E lá vou eu passeando e entrando em Pets que hoje viraram moda e observando os cachorrinhos expostos, lindos e caríssimos.

Assisto propagandas na TV com cachorros que fazem tudo, super saudáveis porque se alimentam com a ração “tal”.

Fico com uma vontade louca de adotar um bichinho desses, sair com ele perfumado e limpo, ter um companheirinho para meus momentos de solidão.

Mas aí penso no trabalho que vou ter: sair cedinho de casa (já levanto tão cedo) para levá-lo fazer suas necessidades, comprar ração (porque nem comida faço em casa e acho que atualmente não se dá mais restos de comida), ver as vacinas, arrumar espaço para uma casinha, enfim, mudar meu modo de vida totalmente!

Penso comigo que não vale a pena trocar essa minha liberdade por alguns afagos caninos.

Penso melhor e o que não quero mesmo é colocar outro no lugar do único cãozinho que tive em toda minha vida: Pancho!

filhotinho5Era tão lindo e pequenino quando o ganhei!

Preto e branco, compridinho, com as patinhas tortas, mistura de um pai Fox e mãe Bassê.

Foi castrado ainda novo e tornou-se meu boneco vivo.

Eu o vestia, trocava e, como aprendeu a sentar, ficava assim me olhando com aqueles olhos redondos, parecendo me entender como ninguém.

Como eu tinha um carrinho de bonecas (daqueles de vime e babadinhos), colocava-o dentro, cobria com um cobertor e lá ia eu pelas calçadas empurrando como se fosse uma mãe e seu filho adormecido… se eu o esquecesse, lá ele ficava quietinho até eu lembrar e procurá-lo novamente.

Passei dos meus nove aos vinte anos convivendo com ele que ouviu minhas histórias de menina, meus descontentamentos de adolescente e minhas paixões de mulher.

Quando casei, aos vinte e um, fui morar longe e não pude levá-lo porque já estava velhinho e, no dia em que saí de casa, ele morreu.

Papai enterrou-o chorando no quintal de casa e só fiquei sabendo quando voltei para visitá-los três meses depois.

Chorei muito, muito!

Ele foi fiel até o fim de seus dias: amigo, companheiro que nada pedia em troca e se sentia feliz apenas em ouvir minha voz.

Talvez por isso seja tão difícil substituí-lo…

Talvez por isso eu devo ser fiel a ele…

 

 

Um comentário em “PANCHO

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