REFLEXÕES NATALINAS II

O Dia de São Nicolau é comemorado em 06 de dezembro e lembrado por ter sido ele, a origem do nosso Papai Noel.

Ele nasceu na Turquia, 280 anos DC e deixava saquinhos de moedas próximas às chaminés das casas para ajudar as pessoas mais pobres.

Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e correu o mundo inteiro, chegando até nós, brasileiros.

SAINTnicholas

Foi aí que lembrei de uma poesia que declamei muitas vezes em festas da Igreja, vestida como um menino bem pobre, descalço, boné virado na cabeça e que terminava o poema chorando…

É, como já disse, a Globo perdeu uma atriz!

SÃO NICOLAU

VOCÊ QUE É O SANTO MAIS VELHINHO DO CÉU,

VOCÊ QUE DESCE LÁ DO CÉU PROFUNDO,

SOZINHO, TODO ENCURVADINHO,

ACARICIANDO A BARBA DE ALGODÃO…

E VEM DAR UMA VOLTA PELO MUNDO,

À HORA DO PAPÃO!

—–

VOCÊ QUE ENTRA NA CASA DA GENTE

PISANDO LEVE, LEVEMENTE

QUE NINGUÉM PERCEBE.

E QUANDO VAI EMBORA

VAI DEIXANDO GAITINHAS, MICOS,

NOS SAPATINHOS DOS MENINOS RICOS.

—–

SÃO NICOLAU,

SEJA CAMARADA!

QUANDO PASSAR POR ESSA RUA

E VIR UMA CASINHA ESBURACADA,

EMPURRE A PORTA

QUE SÓ ESTÁ CERRADA.

—–

FAÇA DE CONTA QUE A CASA É SUA.

DEIXE POR ALI ALGUMA COISA BELA:

UM TAMBORZINHO, UM MICO, UM BERIMBAU…

MINHA MÃE É TÃO POBRE,

EU TENHO PENA DELA.

PARA EU POR NA JANELA

EU NEM SAPATO TENHO!

AH, MEU SÃO NICOLAU!

maos

Observação: tentei saber quem é o autor dessa poesia, mas não encontrei nada a respeito.

No ano passado, postei uma poesia minha “SOBRE O NATAL” e, se quiserem, clique em cima do nome para lerem.

Imagens: 1) naturezafeminina.zip.net; 2) paroquiadagloria.org.br

 

 

CASEBRE

Sempre quando viajo, observo aquelas pequenas casas no meio do nada e fico pensando tanta coisa… será que mora alguém ali? Como será que vivem longe de tudo? E assim surgiu esse poema. Apenas conjecturas…

CASEBRE

Tão pequeno,

isolado…

Na beira da estrada

parece vazio,

abandonado.

—–

Mil olhos o veem

e ele lá, calado.

Parece pintura,

parte de um quadro

desbotado.

—–

Passa o dia

vem a noite.

Cai a chuva

e ele lá.

Sem dono.

—–

Servindo de encosto

às arvores que se esfregam,

retorcem,

contorcem.

E ele lá.

—–

Servindo de abrigo

pra bichos

porque nem gente,

carente,

quer ali pernoitar…

casebre

Imagem: paisagensemfotos.blogspot.com

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

FAZ DE CONTA

fazconta

Faz de conta que sou feliz.

Que não ouço as notícias,

que não vejo as imagens,

que não existem crianças

passando fome, enjeitadas,

pobreza, analfabetismo,

desemprego e sequestro,

morte e calamidade.

—–

Faz de conta que sou feliz.

Que não percebo seu jeito,

que não sinto as mudanças

não vejo a indiferença,

a falta de sintonia,

de tato, de companhia,

do final se aproximando,

sem querer, me aprisionando.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Que sou forte, poderosa.

Às crianças dei um lar,

comida, escola, vontade

de aprender, de ser alguém.

Empreguei homens, mulheres

e dei um teto também.

—–

Faz de conta que mudei tudo.

Vi você se aproximando

abri meus braços e neles

você se ajuntou sorrindo.

Olhou, como já não fazia,

em meus olhos lá no fundo

e tudo foi paz, alegria

e seguimos pelo mundo.

casal

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) gestaoadvbr.wordpress.com 2) angela.mulher.zip.net

19 DIAS SEM RUBEM ALVES

Nunca vai ser demais ler e escrever sobre Rubem Alves.

Ele nasceu em plena primavera de 1933.

Talvez por isso seu amor pelas árvores, principalmente os ipês amarelos onde em carta lida depois de sua morte, ele pede para serem jogadas suas cinzas.

ipe-amarelo

“Um livro são pedaços de mim espalhados ao vento como sementes, para irem nascer onde o vento as levar”.

Rubem Alves era uma das referências do país em temas relacionados à educação.

