É inacreditável!

Nesses tempos de hoje em que nesse exato momento uso um computador para escrever, falo com minha filha na África como se ela estivesse aqui na esquina e vejo folhas saindo do fax, começo a lembrar das dificuldades que tínhamos há pouco tempo atrás.

Quando eu tinha meus nove anos (parece que foi ontem), vivia com minha família em uma pequena cidade do interior do Paraná, Sengés.

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Lembro de um rio que atravessava a cidade e passava bem nos fundos de casa; de um cinema que funcionava atrás de um bar com cadeiras que mudávamos de lugar a nosso bel prazer.

Lá assisti filmes ao lado de minha mãe, que adorava cinema.

“A Fonte dos Desejos” e “Marcelino Pão e Vinho” foram alguns.

Lembro da escola onde estudava e “briguei de puxar cabelo” pela primeira e última vez em minha vida, por causa de uma colega que insistia em caçoar da maneira com que eu respondia a chamada: “presentiii”.

Era meu jeito “mineirês” de falar (hoje isso seria chamado de bulling)…

E tinha a nossa casa.

Grande, de esquina, no final de uma descida onde, numa manhã, um caminhão sem freios entrou por dentro dela fazendo enorme estrago!

Ainda bem que não brincávamos na varanda naquele momento!

E foi, num belo dia, que ao olharmos pela janela, vimos uma carroça trazendo da loja a nossa tão sonhada geladeira!

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Papai já nos contara a novidade e esperávamos aflitos esse dia chegar.

Ela foi colocada triunfalmente em nossa sala de jantar!

A cozinha era pouco para ela!

Meu pai a ligou na tomada, mamãe passou um pano com cuidado e colocou as forminhas com água para fazer gelo enquanto nós ficávamos ali olhando e esperando como “galinhas chocas” ele ficar pronto.

Como éramos felizes em nossa simplicidade!

Acabamos ficando todos com dor de garganta pois nunca roemos tanto gelo e tomamos tanta água gelada!

Ontem passei por uma loja de eletrodomésticos e fiquei pasma com a sofisticação e preço das geladeiras modernas!

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Na minha mente veio aquela cena da carroça trazendo aquele hoje “elefante branco” que nos deixou maravilhados.

Por certo, daqui há alguns anos, alguma pequena menina de hoje, vai escrever uma crônica sobre certas geladeiras de sua infância que nem sabiam falar…

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia”)

Imagem de Sengés: http://www.rotadostropeiros.com.br

5 comentários em “A CHEGADA DA GELADEIRA

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