AH, ESSES POETAS INCOMPREENDIDOS…

Há muito tempo atrás, fui assistir a um júri em uma pequena cidade do interior, onde a promotora era minha amiga.

Ela era bem jovem e bonita e nesse dia se arrumou, como sempre, colocando uma peruca longa (usávamos muito, nesse tempo) e com a faixa vermelha sobre a beca, a saia ficando um pouco mais curta.

Nada de chamativo!

Pois bem, o advogado em sua fala, deu a entender claramente aos jurados, que eles iriam votar a favor da promotoria por ela ser uma bela mulher.

Na réplica, essa minha amiga levantou, parou em frente aos jurados, arrancou com fúria a peruca, tirou a faixa que segurava a toga, essa caindo para bem abaixo dos joelhos e falou:

– Estou tirando meus artifícios de mulher, para que vocês jurados me vejam como a profissional que sou!

Ela ganhou a causa!

Por que estou a contar isso?

Por um fato que aconteceu comigo essa semana.

Fui convidada pela AME (Associação Mourãoense de Escritores) para enviar um poema a ser colocado na página que temos no facebook.

De outra feita, eu já havia colaborado, mas enviei um poema do meu livro Um Pouco de Mim junto com minha foto.

Compartilhei em minha página e escrevi em cima: “momento romântico”.

Quase coloquei um “ka, ka ka”, mas acabei deixando como estava.

Qual não foi minha surpresa quando no dia seguinte vi uma centena de curtidas e comentários em minha página.

Mas, para a decepção da poeta aqui, quase todos falavam da minha foto e pouquíssimos sobre a poesia!

Claro que fiquei lisonjeada!

Quem não gosta de ser chamada de “linda” inúmeras vezes?

Mas ali era a poesia que precisava ter a atenção, ela era a estrela, a criação e não seu criador (no caso eu).

Por isso fiquei pensativa: o poeta quer que sua mensagem seja lida e entendida, que o sentimento dela transborde no coração do seu leitor.

Sem artifícios, sem fotos, somente palavras carregadas de significados e que encontre nos olhos de quem lê, a beleza ali contida.

Na idade em que estou, prefiro ser chamada de “talentosa” do que “linda”, mas se puder juntar as duas coisas, quem sou eu para contrariar meu público?

Da próxima vez, para garantir, vou enviar um poema sem foto!

Aprendi!

Observação: para quem tiver curiosidade de ler o poema, é só clicar aqui em Romantismo e para ver a foto em questão, clique aqui em “Ele Chegou“!

Imagens: 1) tripAdvisor; 2) freepik; 3) pinterest

” DIREI DO SENHOR: ELE É O MEU DEUS, O MEU REFÚGIO, A MINHA FORTALEZA, E NELE CONFIAREI.” Salmos, 91- 2

 

 

ANDANÇAS

Engraçado como as coisas boas acontecem até sem planejamento…

E isso aconteceu num domingo de setembro.

Acordei num dia lindo de sol e calor, com todo aquele dia pela frente e sem saber o que fazer.

Não demorou muito e o whatsapp apitou.

Minhas duas amigas, Ester e Giselta estavam perguntando o que eu achava de irmos até a Fazendinha passar o dia.

-Que ótimo! Um programa para hoje! Vamos sim! Falei alegre.

A Pousada Fazendinha pertence a um casal amigo, a Iracema e o Denir, que transformaram esse local em um encanto de lugar!

E, depois de nos encontrarmos na Praça, onde todos os domingos acontece a Feira Criativa da cidade, seguimos para lá.

E ali estavam eles: ela percorrendo tudo para se certificar que tudo corria bem e ele em uma mesa à beira da piscina, saboreando um vinho branco.

Pois foi ali que ficamos, entre conversas e lembranças, saindo de vez em quando para tirar algumas fotos do lugar.

E chegou a hora do almoço!

Que comida gostosa!

Eu, como boa mineira, me servi de carne de porco pururuca e da abóbora assada com açúcar mascavo.

