A NOVIDADE CHEGOU!!!

Há tempos venho colocando a figura de uma velhinha simpática avisando que vem novidades no blog.

Pois é… essa velhinha simpática é a vovó Sílvia, contadora de histórias!

chamadaHistórias da vovó Sílvia

Venho escrevendo já há algum tempo.

E sonhando muito!

Fiz, ano passado, um livro para minha neta com o papel mais grosso e ilustrações que tirei do Google.

Levei na copiadora que finalizou com uma capa dura onde estava escrito: “Histórias da Vovó Sílvia”.

Oito historinhas que ela adorou!

E assim eu lia minhas próprias histórias para ela.

Foi quando percebi que, em meu blog, nunca tinha colocado nenhum vídeo…

Então por que não fazer um vídeo dessas historinhas?

Conversei com muita gente e, às vezes, quase desistia dizendo:

– Gente, eu só sei escrever!

Tudo era muito complicado para mim.

Mas acabei me aliando à pessoas que sabiam tudo sobre o que eu não entendia nada!

Aí entrei em um estúdio para fazer a gravação.

Sim, eu queria contar as histórias com minha própria voz (afinal não é a toa que tenho curso de locução)!

E as ilustrações foram tomando forma e o som preenchendo o vazio.

Até que hoje eu tenho a alegria de postar os dois primeiro vídeos das muitas histórias que tenho para contar.

Esses são para crianças de 2 a 5 anos.

Se quiserem entrar na minha página do youtube, o link é:

https://www.youtube.com/channel/UCwBoa3KhRwn07ZpHWYUCQ3w

Espero que gostem como eu, que adorei fazê-los!

 

 

SOBRE A PREMIAÇÃO!

Quando escrevi sobre o Prêmio SESC de Literatura no dia 08 de maio, coloquei que já estava muito feliz por estar entre os 15 selecionados.

Nesse mesmo dia, horas depois, recebi um e-mail parabenizando por estar entre os 3 primeiros classificados.

E lá fui eu, terça feira, rumo a Brasília com passagem e hospedagem garantida por eles.

Vou ficar devendo as fotos…

Infelizmente, pedi a um rapaz para tirar as fotos com a minha máquina, mas acho que ele estava meio nervoso porque conseguiu que todas ficassem tremidas…

Entretanto, durante a semana vou receber as fotos oficiais e postarei assim que chegarem!

Bem, foi tudo muito bem organizado e gostoso!

Conheci poetas, escritores, pessoas que participam ativamente de bienais e concursos por todo o país.

Ganhei livros autografados e conversamos aquela linguagem própria dos amantes das letras.

Para entrar no salão onde foi servido o coquetel, fui convidada, juntamente com o diretor ali presente, a cortar a fita do local.

Fotos, mais fotos que vou postar!!!

E foi tudo tão mágico que acreditem no que vou contar agora: na viagem de volta, uma senhora loira, olhos azuis, muito bonita, sentou-se ao meu lado.

Voltava de Miami.

Começamos a conversar e contei que tinha recebido o prêmio pelo terceiro lugar de literatura infantil e em seguida perguntei o seu nome.

– Cinderela! Ela respondeu.

Quase cai de costas…

Isso mesmo!

Era verdade!

E dizem ainda que as histórias são inventadas…

(Ela, Cinderela, vai entrar no blog para ler o que disse a ela que iria escrever; obrigada pela conversa gostosa que fez o tempo passar mais depressa!)

O SORRISO DO GATO DA ALICE

Passei minha infância lendo muitos livros de histórias e, uma das que mais gostava, era a de Alice no País das Maravilhas.

Depois de ler e reler muitas vezes ganhei o disco, pequeno, colorido, 78 rotações que ouvia em minha vitrola de 6 pilhas gigantes que acho nem existir mais.

Colocava do lado 1 e depois virava para ouvir o lado 2.

Depois de adulta quando vi pela primeira vez um CD, pedi para ouvir o outro lado… minha filha riu muito de mim!

Voltando a Alice, era encantadora as peripécias daquela menina loira, vestido azul rodado e que perseguia o Coelho Branco, conversava com as Lagartas, brigava com a Rainha de Copas, aumentava e diminuía de tamanho.

alice

Sabia a história inteira de cor e cantava todas as músicas dela.

