PÃO DE QUEIJO (até que enfim!!!)

Demorei, mas  aqui está uma receita de pão de queijo que fiz e gostei muito!

Essa demora se deu pelo fato que faço sempre muito biscoito (Biscoito Bola), mas agora que encontrei essa receita que dá para congelar, virei fã!

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Então vamos aos 

INGREDIENTES

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1 xícara de óleo

1 xícara de água

1 xícara de leite

2 colheres (sopa) de sal

4 ovos

300 gramas de queijo minas 

100 gramas de queijo parmesão

1 quilo de polvilho doce 

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(Ralar os queijos no lado fino)

Em uma panela coloque o óleo, água, leite e sal e deixe ferver.

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Em uma tigela grande coloque o polvilho e escalde com a mistura fervente.

Acrescente os ovos e queijos e vá misturando até incorporar todos (eu usei as mãos)os ingredientes e a massa ficar lisa.

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Faça bolinhas e achate com um garfo.

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Leve assar em forno pré aquecido a 200º por cerca de 30 minutos ou até dourar.

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Maravilhoso!!! E não esqueça do café!!!

“DE TARDE, E DE MANHÃ, E AO MEIO DIA, ORAREI; E CLAMAREI, E ELE OUVIRÁ A MINHA VOZ.” Salmos, 55- 17

VACA ATOLADA

A “Vaca Atolada” é um prato típico da chamada “comida caipira” que é muito popular em estados como Minas Gerais.

A combinação da carne (costela bovina) com a mandioca e temperos, resulta em uma comida saborosa e com substância!

com cheiro verde

INGREDIENTES

1 quilo de costela

1 quilo de mandioca

5 tomates

4 dentes de alho

2 cebolas

1 cubo de caldo de costela

2 colheres de óleo

cheiro verde

sal/ pimenta do reino

Primeiro coloque a mandioca para cozinhar com o cubo de caldo de costela.

mandioca

Enquanto isso, tempere a carne com sal, pimenta do reino, alho e cebola.

costela

Frite em uma panela de pressão (no óleo) até dourarem.

fritando

Acrescente os tomates picadinhos e cubra com água. Feche a panela e deixe cozinhar até ficar macia.

Quando estiver pronta, coloque em uma outra panela.

cozinhando

Pegue a mandioca já cozida, retire os fios de dentro e corte em pedaços.

Junte a mandioca e o caldo em que ela foi cozida à carne na panela.

carne com a mand

Deixe ferver e quando tudo estiver macio, desligue e jogue o cheiro verde por cima.

Com um arroz branco, fica maravilhoso!!!

“PORQUE, AGORA, VEMOS POR ESPELHO EM ENIGMA; MAS, ENTÃO, VEREMOS FACE A FACE; AGORA, CONHEÇO EM PARTE, MAS, ENTÃO, CONHECEREI COMO TAMBÉM SOU CONHECIDO.” I Coríntios, 13- 12

 

CIDADES ONDE MOREI: 5- SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Depois de Minas e Paraná, seguimos para o estado de São Paulo.

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Foi em Santa Cruz que fiz o quarto ano primário e não foi nada fácil…

O Grupo Escolar Sinharinha Camarinha onde fui estudar, leva o nome da família Camarinha que sempre foi uma das mais influentes na política local e ainda participa da administração pública até hoje.

grupo escolar

Estudei muito para alcançar a classe, mas valeu a pena porque no dia da formatura, a professora fez um enorme elogio sobre a menina que veio do Paraná e conseguiu estar entre as primeiras colocadas e ser a oradora da turma.

É… desde esse tempo eu já gostava de falar!

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E falando em política, foi ali que vi a primeira discussão às portas de casa.

Minha mãe tomou-se de amores pelo então candidato ao governo, Ademar de Barros e colocou na porta um enorme retrato dele.

Minha tia, chega de surpresa com minha prima, com um vestido lindo, rodado (fiquei babando nele) todo aplicado com vassourinhas, que era o símbolo da campanha do Jânio Quadros. 

Parou na porta e disse que não entrava enquanto minha mãe não tirasse a foto do Ademar…

Sabe que nem lembro se a tal foto foi tirada ou se minha tia acabou entrando em casa porque eu literalmente não desgrudava os olhos do vestido da minha prima…

santa cruz noite

Terminou o ano e… novamente nos mudamos, para ali pertinho: Ourinhos onde fiz a quinta série.

Essa é a próxima cidade onde morei.

Imagens: 1) cafepasa.blogspot.com; 2) www2.uol.com.br; 3) http://www.cidade-brasil.com.br

” HÁ CAMINHO QUE AO HOMEM PARECE DIREITO, MAS O FIM DELE SÃO OS CAMINHOS DA MORTE.” Provérbios, 14- 12

100 ANOS DO MEU PAI

Rossine Sales Fernandes.

Engraçado lembrar que ele não gostava do seu nome… quando colocavam (para homenageá-lo) nas crianças que nasciam lá pelas bandas das Minas Gerais onde ele era pastor, pedia para trocarem: “coitadinho desse menino, tão lindinho com esse nome tão feio”, ele dizia…

Nunca gostou, mas combinava com ele.

