POESIA DE NATAL

POESIA DE NATAL

Enfeite a árvore de sua vida

com guirlandas de gratidão!

Coloque no coração laços de

cetim rosa,

amarelo, azul, carmim,

decore seu olhar com luzes

brilhantes

estendendo as cores em seu

semblante.

_____

Em sua lista de presentes

em cada caixinha embrulhe

um pedacinho de amor,

carinho,

ternura,

reconciliação,

perdão!

_____

Tem presente de montão

no estoque do nosso coração

e não custa um tortão!

A hora é agora!

Enfeite seu interior!

Sejas diferente!

Sejas reluzente!

CORA CORALINA

“Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu na Cidade de Goiás, em 20 de agosto de 1889 e foi uma poetisa e contista.

Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais) quando já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.” (Wikipédia)

Já são muitos Natais que passo escrevendo mensagens aqui no blog.

Se quiser reler algumas, basta clicar nos endereços abaixo.

Sobre o Natal– de minha autoria

Não Havia Lugar– meu pai, Rossine Sales Fernandes

Reflexões Natalinas I

Reflexões Natalinas II

Reflexões Natalinas III

Imagens: 1) casashopping.com; 2) pensador.com

“PORQUE ME FEZ GRANDES COISAS O PODEROSO; E SANTO É O SEU NOME. E A SUA MISERICÓRDIA É DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO SOBRE OS QUE O TEMEM.”-(Cântico de Maria)- Lucas, 1- 49 e 50.

 

SARAU LITERÁRIO

E nessa última quarta feira do mês, tivemos o I Concurso de Poesias Rubens Luiz Sartori, da Academia Mourãoense de Letras.

Foi um aprendizado para todos nós.

Fui uma das selecionadas e quero deixar abaixo, o poema que escrevi e inscrevi.

Na entrada ficaram expostos os livros dos acadêmicos e até parei para fotografar ( meu livro de poesias e o de história infanto juvenil estavam lá).

( Eu, Sinclair, Dalva, Cristina, Nelci e Giselta)

Segue minha poesia.

SOBRE SAUDADES…

Tenho saudades de coisas

que não vivi.

De pessoas que não conheci,

de mundos, momentos,

de sorriso aberto,

escancarado.

_____

De gestos desmedidos,

de cheiros, de gostos,

que nunca senti ou provei.

Tenho saudades

do pranto que chorei

sem saber porquê.

_____

Tenho saudades do luar

que entrava pela fresta da janela.

De sentir seus abraços, 

da brisa, do vento,

do som dos riachos,

do verde das matas.

_____

Tenho saudades da noite,

das estrelas,

do som de um violão.

Da cantiga tristonha

que embala e mexe

com meu coração.

_____

Tenho saudades do vulto,

daquele elo invisível,

do sentimento ausente

como uma sombra a perder.

Ah, tenho tanta saudade

de você, que sequer cheguei a conhecer…

 

(Aqui com os participantes)

“QUEM, POIS, TIVER BENS DO MUNDO E, VENDO O SEU IRMÃO NECESSITADO, LHE CERRAR O SEU CORAÇÃO, COMO ESTARÁ NELE A CARIDADE DE DEUS?”I João, 3- 17.

 

 

 

AH, ESSES POETAS INCOMPREENDIDOS…

Há muito tempo atrás, fui assistir a um júri em uma pequena cidade do interior, onde a promotora era minha amiga.

Ela era bem jovem e bonita e nesse dia se arrumou, como sempre, colocando uma peruca longa (usávamos muito, nesse tempo) e com a faixa vermelha sobre a beca, a saia ficando um pouco mais curta.

Nada de chamativo!

Pois bem, o advogado em sua fala, deu a entender claramente aos jurados, que eles iriam votar a favor da promotoria por ela ser uma bela mulher.

Na réplica, essa minha amiga levantou, parou em frente aos jurados, arrancou com fúria a peruca, tirou a faixa que segurava a toga, essa caindo para bem abaixo dos joelhos e falou:

– Estou tirando meus artifícios de mulher, para que vocês jurados me vejam como a profissional que sou!

Ela ganhou a causa!

Por que estou a contar isso?

Por um fato que aconteceu comigo essa semana.

Fui convidada pela AME (Associação Mourãoense de Escritores) para enviar um poema a ser colocado na página que temos no facebook.

