CRIANÇAS BRINCANDO

Adoro ver crianças brincando sozinhas!

Fico ali perto com cara de paisagem, como quem não quer nada, às vezes fingindo ler, procurando demonstrar que não estou nem aí para o que estão fazendo.

Puro engano!

Estou super ligada, aprendendo com eles como entrar no mundo do faz de conta!

(O menorzinho, meu neto Daniel)

E é tanta magia: amigos imaginários, avião feito de uma caixa, foguetes que sobem através de uma pequena mão para cima, heróis que andam e conversam entre si, carros que passam por pontes invisíveis aos meus olhos de adulto, bonecas que conversam e tomam conta de seus filhinhos menores… tanta beleza junta!

E quando os mais velhos querem brincar de restaurante?

Aí eu entro na história!

Como somos em três, um fica como dono e os outros dois são os clientes.

E tem toda a encenação: primeiro eu, que estou com meu “filho”, toco a campainha (imaginária também) e ela atende:

-Boa tarde! Sejam bem vindos! (Ela é muito educada!) Mesa para quantas pessoas?

E eu respondo:

-Para duas! Obrigada (também sou educada!).

Aí ela mostra o cardápio (escrito por ela mesma com preço e tudo) e nós escolhemos.

Depois de anotar os pedidos, ela diz:

-Um momento que já vou trazer.

E nós esperamos ansiosos por nossa “comida” até que ela vem com uma bandeja com pratinhos, copos, xícaras e talheres (de brinquedinho) e nós experimentamos, fingimos comer e comentamos como tudo está gostoso.

Pedimos a conta e ela vem com uma caixinha e pergunta:

– Débito ou crédito?

Me seguro para não dar uma gargalhada!

-Coloque sua senha, por favor.

E eu segurando o riso, digito a senha na caixinha.

Nos despedimos e agora é a vez do outro ser o dono do restaurante.

Fazemos tudo de novo!

E querem repetir muitas vezes mais, parecem não enjoar!

(Formatura do Pré, meu neto Heitor)

À noite é hora de histórias e lá vou eu novamente.

Minha empolgação é tanta de “contadora de histórias” que isso me faz lembrar de outra passagem engraçada.

(Mudança de faixa no karatê, meu neto Cesinha)

Meu neto gostava muito da história dos Três Porquinhos e na hora em que eu contava da chegada do Lobo Mau, fazia uma voz grossa e cavernosa.

Na outra noite perguntei:

-Qual história você quer ouvir hoje?

E ele:

-Os Três Porquinhos, mas vovó não faz a voz do Lobo Mau, tá bom?

Quem não se encanta com isso?

Li, recentemente, um pensamento do meu amigo escritor Oswaldoir que diz:

“A criança rabiscou o céu num pedacinho de papel e agora brinca de ser anjo, como se já não o fosse”.

Lindo, não?

(Formatura da 4ª série, minha neta Isadora)

É muito amor envolvido!

E sim, eles acreditam em Coelho da Páscoa e Papai Noel!

E sim, quero crer que eles continuem a existir na imaginação tão pura e inocente das crianças.

E sim, ainda vou observar muito esses quatro anjos, meus netos amados, brincando, enquanto finjo ler um livro…

“…QUE DEUS É TÃO GRANDE COMO O NOSSO DEUS? TU ÉS O DEUS QUE FAZES MARAVILHAS…” Salmos, 77- 13 e 14

 

GUARDIÕES, VINGADORES E HEITOR

Tudo começou quando fomos assistir no cinema, o filme “Vingadores, Guerra do Infinito”.

Ele só falava nisso!

E eu pensando em cochilar durante a sessão (afinal não sabia nadica de nada desse assunto), ou comer muita pipoca!

Mas não foi isso que aconteceu… acabei gostando tanto do filme que me animei em conhecer os outros da série.

Então Heitor, meu neto de seis anos, tomou para si essa responsabilidade de ensinar tudo a sua avó!

