CIDADES ONDE MOREI: 1. MACHADO-MG

Tem pessoas que nascem e morrem no mesmo lugar.

Eu morei em muitas cidades, nessa ordem: Machado (onde nasci), Londrina, Castro, Sengés, Santa Cruz do Rio Pardo, Ourinhos, Antonina, Formosa d’Oeste, Iporã, Campo Mourão e Curitiba (finalmente!).

Ufa!!!

Como tenho lembranças gostosas de cada lugar, vou escrever um pouco sobre cada uma delas.

Começo por onde nasci: Machado- MG, o início da minha história!

mapa

Machado tem como principal atividade econômica o cultivo do café.

Sua população em 2014 era de 41.070 habitantes.

vista

Meus pais foram os autores do Hino Oficial da cidade e são cidadãos honorários dela.

HINO DO MUNICÍPIO DE MACHADO

LETRA: ROSSINE SALES FERNANDES

MÚSICA: YEDDA NOVAES FERNANDES

Machado terra querida!

Cantar-te em versos eu quero:

pedaço de minha vida,

rica joia do Brasil!

—–

Berço dos meus ancestrais,

Oh! Terra dos cafezais!

Imenso e rico é teu solo,

formoso é teu rio,

teu céu sem igual!

—–

Boa terra de luz e de futuro,

boa gente que vive do trabalho.

Um risonho porvir eu vos auguro,

sob as mais ricas das bênçãos do céu.

—–

Que teus filhos, todos irmãos,

sempre unidos possam viver,

sem barreiras, sem prevenções,

amando aos tristes

que vivem a sofrer.

—–

Como esse rio que corre,

indo a procura do mar,

quis eu também te deixar,

por cobiça de outras terras…

—–

Hoje porém mui saudoso,

sonho ao teu seio voltar

como ao seu leito retornam

em chuvas, os rios

que foram para o mar.

“CRIA EM MIM, Ó DEUS, UM CORAÇÃO PURO E RENOVA EM MIM UM ESPÍRITO RETO”. Salmos 51-10

 

 

O DIA EM QUE QUASE MORRI

Férias, que maravilha!

E no verão, melhor ainda!

Como recém separada, peguei meus três filhos, coloquei no carro com toda a bagagem a que tínhamos direito e lá fomos nós, rumo à praia.

Viajamos felizes, cantando e em cada curva que nos aproximava mais do nosso destino, brincávamos de “quem vê o mar primeiro”.

mar

Já sentia aquele cheiro de maresia, já saboreava o que estava para acontecer: muito peixe e camarão no cardápio.

Chegamos à casa que eu alugara por telefone: era bem boa, apesar de um pouco antiga, mas ficava no centro da cidade e bem perto do mar.

E assim começamos nossa tão sonhada temporada.

Os dias se sucediam em passeios, sorvetes, parquinho à noite, amigos e muita alegria.

Até que uma tarde choveu.

Chuva-forte_22

Forte, com direito a relâmpagos rasgando o céu e trovões assustadores.

Só a minha filha mais velha estava comigo em casa porque os outros tinham ido mais cedo à casa dos amigos.

Como o calor era muito forte, fui até a cozinha, descalça, e abri a geladeira para pegar água.

Fiquei grudada nela!

A geladeira em questão era daquelas bem antigas com puxador em aço.

Não conseguia me soltar, nem gritar, meu corpo todo tremia e eu senti que estava desfalecendo.

Foi uma questão de segundos e então fui jogada para longe.

Quando comecei a enxergar melhor, percebi minha filha abaixada ao meu lado.

Ela, com uma rapidez de raciocínio (só por Deus mesmo), tinha puxado o fio da tomada!

Mais tarde, quando fui ao médico e contei o sucedido, ele disse que eu já estava morrendo pelo fato do meu corpo nem ter controlado mais a bexiga.

Naquela noite enquanto dormia, senti alguma coisa bem perto do meu rosto e que me fez acordar: era a mãozinha do meu filho caçula, bem perto do meu nariz, para sentir se eu estava respirando…

Pobrezinhos, como ficaram assustados!

mãe e filhos

É por essa razão que em um poema que escrevi “Minha Filha, Minha Amiga”, do meu livro “Um Pouco de Mim”, digo: “se um dia te dei à luz, você também já me deu”.

Realmente, nasci de novo.

E da minha filha!

Imagens: 1) fundamar.org.br; 2) tempoagora.com.br; 3) colorirgratis.com

Do meu livro “Confidências ao Meio Dia”

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É: AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM, EIS QUE TUDO SE FEZ NOVO”. 2 Coríntios 5-17

PERIPÉCIAS EM BOMBINHAS

Enfim, chegou minha semana de férias e com ela o dia da viagem.

Malas prontas e lá vou eu!

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Em minha bagagem, além de roupas e necessaires, claro que meu iPad e celular conectadíssimos na Internet.

E depois de quase 250 km vou sentindo o cheiro do mar e começando a vê-lo ao passar por Balneário Camboriu, Itapema, Porto Belo, Bombas e finalmente Bombinhas, meu destino final.

