DEUS

Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo.

É feriado em todo o país e celebrado 60 dias após a Páscoa.

Por ser uma comemoração religiosa, escolhi essa poesia para compartilhar com vocês.

deus

DEUS

Te vejo na força do mar,

nas ondas furiosas

na praia a quebrar.

Te vejo ao longe, nos montes,

nos campos floridos,

na chuva miúda, tempestade,

no vento que passa zunindo

trazendo calamidade.

—–

Te vejo no sol das manhãs,

na lua, estrelas,

no frio, calor.

No orvalho tênue,

na brisa leve

como um beijo de amor.

—–

Te vejo no sorriso da criança,

no sarar do doente;

longe, onde a vista alcança

onde se perde o horizonte,

num olhar de esperança.

—–

Te vejo, meu Deus,

em minha vida:

curando a ferida,

mostrando o caminho

ao me recompor.

Me dando guarida

esperança perdida,

me enchendo de amor.

bíblia

Do meu livro Um Pouco de Mim.

Imagens: 1) amigosvirtuaisabençoadospordeus.blogspot.com; 2) siteevangelico.com

ROMANTISMO

O Dia dos Namorados está chegando e para entrar no clima, segue um poema meu.

Observação: quem não gostaria de um namorado assim?

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ROMANTISMO

Eu queria um romântico:

que me cobrisse de flores,

que me oferecesse versos,

que me enchesse de amores.

—–

Que dedilhasse as cordas do vento,

que me embalasse nas ondas do mar.

Que ao céu subisse me alcançando estrelas,

que cantasse prá mim em noites de luar.

Do meu livro “Um Pouco de Mim”.

Imagem: lucinhapeixoto.blogspot.com

A POESIA E A CIDADE

Hoje é feriado!!!

Aproveite sua cidade!

amanhecer na cidade

Eu, poeta, atenta e só,

vou caminhando na rua.

É tão cedo e ela acorda

se espreguiça com doçura

despedindo a noite nua.

—–

Há neblina sobre o lago

trazendo mistérios sem fim.

Vou procurando as rimas

para os versos que começam

a tomar forma em mim.

—–

Mas é manhã e prossigo

vendo o dia amanhecer,

colorindo à minha volta,

caleidoscópio de cores

o sol triunfante nascer.

—–

Uma janela se abre,

sinto o cheiro de café.

Ouço meus passos batendo

ritmados, compassados,

como se fosse um balé.

—–

E um pinheiro ao longe estica

braços lentos pelo ar.

Um ipê sacode as flores

cobrindo a calçada toda,

tapete para eu passar.

—–

De repente no silêncio,

o canto de um passarinho.

E outro, outro e mais outro,

juntos formando orquestra

que a melodia adivinho.

—–

É um “bom dia” amigo

lá da torre da Matriz,

a essa cidade risonha

que sem pudor abre os braços

me tornando mais feliz!

Flores de jacaranda de Jones Poa

Imagens: 1) jorgebichuetti.blogspot.com; 2) sutilezasdaalmaemente.blogspot.com

CATADORES DE PAPEL

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CATADORES DE PAPEL

As sombras vão caindo

enquanto eles,

incomodando o trânsito,

vão saindo

atrapalhando os que

com pressa caminham.

—–

Empurrando aquilo que tem:

o pequeno carrinho que ora puxam

como escravos, animais desolados,

emprego dos que

pariram dores,

sofrimentos, fome, suores.

—–

E crianças sacolejam neles

esquecidas deles.

Amarrotadas

como caixas de papelão

que as sufocam

sem perdão.

—–

E eles vão sem pressa.

Tão rudes, maltratados.

Catadores de papel

pelas ruas,

na vida,

ao léu…

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagem: louvoresaorei.zip.net

MULHERES SOZINHAS

Como ainda estamos celebrando o Dia da Mulher, segue essa poesia que fala da mulher sozinha por opção, um direito adquirido!

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Mulheres Sozinhas

Eu as vejo sempre

em todos os lugares.

