DEUS

Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo.

É feriado em todo o país e celebrado 60 dias após a Páscoa.

Por ser uma comemoração religiosa, escolhi essa poesia para compartilhar com vocês.

deus

DEUS

Te vejo na força do mar,

nas ondas furiosas

na praia a quebrar.

Te vejo ao longe, nos montes,

nos campos floridos,

na chuva miúda, tempestade,

no vento que passa zunindo

trazendo calamidade.

—–

Te vejo no sol das manhãs,

na lua, estrelas,

no frio, calor.

No orvalho tênue,

na brisa leve

como um beijo de amor.

—–

Te vejo no sorriso da criança,

no sarar do doente;

longe, onde a vista alcança

onde se perde o horizonte,

num olhar de esperança.

—–

Te vejo, meu Deus,

em minha vida:

curando a ferida,

mostrando o caminho

ao me recompor.

Me dando guarida

esperança perdida,

me enchendo de amor.

bíblia

Do meu livro Um Pouco de Mim.

Imagens: 1) amigosvirtuaisabençoadospordeus.blogspot.com; 2) siteevangelico.com

ROMANTISMO

O Dia dos Namorados está chegando e para entrar no clima, segue um poema meu.

Observação: quem não gostaria de um namorado assim?

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ROMANTISMO

Eu queria um romântico:

que me cobrisse de flores,

que me oferecesse versos,

que me enchesse de amores.

—–

Que dedilhasse as cordas do vento,

que me embalasse nas ondas do mar.

Que ao céu subisse me alcançando estrelas,

que cantasse prá mim em noites de luar.

Do meu livro “Um Pouco de Mim”.

Imagem: lucinhapeixoto.blogspot.com

O DIA EM QUE CONHECI O MAR

Eu acabara de completar doze anos.

Menina ainda, magrinha, curiosa e cheia de energia quando desembarquei do trem na estação da pequena cidade de Antonina, litoral do Paraná.

Cidade histórica com um porto que teve seus dias de glória e, agora, tristemente abandonado, com sua gente calma, sentada em cadeiras nas calçadas vendo o tempo passar.

E foi ali que chegamos, vindo das Minas Gerais, para morarmos.

Nem bem deixamos as malas na casa do velho casal que iria nos hospedar por um bom tempo até acharmos uma para alugar, corremos pelas ruas estreitas de paralelepípedos gastos, até o Mercado Municipal que era a “porta” do mar.

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Ali eu parei, olhando, absorvendo cheiros, sentindo na pele o vento passante que desmanchava meus cabelos.

E fui caminhando como uma encantada até ele.

– Tire seus sapatos! Ouvi meu pai falando.

E depressa tirei, sentindo na planta dos pés o roçar da areia úmida fui caminhando enquanto ouvia minha mãe, braços abertos, cantarolar Caymi: “o mar, quando vai lá na praia, é bonito é bonito, é bonito demais”.

E lá na beirada, onde as ondas vinham aos poucos se chegando, eu parei.

Lembrei do que me disseram sobre a água do mar ser salgada e olhei para meu pai que, adivinhando meu pensamento, mandou que eu molhasse meus dedos nela e experimentasse: provei, senti seu sabor e experimentei novamente para acreditar.

Então entrei na água, molhando todo o meu vestido rodado!

As ondas me saudavam suaves enquanto gaivotas faziam festa sobre nossas cabeças.

O sol se despedia tranquilo e o mar me recebia com seus “braços” abertos (se braço os tivesse) e me oferecia toda sua grandeza, seu poder, sua magia envolvente.

E eu me apaixonei por ele!

Estava feliz por poder morar ali onde teria todo o dia, o dia todo, esse mar para mim!

E muitas alegrias em minha vida, tiveram o mar como testemunha: pescarias, passeios de barco, muitos amores…

Dizem que o mineiro ama o mar porque não o tem, mas a recíproca foi verdadeira, a sintonia foi real.

Ah, mar!

antoninaImagens: 1) rapps.ademadan.org.br; 2) specialparana.com

 

 

 

TRILOGIA ILHA DO MEL- PARTE III- A PARTIDA

“Uma vez só é pouco” é um título de filme.

Só que para eles o que é pouco é bem diferente do que é pouco para mim!

Acho tão pouco vir apenas uma vez ao ano a esse lugar…

– O quê? A Ilha? Só dá drogado e gente nua!

Ouvi isso algumas vezes quando comentava que vinha para cá.

– Engano seu, ô por fora! Drogado e nu você encontra em outro lugar, não na “minha” Ilha!

E como os dias se passaram depressa!

Já é dia de voltar…

Acerto minhas contas, dou adeus aos afortunados que ainda vão ficar mais tempo e vou caminhando de volta ao embarcadouro.

brasilia-ilhadomelAgora o mar está à minha esquerda e tão verde com reflexos prateados que chega a doer meus olhos.

Um lagarto passa vagaroso à minha direita, embrenhando-se no mato.

Logo mais, um mastro, no meio do nada, com a bandeira do meu time tremulando.

Vou me lembrando aos poucos do dia a dia…

O Gervásio que me acompanha com sua bicicleta levando minha mochila, olha para mim e com toda sua timidez, fala:

– Vamos sentir sua falta…

– Obrigada! Respondo. Quem me dera poder ficar…

Ilha do Mel - PRE enquanto entro aos trancos no barco, meu celular que estava fora de área há cinco dias, volta a tocar.

Até me assusto mas atendo rápido.

– Dona Sílvia, aqui é do consultório da sua dentista e queremos confirmar seu horário amanhã, às dez.

Nem bem termino de responder, grito com força:

– Gervásio, volte! Quer trocar de lugar comigo?

Ele segue em frente pedalando.

Nem olha para trás.

Fingiu que não ouviu…

amanhecerImagens: 1. http://www.guiageo-parana.com

2. http://www.viajeturismoagencia.com.br

3. http://www.gilsoncamargo.com.br

 

 

 

 

MINEIRA

Ah, mineira, se soubesses

como é lindo teu andar…

Não és “garota de Ipanema”

nem ao menos tens um mar,

mas teu corpo tem o cheiro

dos quitutes, das quitandas,

do tempero brasileiro

que nos levam a sonhar.

És a rima, és a prosa,

pura e casta, hospitaleira,

a donzela valorosa

de tradicional família

que sobe ladeira

de ruas estreitas,

que vai à Igreja

rezar fervorosa.

És ilustre, tens história.

Na política és ardilosa.

És rica, dona de pedras

das minas do teu Estado.

Tens a música no sangue,

tens na língua o desacato,

tens no agrado teu recado,

tens na alma teu pecado.

Teu sorriso matreiro,

teu olhar zombeteiro,

teu gingado brejeiro

me fez prisioneiro:

não sei mais quem sou.

Do meu livro “UM POUCO DE MIM”

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