, lê novamente e vai vendo que até que estava bem interessante. Ou não…

Continuei contando que, um belo dia, há muito tempo atrás, juntei muitas poesias escritas e guardadas e mostrei a meu companheiro nessa época, que eu julgava ser muito inteligente, para dar uma opinião sobre elas.

Pois bem.

Fiquei na maior aflição aguardando sua palavra que pensava ser muito importante para mim.

E foi, não da maneira que eu esperava, mas foi!

Ele leu, tirou os óculos, olhou para mim e disse:

-Fraquinhas!

Pensam que desisti? Pois foi aí que me tornei mais forte!

Bem, o “casamento” acabou, mas meu primeiro livro “Um Pouco de Mim” saiu logo depois pela Fundação Cultural no ano de 2005.

Aplausos!

O importante é não desistir, continuar lendo, aprendendo, escrevendo.

Muitas vezes a poesia surge quase pronta em nossas mentes e aí você tem que correr para colocá-la no papel.

Às vezes demora a acontecer e você então procura frases, palavras e rimas até achá-las de repente o que torna mais vivo esse poeta dentro de nós.

E, outras vezes ainda, você fica tão competente que começa a trabalhar com as palavras fazendo um jogo com elas, como é o caso desse pequeno poema meu:

MUDANÇAS

FULANO ESCREVE ASSIM,

SICRANO ESCREVE ASSADO, 

BELTRANO ASSIM E ASSADO.

EU ASSO ENQUANTO ESCREVO

E QUASE O DEIXO PASSADO.

MAS NÃO PASSOU,

O TEMPO.

O QUE ESCREVO MUDOU,

COMO EU.

É uma magia, uma teimosia que nos faz querer escrever, poetizar sem parar.

Espero que com minhas palavras, tenha despertado em alguns, o poeta adormecido que espera em algum momento, despertar.

NEM TODO O QUE ME DIZ: SENHOR, SENHOR! ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS, MAS AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.”Mateus, 7-21

 

 

SARAU LITERÁRIO

E nessa última quarta feira do mês, tivemos o I Concurso de Poesias Rubens Luiz Sartori, da Academia Mourãoense de Letras.

Foi um aprendizado para todos nós.

Fui uma das selecionadas e quero deixar abaixo, o poema que escrevi e inscrevi.

Na entrada ficaram expostos os livros dos acadêmicos e até parei para fotografar ( meu livro de poesias e o de história infanto juvenil estavam lá).

( Eu, Sinclair, Dalva, Cristina, Nelci e Giselta)

Segue minha poesia.

SOBRE SAUDADES…

Tenho saudades de coisas

que não vivi.

De pessoas que não conheci,

de mundos, momentos,

de sorriso aberto,

escancarado.

_____

De gestos desmedidos,

de cheiros, de gostos,

que nunca senti ou provei.

Tenho saudades

do pranto que chorei

sem saber porquê.

_____

Tenho saudades do luar

que entrava pela fresta da janela.

De sentir seus abraços, 

da brisa, do vento,

do som dos riachos,

do verde das matas.

_____

Tenho saudades da noite,

das estrelas,

do som de um violão.

Da cantiga tristonha

que embala e mexe

com meu coração.

_____

Tenho saudades do vulto,

daquele elo invisível,

do sentimento ausente

como uma sombra a perder.

Ah, tenho tanta saudade

de você, que sequer cheguei a conhecer…

 

(Aqui com os participantes)

“QUEM, POIS, TIVER BENS DO MUNDO E, VENDO O SEU IRMÃO NECESSITADO, LHE CERRAR O SEU CORAÇÃO, COMO ESTARÁ NELE A CARIDADE DE DEUS?”I João, 3- 17.

 

 

 

AH, ESSES POETAS INCOMPREENDIDOS…

Há muito tempo atrás, fui assistir a um júri em uma pequena cidade do interior, onde a promotora era minha amiga.

Ela era bem jovem e bonita e nesse dia se arrumou, como sempre, colocando uma peruca longa (usávamos muito, nesse tempo) e com a faixa vermelha sobre a beca, a saia ficando um pouco mais curta.

Nada de chamativo!

Pois bem, o advogado em sua fala, deu a entender claramente aos jurados, que eles iriam votar a favor da promotoria por ela ser uma bela mulher.

Na réplica, essa minha amiga levantou, parou em frente aos jurados, arrancou com fúria a peruca, tirou a faixa que segurava a toga, essa caindo para bem abaixo dos joelhos e falou:

– Estou tirando meus artifícios de mulher, para que vocês jurados me vejam como a profissional que sou!

