MÁSCARAS

Depois de 10 semanas postando vídeos de receitas, hoje coloco essa poesia que fiz e que serve para amenizar um pouco nossa atual situação, tentando deixar mais leve o momento.

(E assim estamos nós…)

(Imagem: drogariaspacheco.com.br)

MÁSCARAS

Ando vendo tantas

e até eu uso uma.

Tem de grife, de luxo,

de lixo e papel;

Tem de pano, colorida

e até azul pastel.

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Vejo cobrindo o rosto,

mas de fora o nariz.

Outras no queixo,

coitadas,

sem serventia prá nada,

debalde, como se diz.

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Mascarado, antigamente,

era alguém dissimulado.

Agora vejo tantos

que nem mais

ao certo sei…

Melhor é ficar calado.

———-

Pudera o vírus tá aí!

E eu o quero bem longe!

Nem posso passar meu batom

que agora aposentado

na gaveta continua

cuidadosamente guardado.

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Vamos deixar os olhos

sorrindo e bem maquiados.

São eles que agora aparecem

sob a máscara no rosto,

na espera que a covid

depressa perca seu posto!



“NUNCA MAIS TERÃO FOME, NUNCA MAIS TERÃO SEDE; NEM SOL NEM CALMA ALGUMA CAIRÁ SOBRE ELES, PORQUE O CORDEIRO QUE ESTÁ NO MEIO DO TRONO OS APASCENTARÁ E LHES SERVIRÁ DE GUIA PARA AS FONTES DAS ÁGUAS DA VIDA; E DEUS LIMPARÁ DE SEUS OLHOS TODA LÁGRIMA.” Apocalipse, 7- 16 e 17.

ELA, ELE E O HAICAI

Ela era tão jovem e sonhadora…

Gostava de flores, das árvores, dos animais do campo, dos riachos e do silêncio.

Passava horas sentada embaixo daquela “sua” árvore, um ipê florido, à beira do lago.

Pensava em quão lindas seriam as cerejeiras do Japão…

Tinha a maior vontade de conhecer suas origens e esse país que ela admirava tanto por suas paisagens belíssimas e pessoas tão apegadas às suas tradições!

Em seu colo, sempre um livro aberto ou um caderno no qual escrevia seus haicais e poemas.

“PERFUME NO AR,

JAPONESAS CONVERSANDO.

SÃO AS CEREJEIRAS.”

Nesse momento, fechou os olhos e pareceu ouvir as vozes sussurradas das japonesas sob as árvores carregadas de flores.

Sentiu o perfume que exalavam e abrindo os olhos tomou em suas mãos uma folha de papel que começou a dobrar, várias vezes, sem formar nada.

– Por que não consigo fazer maravilhas como fazem os japoneses?

E novamente escreveu:

“AS DOBRAS SUTIS

NO PAPEL TOMARAM FORMAS.

SÃO OS ORIGAMIS.”

– Ainda bem que consigo me expressar escrevendo. Falou baixinho.

– Não deixa de ser uma forma linda de se expressar também! Alguém disse.

Ela olhou assustada, repentinamente tirada do seu devaneio, para um jovem japonês parado ao seu lado.

– Por favor, não se assuste! Disse ele. Tenho passado sempre por aqui e vejo você sozinha, tão pensativa, sempre a ler, a escrever. Fico lá longe observando, mas hoje tomei coragem para me aproximar.

E ele se sentou ao lado da jovem.

Começava aí uma grande amizade, uma história de repartir conhecimentos, sonhos e amor.

Ficavam horas ali conversando.

Ele a contar histórias do seu país, ela a contar causos do seu.

Lá de longe, quem olhasse veria, às vezes, ela dançando tão leve, enquanto ele olhava encantado e, outras vezes, ela sorrindo muito enquanto ele mostrava a dança dos samurais.

De repente paravam e começavam a escrever.

Faziam isso muitas vezes e um mostrava ao outro, os versos que escreviam.