De outra feita, eu já havia colaborado, mas enviei um poema do meu livro Um Pouco de Mim junto com minha foto.

Compartilhei em minha página e escrevi em cima: “momento romântico”.

Quase coloquei um “ka, ka ka”, mas acabei deixando como estava.

Qual não foi minha surpresa quando no dia seguinte vi uma centena de curtidas e comentários em minha página.

Mas, para a decepção da poeta aqui, quase todos falavam da minha foto e pouquíssimos sobre a poesia!

Claro que fiquei lisonjeada!

Quem não gosta de ser chamada de “linda” inúmeras vezes?

Mas ali era a poesia que precisava ter a atenção, ela era a estrela, a criação e não seu criador (no caso eu).

Por isso fiquei pensativa: o poeta quer que sua mensagem seja lida e entendida, que o sentimento dela transborde no coração do seu leitor.

Sem artifícios, sem fotos, somente palavras carregadas de significados e que encontre nos olhos de quem lê, a beleza ali contida.

Na idade em que estou, prefiro ser chamada de “talentosa” do que “linda”, mas se puder juntar as duas coisas, quem sou eu para contrariar meu público?

Da próxima vez, para garantir, vou enviar um poema sem foto!

Aprendi!

Observação: para quem tiver curiosidade de ler o poema, é só clicar aqui em Romantismo e para ver a foto em questão, clique aqui em “Ele Chegou“!

Imagens: 1) tripAdvisor; 2) freepik; 3) pinterest

” DIREI DO SENHOR: ELE É O MEU DEUS, O MEU REFÚGIO, A MINHA FORTALEZA, E NELE CONFIAREI.” Salmos, 91- 2

 

 

50 ANOS!!! JÁ???

O ano era 1966.

Ditadura militar, Beatles, Elvis (ai como eu amava…), O Dólar Furado, Copa do Mundo, mini saia, guerra do Vietnã, Quero que vá tudo pro inferno, Instituto de Educação…

Nós, as normalistas.

img_2613-2

Como cantava Nelson Gonçalves:

“Vestida de azul e branco

trazendo um sorriso franco

no rostinho encantador,

minha linda normalista

rapidamente conquista

meu coração sem amor…”

E a gente conquistava: namorados, noivos e até maridos!

E como o tempo passou rápido!

convite

(Nosso convite de formatura)

formatura

(Mirian Gonçalves, Maria de Fatima Meyer Costa, Regina Siéli Boryça e eu)

oradora

(Desde sempre, gosto de falar…)

Daquela formatura no antigo Cine Vitória, até hoje, cada uma das 34 alunas da 6ª turma (foram sete turmas), tomamos nossos diferentes rumos.

alunas

(As formandas da minha turma)

outra-viagem

(Viagem que fizemos pelo Paraná indo até Asunción, Paraguai)

viagem

(Que grupo animado!!!)

guaira

(Eu, Maria de Fátima e Regina conhecendo as Sete Quedas)

E aí fizemos novos cursos, tivemos filhos e agora netos.

Os cabelos embranqueceram e quando olhamos para trás vemos o filme passando, assim, devagar com as risadas fáceis que um dia tivemos, com aquela sensação que a vida era ali naquele momento e que os 50 anos… ah, esse iria demorar muito para chegar.

Mas ele chegou!

E com as facilidades dessa era de informática, fomos conseguindo encontrar algumas “meninas” embora muitas tenham mudado o sobrenome e não tivemos sucesso.

Ainda somos sete!

Alem de mim, Beatriz, Cleide, Joarina, Maria de Lourdes, Nadzieja e Sonia.

Queremos reunir essa turma para podermos olhar umas para as outras, relembrar viagens, professoras, conversas que tivemos.

Quem sabe até o final do ano seremos mais!

Porque comemorar é preciso!

Meio século merece!!!

E que venham ainda muitos encontros e muitas comemorações!

50anos

(Imagem dos 50 anos: http://www.rotadenoticia.com.br)

“BENDIZE, Ó MINHA ALMA, AO SENHOR, E NÃO TE ESQUEÇAS DE NENHUM DE SEUS BENEFÍCIOS.” Salmos, 103- 2

 

NÃO HAVIA LUGAR…

Desejando a todos os leitores um feliz Natal, compartilho a poesia do livro “Antes que escureça o sol”, do meu pai Rossine Sales Fernandes.

presépio

Não havia lugar…

Por decreto de César Augusto,

para o Censo a Belém vão chegando

peregrinos,que buscam pousada…

As pensões já se encheram de gente

que procede de todos os lados.

