MEU NINHO VAZIO

Muito se tem falado sobre a Síndrome do Ninho Vazio, com textos cheios de conselhos e passos para superar essa fase.

ninho vazio

E chegou a minha vez!

Mas não, não estou ficando doente, mas é que hoje estou pensativa e chorosa…

Dos três filhos que tenho, a mais velha, já está há dez anos morando em Luanda, Angola.

angola

Meu caçula, desde cedo morou fora: primeiro fazendo faculdade, depois mestrado e por último, doutorado fora do país.

Aí voltou para se fixar em Campo Mourão, no Paraná (que nem é tão perto daqui…).

c.mourão

E agora minha filha do meio, que sempre esteve perto de mim, também vai voar…

Mesmo não nos vendo diariamente, cada uma com sua casa e seu trabalho, ELA esteve sempre aqui… perto!

Um oceano vai nos separar (ela vai para Cape Town na África do Sul) e um oceano de lágrimas já começo a derramar…

africa do sul

Claro, sei que o Brasil está difícil, cheio de problemas e eles são jovens, precisam procurar novos horizontes, ter novos projetos de vida.

Mas vou precisar me reinventar!

Quando me casei, em 1969, o mundo era diferente.

Fui morar no interior onde para falar com meus pais na capital, tinha que ir a um posto telefônico e ficar horas e horas esperando completar a ligação.

Quando conseguia…

Hoje tudo é mais fácil.

Tenho um tal de face time onde posso ver e falar com meus netos todos os dias!

Mas ELA não vai estar aqui!

Minha companheira de ir ao shopping, mercado, Igreja, almoçar fora, comentar sobre livros, filmes e novelas, comer brigadeiro, dar muitas risadas…

Mas é a SUA hora, a SUA vez de alçar voos.

passarinho

E o que uma mãe pode desejar a uma filha nessa hora?

Pedir bênçãos dos céus, o cuidado de Deus sobre ela, e desejar que seja feliz, feliz, feliz!

Que conheça pessoas boas, lugares bonitos, que aperfeiçoe outras línguas, que continue a escrever textos lindos como ela.

E eu?

Vou colocar um sorriso nos lábios, passar meu batom, fazer novas comidinhas, escrever sempre e muito no blog, sair com minhas amigas e esperar…

Afinal, sempre chega o dia da volta!

Da chegada!

E é quando o coração explode de alegria, os braços se abrem para o abraço gostoso sentindo o cheiro que só um filho amado tem.

20.07.14 - almoço de domingo Maria Helena (5)

Deus te abençoe, Fabiane, filha amada!

E aqui vai um haicai que escrevi há tempos: 

MEUS FILHOS VOARAM.

O NINHO FICOU VAZIO.

SOU POBRE ÁGUIA MÃE…

Imagens: mapas- wikipédia; 1) saude.umcomo.com.br; 2) http://www.bolsademulher.com

“NENHUM MAL TE SUCEDERÁ, NEM PRAGA ALGUMA CHEGARÁ À TUA TENDA. PORQUE AOS SEUS ANJOS DARÁ ORDEM A TEU RESPEITO, PARA TE GUARDAREM EM TODOS OS TEUS CAMINHOS.” Salmos 91-10 e 11.

BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

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E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

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(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

silvia

(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

O TIRO

Acordei com o tiro!

Ainda meio dormindo, ouvi os gritos:

– PARE! É A POLÍCIA! DEITA! DEITA, SEU FILHO DA MÃE!

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Despertei de pronto, olhei para o relógio que mostrava as horas em vermelho sangue:05:00 horas da manhã.

O barulho todo vinha da frente da janela do meu quarto que dava para a entrada do prédio.

Meus sentidos ficaram alertas e, completamente acordada, comecei a tremer.

Podia ouvir os chutes que davam e os gritos de dor na madrugada antes silenciosa.

Era a primeira vez que ouvia um tiro de verdade; apenas um, mas que me deixou pensativa até o dia clarear…

Queria orar e não conseguia.

Não sabia se devia pedir pelo bandido que apanhava ou se pela polícia que batia.

Talvez aquele homem matara alguém ou invadira a casa de pessoas inocentes para roubar ou sequestrar… ou podia ser até um inocente que passava por ali e estava sendo confundido com um suspeito… e os policiais, então?

Podiam estar abusando da autoridade fazendo de um pobre transeunte, um prisioneiro.

Ou não!

Tanta violência!

Uma coisa é assistir, acomodada em um sofá na segurança da sua casa, um filme com saraivas de balas distribuídas em corpos que caem em poças de sangue e outra é ser acordada como fui.

homem caído

Nem cheguei à janela para ver a cena… e o medo de balas perdidas?

E além do mais, foi tudo muito rápido: ouvi o som de um carro saindo apressado e depois o silêncio lá fora e as batidas do meu coração dentro do peito.

Passou muito tempo até eu conseguir dormir novamente.

A manhã serena de domingo me recebeu como sempre: o sol brilhando sobre as folhas das árvores ainda cobertas de orvalho.

Lembrei do tiro e das vozes.

Lembrei que a violência é real.

Fui à Igreja e orei.

Já sabia por quem pedir: por todos nós, criaturas humanas que somente pela misericórdia de Deus, podemos alcançar a paz!

Imagens: 1) dicastrocandoideias.blogspot.com; 2) http://www.rioverdeagora.com.br

BRINCANDO DE DANÇAR

O que nos faz fazer uma menininha de quase três anos, linda e com uma disposição de dar inveja!

Claro, também já fui assim, sua mãe e tia também foram e, minha mãe, com certeza absoluta um dia também foi assim.

Mas agora eu sou avó!

E essa menininha consegue me transformar em bailarina, comer de mentirinha, dar banhos de faz de conta em suas bonecas, além de tricotar mantas coloridas para cada uma delas.

Mas é dançando que nos divertimos mais.

bailarinas-5-1024x756Na primeira vez, comecei a cantar a melodia do Danúbio Azul (Strauss que me perdoe) enquanto ela ensaiava seus passos de balé.

Aí não teve mais jeito: só queria dançar se eu cantasse essa música e mais, eu tinha que dançar junto com ela!

Coitada dessa avó… cantando e dançando ao mesmo tempo…

Foi quando ela resolveu que queria uma plateia para nos ver e aplaudir.

Resultado: a mãe com seu bebezinho de um mês no colo e a titia sentaram-se, rindo muito, munidas de suas câmeras para filmar o acontecimento.

Colocamos coroas na cabeça (imagina só), fomos atrás das cortinas da sala e eu com a voz empostada falei: “atenção, senhoras e senhores”, (afinal tínhamos um menino na plateia), “vamos apresentar o balé Danúbio Azul com Isa e sua avó”!

Palmas.

Abre a cortina.

Começo a cantar e dar os primeiros passos tendo o cuidado de ficar mais atrás.

E ela, como se fosse a própria primeira bailarina dançando no Municipal, rodopiava compenetrada e feliz, erguendo ora uma perna, ora os braços e pulando de um lado a outro.

desenho de bailarina

Minha voz já não acompanhava meus movimentos e então tratei logo de chegar ao “gran finalle”.

Fizemos uma mesura a espera dos aplausos.

Ela então me abraçou e aquele momento mágico me fez sorrir de alegria e encantamento.

Pequenos gestos, pequenas coisas, mas que fazem um coração de vó quase arrebentar!

Agora sim, compreendo o que minha mãe também fazia com tanto prazer.

Era a inimaginável felicidade de ser avó!

Imagens: 1. http://www.martacostapaineis.com.br

2. produto.mercadolivre.com.br