Nas ruas

andando com pressa,

no volante do carro,

nas mesas de bares.

—–

São muitas

e de todas as idades.

Correm nos parques,

jogam nos bingos,

dançam nas festas,

vão orar aos domingos.

—–

Faço parte delas.

Dessas mulheres sozinhas.

Que lutaram, suaram,

que curtem a liberdade,

que preservam a intimidade,

que decidiram por si.

—–

Mas à noite, no quarto,

quando vou me deitar,

quero o cheiro, o braço,

do homem que escolho,

como travesseiro,

prá dormir e sonhar…

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(Do meu livro “Um Pouco de Mim”, em 1999)

Imagens: 1) juartenapraia.blogspot.com; 2) patycarlafreitas.wordpress.com

 

ANTONINA

Antonina me remete às mais doces lembranças…

Foi lá que vivi minha adolescência e passei quatro anos cursando o “Ginásio”.

Foi lá que “conheci o mar” (ver crônica do dia 23 de janeiro).

Foi lá que nasceu minha irmã caçula, Raquel.

É de lá que vem a vontade de passar novamente por aquelas ruas centenárias, cheias de histórias, sentir o cheiro do mar e pensar que voltei a ser jovem, só por um instante…

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ANTONINA

Morei lá.

Fiz ginásio, fiquei mocinha,

aprendi a paquerar.

Usei meu primeiro sutiã

sem nem ter o que aparar.

—–

Passeava pela pracinha

nos domingos, ao entardecer

e com amigas da escola

um filme sempre ia ver.

—–

No teatro do colégio

representei muitas vezes.

Fiz a Bela, a Virgem, anciã,

fui cantora, menino, negrinha,

ganhei até papel de vilã.

—–

Bons tempos eram aqueles

de passeios à prainha,

Ponta da Pita, Mercado

e o começo dos namoros

sempre com “velas” ao lado.

—–

A cidade se iluminava

de foguetes lá no morro.

Era a festa da padroeira

em pleno mês de agosto.

—–

A brisa era suave,

o sol era quente,

o céu tão azul,

o coração contente…

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(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) http://www.tripadvisor.com; 2) viageiro.com

 

ESTADO DE GRAÇA

Como estamos curtindo uma nova gravidez na família (minha nora Patrícia), lembrei dessa poesia que fiz para meus três filhos: Viviane, Fabiane e Paulo Emílio.

Esse sentimento não é só meu; pertence a todas as mulheres que um dia também se sentiram “rainhas”.

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ESTADO DE GRAÇA

Foram três as gravidezes.

São três os filhos que tenho.

Como eu já os amava,

como já orava

pedindo por eles.

—–

Enquanto a barriga crescia

eu me sentia rainha.

Forte, mas tão carente,

poderosa, mas tão vulnerável,

linda, mas tão diferente.

—–

E quando sentia mexer

de um lado a outro o bebê,

parava, escutava,

sentia, apalpava,

como queria ver!

—–

E conversávamos muito,

sobre o mundo, sobre a vida…

E já via suas carinhas

risonhas, bonitas, faceiras,

e os via a crescer fortes,

donos do mundo,

tudo em sua volta vencer.

—–

E meu corpo transformava-se

em luz, por onde passava.

E era de dentro que vinha

como um abraço a nos envolver

filho e mãe,

um amor tão grandioso

 que já existia

muito antes de nascer.

—–

Foram três as gravidezes.

São três os filhos que tenho.

São companheiros, amigos,

são jóias, são tesouros

no coração escondido.

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(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) http://www.maternidadecolorida.com.br; 2) http://www.informaternal.com.br

 

 

CESAR

Quando eu estava dando meus primeiros passos neste blog, postei dois poemas dedicados aos meus netos (ISADORA em 12-06 e HEITOR em 13-06) que fiz antes de nascerem.

Hoje compartilho com vocês a alegria de um terceiro neto que está a caminho, filho de meu filho PAULO EMÍLIO e minha nora PATRÍCIA.