Depois, sobremesa!

E se engana quem pensou que aí fomos deitar na rede para um repouso tranquilo.

Que nada… minhas duas amigas que estão acostumadas a fazer trilhas, me chamaram para andar numa delas que cortava a pousada.

E lá fui eu: com meu vestido africano, bolsinha nas mãos e mule!

Isso mesmo! Completamente despreparada para o feito!

Mas fui!

E elas riram muito de mim e eu aproveitava para deixar tudo mais engraçado do que já estava.

Até um lagarto enorme elas viram, mas eu não vi!

Estava agarrada aos arbustos pelo caminho até chegar a ponte pênsil, que foram duas, enquanto elas me zoavam muito.

Quando chegamos ao final da trilha, parei, levantei os braços e gritei:

-consegui!!!

E saiu essa foto!

Querem me convidar para uma próxima trilha (verdadeira) que farão no final do mês.

Não sei não…

Acho que fiquei satisfeita com essa!

“CERTAMENTE QUE A BONDADE E A MISERICÓRDIA ME SEGUIRÃO TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA; E HABITAREI NA CASA DO SENHOR POR LONGOS DIAS.” Salmos 23- 6

 

 

 

FÉRIAS COM OS NETOS

Tem coisa melhor nessa vida do que netos?

Tá bem, você ainda nãos os tem, mas prepare-se: você vai babar por eles.

São seres que vem para encher nossas vidas de alegria e tudo se torna um recomeço para nós!

(Os quatro no trator da fazenda em Campo Mourão))

São dois os filhos da minha filha Viviane: Isadora, 10 anos e Heitor, 7 anos; e dois do meu filho Paulo Emílio: Cesar, 5 anos e Daniel, 2 anos e meio.

Fico a observar cada um em seu jeito tão peculiar de ser, com sua personalidade própria, com suas qualidades, gostos e sentimentos.

Um é extremamente amoroso, que gosta de ficar abraçado, ninhado no colo, dando e recebendo beijos e abraços.

Outro nunca gostou de beijos… mas nem por isso deixa de ser um encanto.

Uma já esta na fase de pré adolescência, muitas vezes se isolando em seu quarto, enquanto brinca de…bonecas! A eterna magia entre ser criança ou não…

O menor, com seus gostos por esqueletos, mas que são originários de desenhos que assiste. Tudo normal!

Já escrevi poemas sobre cada um deles; já escrevi crônicas; escrevi historinhas e fiz vídeos; contei muitas histórias vestida de contadora; brinquei de roda; joguei mico, montei quebra cabeça, brinquei de loja e restaurante, cantei para dormirem…

Isso e mais um pouco, mas tão pouco que queria mais…

Sou imensamente feliz por poder participar de suas histórias de vida e, quando eu virar uma estrela no céu, eles terão lembranças, livros e blog para verem a vovó Sílvia que sempre e sempre os amou!

Mas isso é para depois!

Ainda quero assistir formaturas, casamentos e muito mais ( kkkkkk!)!

(Lanchando no Burger King)

Vou ser uma velhinha presente e feliz, se Deus assim o permitir!

Por enquanto, vou aproveitando essa infância linda que me enche de encantamento e me faz renascer a cada dia!

“MAS A MISERICÓRDIA DO SENHOR É DE ETERNIDADE A ETERNIDADE SOBRE AQUELES QUE O TEMEM, E A SUA JUSTIÇA SOBRE OS FILHOS DOS FILHOS.” Salmos, 103- 17

 

 

SERTÃO DE CIMA

Lá pelos idos de 1957, morávamos em Sengés, uma pequena cidade do Paraná e onde fiz o terceiro ano primário.

Minhas lembranças dessa época se resumem a poucas coisas, como o bulling que sofri na escola e a uma viagem que fiz com meus pais a um lugar chamado Sertão de Cima.

Frequentávamos a Igreja Presbiteriana local e nela havia uma família que possuía uma caminhonete, dessas abertas na parte de trás.

Pois bem.