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Sabem o porquê do nome “Bombinhas”?

Conta-se que se deu em função da areia solta de sua praia, que, ao caminhar, as pessoas percebiam alguns ruídos, pequenos estalos, que popularmente entendiam como sendo as famosas “bombinhas” muito comuns nas festas juninas.

Bombinhas pertencia ao município de Porto Belo e sua emancipação se deu em 1992. 

É composta de 39 praias e a população gira em torno de 15 mil habitantes alcançando mais de 100 mil na alta temporada de verão.

Bombinhas 004

Cheguei já pensando em entrar no Facetime e mostrar a meus filhos distantes a beleza do lugar; entrar no Facebook para colocar no Google maps minha localização e ir mostrando dia a dia as comidas que provava.

Entrei no Hotel, deixei as malas no apartamento e voltei à recepção para pegar a senha do Wi-Fi. 

Gente, não entrava!

Nunca entrou!

Por mais que eu tentasse dentro do apartamento, no corredor, no restaurante, na rua… nada!

Comecei a ficar desesperada!

À noite consegui uma ligação (nem isso conseguia…) e falei com minha filha Fabiane em Curitiba contando que estava bem, mas que não estava “conectada”.

Sabem o que ela respondeu?

– Mãe, desligue os aparelhos!Não se preocupe! Você está aí para descansar então aproveite tudo aí e ESQUEÇA a Internet!

Nossa! E não é que ela estava certa?

Depois dessa conversa, aposentei os “apetrechamentos” como diria Odorico Paraguaçu e passei a desfrutar de tudo sem me preocupar!

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Não, não é a Rua Caminito em Buenos Aires e sim uma rua de Bombinhas.

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Igreja Nossa Senhora dos Navegantes.

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Vista da sacada do meu apartamento (todas as noites foram assim).

Aí resolvi aposentar o relógio também… não queria saber a que horas levantava, almoçava ou ia dormir… Qualquer hora era hora. Meu estômago avisava quando devia me alimentar.

E o sol brilhou a semana toda!

Amo o sol, mas tenho medo dele; isso porque já me queimei demais nos tempos da Ilha do Mel.

Então o jeito foi me cuidar.

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Lá os moradores dizem que Bombinhas é o lugar do sol o ano inteiro.

Eu pude ver!

E acreditei!

(Aguardem mais peripécias na quinta feira que vem!)

SOLIDARIEDADE

Choro…

Pelas incertezas da vida…

Pela criança perdida,

pelas pessoas doentes,

pelas famílias ausentes,

por pais esquisitos,

pelos velhos, esquecidos.

—–

Pela poluição do ar,

por falta do que sonhar,

pela injustiça, pela guerra,

pela falta de paz na terra,

pelo político ladrão

que rouba seu próprio irmão.

—–

Pelo desrespeito,

pelo desfalque aceito,

pela menina abandonada,

pela comida estragada,

pela morte na barriga

tirando de dentro uma vida.

—–

Pela sujeira de rios, mares,

pela destruição de lares,

pelo abraço negado,

pelo perigo a nosso lado,

pelo descaso com Deus

pela influência de ateus.

—–

Que fazer, Senhor?

Enxugue minhas lágrimas!

Solidariedade,

teu nome é amor!

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(Imagem: apenasumservo.blogspot.com)

Poesia do meu livro Um Pouco de Mim.

DEUS

Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo.

É feriado em todo o país e celebrado 60 dias após a Páscoa.

Por ser uma comemoração religiosa, escolhi essa poesia para compartilhar com vocês.

deus

DEUS

Te vejo na força do mar,

nas ondas furiosas

na praia a quebrar.

Te vejo ao longe, nos montes,

nos campos floridos,

na chuva miúda, tempestade,

no vento que passa zunindo

trazendo calamidade.

—–

Te vejo no sol das manhãs,

na lua, estrelas,

no frio, calor.

No orvalho tênue,

na brisa leve

como um beijo de amor.

—–

Te vejo no sorriso da criança,

no sarar do doente;

longe, onde a vista alcança

onde se perde o horizonte,

num olhar de esperança.

—–

Te vejo, meu Deus,

em minha vida:

curando a ferida,

mostrando o caminho

ao me recompor.

Me dando guarida

esperança perdida,

me enchendo de amor.

bíblia

Do meu livro Um Pouco de Mim.

Imagens: 1) amigosvirtuaisabençoadospordeus.blogspot.com; 2) siteevangelico.com

ROMANTISMO

O Dia dos Namorados está chegando e para entrar no clima, segue um poema meu.

Observação: quem não gostaria de um namorado assim?

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ROMANTISMO

Eu queria um romântico:

que me cobrisse de flores,

que me oferecesse versos,

que me enchesse de amores.

—–

Que dedilhasse as cordas do vento,

que me embalasse nas ondas do mar.

Que ao céu subisse me alcançando estrelas,

que cantasse prá mim em noites de luar.

Do meu livro “Um Pouco de Mim”.

Imagem: lucinhapeixoto.blogspot.com

O DIA EM QUE CONHECI O MAR

Eu acabara de completar doze anos.