“VEM VINDO APRESSADO!

NO SILÊNCIO, OUÇO O GALOPE.

CAVALGO NO VENTO.”

– Eu sou como aquele que cavalga no vento. Disse ele. Venho de longe e quem sabe um dia, volto em suas asas…

“FLORES PROCURANDO

UM GIRASSOL AMARELO.

O SOL LÁ NO CÉU.”

– E esse que acabo de escrever é como sou. Disse ela. Em eterna procura de outros povos, outras pessoas, outros lugares.

E assim passavam os dias e eles se aproximando cada vez mais.

Em um dia, ela encontrou um papel dobrado em seu caderno.

“NA ESSÊNCIA DA VIDA

DESCUBRO, CHEIO DE ENCANTO,

PERFUME DE AMOR.”

Ela sorriu e guardou aquela declaração tão singela dele.

O tempo foi passando e um dia ele contou que precisava retornar ao seu país.

“MISTURARAM GOSTOS,

GESTOS, SALIVAS, TEMORES.

CHORARAM NO ADEUS.”

– Eu volto! Disse ele. Volto para te buscar!

E dia após dia, lá estava ela, com o caderno aberto em seu colo, muitas vezes o olhar perdido e, algumas vezes, lendo alto o que acabara de escrever.

“MURCHARAM AS FLORES,

PÉTALAS SE DERRAMARAM.

LÁGRIMAS DE DOR!”

E ela chorava baixinho lembrando quão doces foram os momentos passados com ele.

“ CHEIRO DE PERFUME

NA PELE LIMPA DO BANHO.

VOLTE, MEU AMOR!”

E as chuvas caíram e ela lá a escrever:

“A CHUVA CAINDO

MOLHA OS PENSAMENTOS MEUS.

ESTOU NAUFRAGANDO!”

E ali, naquele lugar onde foi tão feliz tantas vezes, ela se deixou ficar, as gotas da chuva misturadas com suas lágrimas sentidas.

Achou que ia morrer…

Sua roupa molhada, tão fria, colava em seu corpo já tão fraco da espera.

Fechou os olhos e começou a ouvir a melodia dos sinos dos ventos espalhados nas árvores ao redor.

Aos poucos foram sumindo e ela sentiu que estava prestes a entrar em um outro mundo.

De repente, sentiu uma pressão forte em seu corpo e estava com que pairando no ar.

Eram braços fortes que a seguravam com todo o carinho possível e a levavam para baixo de um abrigo.

“ AH, AQUELES RAIOS

ROMPENDO POR ENTRE FOLHAS!

DE NOVO ESPERANÇA.”

Ela abre os olhos e tudo se transforma!

“ DE REPENTE, O SOL.

É LUZ, CALOR, ENERGIA!

TRANSFORMO MEU CORPO!”

-Voltei para te buscar! Ele diz.

E ela, como por encanto, sente-se revigorada!

E quem olhasse de longe, veria o casal, mãos dadas, seguindo em direção ao arco íris no céu.

“ NAS MÃOS, UMA FLOR.

LEVO COMIGO FELIZ,

UM BRINDE AO AMOR!”

 

Essa história escrevi há muito tempo atrás e é uma homenagem a um povo ao qual tenho profunda admiração.

Foi publicada na “CIDADE EM REVISTA”, número 48 de fevereiro de 2018, da minha amiga, Cidinha Coletty.

Imagens: 1) rotadeferias, 2) 3) e 4) Pinterest

“A ESPERANÇA DEMORADA ENFRAQUECE O CORAÇÃO, MAS O DESEJO CHEGADO É ÁRVORE DE VIDA.” Provérbios, 13- 12

 

SETE ANOS E UM POEMA

E não é que o Blog está completando seus sete anos?

Tanta coisa passou por ele:  viagens, crônicas, poesias, indicações de livros, receitas de tricô e crochê, histórias e vídeos infantis e muitas e muitas receitas!