Ela ganhou a causa!

Por que estou a contar isso?

Por um fato que aconteceu comigo essa semana.

Fui convidada pela AME (Associação Mourãoense de Escritores) para enviar um poema a ser colocado na página que temos no facebook.

De outra feita, eu já havia colaborado, mas enviei um poema do meu livro Um Pouco de Mim junto com minha foto.

Compartilhei em minha página e escrevi em cima: “momento romântico”.

Quase coloquei um “ka, ka ka”, mas acabei deixando como estava.

Qual não foi minha surpresa quando no dia seguinte vi uma centena de curtidas e comentários em minha página.

Mas, para a decepção da poeta aqui, quase todos falavam da minha foto e pouquíssimos sobre a poesia!

Claro que fiquei lisonjeada!

Quem não gosta de ser chamada de “linda” inúmeras vezes?

Mas ali era a poesia que precisava ter a atenção, ela era a estrela, a criação e não seu criador (no caso eu).

Por isso fiquei pensativa: o poeta quer que sua mensagem seja lida e entendida, que o sentimento dela transborde no coração do seu leitor.

Sem artifícios, sem fotos, somente palavras carregadas de significados e que encontre nos olhos de quem lê, a beleza ali contida.

Na idade em que estou, prefiro ser chamada de “talentosa” do que “linda”, mas se puder juntar as duas coisas, quem sou eu para contrariar meu público?

Da próxima vez, para garantir, vou enviar um poema sem foto!

Aprendi!

Observação: para quem tiver curiosidade de ler o poema, é só clicar aqui em Romantismo e para ver a foto em questão, clique aqui em “Ele Chegou“!

Imagens: 1) tripAdvisor; 2) freepik; 3) pinterest

” DIREI DO SENHOR: ELE É O MEU DEUS, O MEU REFÚGIO, A MINHA FORTALEZA, E NELE CONFIAREI.” Salmos, 91- 2

 

 

UM SÁBADO NA FAZENDA SANTA HELENA

Dalva Araci Lopes Medeiros, uma mulher sábia que aos 81 anos recebeu homenagem da Câmara da Mulher Empreendedora em reconhecimento ao seu trabalho, numa linda festa em maio passado.

E nós que fazemos parte da CME fomos até sua casa, em uma fazenda, onde ela com seu espírito empreendedor, transformou o local em um lugar para eventos.

Ônibus fretado, lotado, e todas numa animação até a chegada lá.

Quem nos recebeu foi ela própria ao lado de seu filho que nos levou a conhecer toda a instalação.

Era só celular tirando fotos daqui e dali, tanta coisa linda para ser registrada e ser vista de novo em casa com carinho.

A casa de paredes tortas e quase centenária que é como se fosse um museu, tantas pequenas coisas usadas antigamente e que vai despertando em nós aquela nostalgia de tempos passados.

O escritório onde seu marido escrevia (ele é falecido) continua intacto como se ele ainda estivesse por ali escrevendo poemas, livros e textos que fizeram dele um membro da Academia Mourãoense de Letras.

Tudo ali contrasta com a modernidade do salão de festas onde pudemos ouvir a doce senhora Dalva, nos contar sua história.

E o café colonial que nos ofereceu?

Só de lembrar dá água na boca!

Agora o que não posso esquecer mesmo, é que fui tirar uma foto ao lado de uma árvore linda, florida e que tinha ao lado um grande cacto com flores.

Não sei como foi, se encostei sem querer, só sei que de repente senti como se mil espinhos me espetassem.

Saí correndo até o banheiro e fui tirando casaco, camiseta procurando algum bicho ou formigas, mas nada!

Não se via nada!

Eram minúsculos, invisíveis como uma poeira mas que me pinicavam sem dó!

Meu corpo ficou com pequenas manchas grosseiras e até em outros dias, senti os espinhos em meu corpo.

Sei lá o que foi…

Procurei no Google, mas não encontrei nada que me desse uma explicação.

Mistério!

Saímos de lá bem a tardinha, sentindo ainda o abraço gostoso dessa senhora linda que uma vez, em seus poemas, o marido definiu mais ou menos assim:

“Dalva, uma estrela em minha vida, minha estrela Dalva!

Isso se chama amor!

“A NINGUÉM DEVAIS COISA ALGUMA, A NÃO SER O AMOR COM QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; PORQUE QUEM AMA AOS OUTROS CUMPRIU A LEI.” Romanos, 13- 8

 

MINHA AVÓ MARIA

Ah, como me lembro dela!