Meu pai nasceu em Cabo Verde, Minas Gerais, em 04 de maio de 1915, portanto faria 100 anos agora.

papai comigo

(Eu e meu pai, meu amigo de todas as horas!)

Minha irmã encontrou em seus guardados, um bilhetinho que ele escreveu assim: “em 2015 farei 100 anos, se Deus quiser”!

É, ele amava a vida, as pessoas, os animais, a natureza.

Seu jeito calmo e suave conquistava todos à sua volta.

Formou-se no Seminário de Campinas, São Paulo, e, aos 26 anos, chegou como pastor de uma cidade (Jacutinga) onde todas as moças caíram em cima… pudera!

papai

Era o próprio Omar Shariff, lindo, solteiro, inteligente!

E ele escolheu a mocinha de 15 anos que tocava órgão divinamente: minha mãe, Yedda!

papai e mamãe

(Sempre felizes!)

filhos

(Os 4 filhos: Ciro, eu, Ângela e Raquel)

Formou-se em Letras (na época Línguas Neolatinas) e foi professor durante muitos anos, tradutor de obras de Psicologia, poeta, escritor de livros religiosos e escritor de cartas, muitas cartas que enviava para parentes e amigos.

papai e netos

(Da esquerda para a direita: Fabiane, meu pai, Viviane e Paulo Emílio, meus filhos)

E foram 4 filhos, 16 netos, 24 bisnetos e 2 tataranetos!

Em 2006, aos 91 anos ele se foi… mas feliz, afinal sua Yedda o esperava!

Ele teve filhos, escreveu livros, plantou árvores!

Sua vida foi poesia, foi ternura, doação, dedicação.

Não teve riquezas materiais, seu tesouro maior foi uma vida digna, foram suas palavras sábias, seu exemplo.

Amou a todos sem distinção.

Sorria com bondade.

Que falta imensa ele nos faz…mas, a saudade é mesmo assim: você não deixa de sentir, apenas se acostuma com ela…

papai rede

Minha filha Viviane, fez há muitos anos atrás (1991- ela com 19 anos e ele com 76), um poema que deu a ele em seu aniversário.

Transcrevo do cartão que ele guardou consigo, orgulhoso!

Vivi, eu não poderia ter escrito nada melhor…

OBRIGADA MINEIRO TÍMIDO

PELAS POUCAS HORAS

EM QUE PUDEMOS CONVERSAR MUITO.

POUCAS POR FALHA MINHA

EM NÃO TE PROCURAR MAIS VEZES.

—–

SUA FALA MANSA, EM TOM BAIXO.

SEU SILÊNCIO, SUA APROVAÇÃO.

SEU AR UM TANTO APAIXONADO,

SEU AMOR ETERNO, YEDDA,

SUA DEDICAÇÃO EM SER PASTOR.

—–

SUA INTELIGÊNCIA ME ENSINA,

SUA SIMPLICIDADE ME CATIVA.

SEUS ENSINAMENTOS ESTARÃO SEMPRE COMIGO,

SUA VIDA PARA MIM É UMA LIÇÃO.

—–

PALAVRAS DE PASTOR- PORTANTO BÊNÇÃOS.

PALAVRAS DE PROFESSOR- PORTANTO REGRAS.

PALAVRAS DE AMIGO- PORTANTO CONSELHOS.

E PALAVRAS DE AVÔ- PORTANTO AMOR!

(Viviane Fernandes Prohmann- 1991)

BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

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E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

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(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

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(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

19 DIAS SEM RUBEM ALVES

Nunca vai ser demais ler e escrever sobre Rubem Alves.

Ele nasceu em plena primavera de 1933.

Talvez por isso seu amor pelas árvores, principalmente os ipês amarelos onde em carta lida depois de sua morte, ele pede para serem jogadas suas cinzas.

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“Um livro são pedaços de mim espalhados ao vento como sementes, para irem nascer onde o vento as levar”.

Rubem Alves era uma das referências do país em temas relacionados à educação.

Além de educador e escritor, atuou como cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e até psicanalista, de acordo com sua página oficial na internet.

“Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma”.

Um dia, encontrei Rubem Alves e começamos a conversar “mineiramente”, que é falando de saudades.

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”.

Da nossa Minas Gerais e, continuando sobre os pães de queijo e bolinhos de chuva.

Contei a ele que em nossa casa, chamávamos de “bolinho de virar” e contei o porquê: ele vira sozinho quando está fritando na panela…

Ele gostou muito dessa história, mas o melhor mesmo foi que dei a ele, com dedicatória, o meu livro de poesias “Um Pouco de Mim”.

Ele olhou, folheou, agradeceu e colocou em sua pasta de mão dizendo:

– Vou ler no avião!

Gente, fiquei muito feliz!

Imaginei aquela figura tão importante, lendo o MEU livro no avião… não é para qualquer um!