E são mais de 180 mil acessos do Brasil e de tantos outros países que fico pensando na minha responsabilidade em escrever para tantas pessoas em 119 países diferentes!

Por isso, PARABÉNS e vida longa para ele!

(Imagem do bolo feita pela @arteempapelluanda, da minha filha Viviane)

Muitas vezes fico sem inspiração para escrever poesias…

De repente ela surge, do nada, e foi assim com essa, que escrevi em tempos de quarentena.

 

BAILARINA

Diáfana, transparente,

um ser quase invisível

que se movimenta leve,

quase indolente,

ao sabor da minha mente.

——————–

Os braços sobem e descem

graciosos; e os pés,

quase a flutuar,

seguem a cadência

da música a tocar.

——————–

De repente, ela está em mim,

projetando como em tantos sonhos,

sonhei…

E me vejo solta,

enfim…

——————–

Ela sou eu,

bailarina errante no tempo,

que sobrevoa a vida

semeando versos

do melhor de mim.

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E não há limites

para o que hoje sou.

Danço ao sabor do vento.

Não tenho pressa,

o que se foi, passou…

Imagens: pinterest

ENTÃO A VIRGEM SE ALEGRARÁ NA DANÇA, E TAMBÉM OS JOVENS E OS VELHOS; E TORNAREI O SEU PRANTO EM ALEGRIA, E OS CONSOLAREI, E TRANSFORMAREI EM REGOZIJO A SUA TRISTEZA.” Jeremias, 31- 13

 

 

 

POESIA DE NATAL

POESIA DE NATAL

Enfeite a árvore de sua vida

com guirlandas de gratidão!

Coloque no coração laços de

cetim rosa,

amarelo, azul, carmim,

decore seu olhar com luzes

brilhantes

estendendo as cores em seu

semblante.

_____

Em sua lista de presentes

em cada caixinha embrulhe

um pedacinho de amor,

carinho,

ternura,

reconciliação,

perdão!

_____

Tem presente de montão

no estoque do nosso coração

e não custa um tortão!

A hora é agora!

Enfeite seu interior!

Sejas diferente!

Sejas reluzente!

CORA CORALINA

“Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu na Cidade de Goiás, em 20 de agosto de 1889 e foi uma poetisa e contista.

Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais) quando já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.” (Wikipédia)

Já são muitos Natais que passo escrevendo mensagens aqui no blog.

Se quiser reler algumas, basta clicar nos endereços abaixo.

Sobre o Natal– de minha autoria

Não Havia Lugar– meu pai, Rossine Sales Fernandes

Reflexões Natalinas I

Reflexões Natalinas II

Reflexões Natalinas III

Imagens: 1) casashopping.com; 2) pensador.com

“PORQUE ME FEZ GRANDES COISAS O PODEROSO; E SANTO É O SEU NOME. E A SUA MISERICÓRDIA É DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO SOBRE OS QUE O TEMEM.”-(Cântico de Maria)- Lucas, 1- 49 e 50.

 

A POESIA EM MIM

Um dia desses, eu falava para mais ou menos 100 estudantes da oitava e nona séries de um colégio, sobre…poesia.

Comecei contando que aos 10 anos já lia um livro do meu pai que se chamava : “Grandes Poetas Românticos do Brasil”.

E aí já me encantava com os versos épicos de Gonçalves Dias em Juca Pirama, com as aventuras de Navio Negreiro contada por Castro Alves, com o romantismo de Olavo Bilac em Via Láctea, que declamei para eles.

Ouvidos atentos e eu tentando encantar.

Falei então.

-Para começar a escrever você tem que ler muito, vários assuntos e diversos autores. Aos poucos vai pegando o jeito e acaba escrevendo algo que às vezes pode nem achar muito bom, mas que deve procurar guardar em uma gaveta ou uma caixa.

Dali um tempo, lê novamente e vai vendo que até que estava bem interessante. Ou não…

Continuei contando que, um belo dia, há muito tempo atrás, juntei muitas poesias escritas e guardadas e mostrei a meu companheiro nessa época, que eu julgava ser muito inteligente, para dar uma opinião sobre elas.

