NÃO HAVIA LUGAR…

Desejando a todos os leitores um feliz Natal, compartilho a poesia do livro “Antes que escureça o sol”, do meu pai Rossine Sales Fernandes.

presépio

Não havia lugar…

Por decreto de César Augusto,

para o Censo a Belém vão chegando

peregrinos,que buscam pousada…

As pensões já se encheram de gente

que procede de todos os lados.

—–

Na cidade o ambiente é festivo.

Como se fosse um dia de gala,

vibra e canta a pacata Belém.

Há nas ruas e casas ruído,

um nervoso e incessante vaivém…

—–

E não sabem que um santo casal,

recém chegado de Nazaré,

ansioso procura um lugar

onde possa dormir, descansar,

ao abrigo do frio da noite.

—–

Hospedagem nenhuma conseguem;

são estranhos, coitados, e humildes.

Fossem ricos, lugar achariam

em pensões ou qualquer estalagem:

boas camas e pão lhes dariam…

—–

Ou soubesse Belém que o Messias

-velho sonho de todos os crentes,

proclamado na voz dos Profetas,

esperança de todas as gentes,

Redentor desejado e querido,

—–

nessa noite devia nascer…

Se Belém o soubesse, daria

o melhor dos seus bens ao casal,

hospedando José e Maria.

Entretanto, lugar não lhes dá…

—–

Também hoje é assim, por igual:

há lugar para festas, banquetes;

para tudo há lugar no Natal

(sejam ricos ou pobres os pais),

menos guarida para Jesus…

—–

Entre si todos trocam presentes

e surpresas, com lindos cartões…

Só se vê rosto alegre, e não triste,

há sorrisos e abraços profusos.

Mas prá Cristo lugar não existe…

—–

Muitos outros lhe fecham a porta

tão somente por falta de luz:

se Belém desprezou a Jesus,

muitos hoje ao Senhor desconhecem

e suas portas lhe cerram sem dó…

—–

Sua história e seu nome bem sabem,

seu Natal comemoram, felizes,

o Evangelho já leram por alto

e cristãos e “bonzinhos” se dizem,

mas a Cristo, o Senhor, desconhecem…

—–

Não provaram de Cristo o poder,

não aceitam o amor do Senhor,

nunca viram milagres da graça,

nem seus lábios cantaram louvor,

nem buscaram de Deus o perdão.

—–

Podem ser bons e mesmo sinceros,

mas a Lei do Senhor menosprezam,

e, descrentes de todos os credos,

seus sagrados ensinos desprezam,

não deixando lugar prá Jesus…

—–

Ó Brasil, como é triste o teu fado,

por não teres de Deus o temor

e a Jesus como Rei e Senhor!

Por que razão assim te amesquinhas,

em contraste com tua grandeza?

—–

Meus irmãos, trabalhemos com fé:

ao “gigante que dorme” acordemos,

difundamos de Cristo a doutrina.

Com a palavra e conduta mostremos

como é bom hospedar a Jesus!

—–

Té que um dia, afinal, nesta Pátria

possa Cristo encontrar um lugar,

e assim venha de fato a reinar

nos palácios de nobres senhores

e nas rudes choupanas da plebe.

—–

Evitemos que um dia, no Além,

a justiça divina declare:

-Não terás lugar tu também; 

dei-te tempo bastante na terra

para o bem praticares somente,

—–

para a graça divina aceitares

e no amor e na luz caminhares; 

mas tu mesmo por ti te condenas,

pois em teu coração tão ingrato,

a Jesus nunca deste lugar…

oração

Procurem outros assuntos no blog: Reflexões Natalinas I, Reflexões Natalinas II e Reflexões Natalinas III.

Imagens: 1) catolicosribeiraopreto.com; 2) jobnascimento.blogspot.com

” E DEU À LUZ O SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” Lucas, 2- 7

TRÊS PEQUENOS POEMAS MEUS

 Como fazia muito tempo que eu não postava poesia, segue essas três de uma vez só!