Agora o que eu mais gostava mesmo, era do Gato!

gato

Ele tinha uma voz vagarosa, quase arrastada e, do alto da árvore, conversava com Alice.

Aos poucos ele ia sumindo, às vezes ficava visível só sua cabeça, outras vezes só o seu longo rabo, mas quase sempre ficava somente seu sorriso.

Só o sorriso, sem corpo, naquele fundo escuro!

Quando tive meus filhos, contei e recontei a mesma história.

Dei a eles o livro, bem mais colorido e ilustrado e o disco, que já era um long play, e a história encantou a eles também.

Fizemos então uma associação das imagens do sorriso do Gato com a lua no céu em sua fase minguante… céu escuro e aquela lua lá em cima sorrindo…

lua

– Mamãe, olha lá no céu o sorriso do Gato da Alice!

Para quem está de bem com a vida, olhar para o céu e ver um sorriso… não tem preço!

Imagens: 1) http://www.planetadisney.com.br; 2) variedadesnotaveis.blogspot.com; 3) aversatil.wordpress.com

FILIPE E O OVO DA PÁSCOA

O que a Páscoa significa para você?

Muito chocolate, coelhinhos, mesa farta?

Leia abaixo uma história linda e verdadeira, de autoria de Dennis Downing (www.hermeneutica.com.br) e reflita sobre ela.

cruz vazia

Uma professora ensinava em uma sala de aula de alunos do terceiro grau.

Nessa sala havia dez alunos, todos na faixa de oito anos de idade.

Um dos seus alunos era um menino chamado Filipe e que tinha síndrome de Down.

Apesar de parecer feliz ele mostrava cada vez mais sua sensibilidade e se sentia diferente dos outros alunos.

Se vocês conhecem algumas crianças de oito, dez anos, devem saber que às vezes elas podem ser um pouco insensíveis.

É justamente nessa idade também que a criança está querendo cada vez mais ser aceita pelos seus amigos.

Infelizmente, Filipe, apesar dos esforços da professora, não foi aceito pelos outros meninos.

Ele não escolheu ser diferente, mas todos sentiram essa diferença.

Essa professora era bastante criativa e um ano, durante a Páscoa, ela levou para a sua aula, dez ovos plásticos vazios.

Cada aluno iria receber um ovo.

O objetivo era que cada aluno saísse para o jardim e procurasse um símbolo de vida renovada, de vida nova, um símbolo da Páscoa.

Depois eles iriam misturar todos os ovos e abri-los para ver o que tinha dentro.

Todos os alunos saíram correndo para achar algo para colocar dentro do seu ovo.

Em pouco tempo, todos voltaram e depositaram seus ovos numa mesa.

Então a professora começou a abrir os ovos.

Abriu um e tinha uma flor.

Todos ficaram admirados!

Ela abriu outro e tinha uma borboleta.

-Oh! Exclamaram todos!

A professora abriu um terceiro ovo, mas não tinha nada dentro.

Imediatamente todos começaram a rir e gritar: ” que coisa estúpida”, “alguém errou”!

Foi quando a professora sentiu alguém puxando sua blusa.

Ela olhou e viu que era Filipe.

– É meu! Disse ele. É meu!

Os meninos começaram a rir e dizer: “Ah, Filipe, você nunca faz nada certo…tá sempre por fora”!

– Eu fiz certo! Disse Filipe. A Páscoa é a ressurreição… o túmulo está vazio!

Toda a turma ficou em silêncio, ninguém disse nada!

E pode acreditar, nunca mais ninguém disse a Filipe que ele era estúpido e fazia as coisas erradas.

Ele foi aceito pela turma!

Naquele mesmo ano, Filipe faleceu.

Sua família sabia há muito tempo que ele não iria ter uma vida longa porque muitas coisas estavam erradas em seu corpo frágil.

No final de julho, com uma infecção que qualquer um de seus amigos teria sobrevivido, Filipe faleceu.

Seu velório foi realizado na Igreja onde seus pais frequentavam e, nesse dia, nove crianças de oito anos de idade, foram para a frente da Igreja e colocaram em cima do seu caixão um ovo de plástico, vazio!

Jesus

Ouvi essa história pela primeira vez, em um sermão do Reverendo Carlos Orlandi e que possui um blog muito inspirador: 

http://www.carlosorlandijr.blogspot.com.br

Imagem 1: http://www.reflexoesevangelicas.com.br

Imagem 2: marcosfmatos.blog.uol.com.br

DUNGA, O ANÃO QUE NÃO ERA MUDO

Há muitos e muitos anos atrás, dois irmãos muito amigos, começaram a escrever histórias.

