2º ANIVERSÁRIO DO BLOG

bolo-aniversario

Puxa!!! “Meu filho” está crescendo! Com dois anos ele conhece tanta gente, tem inúmeros seguidores, viaja por mais de 46 países (isso em 2014) e a cada dia se torna mais bonito!!!

Claro, sou mãe coruja!!!

Se quiserem, podem dar uma olhada no primeiro aniversário dele.

Foram vídeos de historinhas infantis e comidinhas, indicações legais, receitas deliciosas, crônicas diversas e poemas inspirados.

Hoje só quero agradecer por sua existência que me faz tão feliz!

Mas uma vozinha começou a me incomodar dizendo que tantos seguidores e em tão diferentes países, mereciam uma mensagem especial no término de cada postagem minha.

E assim resolvi que, a partir de hoje, no final de cada post, vou colocar um pensamento, provérbio ou versículo para vocês meditarem, OK?

E vou começar com Salomão, conhecido por sua sabedoria e riqueza.

“Sabedoria tem relação direta com tornar-se preparado para honrar os pais, criar nossos filhos, lidar com dinheiro, conduzir a sexualidade, trabalhar e exercitar liderança, usar bem as palavras, tratar os amigos com gentileza, comer e beber saudavelmente, cultivar emoções e atitudes em relação aos outros de modo pacífico”. (Bíblia A Mensagem)

baloes-personalizados

Portanto, obrigada a todos vocês que me acompanham na criação de mais esse filho!

“INSTRUI A CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR, E, ATÉ QUANDO ENVELHECER, NÃO SE DESVIARÁ DELE”. Provérbios, 22-6

Imagens: 1) diariodebordo.net.br; 2) superbrinquedos.wordpress.com

O EXAME DE FEZES

Esse foi o primeiro texto que escrevi e que tive a coragem de mostrar para minha amiga Luciane Prendin, professora de Português e colega de trabalho.

Ela leu com atenção e disse:

– Esse texto é formidável! Você devia começar a escrever crônicas!

E aí foi o empurrão para eu começar a escrevê-las, surgindo aí o livro “Confidências ao Meio Dia”.

Pensei em não colocar essa pelo assunto em questão (kkkkkkk), mas afinal como sendo a primeira, tem o seu valor.

Vamos a ela!

laboratório

Olhei para aquela solicitação de exames e li: “exame de fezes ocultas”.

Puxa vida, pensei, o que vem a ser isso?

Fui até o laboratório buscar, além do recipiente, informações a respeito.

Simples: você vai colher a amostra e trazê-la bem fresca dentro desse vidro.

Difícil: eu nunca tinha feito isso!

Lembrei de quando criança, meu pai desinfetando um urinol (pinico mesmo para quem não sabe) e depois cortando um pedacinho do dito cujo e colocando com cuidado dentro de uma latinha de vaselina (também não sabe o que é, não é mesmo?) sob meu olhar curioso.

Aí pirei: primeiro, não tinha urinol (que palavrinha mais sem graça!), tinha um nojo danado só de pensar em cortar aquilo e, por último, teria que levar numa data certa, num sábado cedo porque durante a semana não poderia chegar atrasada ao trabalho.

Quer dizer, teria um dia e hora marcados para fazer meu intestino (que não conhece nada de horários) funcionar.

Então comecei a pensar no assunto e, de tanto pensar, sonhava à noite com a complicação toda, fezes voando para todos os lados e, acordava suando.

malhar

Para acabar logo com aquilo, marquei comigo mesma que teria de ser no próximo final de semana.

Quanto antes, melhor!

E o dia foi chegando e eu só pensando naquilo: conversava, trabalhava, via TV e…lá estava o papel me olhando, como a dizer “quero só ver como você vai fazer!”.

Chegou a véspera do sábado e deixei tudo preparado: passei álcool numa bandeja plástica que felizmente não tinha sido jogada fora, onde eu iria depositar o referido, uma faca de plástico e um par de luvas que usava para pintar o cabelo.

Como era sábado, levantei mais tarde, depois de uma noite agitada em que me via em cena no banheiro.