(Esses são alguns dos bonecos que ele tem em seu quarto)

E tudo é tudo mesmo: as séries, os nomes de todos os personagens, quem luta com quem, os bons e os maus, o que são as joias do infinito etc, etc, etc.

Para falar a verdade, de todos eu só conhecia o Hulk e o Homem Aranha, assim mesmo de filmes prá lá de antigos.

E Heitor em sua sabedoria dizia:

– Vovó, você vai virar fã da Marvel!

E não é que fiquei?

Começamos a saga:

Guardiões da Galáxia 1 e 2; Os Vingadores 1 e 2; A Era de Ultron; Doutor Estranho; Pantera Negra…

E a cada filme assistido, podia conversar mais com ele, porque agora estava entendendo e sabendo de quem ele estava falando: Capitão América, Gavião Arqueiro, Homem Aranha, Thanus, Homem de Ferro, Loki, Visão, Thor, Dr.Estranho, Peter Quill (o Senhor das Estrelas), Hulk, Pantera Negra, Gamora, Groot, Drax, Rocky, Nebula, Youndu, e mais outros tantos que ainda não decorei.

Isso sem falar em sua empolgação quando no meio do filme aparece o diretor (Stan Lee) em uma aparição rápida, mais ou menos como fazia Hitchcock antigamente.

Outra pergunta dele:

-Vovó de qual deles você gosta mais?

E eu respondo:

-Do Thor!

Mas por dentro, acho sensacional o vilão Thanus, mas isso não vou contar a ele…

Não perguntei a sua preferência, mas tenho comigo que é a Gamora porque ele até chorou quando ela morreu no último filme.

Aí eu disse que com certeza no próximo, eles vão dar um jeito de fazê-la viver novamente.

Afinal eles são ou não são Super Heróis?

E esse acima, é o seu vídeo game que vem a ser um jogo de lego com ação e aventura.

Pode isso?

Agora, sendo sincera mais uma vez, eu diria que: assistir um filme dos Vingadores com meu neto vibrando a meu lado… não tem preço!

Imagens 3, 4, 5 e 6: google

“O SENHOR, COM SABEDORIA, FUNDOU A TERRA; PREPAROU OS CÉUS COM INTELIGÊNCIA. PELO SEU CONHECIMENTO, SE FUNDARAM OS ABISMOS, E AS NUVENS DESTILAM O ORVALHO.” Provérbios, 3- 19 e 20

CONVERSAS NO ESCURO

Ah, quanta falta faz a luz elétrica!

Mas… faz mesmo?

Nesse caso, tenho certeza que não fez, muito pelo contrário…

Vou provar o que penso, começando por contar o que me relatou minha filha Viviane que mora em Luanda, Angola.

No dia 14 último, dia de Valentine’s day, meu genro André chegou em casa para o jantar com um espumante enquanto Viviane começava a fazer um risoto de camarão em sua Bimby, que nada mais é que uma máquina, tipo um robô, que faz tudo sozinha.

Ela coloca tudo dentro e em um tempo determinado ela prepara e desliga automaticamente.

Bem, mas vamos ao que interessa.

Tudo arrumado, mesa posta, Bimby funcionando, crianças em volta da mesa e o espumante é aberto.

No “Viva” a luz apaga!

Velas são acesas enquanto as crianças perguntam:

-O que vamos fazer agora sem TV?

-Vamos conversar! Responde o pai. E continuou: sabia que quando sua avó era pequena não existia TV e só quando ela era moça foi que eles tiveram uma em casa? E era em preto e branco! E não tinha programação durante todo o tempo não, era somente algumas horas à noite.

 

Cara de horror dos dois!

-Então o que eles faziam? Perguntam.

-Eles conversavam!

E foi o que fizeram naquela noite, sentados em volta da mesa, com a luz bruxuleante das velas, esperando a luz voltar.

Lembraram da infância dos avós e bisavós deles, contaram que jogavam dominó, contavam histórias e causos, sentavam em cadeiras nas calçadas enquanto jogavam conversa fora com os vizinhos.