E entre todas que escreveram a que mais gosto é a de Branca de Neve e os Sete Anões, não, por acaso, eu ser um deles…

Até aí tudo bem.

Como sou o mais novo dos sete, minha barba ainda não tinha aparecido como a dos outros e, por isso, fiquei diferente.

Dunga

Aí surge o Walt em nossas vidas!

Uma pessoa fabulosa que transformou nossa história em um filme de desenho animado que fez um sucesso estrondoso em todo o mundo.

Só que na hora de gravarem as vozes dos personagens, cada um ficava bem com a escolhida, menos eu… parece que ninguém tinha uma voz que combinasse comigo…

Então, Walt Disney me deixou mudo!

Fiquei conhecido como Dunga, o anão mudo!

Mas vou contar agora, porque falo, e muito, algumas coisas sobre a história que somente eu sei.

Branca de Neve era realmente linda!

E muito boazinha!

Depois de tudo o que ela passou nas mãos daquela madrasta malvada, ela chegou a nossa casa levada pelos animaizinhos da floresta.

Quando voltamos do trabalho na mina, a encontramos dormindo em nossas camas.

É claro que nos assustamos!

Mas a medida que os dias passavam nos afeiçoamos a ela como uma irmã mais velha.

Foi comigo que ela dançou uma valsa pela primeira vez.

E era eu quem dava palpites na sua comida porque, aqui entre nós, esse não era seu forte.

Foi por querer experimentar uma receita de torta de maçãs é que ela abriu a porta para uma velhinha (que não era outra se não sua madrasta transformada) deixando-a entrar.

E mordeu a maçã envenenada.

Claro que choramos muito.

Mas vou contar mais uma coisa: fui eu quem foi atrás do príncipe que estava caçando por ali, contando sobre o ocorrido e trazendo-o até a clareira onde estava Branca de Neve adormecida.

Ele chegou, ajoelhou-se ao lado dela, beijou-a e o encanto se quebrou.

Foram embora montados em um cavalo branco.

E sabem quem escreveu a última frase da história?

Eu, é claro e o que escrevi foi:

“E viveram felizes para sempre!”

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(Baseada na história de Branca de Neve e os Sete Anões dos irmãos Grimn)

Imagens: 1) pt-br.disney.wikia.com; 2) fe.epaentretenimento.com

 

 

ANTONINA

Antonina me remete às mais doces lembranças…

Foi lá que vivi minha adolescência e passei quatro anos cursando o “Ginásio”.

Foi lá que “conheci o mar” (ver crônica do dia 23 de janeiro).

Foi lá que nasceu minha irmã caçula, Raquel.

É de lá que vem a vontade de passar novamente por aquelas ruas centenárias, cheias de histórias, sentir o cheiro do mar e pensar que voltei a ser jovem, só por um instante…

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ANTONINA

Morei lá.

Fiz ginásio, fiquei mocinha,

aprendi a paquerar.

Usei meu primeiro sutiã

sem nem ter o que aparar.

—–

Passeava pela pracinha

nos domingos, ao entardecer

e com amigas da escola

um filme sempre ia ver.

—–

No teatro do colégio

representei muitas vezes.

Fiz a Bela, a Virgem, anciã,

fui cantora, menino, negrinha,

ganhei até papel de vilã.

—–

Bons tempos eram aqueles

de passeios à prainha,

Ponta da Pita, Mercado

e o começo dos namoros

sempre com “velas” ao lado.

—–

A cidade se iluminava

de foguetes lá no morro.

Era a festa da padroeira

em pleno mês de agosto.

—–

A brisa era suave,

o sol era quente,

o céu tão azul,

o coração contente…

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(Do meu livro Um Pouco de Mim)

Imagens: 1) http://www.tripadvisor.com; 2) viageiro.com

 

A CONTADORA DE HISTÓRIAS

Minha mãe contava histórias.

E como era maravilhoso ouvi-la!

Através de seu dom nos fazia “viajar” com ela naquele passeio imaginário que conhecia tão bem.

E nos reuníamos: filhos, amigos, empregada, agregados e quantos mais pessoas houvesse, já perguntando uns aos outros que história seria.

