FINADOS- SEM ADEUS

“AQUILO QUE ESTÁ ESCRITO NO CORAÇÃO NÃO NECESSITA DE AGENDAS PORQUE A GENTE NÃO ESQUECE.  O QUE A MEMÓRIA AMA FICA ETERNO…” Rubem Alves.

Rosa-coracao

SEM ADEUS

MÃE…

ATÉ HOJE CHORO

COM A SUA PARTIDA.

OS SONS DO PIANO,

A RISADA GOSTOSA,

O CHEIRO DA SUA COMIDA.

—–

MÃE…

AINDA SINTO

SEU ABRAÇO TÃO QUENTE,

SEU PERFUME,

SUAS MÃOS SOBRE AS MINHAS,

SUA VOZ TÃO PRESENTE.

—–

MÃE…

FAÇA FESTA NO CÉU!

ENSINE OS ANJOS A CANTAR,

MOSTRE O QUE VOCÊ FEZ

NA TERRA, PRÁ TANTA GENTE,

VOLTE MEUS SONHOS EMBALAR.

—–

MÃE…

SEPARE UM LUGAR PARA MIM.

AÍ, BEM AO LADO DE DEUS.

AFINAL, É UM “ATÉ LOGO”,

PRÁ NÓS,

QUE NUNCA NOS DEMOS “ADEUS”.

—–

flores

Essa poesia que fiz, dediquei à minha mãe logo que se foi após um infarto fulminante, não dando tempo para nos despedirmos.

Com ela, lembro meu pai e através dessas lembranças, faço uma homenagem a todos aqueles que, nesse dia, recordam dos seus com saudades. 

Imagens: 1) dankamachine.blogspot..com; 2) fanficcountonme.tumblr.com

“O SENHOR O DEU E O SENHOR O TOMOU; BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR.” Jó 1- 21

MEU NINHO VAZIO

Muito se tem falado sobre a Síndrome do Ninho Vazio, com textos cheios de conselhos e passos para superar essa fase.

ninho vazio

E chegou a minha vez!

Mas não, não estou ficando doente, mas é que hoje estou pensativa e chorosa…

Dos três filhos que tenho, a mais velha, já está há dez anos morando em Luanda, Angola.

angola

Meu caçula, desde cedo morou fora: primeiro fazendo faculdade, depois mestrado e por último, doutorado fora do país.

Aí voltou para se fixar em Campo Mourão, no Paraná (que nem é tão perto daqui…).

c.mourão

E agora minha filha do meio, que sempre esteve perto de mim, também vai voar…

Mesmo não nos vendo diariamente, cada uma com sua casa e seu trabalho, ELA esteve sempre aqui… perto!

Um oceano vai nos separar (ela vai para Cape Town na África do Sul) e um oceano de lágrimas já começo a derramar…

africa do sul

Claro, sei que o Brasil está difícil, cheio de problemas e eles são jovens, precisam procurar novos horizontes, ter novos projetos de vida.

Mas vou precisar me reinventar!

Quando me casei, em 1969, o mundo era diferente.

Fui morar no interior onde para falar com meus pais na capital, tinha que ir a um posto telefônico e ficar horas e horas esperando completar a ligação.

Quando conseguia…

Hoje tudo é mais fácil.

Tenho um tal de face time onde posso ver e falar com meus netos todos os dias!

Mas ELA não vai estar aqui!

Minha companheira de ir ao shopping, mercado, Igreja, almoçar fora, comentar sobre livros, filmes e novelas, comer brigadeiro, dar muitas risadas…

Mas é a SUA hora, a SUA vez de alçar voos.

passarinho

E o que uma mãe pode desejar a uma filha nessa hora?

Pedir bênçãos dos céus, o cuidado de Deus sobre ela, e desejar que seja feliz, feliz, feliz!

Que conheça pessoas boas, lugares bonitos, que aperfeiçoe outras línguas, que continue a escrever textos lindos como ela.

E eu?

Vou colocar um sorriso nos lábios, passar meu batom, fazer novas comidinhas, escrever sempre e muito no blog, sair com minhas amigas e esperar…

Afinal, sempre chega o dia da volta!

Da chegada!

E é quando o coração explode de alegria, os braços se abrem para o abraço gostoso sentindo o cheiro que só um filho amado tem.

20.07.14 - almoço de domingo Maria Helena (5)

Deus te abençoe, Fabiane, filha amada!

E aqui vai um haicai que escrevi há tempos: 

MEUS FILHOS VOARAM.

O NINHO FICOU VAZIO.

SOU POBRE ÁGUIA MÃE…

Imagens: mapas- wikipédia; 1) saude.umcomo.com.br; 2) http://www.bolsademulher.com

“NENHUM MAL TE SUCEDERÁ, NEM PRAGA ALGUMA CHEGARÁ À TUA TENDA. PORQUE AOS SEUS ANJOS DARÁ ORDEM A TEU RESPEITO, PARA TE GUARDAREM EM TODOS OS TEUS CAMINHOS.” Salmos 91-10 e 11.

BONECA

A poesia de hoje tem aquele tom de nostalgia, de lembranças…

Eu, quando pequena (acho que uns dois anos e meio), ganhei essa boneca.

silvia3

E, num belo dia, essa imagem veio tão forte que coloquei no papel o que meu coração sentia.

BONECA

CHAMAVA-SE LÚCIA.

ERA DE LOUÇA, SOBRANCELHAS ARQUEADAS,

CABELOS PRETOS E CHAPÉU.