E as crianças brincavam de amarelinha e esconde esconde, olhavam para o céu cheio de estrelas e viam as constelações.

-Não aponte o dedo para as estrelas que nasce uma verruga na ponta deles!

E Isadora e Heitor ouviam entre curiosos e espantados as coisas que aconteciam antigamente.

Nisso Viviane vai até a cozinha, munida de uma vela, tirar o risoto que estava quase pronto, mas que nada…como estava sem energia a máquina parou faltando um minuto e meio para terminar e simplesmente a tampa não abria.

André foi chamado para ver se conseguia abrir a tampa teimosa, mas qual nada: não conseguiu.

Não tinham o que comer!!!

De repente, depois de uma hora e meia de conversa, eis que volta a luz, clareando tudo, ferindo os olhos dos quatro enquanto a máquina dava sinal de vida e as crianças corriam ligar a TV.

Tempos modernos…

Imagens: 1) assimquesefaz.com; 2) wall street journal; 3) freebeacon.com; 4) velhostemposontwitter

“DIANTE DAS CÃS TE LEVANTARÁS, E HONRARÁS A FACE DO VELHO, E TERÁS TEMOR DO TEU DEUS. EU SOU O SENHOR.” Levítico, 19- 32

 

 

 

 

 

 

ENQUANTO ELE NÃO CHEGA…

Uma sala com vários móveis e todos com muitas gavetas.

Cada gaveta possui uma etiqueta onde se lê: poesias, textos, crônicas, haicais, histórias infantis, releituras, histórias infanto juvenis.

E, nessas gavetas, estão folhas e mais folhas escritas no decorrer dos anos, à mão ou impressas.

Elas estão como em “chocadeiras”, dentro do meu cérebro, esperando o dia de nascer.

E eu olho para cada uma e abro a gaveta de “histórias infanto juvenil”.

Talvez porque tenha sido convidada com mais 10 escritores da AME (Associação Mourãoense de Escritores) para irmos conversar com estudantes da 7ª e 8ª séries de um colégio onde notei a falta de livros para essa faixa etária, ou, bem…porque gosto muito dessas histórias!

Foi difícil selecionar quatro delas, mas depois de tirá-las da gaveta, a gestação teve início de uma forma rápida e divertida.

Primeiro, a escolha do hospital (no caso a Editora) e depois as conversas com o médico ( o editor responsável pelo meu projeto).

Aí então, comecei o enxoval!

Dois profissionais lindos cuidaram do berço (a capa do livro), outra competente e não menos linda, cuidou para que tudo saísse perfeito (a revisão).

Aí mando tudo para o hospital: foto minha (claro, sou a mãe), contrato assinado (quero todos os direitos garantidos a esse filho), a capa e texto revisado.

E chega o dia de ver o ultrassom, que é o esboço daquele que virá à luz!

Quase choro de emoção!

Isso apesar de ter outros filhos que saíram bater asas pelo mundo afora…

Se vai ter festa quando nascer?

Claro que sim!!!

Chamarei filhos, netos, amigos, imprensa, fotógrafos e todos que quiserem conhecê-lo!

E ele já está quase chegando…

Me perguntam qual será o nome dele e eu respondo orgulhosa: “O Nasquimi Dourado e outras Histórias”!

Queixo caído, ar de quem não entendeu e vem outra pergunta:

-Mas, o que quer dizer Nasquimi?

E eu respondo enigmática:

-Vai ter que esperar para conhecer o bebê, ler a história e saber o que é… ou não!

Observação: não coloquei os nomes envolvidos para em outra ocasião dar o devido crédito!

Imagens: 1) napratica.org.br; 2) pt.pngtree.com; 3) manauarashopping.com.br; 4) leiturinha.com.br

“PORQUE DEVERAS HÁ UM FIM BOM; NÃO SERÁ MALOGRADA A TUA ESPERANÇA.” Provérbios, 23- 18

 

FILOSOFANDO…

Fiquei horas com a caneta nas mãos, sobre a folha em branco.