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Algumas ela contava em capítulos (foi uma precursora das novelas de agora…) e nós adorávamos!

Uma vez, ela que terminava o curso de piano na capital, ficou vários dias fora e, quando voltou, passou a nos contar os filmes que assistira no cinema: A Noviça Rebelde e Sissi.

Naquela noite, estávamos eufóricos esperando mamãe começar.

Era como um teatro: sentávamos à sua frente em meia lua num silêncio total e a magia começava.

Foram noites memoráveis!

Seus olhos brilhavam, suas mãos acompanhavam em gestos os acontecimentos e sua voz ora baixava num sussurro ora erguia em tom mais alto quando era necessário.

Eu “via” em minha frente aquela fila de moças bonitas em seus vestidos longos e rodados, esperando o príncipe fazer a sua escolha.

E ele passava por elas com um buquê de rosas vermelhas para entregar à sua escolhida que era, nada mais nada menos, que Sissi com seus cabelos vermelhos e ar de menina levada.

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O suspense era geral e ela parava propositadamente nos momentos mais importantes.

No dia seguinte, lá estávamos todos nós novamente, esperando a continuação da história.

Minha mãe tinha nos enfeitiçado!

Era como uma mão poderosa segurando um fio que manipulava nossas vidas.

Hoje, tanto tempo depois, sou grata por esse privilégio que tive, num mundo onde poucas pessoas o tem.

É dela que puxei esse dom e esse é o início de muitas histórias que vou passar a contar.

Em tempo: quando fui assistir aos filmes, nem de longe me foram tão lindos quanto aos que ouvi minha mãe contar!

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(Do meu livro Confidências ao Meio Dia)

Imagens: 1. anjosdecristal.blogspot.com; 2. abitconfusing.blogspot.com; 3. analisedecinema.blogspot.com

 

 

 

SONHOS

Já contei aqui sobre o Instituto História Viva no post do dia 03-10 (em Indicações) e, continuando o assunto, nossa formatura como Contadores de Histórias aconteceu no dia 18-10, uma sexta feira, no auditório da Universidade Positivo.

Formatura Contação de Histórias             Fotos: Marco CharneskiFui convidada para ser a oradora da turma e encerrei meu discurso com um poema que achei ter tudo a ver com o nosso momento.

Segue abaixo:

SONHOS

Sonhei com um mundo novo:

sem medo, sem mentiras.

Onde havia em cada Natal

um brinquedo,

em cada família

aconchego,

em cada pessoa

ideal.

—–

E vi Lennon no meu sonho

e, com ele, o mundo em paz.

Um sorriso em cada face,

respeito por onde passasse,

toda pessoa capaz.

—–

E elas se davam as mãos.

Não havia traição.

Se ajudavam, se gostavam,

se doavam.

Não havia inveja,

nem ciúme,

confusão.

—–

Foi aí que acordei.

E olhando ao redor

senti aquela magia

do sol lá fora brilhar,

das flores se espreguiçando,

dos passarinhos cantando,

da vida a se renovar.

—–

E senti que há esperança.

Que todos podemos tornar

um sonho em realidade

e a vida recomeçar.

Formatura Contação de Histórias             Fotos: Marco Charneski

 

(Do meu livro Um Pouco de Mim)

 

INSTITUTO HISTÓRIA VIVA

Tudo começou, para mim, quando recebi um e-mail no Positivo onde trabalho: “O Instituto Positivo convida você a se tornar um voluntário do projeto de Contação de História. Os voluntários inscritos irão participar de encontros de formação para se tornarem contadores de histórias e, na sequência, serão encaminhados para o desenvolvimento de trabalhos voluntários em organizações sociais parceiras, conforme disponibilidade do voluntário”.

É claro que me inscrevi, pois como todos sabem, amo histórias e tenho dedicado uma boa parte do meu tempo a escrevê-las.

E foi na primeira aula que participei que passei a conhecer o trabalho tão maravilhoso do Instituto História Viva!

554874_542233325812326_1333036325_nMas o que é o Instituto História Viva?

Foi fundado em novembro de 2005 em Curitiba por ROSELI BASSI, que treina e gerencia os voluntários para se tornarem ouvidores e contadores de histórias.