Pois bem.

Fiquei na maior aflição aguardando sua palavra que pensava ser muito importante para mim.

E foi, não da maneira que eu esperava, mas foi!

Ele leu, tirou os óculos, olhou para mim e disse:

-Fraquinhas!

Pensam que desisti? Pois foi aí que me tornei mais forte!

Bem, o “casamento” acabou, mas meu primeiro livro “Um Pouco de Mim” saiu logo depois pela Fundação Cultural no ano de 2005.

Aplausos!

O importante é não desistir, continuar lendo, aprendendo, escrevendo.

Muitas vezes a poesia surge quase pronta em nossas mentes e aí você tem que correr para colocá-la no papel.

Às vezes demora a acontecer e você então procura frases, palavras e rimas até achá-las de repente o que torna mais vivo esse poeta dentro de nós.

E, outras vezes ainda, você fica tão competente que começa a trabalhar com as palavras fazendo um jogo com elas, como é o caso desse pequeno poema meu:

MUDANÇAS

FULANO ESCREVE ASSIM,

SICRANO ESCREVE ASSADO, 

BELTRANO ASSIM E ASSADO.

EU ASSO ENQUANTO ESCREVO

E QUASE O DEIXO PASSADO.

MAS NÃO PASSOU,

O TEMPO.

O QUE ESCREVO MUDOU,

COMO EU.

É uma magia, uma teimosia que nos faz querer escrever, poetizar sem parar.

Espero que com minhas palavras, tenha despertado em alguns, o poeta adormecido que espera em algum momento, despertar.

NEM TODO O QUE ME DIZ: SENHOR, SENHOR! ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS, MAS AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.”Mateus, 7-21

 

 

SARAU LITERÁRIO

E nessa última quarta feira do mês, tivemos o I Concurso de Poesias Rubens Luiz Sartori, da Academia Mourãoense de Letras.

Foi um aprendizado para todos nós.

Fui uma das selecionadas e quero deixar abaixo, o poema que escrevi e inscrevi.

Na entrada ficaram expostos os livros dos acadêmicos e até parei para fotografar ( meu livro de poesias e o de história infanto juvenil estavam lá).

( Eu, Sinclair, Dalva, Cristina, Nelci e Giselta)

Segue minha poesia.

SOBRE SAUDADES…

Tenho saudades de coisas

que não vivi.

De pessoas que não conheci,

de mundos, momentos,

de sorriso aberto,

escancarado.

_____

De gestos desmedidos,

de cheiros, de gostos,

que nunca senti ou provei.

Tenho saudades

do pranto que chorei

sem saber porquê.

_____

Tenho saudades do luar

que entrava pela fresta da janela.

De sentir seus abraços, 

da brisa, do vento,

do som dos riachos,

do verde das matas.

_____

Tenho saudades da noite,

das estrelas,

do som de um violão.

Da cantiga tristonha

que embala e mexe

com meu coração.

_____

Tenho saudades do vulto,

daquele elo invisível,

do sentimento ausente

como uma sombra a perder.

Ah, tenho tanta saudade

de você, que sequer cheguei a conhecer…

 

(Aqui com os participantes)

“QUEM, POIS, TIVER BENS DO MUNDO E, VENDO O SEU IRMÃO NECESSITADO, LHE CERRAR O SEU CORAÇÃO, COMO ESTARÁ NELE A CARIDADE DE DEUS?”I João, 3- 17.

 

 

 

SONETO AO ENTARDECER

“O soneto é um poema de forma fixa, composto por quatro estrofes, sendo que as duas primeiras se constituem de quatro versos, cada uma, os quartetos, e as duas últimas de três versos, cada uma, os tercetos.” 

(Talvez o mais conhecido por nós brasileiros, seja o “Soneto de Fidelidade”, de Vinícius de Moraes).

“Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. Notabilizou-se pelos seus sonetos”Wikipedia.

Quando fiz meu curso de Letras, tentei muito escrever os famosos sonetos, mas achei muito difícil.

Até saiu alguns, mas quem me conhece sabe que escrevo de uma forma simples, sem rebuscar muito.

Não gosto de me sentir presa a número de sílabas e estrofes…

Mas esse que segue abaixo, até que me deixou orgulhosa…gosto bastante dele!

Então vamos lá!!!

(Foto tirada por mim em 15 de dezembro de 2018)

SONETO AO ENTARDECER

A LINHA TÊNUE ENTRE O SIM E O NÃO,

SEM SER DIA NEM NOITE TAMPOUCO,

CORRO ATRÁS DO QUE RESTA COMO LOUCO,

PERDI, FOI… ENTÃO DESABO NO CHÃO.

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ESCURECE O CÉU COMO EM INVERSÃO

(ONDE O SOL BRILHAVA ATÉ BEM POUCO)

SAI DE MIM AQUELE PRANTO ROUCO,

TRISTEZA TANTA NESSA MUTAÇÃO.

———-

TRAZER A LUZ DO DIA NO SORRISO,

NOS OLHOS, O ESCURO DO ANOITECER.

PESAR, MEDIR, VIRAR NUMA ALQUIMIA…

———-

FALAR DE AMOR, RECRIAR DE IMPROVISO,

ENVOLTA EM BRUMAS ME FORTALECER

PARA TUDO ENTÃO SE TORNAR POESIA.

———-

 

(Mais uma foto minha, no mesmo dia).

“E DEUS CHAMOU À LUZ DIA; E ÀS TREVAS CHAMOU NOITE. E FOI A TARDE E A MANHÃ: O DIA PRIMEIRO.” Gênesis, 1- 5

 

 

CAMINHOS “IN” VERSOS E PROSAS VII

“Antologia é o conjunto formado por diversas obras (literárias, musicais ou cinematográficas, por exemplo) que exploram uma mesma temática, período ou autoria. 

Na literatura, por norma, as antologias são formadas por diferentes textos (prosas ou versos) que são organizados dentro de um único volume, formando uma coletânea (coleção) de obras que abrangem um tema, período histórico ou autor específico.

Por exemplo, uma antologia poética consiste na reunião de vários poemas diferentes num único livro que, normalmente, são selecionados individualmente pelo autor”.(www.significados.com.br)

E foi assim que no dia 24 de Agosto desse ano, a nova Coletânea da AME (Associação Mourãoense de Escritores) da qual faço parte, foi lançada em um evento com a participação de muitos escritores e amigos.

Contribui com uma poesia “A Poesia e a Cidade” e uma prosa “Mãe África”.

Mas, como vocês sabem, meu blog é uma mistura gostosa de Literatura e Culinária e nessa Antologia encontrei um poema que disse tudo o que eu gostaria de ter escrito, do meu amigo Oswaldoir Capeloto o qual transcrevo para vocês.

BIBLIOTECA DOS VERSOS GOSTOSOS

Desconfio que as confeitarias

deveriam se chamar biblioteca.

Grafadas com letras luminosas,

coloridas, enormes:

-Biblioteca dos Versos Gostosos-

e saborosamente descontraídos.

_____

Meus olhos passeiam sobre cada um desses versos

e os devora com gosto e emoção:

Floresta Negra,

cueca virada,

espera marido,

sonho,

sonho de valsa… A imaginação

se põe a bailar, e baila, baila.

_____

Nega maluca…Ah, essa negra Fulô!

Quindim,

pé de moleque,

leite moça

bolinho de chuva… Quantos pingos d’água

serão necessários para se fazer um?

_____

Beijinho… Que doce!

Brigadeiro,

Suspiro… hum!

Baba de moça… Por quem ela baba?

Quintana babava pelas babás.

_____

Papo de Anjo,

pão de ló,

brisa de liz…Ao longe, ouço um fado de Amália.

