TINHA UMA ABELHA NO MEIO DO MEU CAMINHO EM MUIZENBERG

Que coisa boa!

Minha filha Fabiane está nos fazendo viajar com ela nessa aventura!

E aqui vai mais um pouco da estadia dela lá em Cape Town.

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(MUIZENBERG É FAMOSA POR SUAS CASINHAS COLORIDAS, USADAS PELOS BANHISTAS PARA TROCAR DE ROUPA).

“Realmente o tempo tem passado muito rápido…

Já faz quase um mês que estou em Cape Town, e a cada dia gosto mais daqui e das pessoas com quem convivo. E sempre que tenho oportunidade, pego meu mapa para fazer turismo!
Em um domingo fui conhecer Muizenberg, a praia das casinhas coloridas!!

Já tinha visto muitas fotos e tinha certeza de que iria adorar o lugar. O dia estava perfeito para o passeio: sol, calor (apesar do vento) e céu azul.

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( PARA CHEGAR A MUIZENBERG UMA DAS OPÇÕES É PEGAR O TREM, NA ESTAÇÃO CENTRAL)

Peguei o trem na estação principal, no centro de Cape Town.

Não me lembro de quando tinha sido a última vez que andei de trem, e adorei a experiência! A passagem, ida e volta, saiu por 27 rands, cerca de R$ 7,50.

A distância é de cerca de 40 minutos, com paradas nas estações pelo caminho. O trem é velho, com algumas pichações nas portas, alguns bancos furados, mas no geral ele não é sujo.

A viagem foi tranquila, e apesar de ter recebido inúmeras recomendações, achei bastante segura. Mas claro que a dica é não ir sozinha!

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( ESTAÇÃO EM MUIZENBERG)

A praia é realmente linda e limpa. A areia é branca, e tem uma longa trilha para caminhar, com uma vista de tirar o fôlego!

A praia é o principal reduto de surfistas, que se arriscam na água gelada, onde vivem tubarões.

Lá, aliás, é considerado o berço do surf na África do Sul.

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( MESMO NA PRIMAVERA NÃO VÁ À PRAIA SEM UM CASACO. VENTA MUITO EM CAPE TOWN).

No total são mais de 20 quilômetros de praia, em volta do topo da costa de False Bay até Strand.

False Bay, aliás, é conhecida por sua população de tubarões brancos. No local há um serviço de vigia, chamado shark spotters, que dá alerta quando os tubarões estão próximos da costa.

Por toda a praia há sinalização para tomar cuidado com eles.

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( A ÁGUA É LIMPA E A PREFERIDA DOS SURFISTAS E DOS TUBARÕES BRANCOS)

Com relação aos restaurantes, confesso que fiquei um pouco desapontada…

Há alguns em frente à praia, mas senti falta de um bom restaurante de frutos do mar.
Como o tempo estava bom, eu e meus novos amigos da escola de inglês – uma portuguesa, um turco e um brasileiro – resolvemos andar descalços pela areia, e depois pelo calçadão.

Tudo ia bem, até que… Consegui a proeza de pisar em uma abelha!

Isso até não seria um grande problema se não fosse o pequeno detalhe de que sou alérgica!
Aff… Fora a dor – terrível – fiquei apavorada de me imaginar em outro país, longe do centro da cidade, tendo um choque anafilático. Foi muito tenso…

Voltei para casa, tomei meu antialérgico, passei minha pomada – nunca viajo sem eles – e fiquei com o meu pé do tamanho de um pão.

Um pão caseiro, daqueles grandes e fofos!

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Apesar de tudo o passeio foi maravilhoso, a vista compensou o pequeno incidente”.

“NA TUA COMPRIDA VIAGEM, TE CANSASTE; MAS NÃO DIZES: NÃO HÁ ESPERANÇA; O QUE BUSCAVAS ACHASTE; POR ISSO, NÃO ADOECES.” Isaías 57- 10

AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE UMA AVENTURA

Então… vocês leram o que escrevi há alguns dias atrás sobre “o meu ninho vazio”.