Tudo o que ele escrevia era tão simples de entender e de uma profundidade tão grande!

Cada vez que terminava de ler algum texto dele me sentia tão plena, tão em consonância com suas palavras que me parecia ter eu escrito aquilo…

“Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que nos dá prazer é degustado vagarosamente.”

Sem saber disso, o nome que escolhi para o meu blog é justamente uma mistura de cultura e culinária… acho que ele ficaria orgulhoso de mim!

flor do ipê

“Sei que não resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui… escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês amarelos…”

“Deus existe para tranquilizar a saudade”.

Imagens: sedimentosdateca.blogspot.com

A MÃE QUE VIROU LOBO

Estávamos, há muitos anos atrás, em uma pequena cidade de Minas onde o trilho do trem cortava toda a cidade.

Ele vinha apitando forte nas curvas, menos na Sexta Feira Santa quando não se podia falar alto, nem assobiar, muito menos ligar o rádio em casa.

Assobiar o vovô não deixava mesmo!

– Mulher distinta, não assobia!

E eu que estava longe de ser mulher e nem sabia o que era distinta, apenas obedecia sem graça.

E lá ia o tempo passando, devagar, porque tudo ali era sem pressa.

Foi quando mamãe resolveu brincar “de mentirinha” comigo.

– Sabe, querida, que às vezes eu viro lobo?

– Como assim? Perguntei.

– Eu vou andando pelos trilhos até aquela curva e quando volto, sou um lobo.

Fiquei pensando, pensando e resolvi que queria ver.

– Quero ver, mãe, se isso é verdade!

– Pois então veja, mas não vale chorar!

E lá fiquei eu, na beira do trilho enquanto ela desaparecia na curva.

Nem lembro bem o que se passou na minha mente àquela hora: medo, angústia, dúvida…talvez!

E ela voltou.

lobo mau

Era um lobo, andando sobre duas pernas, com as roupas de minha mãe mas a cara de um lobo.

Horrorizada, corri até ele abraçando sua cintura e gritando:

– Não, mamãe! Não quero você lobo! Por favor! Vire minha mãe outra vez!

E mamãe me abraçava sorrindo dizendo:

– Mas sou eu, filhinha, sua mãe!

E eu com os olhos fechados, respondia:

– Não! É o lobo! Volte, mamãe!

E assim ficamos abraçadas, durante muito tempo!

mãe e filha

Muitos e muitos anos depois, quando nos reunimos para conversar, sou alvo das risadas de todos e ainda juro que vi minha mãe virar lobo.

E ela quando perguntada, sorri enigmaticamente e sacode a cabeça como quem diz:

– Quem sabe?

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia, com um segundo título: O PODER DA SUGESTÃO)

Imagens: 1) http://www.popscreen.com; 2) galeria.colorir.com

 

POESIA PREMIADA!

Essa semana tive a alegria de receber a notícia que minha poesia “Mineirice” foi uma das ganhadoras do Concurso Cultural Poesia Todo Dia.

Esse concurso foi feito pela AgBook (www.agbook.com.br) onde já tenho o meu livro de crônicas “Confidências ao Meio dia”.

Logo ela sairá em livro, mas já compartilho com vocês.

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MINEIRICE

Sou de Minas, das Gerais,

do sul, do queixo do gigante

que olha de perfil

o mapa inteiro do Brasil.

Sou de Minas, mas longe estou…

queria ver o mar ou o que dele restou.

Encontrei lixo, poluição,

pobreza e destruição.

Sentado no muro, me lamentava.

Fechando os olhos, eu me lembrava.

Bem que Drumond avisou

e eu nem pensei em ouvir:

“não saia daqui porque ela não sai de você”…

“MINAS QUERO VOLTAR”,

começo a gritar!

E ouço então o carro de boi

em seu sonoro arrastar,

o apito do trem subindo as colinas,

o vento quente de leve assoprar.

As risadas gostosas ritmadas, cantadas

das pessoas nas calçadas:

“uai sô, trem bão, belzonte, causos”,

e casos lembrados e metas alcançadas…

Porque tudo estava ali,

só eu não percebi…

Sinto o cheiro do pão de queijo,

fresquinho, saindo do forno,

(quase fraquejo),

do café passado no coador de pano,

o frigir dos ovos na frigideira de ferro

no calor quente do fogão a lenha

cheirando a alho.

Na mesa posta com toalhas de crochê,

na cama com colchas de retalho

lembrando você.

Na cristaleira, nos porta retratos,

muitos e de todos os tamanhos,

mostrando dias felizes, abraços, carinhos,

tão facilmente trocados

por mim, que vim e quero voltar.

E abro os olhos e vejo estranhos

que me olham interrogando.

“É isso, eu sou de Minas”

saio falando.

Continuam calados

me achando louco…

E é isso mesmo: sou louco

por trocar por tão pouco

o tudo que tinha…

“SOU DE MINAS E QUERO VOLTAR!”

Por um instante,

no mapa do meu Brasil,

o gigante virou seu rosto,

olhou prá baixo e sorriu…

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