Travesseiro de sintra… Sim, meus olhos passeiam

em terras portuguesas.

_____

Minas me serve um pãozinho de queijo

e enquanto o saboreio, boto-me a pensar

de onde vem tanta imaginação

para tão apetitosas guloseimas,

todas recheadas com infindáveis nomes poéticos.

_____

D repente, a lembrança me leva,

por um fio de ouro, até a cidade de Goiás.

Caminho pelos seus becos,

pela igreja do rosário,

pelo palácio conde dos arcos…

_____

Vejo uma ponte, uma casa antiga,

sinto um cheiro de passado e presente

unidos na mesma massa. Adentro a casa,

e nela se revela toda a história

de uma saudosa doceira

que adoçava os doces com açúcar

e a gula,com poesia.

_____

Ah, doce doceira, que doce poetisa!…

Está explicada a razão de tantos

e tão poéticos nomes de doces.

Tudo a ver com poesia.

_____

E assim, refaço a minha desconfiança

para a mais clara das certezas:

As confeitarias deveriam se chamar biblioteca.

-Biblioteca dos Versos Gostosos-

“SE ALGUÉM DIZ: EU AMO A DEUS E ABORRECE A SEU IRMÃO, É MENTIROSO. POIS QUEM AMA SEU IRMÃO , AO QUAL VIU, COMO PODE AMAR A DEUS,A QUEM NÃO VIU? E DELE TEMOS ESSE MANDAMENTO: QUE QUEM AMA A DEUS, AME TAMBÉM SEU IRMÃO.” I João, 4- 20 e 21.

 

 

E O TROFÉU VAI PARA… MIM???

Bem, vamos começar do começo, propriamente dito!

Em julho desse ano, saiu em edital da Biblioteca Municipal Prof. Egydio Martello o convite e regulamento para participação no Concurso de Poesias 2017, como homenagem aos 70 anos de Campo Mourão.

As inscrições foram até 07 de agosto por isso me apressei a escrever e me inscrever.

Resolvi fugir das poesias tradicionais e, quando vi, ali estava a “História sem Fim”.

Por que esse nome?

Porque daqui muitos e muitos anos, nós não estaremos mais aqui, mas a cidade sim, ela continua sempre e sempre, sua história passando gerações.

Então contei nessa poesia, a minha relação com essa cidade em que morei de 1977 a 1983 voltando para ficar novamente agora.

E nesse dia 25, quarta feira, foi a solenidade de entrega aos três finalistas, dos quais eu fiz parte.

É claro que fiquei ansiosa (quem não ficaria?) e quando ouvi minha poesia sendo lida como ganhadora do primeiro lugar, fiquei muito feliz e honrada.

(Recebendo o troféu das mãos da secretaria de cultura, Marlei Formentini)

(Aqui o terceiro lugar Valdir Bonete, o segundo Aline Moura e eu)

Minha nora Patrícia estava presente representando a família,  juntamente com meu neto Cesar de três anos (Cesinha como ele gosta de ser chamado) que adorou o “troféu da vovó”… Queria levar para a casa dele! Beijava e beijava!!!

(Essa foto foi parar no Instagran, mas dá para ver a empolgação dele na hora da entrega).

Foi uma noite gostosa com muita música, apresentações teatrais dos alunos do curso de teatro Trapos, poesias de temática livre e modalidade interpretação também premiadas , carinho e amizade.

(Aqui todos os premiados com as autoridades presentes).

E segue abaixo, essa que foi premiada e feita com muito amor para nossa cidade.

HISTÓRIA SEM FIM

HÁ MUITOS ANOS ATRÁS

ELA AQUI VIVEU.

NA TERRA VERMELHA

DE CAMPOS DE SOJA,

DE TRIGO, DE GADO,

DE ANDORINHAS VOANDO

NUM CÉU TODO SEU.

________

DEPOIS, FOI EMBORA.

CRIAR FILHOS, TRABALHAR.