Tentei mandar uma mensagem ao meu intestino de: “alôôôô, não tô nem aí”, bem indiferente, mas meu inconsciente gritava: “preciso fazer cocô”!

Lá pelas tantas vi que ia conseguir e corri.

Posição de cócoras e lá vai… quase errei a mira!

Então calcei as luvas, peguei a faquinha e cortei, ainda no capricho, pensando que o melhor seria pegar um pedaço de dentro (o começo é mais velho, o final é recente e o meio, bem… é sempre o meio termo).

Nem sei como ainda raciocinava sobre isso com o meu estômago dando cambalhotas!

Com muito jeito, coloquei dentro do pote e tampei.

Suava!

Que situação mais esdrúxula!

Peguei os utensílios usados, embrulhei em um saco e coloquei no lixo antes de tomar um banho daqueles de meia hora em baixo do chuveiro como para tirar qualquer vestígio do acontecido.

banho

E lá fui eu para o laboratório entregar meu troféu.

Tirei o pacotinho da bolsa e, sem graça, deixei-o com a atendente que nem ligou, nem calculou o trabalho que tive, o tormento pelo qual passei.

Depois desse, encaro qualquer exame… já passei nesse!

Imagens: 1) labanalisesesmoriz.pt; 2) gordinhaeununcamais.blogspot.com; 3) cassianasalvador.wordpress.com

 

 

RESSONÂNCIA

A crônica de hoje foi escrita há dez anos atrás quando fiz esse exame pela primeira vez. 

Como repeti agora há poucos dias, achei oportuno mostrá-la.

Então… vamos lá!

RESSONÂNCIA

Bem que se diz que a velhice nos traz experiência!

É verdade!

Eu nunca precisei saber o que era ressonância magnética até sentir minha primeira dor nos joelhos e, depois de ir ao médico, fazer a seu pedido esse exame.

joelhos

A clínica, bonita por fora, dentro mais parecia um hospital: corredores com portas de vai e vem, avisos disso e daquilo, cheiro de remédio no ar, pessoas andando com camisolões e soro nas veias, enfermeiras ziguezagueando por ali.

Fui encaminhada ao vestiário e também precisei usar aquela “linda” roupa esterilizada.

Comecei a fazer parte do ambiente assim que terminei de retirar brincos, relógio, anel, corrente e fivela de cabelo e então me sentei num cantinho da sala de espera.

Percebi um corre- corre diferente e vieram me informar que a máquina acabara de estragar… cancelaram todos os exames.

Também em pleno domingo à tarde, até a máquina se viu no direito de descansar.

Claro que fiquei chateada porque além de ter perdido minha tarde de folga, teria que agendar um novo dia.

Mas… lá estou eu novamente, num final de tarde, depois de um dia cansativo de trabalho.

Respondo de novo todas as perguntas e o ritual se inicia.

Entro na sala.

máquina

A tão falada máquina é realmente assustadora!

Enorme!

Fui deitada, colocaram meu joelho em evidência, ajustaram fones em meus ouvidos recomendando que não me assustasse com o barulho, que não me mexesse, deram-me uma campainha para o caso de me sentindo mal, apertá-la e…saíram.

Então começou o exame.

O barulho é  muito alto e os sons vão mudando.

Eu tensa, imóvel.

Só meus olhos viravam de um lado para outro e meu pensamento, ah! esse sim, dava voltas e mais voltas.

Comecei a contar os quadrados do forro.

Aí parei o olhar em um respiradouro de ar com doze saliências em metal, como uma grade, e pareceu-me ver o Tom Cruise descendo por ela como no filme Missão Impossível.

E aquele monstro, codinome máquina, tremia, esbravejava, sacudia, urrava, querendo e conseguindo me apavorar.

Pelo tanto de sinais que emitia, meu joelho estava sendo devassado, esmiuçado, dissecado, pobrezinho!

Aí, de repente o silêncio!

Voltam os enfermeiros, colocam o outro joelho (ainda bem que não sou uma centopeia, nem sei se centopeia tem joelhos) para ser examinado e começa tudo de novo.

Mas aí já estou até me acostumando e o tempo passa mais rápido.

Silêncio!

Os atendentes voltam solícitos:

– Tudo bem com a senhora? Está sentindo alguma coisa?

