ENTRO.
Vem como se fosse a pior das tormentas.
Olho antes para o céu escuro
com nuvens que chegam sedentas
tangidas pelo vento.
—–
ESCUTO.
O rugido dos trovões se faz ouvir no clarão.
As árvores se dobram
e seus galhos lambem o chão
coberto de folhas que por ele rolam.
—–
ESPERO.
E ela cai com força.
Como uma sinfonia perfeita
nos sons cristalinos de poças enchendo,
bueiros vazando, calhas escorrendo.
—–
ASPIRO.
Aquele cheiro de terra molhada
me faz sonhar…
E a água benfazeja banha as flores,
lava as folhas, limpa o ar.
—–
OLHO.
Já vai passando e o céu, aos poucos,
vai de azul se tingir.
Os passarinhos tornarão a cantar
e penso que, por certo, à noite,
a lua imensa, redonda, irá brilhar.
Posso sair!
Imagens: 1) http://www.cetesb.sp.gov.br; 2) zenipa.blogspot.com
(Do meu livro: Um Pouco de Mim)