Faz tempo que não escrevo…

Que coisa escrever?

Sobre o tempo, sobre flores, passarinhos, livros, canções?

Acho que já esgotei esses temas…

Então sobre amizade, família, netos, amor, velhice, o que acha?

Viagens talvez?

Política? Nem pensar!!!

Quero esvaziar minha mente e ficar saboreando momentos como esse em que procuro um tema e não encontro nenhum.

Hoje o dia começou mais tarde; é assim mesmo o horário de verão.

Ouço muitas pessoas que dizem gostar ou não dessa mudança que, para mim, não altera nada: nem minha saúde e nem meus hábitos.

Mas o dia está azul e os passarinhos parecem estar meio perdidos nessa mudança que o homem impõe…

Ontem a essa hora as luzes da rua já estavam acesas e hoje o sol ainda brilha forte.

Gostaria que chovesse…

Minhas plantas estão ressequidas e o pó permeia pelas frestas das portas e janelas.

Gosto da chuva como gosto do sol.

Tudo é necessário e perfeito!

Em momentos assim meu pensamento cria asas e voa para outros continentes em busca de minhas filhas e netos.

A saudade dói!

E, quando dou por mim, a folha já está repleta de palavras e sentimentos e nem sei bem o que escrevi…

Vou lendo desde o começo e vejo que reprisei todos os assuntos que achava ter esgotado…

E noto com prazer que acabei escrevendo sobre coisas da vida, a minha vida e isso acaba sendo um assunto inesgotável!

Imagens: 1) duvidas.dicio.com.br; 2) goconqr.com; 3) mixdereferencias.blogspot.com

” QUANDO VEJO OS TEUS CÉUS, OBRA DOS TEUS DEDOS, A LUA E AS ESTRELAS QUE PREPARASTE; QUE É O HOMEM PARA QUE TE LEMBRES DELE? E O FILHO DO HOMEM, PARA QUE O VISITES?” Salmos, 8- 3 e 4

ACREDITE, SE QUISER!

E a menina, querendo virar mulher, lá no tempo do êpa, sonha acordada com seu príncipe encantado.

Não tem TV, nem celular, muito menos internet, mas tem o rádio e é nele que ouve a voz de seu ídolo.

Pega as revistas que passam por suas mãos a procura do seu amado Elvis.

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Recorta e cola (com aquele grude feito com farinha de trigo e água) no caderno de cartografia guardado a sete chaves.

E cuida como se realmente fosse o maior dos tesouros e pensa, quem sabe, um dia vê-lo de perto.

Por que não?

São sonhos, mas quem em plena adolescência não sonha?

Na verdade ela tem alguns pretendentes, todos estudando no ginásio estadual e quando termina sua aula, vai pelo caminho andando devagar esperando que “aquele” especial venha a seu lado empurrando a bicicleta.

Aí chega em casa encalorada, rosto vermelho e corre escrever em seu diário a conversa que teve.

E guarda tudo com cuidado, ao lado das fotos do Elvis.

À noite, senta na calçada e começa a procurar no céu limpo a estrela desejada e quando encontra recita os versos decorados:

“primeira estrela que eu vejo

qualquer coisa desejo.

Se……….estiver pensando em mim

cachorro late, gato mia, homem assobia.”

estrela

Aí é só esperar.

Em sua casa tem gatos e cachorro, mas nada de ouvir som nenhum.

De repente para sua alegria ouve um miado e logo depois os latidos do cão.

_Só falta o assobio de um homem. Ela fala consigo mesma.

E começa a ficar aflita.

Corre até seu pai e pede com jeitinho que ele assobie uma música para ela.

Então está feito!

Ela acredita!

Ele está pensando nela!