Menina ainda, magrinha, curiosa e cheia de energia quando desembarquei do trem na estação da pequena cidade de Antonina, litoral do Paraná.

Cidade histórica com um porto que teve seus dias de glória e, agora, tristemente abandonado, com sua gente calma, sentada em cadeiras nas calçadas vendo o tempo passar.

E foi ali que chegamos, vindo das Minas Gerais, para morarmos.

Nem bem deixamos as malas na casa do velho casal que iria nos hospedar por um bom tempo até acharmos uma para alugar, corremos pelas ruas estreitas de paralelepípedos gastos, até o Mercado Municipal que era a “porta” do mar.

banner_antonina

Ali eu parei, olhando, absorvendo cheiros, sentindo na pele o vento passante que desmanchava meus cabelos.

E fui caminhando como uma encantada até ele.

– Tire seus sapatos! Ouvi meu pai falando.

E depressa tirei, sentindo na planta dos pés o roçar da areia úmida fui caminhando enquanto ouvia minha mãe, braços abertos, cantarolar Caymi: “o mar, quando vai lá na praia, é bonito é bonito, é bonito demais”.

E lá na beirada, onde as ondas vinham aos poucos se chegando, eu parei.

Lembrei do que me disseram sobre a água do mar ser salgada e olhei para meu pai que, adivinhando meu pensamento, mandou que eu molhasse meus dedos nela e experimentasse: provei, senti seu sabor e experimentei novamente para acreditar.

Então entrei na água, molhando todo o meu vestido rodado!

As ondas me saudavam suaves enquanto gaivotas faziam festa sobre nossas cabeças.

O sol se despedia tranquilo e o mar me recebia com seus “braços” abertos (se braço os tivesse) e me oferecia toda sua grandeza, seu poder, sua magia envolvente.

E eu me apaixonei por ele!

Estava feliz por poder morar ali onde teria todo o dia, o dia todo, esse mar para mim!

E muitas alegrias em minha vida, tiveram o mar como testemunha: pescarias, passeios de barco, muitos amores…

Dizem que o mineiro ama o mar porque não o tem, mas a recíproca foi verdadeira, a sintonia foi real.

Ah, mar!

antoninaImagens: 1) rapps.ademadan.org.br; 2) specialparana.com

 

 

 

TRILOGIA ILHA DO MEL- PARTE III- A PARTIDA

“Uma vez só é pouco” é um título de filme.

Só que para eles o que é pouco é bem diferente do que é pouco para mim!

Acho tão pouco vir apenas uma vez ao ano a esse lugar…

– O quê? A Ilha? Só dá drogado e gente nua!

Ouvi isso algumas vezes quando comentava que vinha para cá.

– Engano seu, ô por fora! Drogado e nu você encontra em outro lugar, não na “minha” Ilha!

E como os dias se passaram depressa!

Já é dia de voltar…

Acerto minhas contas, dou adeus aos afortunados que ainda vão ficar mais tempo e vou caminhando de volta ao embarcadouro.

brasilia-ilhadomelAgora o mar está à minha esquerda e tão verde com reflexos prateados que chega a doer meus olhos.

Um lagarto passa vagaroso à minha direita, embrenhando-se no mato.

Logo mais, um mastro, no meio do nada, com a bandeira do meu time tremulando.

Vou me lembrando aos poucos do dia a dia…

O Gervásio que me acompanha com sua bicicleta levando minha mochila, olha para mim e com toda sua timidez, fala:

– Vamos sentir sua falta…

– Obrigada! Respondo. Quem me dera poder ficar…

Ilha do Mel - PRE enquanto entro aos trancos no barco, meu celular que estava fora de área há cinco dias, volta a tocar.

Até me assusto mas atendo rápido.

– Dona Sílvia, aqui é do consultório da sua dentista e queremos confirmar seu horário amanhã, às dez.

Nem bem termino de responder, grito com força:

– Gervásio, volte! Quer trocar de lugar comigo?

Ele segue em frente pedalando.

Nem olha para trás.

Fingiu que não ouviu…

amanhecerImagens: 1. http://www.guiageo-parana.com

2. http://www.viajeturismoagencia.com.br

3. http://www.gilsoncamargo.com.br

 

 

 

 

MINEIRA

Ah, mineira, se soubesses

como é lindo teu andar…

Não és “garota de Ipanema”

nem ao menos tens um mar,

mas teu corpo tem o cheiro

dos quitutes, das quitandas,

do tempero brasileiro

que nos levam a sonhar.

És a rima, és a prosa,

pura e casta, hospitaleira,

a donzela valorosa

de tradicional família

que sobe ladeira

de ruas estreitas,

que vai à Igreja

rezar fervorosa.

És ilustre, tens história.

Na política és ardilosa.

És rica, dona de pedras

das minas do teu Estado.

Tens a música no sangue,

tens na língua o desacato,

tens no agrado teu recado,

tens na alma teu pecado.

Teu sorriso matreiro,

teu olhar zombeteiro,

teu gingado brejeiro

me fez prisioneiro:

não sei mais quem sou.

Do meu livro “UM POUCO DE MIM”

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