BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

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E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

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(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

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(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

CASEBRE

Sempre quando viajo, observo aquelas pequenas casas no meio do nada e fico pensando tanta coisa… será que mora alguém ali? Como será que vivem longe de tudo? E assim surgiu esse poema. Apenas conjecturas…

CASEBRE

Tão pequeno,

isolado…

Na beira da estrada

parece vazio,

abandonado.

—–

Mil olhos o veem

e ele lá, calado.

Parece pintura,

parte de um quadro

desbotado.

—–

Passa o dia

vem a noite.

Cai a chuva

e ele lá.

Sem dono.

—–

Servindo de encosto

às arvores que se esfregam,

retorcem,

contorcem.

E ele lá.

—–

Servindo de abrigo

pra bichos

porque nem gente,

carente,

quer ali pernoitar…

casebre

Imagem: paisagensemfotos.blogspot.com

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

SOLIDARIEDADE

Choro…

Pelas incertezas da vida…

Pela criança perdida,

pelas pessoas doentes,

pelas famílias ausentes,

por pais esquisitos,

pelos velhos, esquecidos.

—–

Pela poluição do ar,

por falta do que sonhar,

pela injustiça, pela guerra,

pela falta de paz na terra,

pelo político ladrão

que rouba seu próprio irmão.

—–

Pelo desrespeito,

pelo desfalque aceito,

pela menina abandonada,

pela comida estragada,

pela morte na barriga

tirando de dentro uma vida.

—–

Pela sujeira de rios, mares,

pela destruição de lares,

pelo abraço negado,

pelo perigo a nosso lado,

pelo descaso com Deus

pela influência de ateus.

—–

Que fazer, Senhor?

Enxugue minhas lágrimas!

Solidariedade,

teu nome é amor!

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(Imagem: apenasumservo.blogspot.com)

Poesia do meu livro Um Pouco de Mim.

FAZ DE CONTA

fazconta

Faz de conta que sou feliz.

Que não ouço as notícias,

que não vejo as imagens,

que não existem crianças

passando fome, enjeitadas,

pobreza, analfabetismo,

desemprego e sequestro,

morte e calamidade.

—–

Faz de conta que sou feliz.

Que não percebo seu jeito,

que não sinto as mudanças

não vejo a indiferença,

a falta de sintonia,

de tato, de companhia,

do final se aproximando,

sem querer, me aprisionando.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Que sou forte, poderosa.

Às crianças dei um lar,

comida, escola, vontade

de aprender, de ser alguém.

Empreguei homens, mulheres

e dei um teto também.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Vi você se aproximando

abri meus braços e neles

você se ajuntou sorrindo.

Olhou, como já não fazia,

em meus olhos lá no fundo

e tudo foi paz, alegria

e seguimos pelo mundo.

casal

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) gestaoadvbr.wordpress.com 2) angela.mulher.zip.net

DEUS

Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo.

É feriado em todo o país e celebrado 60 dias após a Páscoa.

Por ser uma comemoração religiosa, escolhi essa poesia para compartilhar com vocês.

deus

DEUS

Te vejo na força do mar,

nas ondas furiosas

na praia a quebrar.

Te vejo ao longe, nos montes,

nos campos floridos,

na chuva miúda, tempestade,

no vento que passa zunindo

trazendo calamidade.

—–

Te vejo no sol das manhãs,

na lua, estrelas,

no frio, calor.

No orvalho tênue,

na brisa leve

como um beijo de amor.

—–

Te vejo no sorriso da criança,

no sarar do doente;

longe, onde a vista alcança

onde se perde o horizonte,

num olhar de esperança.

—–

Te vejo, meu Deus,

em minha vida:

curando a ferida,

mostrando o caminho

ao me recompor.

Me dando guarida

esperança perdida,

me enchendo de amor.

bíblia

Do meu livro Um Pouco de Mim.

Imagens: 1) amigosvirtuaisabençoadospordeus.blogspot.com; 2) siteevangelico.com

ROMANTISMO

O Dia dos Namorados está chegando e para entrar no clima, segue um poema meu.

Observação: quem não gostaria de um namorado assim?

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ROMANTISMO

Eu queria um romântico:

que me cobrisse de flores,

que me oferecesse versos,

que me enchesse de amores.

—–

Que dedilhasse as cordas do vento,

que me embalasse nas ondas do mar.

Que ao céu subisse me alcançando estrelas,

que cantasse prá mim em noites de luar.

Do meu livro “Um Pouco de Mim”.