Numa linda manhã de um sábado qualquer, fomos fazer um culto nesse lugar que fica bem distante da cidade que, como o nome mesmo diz, fica num alto onde chegamos depois de percorrer estradas sinuosas.

Valeu a pena, porque a vista era realmente maravilhosa: campos verdes, vales, rios, bem abaixo de nós!

Chegamos a um agrupamento de casas, todas muito simples, e crianças foram cercando o carro onde nos encontrávamos.

Papai com sua bíblia em mãos, se posicionou; minha mãe com seu acordeon começou a tocar e a melodia foi enchendo o ar; e eu fui colocada no alto da carroceria da caminhonete  quando comecei a cantar.

Eu sabia muitos hinos de cor e tinha realmente uma voz bem afinada para meus nove anos.

As portas se abriam, pessoas iam se chegando alegremente e, quando víamos, já eram muitas ao redor de nós.

Eu nunca tive vergonha ou qualquer problema em cantar: era o que eu sabia fazer naquele momento.

Depois disso, meu pai pregava a palavra.

Foi assim que terminado o dia, fomos dormir em uma casa onde me encantei com uma ninhada de gatinhos e com o colchão de palha onde dormi.

Que alto, que macio!

Mas a noite ainda me reservava surpresas!

Acenderam lampiões pela casa e havia um movimento de passos prá lá e prá cá, e qual não foi meu espanto ao ouvir bem alto, um choro de bebê!

-Acabou de nascer um nenenzinho aqui no quarto ao lado. Disse minha mãe empolgada!

E foi assim que na manhã seguinte entrei no quarto ao lado para conhecer o pequenino que dormia tranquilo no colo de sua mãe.

Sem médico, sem luz elétrica, sem nada!

Fomos embora, mas aquela cena de tão irreal permaneceu em minha lembrança.

Um lugar tão extraordinário e um acontecimento tão inusitado!

É para nunca ser esquecido, mesmo após mais de sessenta anos!

Imagens ilustrativas: 1) blogdobilhetepremiado.com 2) tripadivisor.com.br; 3) falandodeviagem.com.br

“Ó SENHOR, QUÃO VARIADAS SÃO AS TUAS OBRAS! TODAS AS COISAS FIZESTE COM SABEDORIA; CHEIA ESTÁ A TERRA DAS TUAS RIQUEZAS.” Salmos, 104- 24

 

 

 

BRUNO E MARRONE

Você já caiu de paraquedas em algum lugar e se sentiu hiper deslocado?

Um peixe fora d´água?

Pois isso aconteceu comigo!

Depois de comparecer a um compromisso específico e importante em que fui vestida com um terninho escuro e camisa de seda, recebi na saída o convite para assistir ao show de Bruno e Marrone.

“De graça até injeção vencida”, pensei.

-Puxa, mas são nove e meia ainda e o show começa a que horas mesmo? O quê? Uma hora da manhã? Perguntei.

Bem, fomos a um restaurante para fazer hora e tomamos vinho, comemos uns petiscos deliciosos e lá por onze e meia saímos.

O Cannuce Centro de Eventos foi inaugurado recentemente e fica fora do centro da cidade e a fila de carros para chegar ao local era imensa e desanimadora.

Quase uma hora para chegar ao estacionamento, mas como estávamos em três, fomos conversando e ouvindo música .

Uma noite linda, com lua crescente e um vento frio no desacampado do lugar.

Entramos.

Realmente estou por fora dessa modernidade toda: as moças, lindas, pareciam estar em um desfile de modas, com saltos altíssimos ( nem sei como vieram andando desde o estacionamento) e vestindo quase nada!

E eu de terninho!

Um peixe fora d´água mesmo!

O som altíssimo, filas para o bar, filas para o banheiro e nós ali em pé.

-Mas o nosso ingresso não dizia área VIP? Pergunto já louca para sentar.

-Sim, mas é aqui mesmo. Responde minha amiga. E não tem lugar para sentar, todos ficam em pé.