E eu respondo sorrindo que tudo está bem, agora.

Afinal acumulei mais uma experiência em meu currículo…

Saí apressada para me vestir, pegar um táxi e correr para casa a tempo de assistir o penúltimo capítulo da novela das sete.

tv

Do meu livro Confidências ao Meio Dia

Imagens: 1) kilorias.band.uol.com.br; 2) http://www.forebrain.com.br; 3) newvagaboard.blogspot.com

A MENINA ESCOLHIDA

Quando dei por mim, eu tinha pai, mãe, um irmão e uma babá.

Ela tinha a pele bem escura, um colo macio, era alegre, cozinhava como ninguém e engomava minhas anáguas que eu vestia aos domingos para ir à Igreja.

– Tem que ficar bem armada, Pedrina! Bem duras que parem de pé! Eu falava na minha impaciência de criança.

E ela engomava novamente, passava, me vestia e penteava meus cabelos crespos, sempre ouvindo meus choramingos.

Aí sentávamos para conversar: lareira acesa, pinhão estourando na brasa, vento gelado passando pelas frestas da porta, lá em Castro onde morávamos.

Castro

E sempre acabávamos pedindo para mamãe contar a “história da Pedrina”.

– “Eu e seu pai”, começava ela, “fomos morar, logo que casamos, em Machado, lá onde você, Silvinha, nasceu. Mas isso foi bem antes de você vir ao mundo. Como seu pai era pastor, visitávamos sempre as famílias da Igreja. Íamos a sítios, casas bem longe do centro e foi numa dessas vezes que chegamos em uma casinha bem pobre, de tábuas, chão de terra batida, apenas um cômodo onde morava a família da Pedrina: pai, mãe e sete filhos. Começamos a conversar, ensinar sobre higiene, cuidado com as crianças, quando vi, espiando pela porta aberta, uma carinha risonha. Colocava a cabeça, olhava, sorria e escondia de novo. Foi quando o pai dela contou-nos que não tinha condições de sustentar sua família, que estavam doentes e que, portanto, iam dar seus filhos. Se quiserem, ele falou, podem escolher qualquer um e levar. Eu então apontei para a porta e disse que era aquela menininha que eu iria levar. E assim, trouxemos a Pedrina para nossa casa. Como ela tinha piolhos, tivemos que raspar sua cabeça após o banho com bucha e sabão. Tiramos os bernes e colocamos creolina. Encontramos carrapatos e tiramos enquanto ela chorava… e nós também. Era magrinha de dar dó, mas fomos tratando com carinho e assim ela se curou e entrou para nossa família”.

Muitas vezes ouvimos essa narrativa e cada vez nos empolgávamos com a parte dos bichos e cada vez os olhos de Pedrina se enchiam de lágrimas de reconhecimento.

Como ela nos amava!

Viveu sempre ao nosso lado até se casar com um cabo do exército que servia com meu irmão.

Não podia ter filhos, mas queria tanto!

Até que um dia conseguiu engravidar e mamãe cuidou dela com infinita paciência, porque sua pressão subia pondo em risco sua vida e do bebê, que veio ao mundo recebendo o nome de Yedda em homenagem à minha mãe.

Mae negra (1)

Viveu pouco, depois disso.

Fiquei com aquela impressão triste de que se foi cedo demais…

Agora só restam lembranças e saudades!

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia)

Imagens: 1) http://www.castro.pr.gov.br; 2) simplismentevida.blogspot.com

O BRINCO QUE NÃO FOI PERDIDO

Era uma moça divorciada, já meio passadinha, mas que se achava a maioral!

Ela era realmente bonita ainda, estava com tudo em cima, mas nem tanto para ficar com essa bola toda.

Estava namorando um “bom partido” e devia dar graças a Deus e sossegar o facho, mas ela simplesmente não conseguia agir assim.

Era maior que ela a vontade de aparecer, ser admirada, valorizada…

Alguém já tinha até comparado esse seu jeito com um sabiá preso na gaiola, olhando para todos os lados com medo de perder alguma coisa.

PassarinhoGaiola

Assim foi que em uma bela noite, saíram os dois para um barzinho da moda.