—–

Na cidade o ambiente é festivo.

Como se fosse um dia de gala,

vibra e canta a pacata Belém.

Há nas ruas e casas ruído,

um nervoso e incessante vaivém…

—–

E não sabem que um santo casal,

recém chegado de Nazaré,

ansioso procura um lugar

onde possa dormir, descansar,

ao abrigo do frio da noite.

—–

Hospedagem nenhuma conseguem;

são estranhos, coitados, e humildes.

Fossem ricos, lugar achariam

em pensões ou qualquer estalagem:

boas camas e pão lhes dariam…

—–

Ou soubesse Belém que o Messias

-velho sonho de todos os crentes,

proclamado na voz dos Profetas,

esperança de todas as gentes,

Redentor desejado e querido,

—–

nessa noite devia nascer…

Se Belém o soubesse, daria

o melhor dos seus bens ao casal,

hospedando José e Maria.

Entretanto, lugar não lhes dá…

—–

Também hoje é assim, por igual:

há lugar para festas, banquetes;

para tudo há lugar no Natal

(sejam ricos ou pobres os pais),

menos guarida para Jesus…

—–

Entre si todos trocam presentes

e surpresas, com lindos cartões…

Só se vê rosto alegre, e não triste,

há sorrisos e abraços profusos.

Mas prá Cristo lugar não existe…

—–

Muitos outros lhe fecham a porta

tão somente por falta de luz:

se Belém desprezou a Jesus,

muitos hoje ao Senhor desconhecem

e suas portas lhe cerram sem dó…

—–

Sua história e seu nome bem sabem,

seu Natal comemoram, felizes,

o Evangelho já leram por alto

e cristãos e “bonzinhos” se dizem,

mas a Cristo, o Senhor, desconhecem…

—–

Não provaram de Cristo o poder,

não aceitam o amor do Senhor,

nunca viram milagres da graça,

nem seus lábios cantaram louvor,

nem buscaram de Deus o perdão.

—–

Podem ser bons e mesmo sinceros,

mas a Lei do Senhor menosprezam,

e, descrentes de todos os credos,

seus sagrados ensinos desprezam,

não deixando lugar prá Jesus…

—–

Ó Brasil, como é triste o teu fado,

por não teres de Deus o temor

e a Jesus como Rei e Senhor!

Por que razão assim te amesquinhas,

em contraste com tua grandeza?

—–

Meus irmãos, trabalhemos com fé:

ao “gigante que dorme” acordemos,

difundamos de Cristo a doutrina.

Com a palavra e conduta mostremos

como é bom hospedar a Jesus!

—–

Té que um dia, afinal, nesta Pátria

possa Cristo encontrar um lugar,

e assim venha de fato a reinar

nos palácios de nobres senhores

e nas rudes choupanas da plebe.

—–

Evitemos que um dia, no Além,

a justiça divina declare:

-Não terás lugar tu também; 

dei-te tempo bastante na terra

para o bem praticares somente,

—–

para a graça divina aceitares

e no amor e na luz caminhares; 

mas tu mesmo por ti te condenas,

pois em teu coração tão ingrato,

a Jesus nunca deste lugar…

oração

Procurem outros assuntos no blog: Reflexões Natalinas I, Reflexões Natalinas II e Reflexões Natalinas III.

Imagens: 1) catolicosribeiraopreto.com; 2) jobnascimento.blogspot.com

” E DEU À LUZ O SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” Lucas, 2- 7

FINADOS- SEM ADEUS

“AQUILO QUE ESTÁ ESCRITO NO CORAÇÃO NÃO NECESSITA DE AGENDAS PORQUE A GENTE NÃO ESQUECE.  O QUE A MEMÓRIA AMA FICA ETERNO…” Rubem Alves.

Rosa-coracao

SEM ADEUS

MÃE…

ATÉ HOJE CHORO

COM A SUA PARTIDA.

OS SONS DO PIANO,

A RISADA GOSTOSA,

O CHEIRO DA SUA COMIDA.

—–

MÃE…

AINDA SINTO

SEU ABRAÇO TÃO QUENTE,

SEU PERFUME,

SUAS MÃOS SOBRE AS MINHAS,

SUA VOZ TÃO PRESENTE.