Agora vou transcrever um texto que minha filha Fabiane me enviou de lá, sua nova morada.

Como excelente jornalista que é (já contribuiu aqui no blog com “Feiras Gastronômicas”) vai nos levar a conhecer essa cidade fantástica em plena África do Sul: Cape Town!

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(Fabiane em Sea Point)

“Sempre ouvi dizer que o sonho de muitos é morar onde as pessoas tiram férias. Pois foi o que eu resolvi fazer.

Em dezembro do ano passado estive em Cape Town, África do Sul, por uma semana e fiquei completamente apaixonada por tudo.
A cidade é limpa, acolhedora, com excelentes shoppings e restaurantes, pontos turísticos incríveis, enfim, sonhei em um dia morar aqui.

Aqui porque a quatro dias Cape Town é minha nova ‘casa’. Vim passar três meses, estudar inglês, passear, talvez trabalhar, enfim, vim atrás de novidades!

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(Ao fundo Table Mountain)

E em apenas quatro dias já fiz muitas descobertas!

A primeira, e mais importante, é que por mais que você queira muito morar fora e que isso seja um grande sonho, você vai sofrer. Não, não estou sendo pessimista nem desencorajando quem pretende se arriscar por novos caminhos. Isso é real e inevitável. Claro que os primeiros dias são os mais difíceis, e sei que logo estarei bem adaptada, mas até lá…
Antes de vir, minha maior preocupação era com relação à moradia.

Em Curitiba, minha cidade, moro sozinha há mais de dez anos. E amo!! Sou super organizada, gosto de tudo no lugar, não gosto de dividir coisas, tenho muitas manias. Durmo tarde, acordo tarde, tenho fome de madrugada, adoro assistir televisão e ficar trocando os canais, nunca fico no silencio, necessito de uma xícara de café preto assim que acordo, como chocolate todos os dias…

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(Waterfront)

E, de repente, vim para a casa de uma senhora sul africana, de quem eu não tinha informação nenhuma. Mas, por sorte e benção de Deus, essa mulher é um amor! Toda vez que chego em casa ela pergunta como foi meu dia, quer saber detalhes, me força a falar inglês, me corrige quando erro, é extremamente atenciosa e carinhosa.
A localização da casa também é abençoada.

Estou em Sea Point, o segundo melhor bairro de Cape Town – perde apenas para Waterfront, que é a melhor região da cidade, e fica a 40 minutos a pé de onde estou. Ah! E da janela do meu quarto eu vejo o mar, que fica a uma quadra de distância.

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(Waterfront)

A escola, que eu achei que seria tranquila, foi péssima no primeiro dia!

Minha aula começa às 9h e vai até às 12h40. A professora só deu gramática, fiquei super frustrada. Achei que seria uma aula de conversação, onde poderia ‘gastar’ todo o meu inglês! Sai de lá odiando ter tido essa ideia estapafúrdia de estudar inglês na África!
Já o segundo dia foi melhor. A primeira parte foi de gramática e depois de conversação. Acredito que logo entrarei no ritmo e vou gostar mais.
Outra frustração foi com relação às novas amizades.

Eu, que converso até com a porta, não falei com ninguém no primeiro dia.

Todos já tinham suas turminhas e, aparentemente, eu não me encaixava em nenhuma delas. Mas no segundo dia já consegui trocar algumas palavras com um grupo de brasileiros. Sim! Eu sei que a dica é não falar com brasileiros, mas minhas opções na escola não são muitas: brasileiros, angolanos (que também falam português), e árabes, que tem o inglês mais difícil de entender de todo o mundo! Ou seja, vamos falar com os brasileiros em inglês, porque na escola é proibida outra língua!

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(Waterfront)

A comida, para quem me conhece, sabe que é um capítulo a parte.