Lugar agradável, música ambiente, comida gostosa, gente bonita.

Conversa vai, conversa vem e eis que nossa heroína já está desinteressada do seu companheiro, mal ouvindo o que ele fala e, portanto, observando as mesas ao lado.

Seus olhos batem certeiros nos de um homem lindo, maravilhoso, SOZINHO!

– Que falta de sorte! Pensa ela. Justo hoje que vim acompanhada me aparece esse deus grego! 

E tem início a mais descarada paquera!

O coitado do seu namorado nem se dá conta de tamanha canalhice!

Então ela pensa: – vou dar um jeito de ir para casa e volto depois no meu carro!

Foi o que fez.

Simulou aquela dor de cabeça e ele prontamente levou-a para casa.

Entrou por uma porta e saiu por outra.

Pegou seu carro e lá se foi maquinando como faria.

Tirou um brinco de ouro de uma orelha, guardou na bolsa e chegando à porta do bar, perguntou ao segurança se poderia entrar.

– Perdi meu brinco de ouro! Falou fazendo beicinho. Poderia entrar para procurá-lo? Tenho certeza que deixei cair perto da mesa onde estava.

Gentilmente o rapaz abriu a porta e acompanhou-a até a mesa.

Ela foi entrando e seu olhar rapidamente foi até a mesa onde DEVERIA estar o bonitão.

Não estava mais lá!

O homem tinha ido embora!

– Não acredito! Falou entre dentes.

E foi fazer seu papel: procurou o brinco em baixo da mesa, em volta, pediu desculpas, fez cara de triste e saiu.

– Console-se com o que tem! Repetiu para si mesma. Mas que a Globo perdeu uma atriz, isso com certeza!

Abriu a bolsa, pegou o brinco, colocou na orelha e lá se foi sorrindo…

mulher dirigindo

Imagens: 1) carinhoecasa.blogspot.com; 2) escrevalolaescreva.blogspot.com

E ATENÇÃO: NO PRÓXIMO POST, DIA 01 DE DEZEMBRO, COMEÇAM AS RECEITAS E REFLEXÕES NATALINAS, DURANTE TODO O MÊS!!!

IRRITAÇÃO

Há alguns anos atrás, minha mãe nos contou um fato que resultou em enormes gargalhadas de todos que ouviam.

– Eu entrei no ônibus (disse ela) com sacolas e pacotes depois de ter andado muito, e todos os lugares estavam ocupados, inclusive aqueles com os dizeres de preferenciais.

assento-preferencial

Parei me equilibrando perto de um deles onde estava sentada uma mocinha que olhou e perguntou se queria que ela levasse meus pacotes.

Respondi agradecendo e completei que eles não estavam cansados, mas eu sim!

Ela se levantou sem graça e me deu o lugar.

– Nossa, mãe, você teve coragem de falar assim? Perguntei.

– Claro! Eu sou uma idosa e estava cheia de razão! Mamãe respondeu.

Hoje em dia sou eu a idosa e tenho percebido o quanto é irritante presenciar a falta de educação das pessoas.

Moro em uma cidade considerada de primeiro mundo onde existe um sistema de transporte com ônibus que são como um metrô de superfície e que param em estações tubo.

curitiba

Primeiro as pessoas que estão dentro, descem para depois as outras que estão esperando, possam subir.

Esse sistema é até bem explicado em gravações que ouvimos durante o trajeto, mas não é assim que acontece.

A porta se abre e as pessoas mal conseguem sair porque outras já estão atropelando na ânsia de chegar primeiro.

E não é por medo de perder o ônibus não, porque ele até faz uma parada demorada.

É por falta de educação mesmo!

E eu fico ali, do lado de fora, parada como um alien, vendo o alvoroço.

Depois de todos saírem, de outros passarem por mim entrando, entro também e com um mau humor terrível!

Não posso fazer como eles, é claro, mas sempre acabo indo em pé porque outros passaram na minha frente.

dentro do ônibus

Outra coisa que me irrita é ver pessoas jogando papel ou outra coisa qualquer, no chão.

Tenho vontade de ir atrás, fazê-los juntar e jogar no cesto que está a poucos passos dali e ainda dar um sermão!

