Tudo começa com aquela vontade de entrar na cozinha e tentar fazer alguma coisa para o almoço…

Começo por abrir um vinho tinto, abro armários, geladeira, ouço música (Glen Miller) e a magia começa porque agora sei o que sairá dessa alquimia.

Primeiro o caldo de alho poró começando a ferver traz um aroma que vem em nuvens de fumaça até mim deixando água na boca.

E é tanta beleza no corte da cebola que frita na manteiga aquecida e que faz embriagar o suave perfume da espera em mim.

E enquanto as mãos mexem o arroz arbóreo e vai devagar adicionando o caldo fervente,  a concha vai até ele e cai sobre o arroz como uma cascata de tempero.

Em cada adição, o quadril vai mexendo ao ritmo da música e é só encantamento.

Sinto que a dança do amor só se sente quando encontra o sabor definido no palmito que se integra ao cozimento.

Uma mistura de sensações de olfato, do paladar, do toque macio até o creme e o queijo que escorregam quase finalizando o prato.

E é a cada gole do vinho que vou sentindo o risoto chegar ao ponto.

Nada paga a satisfação que proporciona aquele domingo de sol e calor em que eu provo do prato e junto a liberdade de ser o que sou, uma mulher apaixonada pela vida e a arte de cozinhar.

E aí chega a hora sublime de degustar.

“O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE.” Mateus, 6- 11

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