Olhei para a frente e vi o palco lá longe e milhares de pessoas na minha frente.

Uma e meia da manhã e eles, até que enfim, adentram o palco.

Bruno e Marrone é uma dupla brasileira de música sertaneja e são aplaudidíssimos ao entrar.

Coloquei meus óculos para enxergar melhor, mas que nada, só via a imagem deles no telão…

Que frustrante!

E as músicas?

Não conhecia nenhuma!

O povo cantando e eu cansada mexendo o corpo prá não destoar mais do que já estava destoando.

-Cadê as músicas que sei, tipo “Dormi na Praça” e “Boate Azul”?

Foi quando minha amiga , que estava destoando tanto quanto eu, me convida para ir embora.

Ufa!

Saímos de lá loucas para entrar no quentinho do carro, chegar em casa no aconchego do amado cobertor e dormir.

Eram quase três horas da manhã quando cheguei em casa.

-Definitivamente, isso não é para mim! Resmunguei.

No outro dia, contei a meu filho onde tinha ido.

-O quê? Minha mãe na balada? Não acredito! Ele fala caçoando.

E eu respondo rindo:

-Última vez!

“ASSIM, OS DERRADEIROS SERÃO PRIMEIROS, E OS PRIMEIROS, DERRADEIROS, PORQUE MUITOS SÃO CHAMADOS , MAS POUCOS, ESCOLHIDOS.” Mateus, 20-16

CAFÉ COM LETRAS

Que faço parte da Academia Mourãoense de Letras, vocês já sabem (é só ler lá em Foram tantas Emoções….).

Que gosto de café, todos sabem também, é só olhar nas receitas dos bolos onde escrevo: tudo de bom com um café.

E que gosto de livros, claro que estão cansados de saber!

Pois é!

Juntem tudo isso e olhem no que dá: domingo, manhã de céu azul, aquele calorzinho gostoso, uma feira com mil novidades, pessoas passeando e uma barraca com o quê?

Acertou quem pensou em LIVROS E CAFÉ!

Que dupla imbatível!

E ali em volta, nós, os escritores com seus livros, em conversas animadas com os passantes que chegam e param, pegam um ou outro livro e…resolvem levar.

(Dalva, eu, Maurício, Benedita, Giselta, Silvania, Gilson e Jair com sua filha)

Um pai se aproxima com sua filha que observa atentamente os livros à mostra.

– Olá! Eu digo. Quantos anos você tem?

– Nove. Responde ela.

Pego então o meu livro infanto-juvenil “O Nasquimi Dourado e outras Histórias” e entrego a ela.

– Você vai gostar de ler esse. Falo sorrindo.

O pai olha a capa e pergunta:

– Quem é Sílvia, a autora?

– Eu mesma. Respondo.

Ele fica mais interessado e comenta com sua filha em como é bom conhecer uma escritora.

– Vou levar. Ele diz.

Chamo então a menina e digo que vou escrever uma dedicatória a ela.

– Como é o seu nome? Pergunto.

– Hannah! E soletra para mim. É a mesma coisa de trás para a frente. Completa.

– Que lindo nome você tem. Eu falo enquanto escrevo para depois entregar.

Fizeram questão de uma foto.

É isso que nos faz sentir a importância desse nosso Café com Letras.

A conversa com um público que ainda não conhece os autores de sua própria cidade!

(Eu, Benedita e Giselta)

(Nós com a primeira dama Hosana)

A reunião gostosa de nós “imortais” tão e apenas mortais como todos que por ali passam

Aquela sensação de estarmos contribuindo com um pouquinho daquilo que temos e sabemos para outras pessoas.

É maravilhoso ver as pessoas saindo dali felizes com seus livros nos braços.

É gratificante o olhar agradecido de quem leva para casa aquilo que nós passamos dias, meses e até anos pensando e escrevendo.

E o que dizer desse encontro dentro dessa barraca onde trocamos ideias, fazemos planos, brincamos uns com os outros?