Isso é ser intolerante?

Implicante?

Coisa de velha?

Tenho certeza que não porque sei observar a boa educação, a gentileza, a solidariedade.

Como seria bom conviver com pessoas educadas, numa cidade realmente civilizada!

Por falar nisso, DESCULPEM o desabafo, POR FAVOR não me julguem tão severamente e OBRIGADA pela paciência!

Imagens: 1) turismoadaptado.wordpress.com; 2) foto de Luciano Roncolato; 3) sushicomkibe.com

O TIRO

Acordei com o tiro!

Ainda meio dormindo, ouvi os gritos:

– PARE! É A POLÍCIA! DEITA! DEITA, SEU FILHO DA MÃE!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Despertei de pronto, olhei para o relógio que mostrava as horas em vermelho sangue:05:00 horas da manhã.

O barulho todo vinha da frente da janela do meu quarto que dava para a entrada do prédio.

Meus sentidos ficaram alertas e, completamente acordada, comecei a tremer.

Podia ouvir os chutes que davam e os gritos de dor na madrugada antes silenciosa.

Era a primeira vez que ouvia um tiro de verdade; apenas um, mas que me deixou pensativa até o dia clarear…

Queria orar e não conseguia.

Não sabia se devia pedir pelo bandido que apanhava ou se pela polícia que batia.

Talvez aquele homem matara alguém ou invadira a casa de pessoas inocentes para roubar ou sequestrar… ou podia ser até um inocente que passava por ali e estava sendo confundido com um suspeito… e os policiais, então?

Podiam estar abusando da autoridade fazendo de um pobre transeunte, um prisioneiro.

Ou não!

Tanta violência!

Uma coisa é assistir, acomodada em um sofá na segurança da sua casa, um filme com saraivas de balas distribuídas em corpos que caem em poças de sangue e outra é ser acordada como fui.

homem caído

Nem cheguei à janela para ver a cena… e o medo de balas perdidas?

E além do mais, foi tudo muito rápido: ouvi o som de um carro saindo apressado e depois o silêncio lá fora e as batidas do meu coração dentro do peito.

Passou muito tempo até eu conseguir dormir novamente.

A manhã serena de domingo me recebeu como sempre: o sol brilhando sobre as folhas das árvores ainda cobertas de orvalho.

Lembrei do tiro e das vozes.

Lembrei que a violência é real.

Fui à Igreja e orei.

Já sabia por quem pedir: por todos nós, criaturas humanas que somente pela misericórdia de Deus, podemos alcançar a paz!

Imagens: 1) dicastrocandoideias.blogspot.com; 2) http://www.rioverdeagora.com.br

DIA DOS NAMORADOS/ PRIMEIRO JOGO DO BRASIL

UAU!!!

As duas comemorações juntas?

Como vai ser?

coração verde e amarelo

Muito se tem escrito sobre o Dia dos Namorados e a estreia do Brasil na Copa e muito tenho lido sobre isso.

Sobre o primeiro, confesso que já nem comemoro mais… meus tempos de namoro já estão bem longe.

Sobre o segundo, sim: gosto de futebol!

Torço e sofro pelo meu time.

Assisto às partidas na TV e, quando não passa, ouço pelo rádio.

Agora, a Copa do Mundo é ainda mais emocionante!

Todos torcemos juntos pelo nosso país.

Penso e fico triste ao lembrar do desperdício de dinheiro, o uso desmedido dele e o quanto poderia ter sido feito em prol de uma vida mais digna para milhares de brasileiros que, esquecidos da dor, do sofrimento e da vergonha, vão pular, torcer e gritar hoje, na hora em que o jogo começar e, como eu, vestir o verde e amarelo.

E passo a observar o casal de namorados que se prepara para assistir o jogo na sala onde estou.

Os dois com a camisa da seleção.

Ele, ansioso, mal olha para ela, parece estar concentrado, contendo a respiração.

Ela, a olhar para ele, pegando em sua mão, esperando palavras ou gestos de carinho nesse dia que é dos dois.

– Será que ele se lembra? Será que comprou alguma coisa para mim?

E começa o jogo e as vozes de um Brasil inteiro cantam unidas ao bater de um só coração… bem próprio para hoje!

bola-brasil

E termina o espetáculo!