Não gosto de um monte de coisa, outras tantas fecham a minha glote (hahahaha!!!), ou seja, tenho muita dificuldade nesse quesito.
Café da manhã é tranquilo: café preto com pão ou bolacha. Almoço também não tenho problemas, porque eu tenho ido todos os dias para Waterfront, onde tem um milhão de opções – desde Mac Donald’s e KFC, a restaurantes de massas e frutos do mar divinos.
O problema é o jantar, que é servido às 19h, pela dona da casa.

No primeiro dia cheguei tão cansada que não quis jantar. A diferença de fuso é de 5 horas para mais aqui, então tudo o que eu queria era dormir.
Nos outros dois dias a comida estava boa para mim: arroz, carne de panela e legumes. Mas ontem foi um problema. Tinha pasta de berinjela, bolinho de alho com frango, sopa de sei lá eu o que e filé de frango frito. De tudo isso, a única coisa que eu como é filé de frango. Peguei um pedaço, e quando dei a primeira garfada… Muito gosto de cebola!

Voltei para o meu quarto e me atraquei no pacote de bolacha e nas barras de chocolate que comprei no segundo dia!

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Sei que logo vou estar adaptada, e começarei a curtir mais a cidade e todas as suas belezas. Tenho certeza de que farei amizades e de que meu inglês vai melhorar muito. Os primeiros dias são sem dúvida os piores.
Mas graças a Deus existe FaceTime e WhatsApp!

Assim recebo o apoio e carinho dos meus pais, meus irmãos e das minhas amigas (Top5, Lufas, Santas, Fas+A, Lulus, Tati, Bibs). Sem vocês sem dúvida seria muito mais difícil!!”

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Fabi, nós adoramos e vamos esperar mais textos e fotos daí, OK?

” O CHORO PODE DURAR UMA NOITE, MAS A ALEGRIA VEM PELA MANHÃ.” Salmos 30- 5

A CHEGADA DA GELADEIRA

É inacreditável!

Nesses tempos de hoje em que nesse exato momento uso um computador para escrever, falo com minha filha na África como se ela estivesse aqui na esquina e vejo folhas saindo do fax, começo a lembrar das dificuldades que tínhamos há pouco tempo atrás.

Quando eu tinha meus nove anos (parece que foi ontem), vivia com minha família em uma pequena cidade do interior do Paraná, Sengés.

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Lembro de um rio que atravessava a cidade e passava bem nos fundos de casa; de um cinema que funcionava atrás de um bar com cadeiras que mudávamos de lugar a nosso bel prazer.

Lá assisti filmes ao lado de minha mãe, que adorava cinema.

“A Fonte dos Desejos” e “Marcelino Pão e Vinho” foram alguns.

Lembro da escola onde estudava e “briguei de puxar cabelo” pela primeira e última vez em minha vida, por causa de uma colega que insistia em caçoar da maneira com que eu respondia a chamada: “presentiii”.

Era meu jeito “mineirês” de falar (hoje isso seria chamado de bulling)…

E tinha a nossa casa.

Grande, de esquina, no final de uma descida onde, numa manhã, um caminhão sem freios entrou por dentro dela fazendo enorme estrago!

Ainda bem que não brincávamos na varanda naquele momento!

E foi, num belo dia, que ao olharmos pela janela, vimos uma carroça trazendo da loja a nossa tão sonhada geladeira!

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Papai já nos contara a novidade e esperávamos aflitos esse dia chegar.

Ela foi colocada triunfalmente em nossa sala de jantar!

A cozinha era pouco para ela!

Meu pai a ligou na tomada, mamãe passou um pano com cuidado e colocou as forminhas com água para fazer gelo enquanto nós ficávamos ali olhando e esperando como “galinhas chocas” ele ficar pronto.

Como éramos felizes em nossa simplicidade!

Acabamos ficando todos com dor de garganta pois nunca roemos tanto gelo e tomamos tanta água gelada!

