
CATADORES DE PAPEL
As sombras vão caindo
enquanto eles,
incomodando o trânsito,
vão saindo
atrapalhando os que
com pressa caminham.
—–
Empurrando aquilo que tem:
o pequeno carrinho que ora puxam
como escravos, animais desolados,
emprego dos que
pariram dores,
sofrimentos, fome, suores.
—–
E crianças sacolejam neles
esquecidas deles.
Amarrotadas
como caixas de papelão
que as sufocam
sem perdão.
—–
E eles vão sem pressa.
Tão rudes, maltratados.
Catadores de papel
pelas ruas,
na vida,
ao léu…
(Do meu livro Um Pouco de Mim)
Imagem: louvoresaorei.zip.net
Publicado por Sílvia
Sílvia Fernandes é escritora e poeta. Recebeu diversos prêmios por suas poesias e contos infantis, destaque para o primeiro lugar no Concurso de Poesias Campo Mourão de 2017 e terceira colocação nacional no Prêmio Sesc de Contos Infantis de 2014 em Brasília. Além de contribuir em Antologias, revistas e materiais didáticos, publicou o livro de poesias “Um Pouco de Mim”, o infanto-juvenil “O Nasquimi Dourado”, “Acalanto”, com crônicas, haicais e poesias e o infantil “Férias no Campo”. Possui um blog “prosapoemapastel.com” onde escreve sobre cultura e culinária. É mãe de três filhos e avó de quatro netos. Foi eleita imortal da Academia Mourãoense de Letras em outubro de 2018.
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Gostei do escondidinho. Dos Catadores achei de muita sensibilidade! Lindo, querida amiga!
Obrigada, Maria!!! E vamos escrevendo, não é mesmo? Beijos.
Mais uma vez, vc arrebentou !!!! Amei CATADORES DE PAPEL !!!!! Bjssss
Obrigada, Antonia, pelo seu incentivo e amizade!!! Beijos.