(Nosso presidente Fabio Sexugi fazendo uma selfie)

São letras que esvoaçam e vão colorindo o céu da nossa cidade.

Isso tudo enquanto tomamos um café!

“NÃO PEÇO QUE OS TIRE DO MUNDO, MAS QUE OS LIVRES DO MAL.” João, 17- 15

 

 

 

NO TEMPO DO TEMPO

É tão gratificante olhar através do tempo e resgatar pessoas e momentos de um passado distante!

Como já disse Salomão: “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.

E foi assim que passados 40 anos, pude me encontrar com uma amiga de quando aqui morei: Jose.

Ela era tão especial na sua maneira de ser, de conversar, além do que foi ela quem me ensinou a fazer bolos recheados onde o recheio principal era o amor.

(Lanche em sua casa em nosso primeiro encontro)

Estou escrevendo era, mas quando a encontrei, pude observar que ela continua a mesma pessoa de antes, de uma meiguice ímpar.

E foi interessante o modo como a reencontrei.

Eu já andava há tempos com dores nas pernas e então resolvi consultar um ortopedista.

Como não conhecia nenhum aqui (lembrem-se que retornei para Campo Mourão há três anos) pedi orientação de uma amiga que conhece a cidade inteira.

Ela me deu o nome do médico e disse:

-Ele é filho da Jose!

-Como assim? Perguntei. Da Jose nossa amiga que me ensinou a fazer bolos?

-Sim, ela mesma! Afirmou.

Claro que fui me consultar com ele e fiz mil perguntas sobre sua mãe.

Saí de lá com a receita para minhas dores e com o telefone da minha amiga.

Quando liguei para ela foi um sentimento gostoso, como se o tempo não tivesse passado.

Bem, aí fui até o apartamento onde ela mora e o abraço disse tudo: saudades, um olhar demorado para ver como estávamos (ela parece não ter mudado em nada) e perguntas e mais perguntas para serem respondidas em torno da mesa de café.

Depois desse dia, em 28 de maio, com muita chuva, voltamos a nos encontrar, dessa vez em minha casa e com a presença de mais duas amigas que também não se viam há bastante tempo.

(Jose com Rose e com Maria Teresa)

E em volta da mesa de café da tarde, tiramos selfies, fotos, rimos muito, conversamos com a promessa de nos encontrarmos mais vezes agora.

(Mesa de café bem mineira que preparei em casa)

Pois é, mais uma amiga que junto a tantas outras nessa cidade!

Como diz o final dos versos de Mário Quintana sobre o laço e o abraço: “então o amor e a amizade são isso… não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.”

“O AMOR SEJA NÃO FINGIDO. ABORRECEI O MAL E APEGAI-VOS AO BEM.” Romanos, 12-9

 

 

A PESCARIA

 

Ah, um dia lindo de sol nessas manhãs outonais em que a natureza parece explodir em cores!

E lá vamos nós, filho, nora e dois netos para um Pesque Pague perto da nossa cidade.

Um lugar perfeito: tudo muito limpo, as casinhas cobertas, cada uma com duas cadeiras onde nos sentamos confortavelmente.

Eu animadíssima tirando fotos de tudo que via.

Pegamos três varas, sendo uma para mim, outra para meu filho e a terceira para meu neto que tem quase cinco anos.

Vara pronta, isca no anzol, a linha sendo lançada e olho na boia colorida.

-Mãe, fica atenta para quando a boia afundar pois é a hora em que o peixe está mordendo a isca. Aí é só fisgar e puxar. Explicou o meu filho.

-Ok, ok! Já entendi. Falei como se soubesse tudo a respeito.

Nossa, a minha pose era de uma profissional: calça jeans, camisão, boné e aquele ar de quem sabe que vai tirar o maior peixe da água.

Todos sentados, quietos e os peixes começam a pular, aqui, ali, prá fora, uma festa peixal!

-Peguei um! Fala o meu filho.

E vai puxando uma tilápia grande.

Coloca no balde onde ela começa a se debater até parar.