 

 

Man reading a book with his girlfriend

 

AUSÊNCIA

Estás a meu lado,

mas é como se não estivesses.

Eu olho, sento,

me movimento

e tu não vês.

Eu choro baixinho,

sentida,

e tu viras outra página

e o livro continuas a ler.

—–

forno

MUDANÇAS

Fulano escreve assim,

Sicrano escreve assado,

Beltrano assim e assado.

Eu asso enquanto escrevo

e quase o deixo passado.

Mas não passou,

o tempo.

O que escrevo mudou,

como eu.

—–

sombras

QUADRO

Sombras esfarrapadas,

etéreas, errantes…

Fumaças tênues,

delgadas, alongadas,

que saem misteriosas

de outra dimensão

e povoam nossa vida

sem sabermos a razão…

—–

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) pt.depositphotos.com; 2) ofornodeoroxo.net; 3) http://www.escrevercinema.com

“O SENHOR É O MEU PASTOR; NADA ME FALTARÁ!”- Salmos 23-1

A TRISTEZA DO CALVÁRIO

Essa poesia eu fiz em 2012 e compartilho com vocês.

No ano passado postei o “Filipe e o ovo da Páscoa”, um texto lindo que vale a pena ler de novo!

cruz

A TRISTEZA DO CALVÁRIO

AH! QUE DOR IMENSA

NESSA ESCURIDÃO!

DO CÉU RASGADO AO MEIO,

O SOLUÇO DE UMA SOLIDÃO!

—–

NO CAMINHAR SOFRIDO

AO PESO DE UMA CRUZ.

NESSE MOMENTO DE ENTREGA

DEIXOU-NOS SUA LUZ.

—–

O QUE DIZER DO AMOR,

DESSE TÃO GRANDE AMOR

QUE TUDO SUPORTOU?

O PECADOR PERDIDO,

SEM RUMO, SEM DESTINO,

NESSA HORA ELE ALCANÇOU.

—–

MEU JESUS, SENHOR E REI.

NA TRISTEZA DO CALVÁRIO

EU DESEJO CELEBRAR,

TUA VITÓRIA SOBRE A MORTE

NOS LEGANDO O PASSAPORTE

PARA A SALVAÇÃO GANHAR!

Uma Feliz Páscoa a todos!!!!

Imagem: http://www.missaofoiporvoce.com.br

LEMBRANÇAS

café

LEMBRANÇAS

São muitas.

Às vezes me invadem,

se mesclam,

se chocam,

se misturam,

voltam a me envolver.

Não sei mais se é sonho

ou um passado

que tento esquecer.

—–

Elas vem incertas,

nebulosas.

São rostos, são vultos,

imagens sofridas,

alegria incontida,

viagem, mão,

nome, sensação.

—–

E na fumaça do café que tomo

elas se tornam indecisas,

indefinidas…

E, nas minhas mãos quentes

que seguram a xícara,

sinto a força do que fui.

—–

Valente, guerreira,

chocando,

desafiando,

vivendo a vida

como bem quis.

E, no meio das lembranças,

olhar perdido,

sorrio feliz…

—–

Do meu livro “Um Pouco de Mim”

Imagem: http://www.carvelho.com.br

CHUVA DE VERÃO

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ENTRO.

Vem como se fosse a pior das tormentas.

Olho antes para o céu escuro

com nuvens que chegam sedentas

tangidas pelo vento.

—–

ESCUTO.

O rugido dos trovões se faz ouvir no clarão.

As árvores se dobram

e seus galhos lambem o chão

coberto de folhas que por ele rolam.

—–

ESPERO.

E ela cai com força.

Como uma sinfonia perfeita

nos sons cristalinos de poças enchendo,

bueiros vazando, calhas escorrendo.

—–

ASPIRO.

Aquele cheiro de terra molhada

me faz sonhar…

E a água benfazeja banha as flores,

lava as folhas, limpa o ar.

—–

OLHO.

Já vai passando e o céu, aos poucos,

vai de azul se tingir.

Os passarinhos tornarão a cantar

e penso que, por certo, à noite,

a lua imensa, redonda, irá brilhar.