Ontem passei por uma loja de eletrodomésticos e fiquei pasma com a sofisticação e preço das geladeiras modernas!

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Na minha mente veio aquela cena da carroça trazendo aquele hoje “elefante branco” que nos deixou maravilhados.

Por certo, daqui há alguns anos, alguma pequena menina de hoje, vai escrever uma crônica sobre certas geladeiras de sua infância que nem sabiam falar…

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia”)

Imagem de Sengés: http://www.rotadostropeiros.com.br

PARA REFLETIR

Essa semana vi uma foto no face book que me chamou atenção,  justamente por ter conversado sobre isso recentemente.

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Minha filha Viviane que, como já contei anteriormente em vários textos (o último em 16-10 em “Dia Mundial da Alimentação“) que mora em Luanda, Angola, me contou sobre uma criança de lá  que escreveu um poema sobre o racismo.

Fiquei muito impressionada e segue abaixo para lerem.

QUANDO EU NASCI, ERA PRETO;

QUANDO CRESCI, ERA PRETO;

QUANDO PEGO SOL, FICO PRETO;

QUANDO SINTO FRIO, CONTINUO PRETO;

QUANDO ESTOU ASSUSTADO, TAMBÉM FICO PRETO,

E, QUANDO EU MORRER, CONTINUAREI PRETO!

—–

E VOCÊ, CARA BRANCO

QUANDO NASCE, VOCÊ É ROSA;

QUANDO CRESCE, VOCÊ É BRANCO;

QUANDO VOCÊ PEGA SOL, FICA VERMELHO;

QUANDO SENTE FRIO, VOCÊ FICA ROXO;

QUANDO VOCÊ SE ASSUSTA FICA AMARELO;

QUANDO ESTÁ DOENTE, FICA VERDE;

QUANDO VOCÊ MORRER, VOCÊ FICARÁ CINZENTO.

—–

E VOCÊ VEM ME CHAMAR DE HOMEM DE COR?

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(Minha neta Isadora brincando com as crianças em uma praia de Luanda)

Imagino o que essa criança passou para escrever palavras tão duras! 

“O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. Essa separação ou distância social e física é oriunda de fatores biológicos e sociais: raça, riqueza, educação, religião, profissão, nacionalidade.” (Wikipédia)

Essas fotos foram tiradas agora no começo do mês e me enviadas.

Não é fantástico como as crianças brincam, sorriem e interagem sem qualquer sombra de diferenças entre si?

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Tomara possamos transmitir conceitos bons, de harmonia, paz, respeito aos nossos filhos e netos!

E, como um dia falou Bob Marley: “enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”.

Não podemos e nem devemos deixar isso acontecer, portanto, reflitam sobre isso!

 

 

ALGUNS HAICAIS

Essas fotos são de um lugar que visitei e que me encantou.

Estava num safári em pleno Parque Nacional do Quiçama, em Luanda, Angola, África.

A vegetação seca da savana e o calor escaldante  turvavam minha visão, até que olhei para um lado e tive a impressão que era uma miragem.

No meio de todo aquele deserto, no meio do nada, essas flores cor de rosa, lindas, desafiando a falta de chuva e o cuidado de mãos carinhosas.

É claro que fotografei!

Então lembrei-me de alguns Haicais que fiz há algum tempo e que falam de flores.

Para quem não conhece, segue a definição de Haicai: ” é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas tem três linhas, contendo na primeira e na última cinco sílabas e sete na segunda linha”-(Wikipédia)

Para mim, defino como: “dizer muito em poucas palavras”.

Quero ver as flores,

a primavera sorrindo…

Deixe-me sonhar!

Chão atapetado

de flores brancas, vermelhas.

Mudam estações.

Flores procurando

um girassol amarelo.

O sol lá no céu.

Dê-me flores, céus,

e farei versos sem fim.

Dê-me amor e paro.

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