—–

MÃE…

FAÇA FESTA NO CÉU!

ENSINE OS ANJOS A CANTAR,

MOSTRE O QUE VOCÊ FEZ

NA TERRA, PRÁ TANTA GENTE,

VOLTE MEUS SONHOS EMBALAR.

—–

MÃE…

SEPARE UM LUGAR PARA MIM.

AÍ, BEM AO LADO DE DEUS.

AFINAL, É UM “ATÉ LOGO”,

PRÁ NÓS,

QUE NUNCA NOS DEMOS “ADEUS”.

—–

flores

Essa poesia que fiz, dediquei à minha mãe logo que se foi após um infarto fulminante, não dando tempo para nos despedirmos.

Com ela, lembro meu pai e através dessas lembranças, faço uma homenagem a todos aqueles que, nesse dia, recordam dos seus com saudades. 

Imagens: 1) dankamachine.blogspot..com; 2) fanficcountonme.tumblr.com

“O SENHOR O DEU E O SENHOR O TOMOU; BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR.” Jó 1- 21

MEU NINHO VAZIO

Muito se tem falado sobre a Síndrome do Ninho Vazio, com textos cheios de conselhos e passos para superar essa fase.

ninho vazio

E chegou a minha vez!

Mas não, não estou ficando doente, mas é que hoje estou pensativa e chorosa…

Dos três filhos que tenho, a mais velha, já está há dez anos morando em Luanda, Angola.

angola

Meu caçula, desde cedo morou fora: primeiro fazendo faculdade, depois mestrado e por último, doutorado fora do país.

Aí voltou para se fixar em Campo Mourão, no Paraná (que nem é tão perto daqui…).

c.mourão

E agora minha filha do meio, que sempre esteve perto de mim, também vai voar…

Mesmo não nos vendo diariamente, cada uma com sua casa e seu trabalho, ELA esteve sempre aqui… perto!

Um oceano vai nos separar (ela vai para Cape Town na África do Sul) e um oceano de lágrimas já começo a derramar…

africa do sul

Claro, sei que o Brasil está difícil, cheio de problemas e eles são jovens, precisam procurar novos horizontes, ter novos projetos de vida.

Mas vou precisar me reinventar!

Quando me casei, em 1969, o mundo era diferente.

Fui morar no interior onde para falar com meus pais na capital, tinha que ir a um posto telefônico e ficar horas e horas esperando completar a ligação.

Quando conseguia…

Hoje tudo é mais fácil.

Tenho um tal de face time onde posso ver e falar com meus netos todos os dias!

Mas ELA não vai estar aqui!

Minha companheira de ir ao shopping, mercado, Igreja, almoçar fora, comentar sobre livros, filmes e novelas, comer brigadeiro, dar muitas risadas…

Mas é a SUA hora, a SUA vez de alçar voos.

passarinho

E o que uma mãe pode desejar a uma filha nessa hora?

Pedir bênçãos dos céus, o cuidado de Deus sobre ela, e desejar que seja feliz, feliz, feliz!

Que conheça pessoas boas, lugares bonitos, que aperfeiçoe outras línguas, que continue a escrever textos lindos como ela.

E eu?

Vou colocar um sorriso nos lábios, passar meu batom, fazer novas comidinhas, escrever sempre e muito no blog, sair com minhas amigas e esperar…

Afinal, sempre chega o dia da volta!

Da chegada!

E é quando o coração explode de alegria, os braços se abrem para o abraço gostoso sentindo o cheiro que só um filho amado tem.

20.07.14 - almoço de domingo Maria Helena (5)

Deus te abençoe, Fabiane, filha amada!

E aqui vai um haicai que escrevi há tempos: 

MEUS FILHOS VOARAM.

O NINHO FICOU VAZIO.

SOU POBRE ÁGUIA MÃE…

Imagens: mapas- wikipédia; 1) saude.umcomo.com.br; 2) http://www.bolsademulher.com

“NENHUM MAL TE SUCEDERÁ, NEM PRAGA ALGUMA CHEGARÁ À TUA TENDA. PORQUE AOS SEUS ANJOS DARÁ ORDEM A TEU RESPEITO, PARA TE GUARDAREM EM TODOS OS TEUS CAMINHOS.” Salmos 91-10 e 11.

BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

silvia3

E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

silvia2

(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

silvia

(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

O TIRO

Acordei com o tiro!