Essa notícia foi dada na noite de Natal e a foto abaixo foi tirada no meio de toda essa alegria da revelação.

25.12.13 - natal m+úe (18)

E, é claro, a inspiração veio nessa poesia dedicada a ele.

CESAR 

Que alegria a notícia

em plena noite de Natal!

Um presente embrulhado,

uma surpresa genial!

—–

Na caixa, dois sapatinhos:

um azul o outro rosa,

que mamãe tão bem preparou

em segredo, toda prosa.

—–

E vovó foi quem abriu

o pacote pequenino.

Era charuto, imagine,

e ela gritou: é menino!

—–

Festa de novo em família,

todo mundo se abraçou.

De tantos beijos e abraços,

meu papai até chorou.

—–

Pois é… estou chegando!

Lindo, forte, muito amado.

Meus quatro primos me aguardam

com a Felícia ao seu lado.

—–

Vamos ser muito felizes,

Papai do Céu quer também.

E eu, pequeno Cesar 

termino dizendo Amém!

—–

OBSERVAÇÃO: Felícia é a filha canina dos papais felizes Paulo e Pati.

POETIZANDO O ANO NOVO

Deixamos sempre para o final de um ano e começo de outro, o refletir sobre mudanças em nossas vidas.

É sempre assim…

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Então, procurei algo de dois de meus poetas preferidos para deixar com vocês.

Para começar, um poema meu.

PRIMEIRO DE JANEIRO

O dia amanhece.

Cansado, apesar de primeiro.

Os restos da festa,

folia, orgia,

a maré ainda trouxe.

E pessoas cansadas

querem viver o primeiro

como se o último fosse.

 

POEMA DE DEZEMBRO- Carlos Drummond de Andrade

Procuro uma alegria

uma mala vazia

do final de ano.

E eis que tenho na mão

-flor do cotidiano-

é voo de um pássaro

é uma canção.

 

ANO NOVO- Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano

vive uma louca chamada Esperança.

E ela pensa que quando todas buzinas,

todos os tambores,

todos os reco-recos tocarem:

-Ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada

outra vez criança

e em torno dela indagará o povo:

– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?

E ela lhes dirá

(é preciso dizer-lhes tudo de novo)

ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:

-O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

 

RECEITA DE ANO NOVO- Carlos Drummond de Andrade

…Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

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Resumindo: esperança, canção, alegria é o que desejo a vocês, leitores que me acompanham nesse blog!

Que em 2014 eu possa, cada vez mais, trazer até vocês receitas fáceis e saborosas, poemas inspiradores, crônicas interessantes e indicações necessárias!

Um grande abraço cheio de felicidade!!!!!!!

Imagens: 1. http://www.dreamstime.com; 2. http://www.blogdamariasophia.com

 

DE NOVO… HAICAIS!

Em 19 de Junho, postei o “Alguns Haicais” ilustrado com fotos de flores que tirei em minhas andanças.

Hoje as fotos são de árvores carregadas de flores que encontrei em uma viagem (Florianópolis, Jurerê Internacional) no mês de Novembro.

E junto… haicais.

floripa3

SOU CAMALEOA.

ÀS VEZES BICHO, MULHER,

POUCAS VEZES, EU.

—–

QUERO CANTILENAS

QUE ME EMBALEM ENQUANTO DURMO.

MEU SONHO É DANÇANTE.

—–

ESCORRE TÃO LENTA

UMA LÁGRIMA SENTIDA!

SALGUEI MINHA VIDA…

floripa (2)

O VESTIDO VERDE

ENROSCOU-SE ENTRE AS FOLHAGENS.

NATUREZA MÃE.

—–

O PORTÃO FECHOU-SE.

NA ESPERANÇA DE VOLTAR,

FICOU O SORRISO.

—–

MANDAMENTO, AMOR!

O MAIOR DE TODOS ELES.

POR QUE TÃO DIFÍCIL?

floripa