E é quando ele se lembra de olhar ao lado e tira da mochila um presente para ela.

Ela sorri feliz e rasga o papel, curiosa, retirando algo de dentro.

Chego mais perto ao ver a decepção estampada no rosto dela!

– Completo! Ele diz com ares de vitória!

Em suas mãos o presente: um álbum de figurinhas da Copa…

Imagens: 1) seuperfilmega.blogspot.com; 2) portalcapacitar.com.br

ANTONINA

Antonina me remete às mais doces lembranças…

Foi lá que vivi minha adolescência e passei quatro anos cursando o “Ginásio”.

Foi lá que “conheci o mar” (ver crônica do dia 23 de janeiro).

Foi lá que nasceu minha irmã caçula, Raquel.

É de lá que vem a vontade de passar novamente por aquelas ruas centenárias, cheias de histórias, sentir o cheiro do mar e pensar que voltei a ser jovem, só por um instante…

antonina-parana-brasil

ANTONINA

Morei lá.

Fiz ginásio, fiquei mocinha,

aprendi a paquerar.

Usei meu primeiro sutiã

sem nem ter o que aparar.

—–

Passeava pela pracinha

nos domingos, ao entardecer

e com amigas da escola

um filme sempre ia ver.

—–

No teatro do colégio

representei muitas vezes.

Fiz a Bela, a Virgem, anciã,

fui cantora, menino, negrinha,

ganhei até papel de vilã.

—–

Bons tempos eram aqueles

de passeios à prainha,

Ponta da Pita, Mercado

e o começo dos namoros

sempre com “velas” ao lado.

—–

A cidade se iluminava

de foguetes lá no morro.

Era a festa da padroeira

em pleno mês de agosto.

—–

A brisa era suave,

o sol era quente,

o céu tão azul,

o coração contente…

antonina-imagem-1

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) http://www.tripadvisor.com; 2) viageiro.com

 

O RECHEIO DO PASTEL

Na minha infância não existiam pastelarias como a 10 Pastéis em todo canto, nem pastéis em caixinhas, prontos para serem fritos, nem massas prontas esperando para colocar recheios…mas existia o garoto esperto, aquele que queria levar vantagem em tudo, no caso…meu irmão.

Mamãe já andava cansada de ver seu filho sentar-se à mesa, olhar para os pratos e escolher sempre o maior: bife, ovo frito, panqueca e, na nossa história, pastel.

Papai agradecia o alimento e aquele menino nem fechava os olhos: parecia um jacaré olhando a presa…já estava escolhendo o maiorzão!

Nem bem se falava o “amém” e ele esticava seu garfo pegando o escolhido.

Um belo dia, mamãe resolveu pregar uma peça naquele guloso.

Esticou a massa, com a ajuda de uma garrafa que fazia as vezes de um rolo de macarrão, e colocou o recheio de carne nos pastéis.

Todos do mesmo tamanho, menos um: grande, bem maior que os outros, no qual ela colocou recheio de cascas de batatas!

E foi, novamente, tudo igual: nos sentamos à mesa, papai agradeceu o alimento e…zápt! ele esticou o braço e fisgou o dito pastel que estava realmente uma beleza, se destacando no meio dos demais.

Ele salivava de prazer!

Deu a primeira mordida bem no meio onde o recheio formava uma saliência, mastigou, fez cara de ponto de interrogação, engoliu e mudou a cara: era o próprio espanto!

Olhou para o pastel em sua mão e tentou identificar o que era aquilo e voltou os olhos para minha mãe que fixava os seus firmemente nos dele.

– Gostou? Ela perguntou em voz inocente. São cascas de batatas, achei que você gostaria…

ele então levantou num pulo e saiu correndo para tentar cuspir o que ainda restava na garganta.

Nós, os outros, sem entender nada, perguntamos o que estava acontecendo e mamãe contou o sucedido.

Não sei se ele aprendeu a lição mas sei que jamais esqueceu o fato!

Só faltava ele ter gostado do recheio…

Do meu livro “CONFIDÊNCIAS AO MEIO DIA”.

FOTO CAPA LIVRO 1