-Papai, fisguei um! É meu neto gritando e meu filho corre para ajudar a puxar uma enorme irmã daquela outra.

Começo a ficar preocupada!

Um senhor que trabalha ali mesmo, chega perto e joga uma porção de comidinhas e a água parece ficar viva com tantos peixes sassaricando por ali!

-Agora pego um! Falei.

Que nada… eles nem ligavam para minha isca e iam direto para a do meu filho que ia tirando e tirando e eu ficando sem graça e sem graça…

Disfarçadamente eu me chegava perto de onde eles estavam, mas continuava sendo ignorada.

Meu neto ainda pegou mais dois.

Meu filho pegou um que pesou 2 quilos, num total de 10 quilos de peixes.

E eu ali, dando banho na minhoca, que nem minhoca era…

De repente cansei de brincar daquilo.

Fui ver os homens limpar os peixes, tirei fotos dos quatis e acabei no restaurante comendo tilápias fritinhas e tomando uma cervejinha gelada.

Mas antes de ir embora, fiz pose com o peixe que meu filho tinha acabado de pescar…

É,“o mar não está prá peixe”, já disse alguém, mas serviu para eu chegar em casa e fazer o que sei: escrever sobre esse dia de pescaria!

“E DISSE-LHES: VINDE APÓS MIM, E EU VOS FAREI PESCADORES DE HOMENS.” Mateus, 4-19

 

 

 

 

 

 

 

A COBRA

Nunca pensei em escrever sobre isso, mas o fato é que hoje (04 de maio) tive o desprazer e pavor de ver uma cobra dentro da minha sala!

A sensação é terrível!

No piso bem branquinho, aquela coisa horrorosa se arrastando e entrando pelo corredor em direção aos quartos.

Surtei!

Nas portas da sala e da cozinha, eu tenho um rolo de areia que veda toda a extensão do vão delas, mas isso foi pensando em inibir eventualmente a entrada de baratas ou aranhas. Nunca pensando em cobras!

Mas a porta da sala estava aberta nesse momento…

Peguei o celular e chamei, quase sem conseguir, os bombeiros.

-Tem uma cobra dentro da minha casa! Falei tremendo.

-Calma, minha senhora, onde ela está? Perguntou.

-No corredor, quase no meu quarto!

-Quanto ela mede?

Pai do céu, como se eu pudesse pensar em medidas nessa hora… para mim ela era terrivelmente grande!

-Uns 80 centímetros. Falei.

-Qual a cor dela?

-Moço, por favor, manda alguém aqui que estou muito nervosa! Ah, sim, a cor é escura.

-Senhora, não precisa ficar nervosa. Ela não vai pular e nem picar. Qual o seu endereço?

Passei, implorando que ele viesse logo!

E ele calmamente:

-Se a senhora não se acalmar vou ter que mandar uma ambulância junto para socorrê-la. É preciso?

-Não, não precisa, vou me acalmar! Falei baixando a voz.

Aí então fui de longe seguindo o trajeto que ela fazia DENTRO DA MINHA CASA!!!

Entrou no meu quarto, passou por trás das cortinas, embaixo da cama e voltou para o corredor.

Enquanto isso fechei as portas dos outros quartos e banheiros.

E ela veio vindo, passando pela sala (aí eu já estava na área do lado de fora), atrás do sofá e pelos cantos veio vindo até sair na área.

Nessa hora os bombeiros chegaram.

Três!

Com uma caixa grande, ganchos, luvas e tudo mais.

-Ela está ali, moço. Indiquei a peçonhenta.

E eles riram…

-Essa é uma cobra cega, não faz nada. E dizendo isso, pegou-a com a mão enluvada.

Então o outro disse:

-Parece uma minhoca gigante…

E eu começando a ficar envergonhada falei:

-Olha, eu não sei o nome dela, só sei que fiquei apavorada. De onde ela pode ter vindo? Será que tem outras por aí?

-Vem da grama, dos matos desse terreno aí perto e sim, claro que tem outras, respondeu.