GANHOU NETOS, ESCREVEU LIVROS,

MAS UM DIA QUIS VOLTAR.

________

E CHEGOU DEVAGARINHO,

SEM SABER COMO

IRIA SER RECEBIDA.

E A CIDADE FACEIRA

ABRIU SEUS BRAÇOS SAUDOSOS

RECEBENDO A FORASTEIRA.

________

E ELA PERGUNTA AO MOÇO:

A CIDADE MUDOU MUITO,

QUASE NÃO A RECONHEÇO,

ONDE ESTÃO AS ANDORINHAS

QUE FAZIAM ALVOROÇO?

________

E ELE CONTINUA CONTANDO

COISAS QUE ELA CONSEGUE LEMBRAR.

CAMPO MOURÃO É HISTÓRIA,

CASA DE AMIGOS, FÁCIL DE AMAR!

________

E ELA AGRADECE SORRINDO

PORQUE SABE MUITO BEM

QUE DESSA CIDADE AMIGA

ELA FAZ PARTE TAMBÉM!

Sílvia Novaes Fernandes

 

“MAS EM TODAS ESTAS COISAS SOMOS MAIS DO QUE VENCEDORES, POR AQUELE QUE NOS AMOU.” Romanos, 8- 37

 

 

POESIA PARA O CAMPEÃO!

Meu post de hoje já estava pronto, mas… tive que mudar!

Que me perdoem meus tantos amigos atleticanos, mas há quatro anos eu não gritava “É CAMPEÃO!” e por isso resolvi colocar essa poesia que fiz há uns 15 anos atrás.

Foi depois de um jogo que aconteceu no Dia das Mães, não me lembro de qual ano, em que fui ao campo com meu filho.

GOLEADA COXA BRANCA

E, DE REPENTE, EU ESTAVA ALI.

EM PLENO DIA DAS MÃES,

NUM DOMINGO,

SOL A PINO,

CORITIBA CONTRA IRATI.

NÓS DOIS DE UNIFORME:

CAMISA VERDE E BRANCA,

CALÇA JEANS, TÊNIS,

SORRISO FRANCO.

TUDO “NOS CONFORME”.

ESTÁDIO CHEIO, BONITO DE VER.

A TORCIDA ORGANIZADA

GRITA, CANTA,

XINGA, DANÇA,

E O SUOR COMEÇA ESCORRER.

PASSA O PRIMEIRO TEMPO.

“JOGO MORNO,

NÃO ADIANTA…”

E O GRITO CONTINUA

PRESO EM MINHA GARGANTA.

METADE DO CAMPO

JÁ ESTA NA SOMBRA.

E O SEGUNDO TEMPO COMEÇA.

O TIME TODO NO ATAQUE.

QUANDO ELE DESENCANTA:

É GOL!!!

E ENQUANTO PULAMOS ABRAÇADOS,

VEM O SEGUNDO E UM TERCEIRO,

E É A DANÇA, A EUFORIA,

A MARQUISE QUE BALANÇA.

A IMPÉRIO QUE DELIRA.

PARECE QUE TUDO EXPLODE:

O CORAÇÃO, O CORPO,

A MENTE.

E VEM UM QUARTO

E UM QUINTO DE REPENTE.

É A FESTA!

CONSAGRAÇÃO!

O ESTÁDIO INTEIRO GRITANDO:

“É CAMPEÃO!”

COMO É DOCE

O SABOR DA VITÓRIA!

GANHAR DE GOLEADA,

ENTRAR PARA A HISTÓRIA.

E VAMOS EMBORA.

MEU FILHO E EU.

FELIZES, CANTANDO,

(PÉ QUENTE),

NESSE DIA QUE É MEU!

Pois é… continuamos assim: amando, sofrendo muitas vezes, mas vestindo literalmente a camisa do nosso time do coração.

(Ontem, felizes!!!!)

“NÃO TE DEIXES VENCER DO MAL, MAS VENCE O MAL COM O BEM.” Romanos, 12- 21