VESTIDINHO BRANCO COM RENDAS

E OLHOS AZUIS COR DO CÉU.

—–

MUITO TEMPO SE PASSOU.

COM ELE, O MUNDO MUDOU.

DA BONECA SÓ RESTOU

A FOTO QUE AMARELOU...

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(Poesia do meu livro Um Pouco de Mim)

Ah, bonecas… lembro de duas que dei para minhas filhas em um Natal: para a Viviane, uma Mãezinha e para a Fabiane, a Beijoca.

Uma tinha um bebezinho no colo e tocava uma música enquanto ela o embalava e a outra quando fechava os bracinhos, fazia beicinho e dava um beijo “smash” bem estalado.

Depois, mais tarde dei um bebê que engatinhava, outro que fazia xixi no peniquinho, uma boneca que andava de bicicleta e outras tantas Susi…

A minha Lúcia não fazia nada… mas nessa época ela era tudo que minha imaginação inventava…

silvia

(Nessa foto estão: Lúcia, eu, Lúcio Barbosa, a outra maior atrás não tenho o nome, depois Cleide Barbosa e Ciro, meu irmão mais velho; isso em Machado, Minas Gerais, onde nasci). 

O TIRO

Acordei com o tiro!

Ainda meio dormindo, ouvi os gritos:

– PARE! É A POLÍCIA! DEITA! DEITA, SEU FILHO DA MÃE!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Despertei de pronto, olhei para o relógio que mostrava as horas em vermelho sangue:05:00 horas da manhã.

O barulho todo vinha da frente da janela do meu quarto que dava para a entrada do prédio.

Meus sentidos ficaram alertas e, completamente acordada, comecei a tremer.

Podia ouvir os chutes que davam e os gritos de dor na madrugada antes silenciosa.

Era a primeira vez que ouvia um tiro de verdade; apenas um, mas que me deixou pensativa até o dia clarear…

Queria orar e não conseguia.

Não sabia se devia pedir pelo bandido que apanhava ou se pela polícia que batia.

Talvez aquele homem matara alguém ou invadira a casa de pessoas inocentes para roubar ou sequestrar… ou podia ser até um inocente que passava por ali e estava sendo confundido com um suspeito… e os policiais, então?

Podiam estar abusando da autoridade fazendo de um pobre transeunte, um prisioneiro.

Ou não!

Tanta violência!

Uma coisa é assistir, acomodada em um sofá na segurança da sua casa, um filme com saraivas de balas distribuídas em corpos que caem em poças de sangue e outra é ser acordada como fui.

homem caído

Nem cheguei à janela para ver a cena… e o medo de balas perdidas?

E além do mais, foi tudo muito rápido: ouvi o som de um carro saindo apressado e depois o silêncio lá fora e as batidas do meu coração dentro do peito.

Passou muito tempo até eu conseguir dormir novamente.

A manhã serena de domingo me recebeu como sempre: o sol brilhando sobre as folhas das árvores ainda cobertas de orvalho.

Lembrei do tiro e das vozes.

Lembrei que a violência é real.

Fui à Igreja e orei.

Já sabia por quem pedir: por todos nós, criaturas humanas que somente pela misericórdia de Deus, podemos alcançar a paz!

Imagens: 1) dicastrocandoideias.blogspot.com; 2) http://www.rioverdeagora.com.br

BRINCANDO DE DANÇAR

O que nos faz fazer uma menininha de quase três anos, linda e com uma disposição de dar inveja!

Claro, também já fui assim, sua mãe e tia também foram e, minha mãe, com certeza absoluta um dia também foi assim.

Mas agora eu sou avó!

E essa menininha consegue me transformar em bailarina, comer de mentirinha, dar banhos de faz de conta em suas bonecas, além de tricotar mantas coloridas para cada uma delas.

Mas é dançando que nos divertimos mais.

bailarinas-5-1024x756Na primeira vez, comecei a cantar a melodia do Danúbio Azul (Strauss que me perdoe) enquanto ela ensaiava seus passos de balé.

Aí não teve mais jeito: só queria dançar se eu cantasse essa música e mais, eu tinha que dançar junto com ela!

Coitada dessa avó… cantando e dançando ao mesmo tempo…

Foi quando ela resolveu que queria uma plateia para nos ver e aplaudir.

Resultado: a mãe com seu bebezinho de um mês no colo e a titia sentaram-se, rindo muito, munidas de suas câmeras para filmar o acontecimento.

Colocamos coroas na cabeça (imagina só), fomos atrás das cortinas da sala e eu com a voz empostada falei: “atenção, senhoras e senhores”, (afinal tínhamos um menino na plateia), “vamos apresentar o balé Danúbio Azul com Isa e sua avó”!

Palmas.

Abre a cortina.

Começo a cantar e dar os primeiros passos tendo o cuidado de ficar mais atrás.

E ela, como se fosse a própria primeira bailarina dançando no Municipal, rodopiava compenetrada e feliz, erguendo ora uma perna, ora os braços e pulando de um lado a outro.

desenho de bailarina

Minha voz já não acompanhava meus movimentos e então tratei logo de chegar ao “gran finalle”.

Fizemos uma mesura a espera dos aplausos.

Ela então me abraçou e aquele momento mágico me fez sorrir de alegria e encantamento.

Pequenos gestos, pequenas coisas, mas que fazem um coração de vó quase arrebentar!

Agora sim, compreendo o que minha mãe também fazia com tanto prazer.

Era a inimaginável felicidade de ser avó!

Imagens: 1. http://www.martacostapaineis.com.br

2. produto.mercadolivre.com.br