Coisas de antigamente…

Imagem 1)www.vulture.com; 2) g1.globo.com

” ALEGRA-TE, JOVEM, NA TUA MOCIDADE, E ALEGRE-SE O TEU CORAÇÃO NOS DIAS DA TUA MOCIDADE, E ANDA PELOS CAMINHOS DO TEU CORAÇÃO E PELA VISTA DOS TEUS OLHOS; SABE, PORÉM, QUE POR TODAS ESSAS COISAS TE TRARÁ DEUS A JUÍZO.” Eclesiastes 11- 9

CONVERSANDO COMIGO

_ Por que estou desse jeito? Pergunto em voz alta enquanto me balanço calmamente na rede.

_ Porque sim e pronto! Alguém responde.

Olho para os lados para ver de onde vinha aquela voz e vi que eu estava sozinha.

Era uma voz tão clara, tão perto que parecia ser eu mesma falando…

_ É, acho que estou ficando louca! Falo sorrindo.

_ Claro que não! Ouço a Voz dizer. Simplesmente você está conseguindo me ouvir e conversar comigo, quer dizer, com você mesma! 

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Paro um minuto para absorver o que acabo de ouvir.

_ Pois então, vamos conversar. Sobre o que mesmo vamos falar? Pergunto desafiadora.

_ Ué… responde a Voz; você estava perguntando por que está desse jeito. Podemos começar por aí. Que tal?

_ Tá bom! Respondo. Então vamos lá: porque só agora consigo ficar horas vendo os passarinhos voando, procurando seus ninhos, esperando o beija flor que vem a toda hora tomar a água doce que deixo para ele e nunca fiz isso antes?

_ Ora por que… porque sim! Diz a Voz. Você morava no alto de um prédio, cercado de outros prédios, sem árvores por perto, pra falar a verdade, uma selva de pedras, como iria ver passarinhos e beija flor?

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_ E a lua e estrelas, por que eu não parava para ver? Continuo.

_ Porque se você parasse na rua, seria atropelada por um carro; fala rindo a Voz.

_ É, você está achando graça nessa história, né? Então me responda, dona Sabe Tudo, por que eu me emociono e até choro com pequenas coisas como essas? Pergunto.

_ Vou falar sério com você! Diz a Voz falando pausadamente: porque você envelheceu. É! É isso mesmo! As pessoas quando são jovens vivem tão ocupadas e apressadas que esquecem de parar, ver e sentir a natureza. Isso é uma das coisas boas do envelhecer e agora que você está nessa idade, acaba dando valor a essas pequenas coisas que vão despertando lembranças que vem em forma de emoções.

_ E isso é bom? Pergunto já meio chorosa.

_ Claro que é! Afirma a Voz. O que seria de nós sem essa vivência, essa aprendizagem que nos leva a ser pessoas melhores?

_ Sabe Voz, (agora eu estou me sentindo super íntima da minha interlocutora) às vezes tenho saudade do que não fiz, de pessoas que não conheci, de países que não visitei… isso é possível?

_ Agora você está filosofando! Diz a Voz com sabedoria. É possível sim porque em algum momento tudo isso um dia fez parte da sua vida em histórias que ouviu, filmes que assistiu, conversas que ficaram nas gavetinhas da sua memória.

_ Hum…respondo bocejando; esta conversa está me dando sono de tanto ouvir você falar e falar…

_ Bem, se você está com sono eu também estou porque somos apenas nós. Responde a Voz bocejando também. Vamos deixar nosso papo para outra hora?

_ Sim…obrigada Voz por conversar comigo. Digo fechando os olhos.

A Voz sorriu e se recolheu em si mesma.

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Imagens: 1) dreamstime; 2) artflorir.com.br; 3) gifts.blog.br

“SOU SEMELHANTE AO PELICANO NO DESERTO; SOU COMO UM MOCHO NAS SOLIDÕES. VELO E SOU COMO O PARDAL SOLITÁRIO NO TELHADO.” Salmos 102- 6 e 7

TRAUMAS DE UMA MUDANÇA

Resolvida comigo mesma, decido: vou me mudar!

De cidade!

Começo por pedir caixas que vou juntando pelo corredor e enchendo com livros (são tantos!); com papéis, contas pagas do ano de 2009 que vou rasgando e colocando em inúmeras sacolas de plástico para por fora.

cAIXAS

Prá que guardar tanta coisa? Me pergunto.