Além de educador e escritor, atuou como cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e até psicanalista, de acordo com sua página oficial na internet.

“Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma”.

Um dia, encontrei Rubem Alves e começamos a conversar “mineiramente”, que é falando de saudades.

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”.

Da nossa Minas Gerais e, continuando sobre os pães de queijo e bolinhos de chuva.

Contei a ele que em nossa casa, chamávamos de “bolinho de virar” e contei o porquê: ele vira sozinho quando está fritando na panela…

Ele gostou muito dessa história, mas o melhor mesmo foi que dei a ele, com dedicatória, o meu livro de poesias “Um Pouco de Mim”.

Ele olhou, folheou, agradeceu e colocou em sua pasta de mão dizendo:

– Vou ler no avião!

Gente, fiquei muito feliz!

Imaginei aquela figura tão importante, lendo o MEU livro no avião… não é para qualquer um!

Tudo o que ele escrevia era tão simples de entender e de uma profundidade tão grande!

Cada vez que terminava de ler algum texto dele me sentia tão plena, tão em consonância com suas palavras que me parecia ter eu escrito aquilo…

“Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que nos dá prazer é degustado vagarosamente.”

Sem saber disso, o nome que escolhi para o meu blog é justamente uma mistura de cultura e culinária… acho que ele ficaria orgulhoso de mim!

flor do ipê

“Sei que não resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui… escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês amarelos…”

“Deus existe para tranquilizar a saudade”.

Imagens: sedimentosdateca.blogspot.com

DEUS

Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo.

É feriado em todo o país e celebrado 60 dias após a Páscoa.

Por ser uma comemoração religiosa, escolhi essa poesia para compartilhar com vocês.

deus

DEUS

Te vejo na força do mar,

nas ondas furiosas

na praia a quebrar.

Te vejo ao longe, nos montes,

nos campos floridos,

na chuva miúda, tempestade,

no vento que passa zunindo

trazendo calamidade.

—–

Te vejo no sol das manhãs,

na lua, estrelas,

no frio, calor.

No orvalho tênue,

na brisa leve

como um beijo de amor.

—–

Te vejo no sorriso da criança,

no sarar do doente;

longe, onde a vista alcança

onde se perde o horizonte,

num olhar de esperança.

—–

Te vejo, meu Deus,

em minha vida:

curando a ferida,

mostrando o caminho

ao me recompor.

Me dando guarida

esperança perdida,

me enchendo de amor.

bíblia

Do meu livro Um Pouco de Mim.

Imagens: 1) amigosvirtuaisabençoadospordeus.blogspot.com; 2) siteevangelico.com

SOBRE A PREMIAÇÃO!

Quando escrevi sobre o Prêmio SESC de Literatura no dia 08 de maio, coloquei que já estava muito feliz por estar entre os 15 selecionados.

Nesse mesmo dia, horas depois, recebi um e-mail parabenizando por estar entre os 3 primeiros classificados.

E lá fui eu, terça feira, rumo a Brasília com passagem e hospedagem garantida por eles.

Vou ficar devendo as fotos…

Infelizmente, pedi a um rapaz para tirar as fotos com a minha máquina, mas acho que ele estava meio nervoso porque conseguiu que todas ficassem tremidas…

Entretanto, durante a semana vou receber as fotos oficiais e postarei assim que chegarem!

Bem, foi tudo muito bem organizado e gostoso!

Conheci poetas, escritores, pessoas que participam ativamente de bienais e concursos por todo o país.

Ganhei livros autografados e conversamos aquela linguagem própria dos amantes das letras.

Para entrar no salão onde foi servido o coquetel, fui convidada, juntamente com o diretor ali presente, a cortar a fita do local.

Fotos, mais fotos que vou postar!!!

E foi tudo tão mágico que acreditem no que vou contar agora: na viagem de volta, uma senhora loira, olhos azuis, muito bonita, sentou-se ao meu lado.

Voltava de Miami.

Começamos a conversar e contei que tinha recebido o prêmio pelo terceiro lugar de literatura infantil e em seguida perguntei o seu nome.

– Cinderela! Ela respondeu.

Quase cai de costas…

Isso mesmo!

Era verdade!

E dizem ainda que as histórias são inventadas…

(Ela, Cinderela, vai entrar no blog para ler o que disse a ela que iria escrever; obrigada pela conversa gostosa que fez o tempo passar mais depressa!)

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO BLOG

Hoje é dia de festa!!!

bolo_vela

É o primeiro aniversário do meu blog!

Com esse são 110 post e se derem uma olhada no lado direito, vão ver quantos em cada categoria.

Passamos de 7.500 visualizações sem contar a página no Facebook.