Maria Luiza Pinheiro Novaes de Camargo, um nome extenso para aquela mulher baixinha, gordinha, olhos azuis penetrantes, cabelos curtos bem branquinhos e que chamávamos de tão somente, vó Maria.

Mineira de Jacutinga, nasceu em 1899.

Era enérgica e quando éramos pequenos, a lembrança que me vem dela era de muito brava conosco que passávamos as férias em sua casa.

Mas o momento que mais recordo com muito amor, é o que descrevo a seguir.

Cenário: uma sala de visitas com alguns sofás antigos e no canto, uma cadeira de balanço.

Era a sua cadeira.

Lá ela se sentava depois das tarefas diárias e se balançava.

Seus olhos azuis meio que se fechavam e eu sentia que ela começava a viajar por seu passado, lembrando fatos e coisas meio perdidas nas gavetas do pensamento.

Aí eu me sentava em um banquinho bem próximo a ela, já adivinhando o que viria a seguir.

– Menina, ela perguntava, porque você gosta tanto assim de poesia?

E eu respondia:

– Ah, vó, gosto tanto de ouvi-la declamando…quem sabe um dia eu também escreva e decore poesias como a senhora?

E ela continuava seu balanço como se ele a levasse lá para dentro dos seus guardados…

E começava com “A Doida”.

Era um poema longo que contava a triste história de uma mulher presa em uma torre, mas que sentia saudades de sua vida anterior e terminava com sua morte: “rola a doida pelo chão…”

Nunca encontrei nada sobre esse poema, mas me recordo do início:

“Lá nas brumas do poente

mal desponta o astro do dia,

quando um sabiá plangente

desprende suave melodia.

 

No galho em que pousava

ali bem perto ficava

as janelas gradeadas de sombria prisão

onde triste jazia então,

uma doida encerrada.”

Até aí consigo lembrar, mas o poema vai longe, muito longe…

E ela dizia todos os versos de cor enquanto  continuava seu balançar.

E eu ali, entre admirada e assustada, ouvindo com os ouvidos e o coração.

– Pronto! Terminei! Chega por hoje! Ela falava já mudando o tom de voz.

– Ah, vovó, só mais uma! Prometo! Eu pedia.

E ela recomeçava, balançando, cerrando seus olhos e em silêncio procurando em suas memórias.

Então vinha outra: “Beijos” que começava assim:

“Não queres que eu te beije?

E o beijo é a própria vida!

A invenção mais bela

e sublime do Senhor!”

E aquela menina decorou essa poesia inteira e ainda a diz, de vez em quando, enquanto lembra de sua avó.

Talvez por isso tenha tanta vontade de ter uma cadeira de balanço…

“COROA DOS VELHOS SÃO OS FILHOS DOS FILHOS; E A GLÓRIA DOS FILHOS SÃO SEUS PAIS.” Provérbios, 17- 6.

 

VOU VIRAR IMORTAL!!!

Pois é…

Dia 23 próximo, vou ter a honra de entrar para a ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS.

Mas o que vem a ser uma Academia de Letras?

“É uma instituição literária brasileira, fundada na cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 (Machado de Assis, Olavo Bilac, Ruy Barbosa entre eles).”

Por que seus membros são chamados de “Imortais”?

“A Academia é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, por isso alcunhados imortais, sendo cada novo membro eleito pelos acadêmicos para ocupar uma cadeira vazia devido ao falecimento do último titular.”

(Brasão da AML)

A fundação da AML se deu em 08 de junho de 2001 e instalada em 21 de maio de 2002.

Quando pensei que aquela pessoa que escrevia tão despretenciosamente iria entrar para tão seleto grupo de imortais? 

Mas aos poucos a trajetória foi se desenhando…

Em um encontro com nossa poeta maior Helena Kolody; com a presença de Túlio Vargas, presidente da Academia Paranaense de Letras no lançamento do meu primeiro livro; em palestras sobre literatura; com novo lançamento de livro infantojuvenil; etc.

Meus leitores do blog que amam minhas receitas, vão precisar ter um pouquinho de paciência porque quero colocar fotos e fatos importantes desse dia da minha posse.

Estou muito feliz!

“…PORQUE O SENHOR, VOSSO DEUS, É PIEDOSO E MISERICORDIOSO E NÃO DESVIARÁ DE VÓS O ROSTO, SE VOS CONVERTERDES A ELE.” II Crônicas, 30- 9