Puxa vida, será que ele não podia me acalmar e mentir um pouco?

E o terceiro falou:

-Oitenta centímetros, eim? Vamos deixar pela metade! E continuou: o dia que entrar outra, a senhora pega uma vassoura e joga ela prá fora…

-Hã? Brincadeira, né? Outra? Moços, obrigada por terem vindo! Falei agradecida.

E eles foram rindo para a viatura com a cobra na mão…

Pois é…

Sei que por muito tempo vou ficar com a sensação de ver outra dentro de casa.

Entrei e de repente alguma coisa roça em minha perna.

Dou um grito!

Era só uma mosca esvoaçando por ali…

“… MALDITA SERÁS MAIS QUE TODA BESTA E MAIS QUE TODOS OS ANIMAIS DO CAMPO; SOBRE O TEU VENTRE ANDARÁS E PÓ COMERÁS TODOS OS DIAS DA TUA VIDA. E POREI INIMIZADE ENTRE TI E A MULHER…” Gênesis, 3-14 e 15.

 

 

 

 

MINHA AVÓ MARIA

Ah, como me lembro dela!

Maria Luiza Pinheiro Novaes de Camargo, um nome extenso para aquela mulher baixinha, gordinha, olhos azuis penetrantes, cabelos curtos bem branquinhos e que chamávamos de tão somente, vó Maria.

Mineira de Jacutinga, nasceu em 1899.

Era enérgica e quando éramos pequenos, a lembrança que me vem dela era de muito brava conosco que passávamos as férias em sua casa.

Mas o momento que mais recordo com muito amor, é o que descrevo a seguir.

Cenário: uma sala de visitas com alguns sofás antigos e no canto, uma cadeira de balanço.

Era a sua cadeira.

Lá ela se sentava depois das tarefas diárias e se balançava.

Seus olhos azuis meio que se fechavam e eu sentia que ela começava a viajar por seu passado, lembrando fatos e coisas meio perdidas nas gavetas do pensamento.

Aí eu me sentava em um banquinho bem próximo a ela, já adivinhando o que viria a seguir.

– Menina, ela perguntava, porque você gosta tanto assim de poesia?

E eu respondia:

– Ah, vó, gosto tanto de ouvi-la declamando…quem sabe um dia eu também escreva e decore poesias como a senhora?

E ela continuava seu balanço como se ele a levasse lá para dentro dos seus guardados…

E começava com “A Doida”.

Era um poema longo que contava a triste história de uma mulher presa em uma torre, mas que sentia saudades de sua vida anterior e terminava com sua morte: “rola a doida pelo chão…”

Nunca encontrei nada sobre esse poema, mas me recordo do início:

“Lá nas brumas do poente

mal desponta o astro do dia,

quando um sabiá plangente

desprende suave melodia.

 

No galho em que pousava

ali bem perto ficava

as janelas gradeadas de sombria prisão

onde triste jazia então,

uma doida encerrada.”

Até aí consigo lembrar, mas o poema vai longe, muito longe…

E ela dizia todos os versos de cor enquanto  continuava seu balançar.

E eu ali, entre admirada e assustada, ouvindo com os ouvidos e o coração.

– Pronto! Terminei! Chega por hoje! Ela falava já mudando o tom de voz.

– Ah, vovó, só mais uma! Prometo! Eu pedia.

E ela recomeçava, balançando, cerrando seus olhos e em silêncio procurando em suas memórias.

Então vinha outra: “Beijos” que começava assim:

“Não queres que eu te beije?

E o beijo é a própria vida!

A invenção mais bela

e sublime do Senhor!”

E aquela menina decorou essa poesia inteira e ainda a diz, de vez em quando, enquanto lembra de sua avó.

Talvez por isso tenha tanta vontade de ter uma cadeira de balanço…

“COROA DOS VELHOS SÃO OS FILHOS DOS FILHOS; E A GLÓRIA DOS FILHOS SÃO SEUS PAIS.” Provérbios, 17- 6.