E são roupas que não uso há tanto tempo, brinquedos que meus netos nem se interessam mais e caixinhas de qualquer coisa, cartões, latinhas e um sem número de coisas inúteis que estavam a encher gavetas.

Passei dias selecionando o que levar, isso sem falar nas fotos antigas que estavam num armário e que levei horas revendo, chorando e guardando tudo de novo para levar tudo outra vez…

Aí preciso arrumar um caminhão de mudança.

Isso até que não foi difícil (os preços não variam muito), mas o que me pediram?

Ir até a URBS pedir autorização para o caminhão estacionar na rua em frente ao meu prédio.

Caminhão

E lá fui eu.

Depois de dar um monte de informações ainda precisei pagar uma DARF na lotérica e…voltar lá de novo para aí sim pegar a bendita autorização, mas não parou por aí: tem que comprar cartões do ESTAR para colocar no dito caminhão enquanto estiver ali parado.

Aí você vai à Net pedir cancelamento, à Copel pedir desligamento, ao Síndico pagar a autorização da mudança!

Tudo bem, você chega na nova cidade, nova casa e começa tudo de novo!

Desempacota tudo, prega quadros na parede, arruma gavetas, coloca varal, compra bujão de gás (para quem sempre morou em prédio com central de gás, isso é novidade), instalar chuveiros, comprar lâmpadas, tanque de lavar roupa, mangueira para lavar calçadas, cortinas, etc, etc, etc.

antena

E aí começa outra maratona: instalar TV a cabo, mudar o celular, colocar telefone fixo, arrumar jardineiro, diarista, salão…

Gente, o que significa tudo isso?

47 dias hoje que estou morando aqui e nesse dia é que vieram instalar minha internet!

Eu estava ficando maluca sem ela!

Mas agora, sentadinha em frente ao meu amado computador, posso então voltar a escrever tudo isso para vocês!

Até que enfim!!!

computador

Imagens: 1)tempodeconstruir2014.blogspot.com; 2)esposamulhervirtuosa.blogspot.com; 3)br.freepik.com; 4)utentes.colorir.com

“NÃO ESTEJAIS INQUIETOS POR COISA ALGUMA; ANTES, AS VOSSAS PETIÇÕES SEJAM EM TUDO CONHECIDAS DIANTE DE DEUS, PELA ORAÇÃO E SÚPLICAS, COM AÇÃO DE GRAÇAS.” Filipenses, 4-6

VOCAÇÃO

Talento, aptidão.

Muitas vezes é difícil reconhecermos, quando jovens, para quê temos talento.

Tem pessoas que parecem nascer sabendo aquilo que desejam ser no futuro.

_Vou ser arquiteta! Disse minha filha mais velha com apena cinco anos de idade, enquanto desenhava em seu caderno.

desenhista

E é!

Feliz da vida!

Outros vão descobrindo aos poucos, gastando tempo e dinheiro ao abandonar cursos ou mudando para outros completamente diferentes.

Tem aqueles que fazem testes vocacionais de tão indecisos que estão e, tem aqueles que acham não ter vocação para nada.

Do alto da minha experiência, penso que todos nós podemos descobrir, inventar e desenvolver nossas aptidões.

vocação

Um belo dia me formei professora e enquanto dava aulas, vi que poderia pintar estatuetas em gesso (muito em moda naquela época), aprender piano, violão, representar e cantar.

Fui vendedora de jóias e gerente de lojas.

Aprendi em cada uma gostar do que aprendia e fazia.

Assim eu falava de produtos dietéticos e insulinas com a mesma autoridade com que falava sobre artesanato brasileiro.

Fui recepcionista, locutora e coordenadora de cursos.

Dei palestra sobre Ética Profissional e fui modelo sênior por um período de tempo.

Sempre me saí bem.

E o que dizer do meu talento para mãe? Isso somente meus filhos podem atestar, mas pelos resultados…

Ultimamente passo meus dias na cozinha fazendo congelados.

