Ah, mineira, se soubesses

como é lindo teu andar…

Não és “garota de Ipanema”

nem ao menos tens um mar,

mas teu corpo tem o cheiro

dos quitutes, das quitandas,

do tempero brasileiro

que nos levam a sonhar.

És a rima, és a prosa,

pura e casta, hospitaleira,

a donzela valorosa

de tradicional família

que sobe ladeira

de ruas estreitas,

que vai à Igreja

rezar fervorosa.

És ilustre, tens história.

Na política és ardilosa.

És rica, dona de pedras

das minas do teu Estado.

Tens a música no sangue,

tens na língua o desacato,

tens no agrado teu recado,

tens na alma teu pecado.

Teu sorriso matreiro,

teu olhar zombeteiro,

teu gingado brejeiro

me fez prisioneiro:

não sei mais quem sou.

Do meu livro “UM POUCO DE MIM”

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