Ainda meio dormindo, ouvi os gritos:

– PARE! É A POLÍCIA! DEITA! DEITA, SEU FILHO DA MÃE!

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Despertei de pronto, olhei para o relógio que mostrava as horas em vermelho sangue:05:00 horas da manhã.

O barulho todo vinha da frente da janela do meu quarto que dava para a entrada do prédio.

Meus sentidos ficaram alertas e, completamente acordada, comecei a tremer.

Podia ouvir os chutes que davam e os gritos de dor na madrugada antes silenciosa.

Era a primeira vez que ouvia um tiro de verdade; apenas um, mas que me deixou pensativa até o dia clarear…

Queria orar e não conseguia.

Não sabia se devia pedir pelo bandido que apanhava ou se pela polícia que batia.

Talvez aquele homem matara alguém ou invadira a casa de pessoas inocentes para roubar ou sequestrar… ou podia ser até um inocente que passava por ali e estava sendo confundido com um suspeito… e os policiais, então?

Podiam estar abusando da autoridade fazendo de um pobre transeunte, um prisioneiro.

Ou não!

Tanta violência!

Uma coisa é assistir, acomodada em um sofá na segurança da sua casa, um filme com saraivas de balas distribuídas em corpos que caem em poças de sangue e outra é ser acordada como fui.

homem caído

Nem cheguei à janela para ver a cena… e o medo de balas perdidas?

E além do mais, foi tudo muito rápido: ouvi o som de um carro saindo apressado e depois o silêncio lá fora e as batidas do meu coração dentro do peito.

Passou muito tempo até eu conseguir dormir novamente.

A manhã serena de domingo me recebeu como sempre: o sol brilhando sobre as folhas das árvores ainda cobertas de orvalho.

Lembrei do tiro e das vozes.

Lembrei que a violência é real.

Fui à Igreja e orei.

Já sabia por quem pedir: por todos nós, criaturas humanas que somente pela misericórdia de Deus, podemos alcançar a paz!

Imagens: 1) dicastrocandoideias.blogspot.com; 2) http://www.rioverdeagora.com.br

BRINCANDO DE DANÇAR

O que nos faz fazer uma menininha de quase três anos, linda e com uma disposição de dar inveja!

Claro, também já fui assim, sua mãe e tia também foram e, minha mãe, com certeza absoluta um dia também foi assim.

Mas agora eu sou avó!

E essa menininha consegue me transformar em bailarina, comer de mentirinha, dar banhos de faz de conta em suas bonecas, além de tricotar mantas coloridas para cada uma delas.

Mas é dançando que nos divertimos mais.

bailarinas-5-1024x756Na primeira vez, comecei a cantar a melodia do Danúbio Azul (Strauss que me perdoe) enquanto ela ensaiava seus passos de balé.

Aí não teve mais jeito: só queria dançar se eu cantasse essa música e mais, eu tinha que dançar junto com ela!

Coitada dessa avó… cantando e dançando ao mesmo tempo…

Foi quando ela resolveu que queria uma plateia para nos ver e aplaudir.

Resultado: a mãe com seu bebezinho de um mês no colo e a titia sentaram-se, rindo muito, munidas de suas câmeras para filmar o acontecimento.

Colocamos coroas na cabeça (imagina só), fomos atrás das cortinas da sala e eu com a voz empostada falei: “atenção, senhoras e senhores”, (afinal tínhamos um menino na plateia), “vamos apresentar o balé Danúbio Azul com Isa e sua avó”!

Palmas.

Abre a cortina.

Começo a cantar e dar os primeiros passos tendo o cuidado de ficar mais atrás.

E ela, como se fosse a própria primeira bailarina dançando no Municipal, rodopiava compenetrada e feliz, erguendo ora uma perna, ora os braços e pulando de um lado a outro.

desenho de bailarina

Minha voz já não acompanhava meus movimentos e então tratei logo de chegar ao “gran finalle”.

Fizemos uma mesura a espera dos aplausos.

Ela então me abraçou e aquele momento mágico me fez sorrir de alegria e encantamento.

Pequenos gestos, pequenas coisas, mas que fazem um coração de vó quase arrebentar!

Agora sim, compreendo o que minha mãe também fazia com tanto prazer.

Era a inimaginável felicidade de ser avó!

Imagens: 1. http://www.martacostapaineis.com.br

2. produto.mercadolivre.com.br