Imagem: lucinhapeixoto.blogspot.com

A POESIA E A CIDADE

Hoje é feriado!!!

Aproveite sua cidade!

amanhecer na cidade

Eu, poeta, atenta e só,

vou caminhando na rua.

É tão cedo e ela acorda

se espreguiça com doçura

despedindo a noite nua.

—–

Há neblina sobre o lago

trazendo mistérios sem fim.

Vou procurando as rimas

para os versos que começam

a tomar forma em mim.

—–

Mas é manhã e prossigo

vendo o dia amanhecer,

colorindo à minha volta,

caleidoscópio de cores

o sol triunfante nascer.

—–

Uma janela se abre,

sinto o cheiro de café.

Ouço meus passos batendo

ritmados, compassados,

como se fosse um balé.

—–

E um pinheiro ao longe estica

braços lentos pelo ar.

Um ipê sacode as flores

cobrindo a calçada toda,

tapete para eu passar.

—–

De repente no silêncio,

o canto de um passarinho.

E outro, outro e mais outro,

juntos formando orquestra

que a melodia adivinho.

—–

É um “bom dia” amigo

lá da torre da Matriz,

a essa cidade risonha

que sem pudor abre os braços

me tornando mais feliz!

Flores de jacaranda de Jones Poa

Imagens: 1) jorgebichuetti.blogspot.com; 2) sutilezasdaalmaemente.blogspot.com

CATADORES DE PAPEL

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CATADORES DE PAPEL

As sombras vão caindo

enquanto eles,

incomodando o trânsito,

vão saindo

atrapalhando os que

com pressa caminham.

—–

Empurrando aquilo que tem:

o pequeno carrinho que ora puxam

como escravos, animais desolados,

emprego dos que

pariram dores,

sofrimentos, fome, suores.

—–

E crianças sacolejam neles

esquecidas deles.

Amarrotadas

como caixas de papelão

que as sufocam

sem perdão.

—–

E eles vão sem pressa.

Tão rudes, maltratados.

Catadores de papel

pelas ruas,

na vida,

ao léu…

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagem: louvoresaorei.zip.net

MULHERES SOZINHAS

Como ainda estamos celebrando o Dia da Mulher, segue essa poesia que fala da mulher sozinha por opção, um direito adquirido!

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Mulheres Sozinhas

Eu as vejo sempre

em todos os lugares.

Nas ruas

andando com pressa,

no volante do carro,

nas mesas de bares.

—–

São muitas

e de todas as idades.

Correm nos parques,

jogam nos bingos,

dançam nas festas,

vão orar aos domingos.

—–

Faço parte delas.

Dessas mulheres sozinhas.

Que lutaram, suaram,

que curtem a liberdade,

que preservam a intimidade,

que decidiram por si.

—–

Mas à noite, no quarto,

quando vou me deitar,

quero o cheiro, o braço,

do homem que escolho,

como travesseiro,

prá dormir e sonhar…

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(Do meu livro “Um Pouco de Mim”, em 1999)

Imagens: 1) juartenapraia.blogspot.com; 2) patycarlafreitas.wordpress.com

 

ANTONINA

Antonina me remete às mais doces lembranças…

Foi lá que vivi minha adolescência e passei quatro anos cursando o “Ginásio”.

Foi lá que “conheci o mar” (ver crônica do dia 23 de janeiro).

Foi lá que nasceu minha irmã caçula, Raquel.

É de lá que vem a vontade de passar novamente por aquelas ruas centenárias, cheias de histórias, sentir o cheiro do mar e pensar que voltei a ser jovem, só por um instante…

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ANTONINA

Morei lá.

Fiz ginásio, fiquei mocinha,

aprendi a paquerar.

Usei meu primeiro sutiã

sem nem ter o que aparar.

—–

Passeava pela pracinha

nos domingos, ao entardecer

e com amigas da escola

um filme sempre ia ver.

—–

No teatro do colégio

representei muitas vezes.

Fiz a Bela, a Virgem, anciã,

fui cantora, menino, negrinha,

ganhei até papel de vilã.

—–

Bons tempos eram aqueles

de passeios à prainha,

Ponta da Pita, Mercado

e o começo dos namoros

sempre com “velas” ao lado.

—–

A cidade se iluminava

de foguetes lá no morro.

Era a festa da padroeira

em pleno mês de agosto.

—–

A brisa era suave,

o sol era quente,

o céu tão azul,

o coração contente…

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(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) http://www.tripadvisor.com; 2) viageiro.com