“O objetivo principal dos projetos desenvolvidos é o de transformar para melhor os ambientes de dor e sofrimento de hospitais, asilos, abrigos e casas lares; valorizar a sabedoria dos idosos; levar as pessoas por meio das histórias: cultura, educação, carinho e alegria; e principalmente incentivar o saudável e imprescindível hábito da leitura”.

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Ainda não terminei o curso nem fiz a “prova prática” que é a de ir contar história em um desses lugares, mas já deixo aqui a minha indicação e sugestão para todos que puderem que sejam também voluntários!

“A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido”.

(Maxwel Maltz)

Entrem e saibam mais no site:

http://www.historiaviva.org.br

lobato(blog.livronet.com.br)

 

 

 

SEXTA FEIRA, 20:00 HORAS

A primeira saiu esfuziante do salão de beleza.

Resplandecia como uma capa de revista!

Os cabelos lisos e brilhantes, graças a uma chapinha bem feita, as mãos com unhas vermelhas combinando com as dos pés, calçados em rasteirinhas de pérolas. 

Seu dia tinha sido calmo como sempre: acordou às nove, tomou seu iogurte com linhaça e foi malhar. Tudo muito saudável!

Depois de um banho e creme pelo corpo todo, retirou do freezer a comida congelada, tomou seu suco de uva, descansou, viu as notícias pela TV e foi ao shopping.

A segunda chegou em casa suando depois de um dia exaustivo de trabalho.

Saiu às seis e meia da manhã, pegou ônibus e chegou no trabalho em tempo de passar o cartão. O telefone não deu descanso!

Às vezes olhava suas unhas mal feitas e pensava se teria tempo para lixar e passar uma base.

O almoço no refeitório da empresa não estava nos bons dias e assim, voltou correndo para sua sala na recepção.

A tarde foi pior: muita gente inquieta, telefone tocando sem parar e seu rosto como uma máscara de alegria fingida, desejava a todos “boas vindas”!

4 amigashttp://www.flogao.com.br

A terceira estava cansada de dar dó!

Já era final de tarde e aquela “coisinha linda”, codinome sua neta, não dera descanso!

Era suquinho, frutinha, papinha, aguinha e mais quantos inhas havia!

Tinha esquecido de como uma criança de quase um ano dava trabalho…

Quando pensou que ela dormia como um anjo, correu no chuveiro e, de cócoras, tentou lavar seus cabelos mas teve que sair com eles pingando condicionador porque seu bebê já estava de pé no berço reclamando companhia.

Mas era tão gratificante!

Não cansava de olhar aquela criança tão perfeita e linda, filha da sua filha que sorria feliz ao ouvir a música do cocoricó!

Terminou de trocar a fralda molhada e ouviu o barulho da chave na porta.

A mãe chegou!

A quarta voltou do motel com um sorriso nos lábios.

Estava feliz apesar de saber que aqueles encontros só podiam acontecer nas sextas feiras à tarde. 

Ela se preparava desde cedo para isso.

Enquanto colocava roupa na máquina de lavar, já passava o vestido de alcinhas para vestir e, no banho demorado, o ritual se completava: depilava pernas, axilas e virilha, lavava os cabelos, secava, esfregava cuidadosamente o óleo perfumado no corpo.

Depois de uma refeição ligeira seguia em seu carro ao local previamente combinado.

Fazia tempos que esses encontros aconteciam e ela, muitas vezes, gostaria de poder acabar com eles por saber que não tinham futuro algum.

Mas eram tão bons! Ela se sentia viva novamente!

Não sabia como outras mulheres conseguiam ficar tanto tempo sozinha, sem “um homem prá chamar de seu”.

O relógio marcava 20:00 horas e as quatro chegaram juntas, na frente do bar tão conhecido.

Eram amigas há tanto tempo… se encontravam nos aniversários, casamentos de filhos, batizado de netos, restaurantes, velórios… assistiam filmes e futebol juntas, choravam, riam e torciam… aos domingos juntavam suas panelas para um almoço recheado de conversas e confissões… viajavam e, cada duas em apartamento de hotel, se juntavam para planejar o que fazer.

A porta se abriu e a música se fez ouvir.

Cabeças se voltaram para olhar e cada uma delas entrou triunfante, carregando sua história e expectativa.

O dia terminara.

A noite começava.

Tornaram-se iguais.

Era bom estar ali…

amigaswhitefluffybunny.blogspot.com