Posso sair!

lua

Imagens: 1) http://www.cetesb.sp.gov.br; 2) zenipa.blogspot.com

(Do meu livro: Um Pouco de Mim)

CONSTATAÇÃO

“Ação ou efeito de constatar; comprovação ou confirmação. Ação de apurar a verdade sobre os fatos; verificação.”- Dicionário Online de Português.

mulher pensando

CONSTATAÇÃO

Naquele dia caí em mim.

Pensei em fatos,

avaliei conversas,

lembrei promessas,

me senti ruim…

—–

Me vi amante,

amada, carente.

Uma foto antiga

amassada, jogada,

sombra de antigamente.

—–

Era o ontem,

o antes, sem idade.

As promessas,

as grandes noites

de cumplicidade.

—–

Havia paixão, tesão,

emoção…

Arrepios, calafrios,

havia garra, grude,

desafios.

—–

E agora o nada.

A mesmice,

caretice.

O beijo dado,

obrigado.

—–

O olhar sem ver.

O tocar sem sentir.

O ouvir sem querer.

A mão estendida

e nada a receber…

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

(Imagem: stock.xchng)

BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

silvia3

E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

silvia2

(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

silvia

(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

CASEBRE

Sempre quando viajo, observo aquelas pequenas casas no meio do nada e fico pensando tanta coisa… será que mora alguém ali? Como será que vivem longe de tudo? E assim surgiu esse poema. Apenas conjecturas…

CASEBRE

Tão pequeno,

isolado…

Na beira da estrada

parece vazio,

abandonado.

—–

Mil olhos o veem

e ele lá, calado.

Parece pintura,

parte de um quadro

desbotado.

—–

Passa o dia

vem a noite.

Cai a chuva

e ele lá.

Sem dono.

—–

Servindo de encosto

às arvores que se esfregam,

retorcem,

contorcem.

E ele lá.

—–

Servindo de abrigo

pra bichos

porque nem gente,

carente,

quer ali pernoitar…

casebre

Imagem: paisagensemfotos.blogspot.com

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

SOLIDARIEDADE

Choro…

Pelas incertezas da vida…

Pela criança perdida,

pelas pessoas doentes,

pelas famílias ausentes,

por pais esquisitos,

pelos velhos, esquecidos.

—–

Pela poluição do ar,

por falta do que sonhar,

pela injustiça, pela guerra,

pela falta de paz na terra,

pelo político ladrão

que rouba seu próprio irmão.

—–

Pelo desrespeito,

pelo desfalque aceito,

pela menina abandonada,

pela comida estragada,

pela morte na barriga

tirando de dentro uma vida.

—–

Pela sujeira de rios, mares,

pela destruição de lares,

pelo abraço negado,

pelo perigo a nosso lado,

pelo descaso com Deus

pela influência de ateus.

—–

Que fazer, Senhor?

Enxugue minhas lágrimas!

Solidariedade,

teu nome é amor!

maos_dadas

(Imagem: apenasumservo.blogspot.com)

Poesia do meu livro Um Pouco de Mim.

FAZ DE CONTA

fazconta

Faz de conta que sou feliz.

Que não ouço as notícias,

que não vejo as imagens,

que não existem crianças

passando fome, enjeitadas,

pobreza, analfabetismo,

desemprego e sequestro,

morte e calamidade.

—–

Faz de conta que sou feliz.

Que não percebo seu jeito,

que não sinto as mudanças

não vejo a indiferença,

a falta de sintonia,

de tato, de companhia,

do final se aproximando,

sem querer, me aprisionando.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Que sou forte, poderosa.

Às crianças dei um lar,

comida, escola, vontade

de aprender, de ser alguém.

Empreguei homens, mulheres

e dei um teto também.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Vi você se aproximando

abri meus braços e neles

você se ajuntou sorrindo.

Olhou, como já não fazia,

em meus olhos lá no fundo

e tudo foi paz, alegria

e seguimos pelo mundo.

casal

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) gestaoadvbr.wordpress.com 2) angela.mulher.zip.net