Os mais visitados foram, Personal Organizer, seguido das receitas de Bolinho de Chuva ou Bolinho de Virar,

Bolo de Cenoura da Fabi, crônicas como Meu Jantar com Julio Iglesias, Parecenças e poesias como Estado de Graça e

Roupas Penduradas, além de assuntos que trato como blog que foram Para Refletir, Pedras Prá Que Te Quero e

Prêmio SESC de Literatura.

Temos visitantes e seguidores em Angola e Portugal.

Nos comentários tenho mensagens lindas que me emocionaram muitas vezes e me fez caprichar ainda mais na escolha dos assuntos.

Ainda vamos ter novidades para breve com a “vovó Sílvia”!

chamada

Se quiserem, como curiosidade, indico o Nome do Blog (do dia 22-05-13) para conhecerem o porquê desse nome.

E, claro, quero agradecer a todos!

Àqueles que toda segunda e quinta feira já esperam as postagens e àqueles que me incentivam sempre!

Creiam que para mim está sendo uma alegria enorme usar esse blog para levar alguma coisa interessante a vocês.

Cada escolha que faço é pensando em você que vai ler.

Então, vamos comemorar!!!

Um beijo enorme cheio de felicidade!

Sílvia

bexigas

Imagem: 1)simplesmentecaah.blogspot.com; 3)  http://www.a25festas.com.br

A POESIA E A CIDADE

Hoje é feriado!!!

Aproveite sua cidade!

amanhecer na cidade

Eu, poeta, atenta e só,

vou caminhando na rua.

É tão cedo e ela acorda

se espreguiça com doçura

despedindo a noite nua.

—–

Há neblina sobre o lago

trazendo mistérios sem fim.

Vou procurando as rimas

para os versos que começam

a tomar forma em mim.

—–

Mas é manhã e prossigo

vendo o dia amanhecer,

colorindo à minha volta,

caleidoscópio de cores

o sol triunfante nascer.

—–

Uma janela se abre,

sinto o cheiro de café.

Ouço meus passos batendo

ritmados, compassados,

como se fosse um balé.

—–

E um pinheiro ao longe estica

braços lentos pelo ar.

Um ipê sacode as flores

cobrindo a calçada toda,

tapete para eu passar.

—–

De repente no silêncio,

o canto de um passarinho.

E outro, outro e mais outro,

juntos formando orquestra

que a melodia adivinho.

—–

É um “bom dia” amigo

lá da torre da Matriz,

a essa cidade risonha

que sem pudor abre os braços

me tornando mais feliz!

Flores de jacaranda de Jones Poa

Imagens: 1) jorgebichuetti.blogspot.com; 2) sutilezasdaalmaemente.blogspot.com

MULHERES SOZINHAS

Como ainda estamos celebrando o Dia da Mulher, segue essa poesia que fala da mulher sozinha por opção, um direito adquirido!

compras-mulher-desenho

Mulheres Sozinhas

Eu as vejo sempre

em todos os lugares.

Nas ruas

andando com pressa,

no volante do carro,

nas mesas de bares.

—–

São muitas

e de todas as idades.

Correm nos parques,

jogam nos bingos,

dançam nas festas,

vão orar aos domingos.

—–

Faço parte delas.

Dessas mulheres sozinhas.

Que lutaram, suaram,

que curtem a liberdade,

que preservam a intimidade,

que decidiram por si.

—–

Mas à noite, no quarto,

quando vou me deitar,

quero o cheiro, o braço,

do homem que escolho,

como travesseiro,

prá dormir e sonhar…

mulheres 1

(Do meu livro “Um Pouco de Mim”, em 1999)

Imagens: 1) juartenapraia.blogspot.com; 2) patycarlafreitas.wordpress.com

 

PEDRAS, PRÁ QUE TE QUERO???

Que saudade de escrever para vocês!!!

Foram exatamente 10 dias afastada e como demorou a passar…

Coisas acontecem meio de repente em minha vida e assim foi que no meio da noite tive uma crise de dor que só passou com o famoso Buscopan na veia em pleno Pronto Socorro.

Aí foi aquela correria atrás de médico, exames (muitos), liberação de plano de saúde, consulta com anestesista, até  ser feita a cirurgia de Vesícula.

pedrinhas

E aí estão elas, as famosas pedrinhas que embora pequenas deram bastante trabalho (e dor).

Agora estou em casa restabelecendo devagar e fazendo o que gosto: assistindo muitos filmes, fazendo tricô, jogando, lendo e esperando ficar totalmente bem.

Aí foi que me lembrei de meu conterrâneo Drummond e sua poesia “No meio do caminho”.

Fiquei matutando comigo mesma (porque nunca entendi o que ele repetia tanto sobre essas pedras no caminho) se essas pedras as quais se referia não seriam “pedras na vesícula”?

Quem sabe?

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

—–

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

Drummond

É…no meio do meu caminho apareceram várias pedras…

Por isso…pernas, prá que te quero (agora sim uso as pernas!)

Pedras?

Nunca mais!!!