Agora, o que sempre esteve presente, entre idas e vindas, foi minha vocação para escrever!

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As poesias apareciam, muitas vezes, prontas em minha mente.

Depois me encantei com os Haicais e escrevia sem parar.

Quando comecei a escrever crônicas, foi tanta descoberta, a de não me sentir presa a rimas, sonoridade, cadência e contagem de sílabas, estava livre para escrever o que sentia e os sentimentos eram colocados amontoados em folhas de papel.

Quando pensava que não existia mais o que inventar, vieram os netos e com eles, as histórias infantis!

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Meu Deus!

Pegava meu caderno, caneta na mão e elas vinham tomando forma e cores, vida, nos meus movimentos de escrever.

E, de repente, lá estavam elas, bem ali, de frente aos meus olhos, prontas!

Aí fazer um curso de contação de histórias, foi um pulo: é uma alegria imensa compartilhar com meus netos a magia do faz de conta.

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E ainda tenho esse blog que é a mistura do que mais gosto: cultura e culinária!

Resumindo, dentro de todas as coisas, tudo que fiz e fui, a literatura sempre esteve permeando, infiltrando, sabendo que um dia seria ela, por inteiro, quem faria parte de toda a minha existência.

Vocação!

É isso!

Imagens: plurim.wordpress.com; milc.net.br

“NÃO SABEIS VÓS QUE OS QUE CORREM NO ESTÁDIO, TODOS, NA VERDADE, CORREM, MAS UM SÓ LEVA O PRÊMIO? CORREI DE TAL MANEIRA QUE O ALCANCEIS.” I Coríntios 9- 24

INSÔNIA

Quem nunca teve?

Eu!

Até o fatídico domingo, 12 de julho passado.

Recostada na cama do hotel onde estava hospedada, banho tomado, pijama quentinho, ainda sem sono, resolvi assistir o último programa Super Star, que ainda não tinha assistido nem uma vez.

Aí começo, é claro, a me empolgar e torcer entre as quatro classificadas, para a que achava melhor e que… ficou em segundo lugar.

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Já a campeã, me deixou “fula” de raiva e desliguei a TV com a mesma sensação que tive com o resultado das eleições: perplexidade!

Mas o assunto hoje é outro e fico pensando que a causa começou aí porque fiquei muito agitada.

Então me acomodo, afofo os travesseiros, fecho os olhos e espero o sono chegar.

Dali a pouco, viro para um lado, depois para o outro… nada, nem um bocejo sequer dando sinal que o sono chegava.

Barriga para cima e começo a passar os acontecimentos do dia: almoço, família, mais festa quando começo a ouvir o som da chuva batendo na vidraça.

– Oba! Isso é um começo gostoso para o soninho chegar!

Mas não naquela noite.

Aí lembro dos carneirinhos e resolvo contá-los, pulando uma cerca branquinha…

carneiros

Lá pelos trezentos e tanto desisto e então começo a declamar mentalmente poesias e versículos que sei de cor.

Nada!

– Ah, tem aquele exercício de respiração que ouvi em algum lugar e dizem dar certo!

Começo então a respirar pelo nariz, segurar até contar três e expelir  pela boca lentamente até sair todo o ar.

Aí tudo de novo e em umas cinco vezes, a pessoa já deve estar pegando no sono.

Não eu!

Olho no relógio: 04:49.

Começo a me preocupar de verdade!

E aí não sei quanto tempo mais levei naquele vira prá cá e vira prá lá; só sei que eram 07:30 quando ouvi as camareiras empurrando os carrinhos, abrir portas e cochichar alto.

Era o fim da noite!

rádio relógio

Imagens: 1) gshow.globo.com; 2) arteemparttime.blogspot.com; 3) dojapao.com.br

“INÚTIL VOS SERÁ LEVANTAR DE MADRUGADA, REPOUSAR TARDE, COMER O PÃO DE DORES, POIS ASSIM DÁ ELE AOS SEUS AMADOS O SONO”. Salmos 127- 2