MINHA AVÓ MARIA

Ah, como me lembro dela!

Maria Luiza Pinheiro Novaes de Camargo, um nome extenso para aquela mulher baixinha, gordinha, olhos azuis penetrantes, cabelos curtos bem branquinhos e que chamávamos de tão somente, vó Maria.

Mineira de Jacutinga, nasceu em 1899.

Era enérgica e quando éramos pequenos, a lembrança que me vem dela era de muito brava conosco que passávamos as férias em sua casa.

Mas o momento que mais recordo com muito amor, é o que descrevo a seguir.

Cenário: uma sala de visitas com alguns sofás antigos e no canto, uma cadeira de balanço.

Era a sua cadeira.

Lá ela se sentava depois das tarefas diárias e se balançava.

Seus olhos azuis meio que se fechavam e eu sentia que ela começava a viajar por seu passado, lembrando fatos e coisas meio perdidas nas gavetas do pensamento.

Aí eu me sentava em um banquinho bem próximo a ela, já adivinhando o que viria a seguir.

– Menina, ela perguntava, porque você gosta tanto assim de poesia?

E eu respondia:

– Ah, vó, gosto tanto de ouvi-la declamando…quem sabe um dia eu também escreva e decore poesias como a senhora?

E ela continuava seu balanço como se ele a levasse lá para dentro dos seus guardados…

E começava com “A Doida”.

Era um poema longo que contava a triste história de uma mulher presa em uma torre, mas que sentia saudades de sua vida anterior e terminava com sua morte: “rola a doida pelo chão…”

Nunca encontrei nada sobre esse poema, mas me recordo do início:

“Lá nas brumas do poente

mal desponta o astro do dia,

quando um sabiá plangente

desprende suave melodia.

 

No galho em que pousava

ali bem perto ficava

as janelas gradeadas de sombria prisão

onde triste jazia então,

uma doida encerrada.”

Até aí consigo lembrar, mas o poema vai longe, muito longe…

E ela dizia todos os versos de cor enquanto  continuava seu balançar.

E eu ali, entre admirada e assustada, ouvindo com os ouvidos e o coração.

– Pronto! Terminei! Chega por hoje! Ela falava já mudando o tom de voz.

– Ah, vovó, só mais uma! Prometo! Eu pedia.

E ela recomeçava, balançando, cerrando seus olhos e em silêncio procurando em suas memórias.

Então vinha outra: “Beijos” que começava assim:

“Não queres que eu te beije?

E o beijo é a própria vida!

A invenção mais bela

e sublime do Senhor!”

E aquela menina decorou essa poesia inteira e ainda a diz, de vez em quando, enquanto lembra de sua avó.

Talvez por isso tenha tanta vontade de ter uma cadeira de balanço…

“COROA DOS VELHOS SÃO OS FILHOS DOS FILHOS; E A GLÓRIA DOS FILHOS SÃO SEUS PAIS.” Provérbios, 17- 6.

 

RELEMBRANDO NATAIS

Difícil escrever sobre o Natal…

Primeiro vem as lembranças mais remotas, de quando eu era pequena e passava esse dia com meus pais e irmãos.

Não tenho lembrança de meus avós junto conosco nessas comemorações; cada um morava em cidades distantes e viagens não eram tão fáceis como hoje em dia.

Assim o Natal se resumia em apenas nós seis: papai, mamãe, eu e meus três irmãos.

(Minha casa nesse ano de 2018)

Ganhava presentes: às vezes uma roupa nova, um sapato novo ou algum brinquedo.

Já com meus filhos os Natais foram diferentes!

Como morávamos no interior, viajávamos até a Capital onde meus pais e sogros moravam.

Então festejávamos dia 24 com os sogros e 25 com meus pais.

Nas duas casas era tudo muito animado com reunião de primos e tios e tudo era música e alegria.

(Mais enfeites em casa!)

Minha mãe sentava ao teclado tocava milhares de músicas natalinas e meu pai lia na Bíblia, a história tão conhecida do nascimento de Jesus.

Aí presentes (muitos) eram abertos e a ceia era repartida entre todos.

O Natal de agora ficou mais triste…

Meus pais se foram e não tem mais a música dos hinos nem a leitura da história de Jesus…

Os filhos vão fazendo suas vidas e alguns seguem para lugares distantes.

Então noto que a idade avançou e fiquei muito mais sentimental, como agora quando escrevo isso…

(Minha sala enfeitada!)

Mas o Natal de Jesus não muda!

Ele permanece através dos séculos como a vinda de nosso Deus ao mundo.

De uma maneira serena e humilde como Ele sempre foi, nos amando tanto que veio até nós para nos dar nova vida.

Então deixemos as lembranças tristes de lado e comemoremos o Natal com gratidão e alegria!

FELIZ NATAL A TODOS!!!

 

“PORQUE DESDE A ANTIGUIDADE NÃO SE OUVIU, NEM COM OUVIDOS SE PERCEBEU, NEM COM OS OLHOS SE VIU UM DEUS ALÉM DE TI, QUE TRABALHE PARA AQUELE QUE NELE ESPERA.” Isaías, 64- 4

 

 

NÓS, MULHERES!

Há exatamente 11 anos, escrevi esse texto que achei nos meus guardados…(e continua atual).

Como estamos no mês da Mulher, segue, com todo o meu carinho!

Parabéns a todas as mulheres nesse dia 08 de março de 2018!

Àquela lá longe, na África, magra, alquebrada com seu filho morrendo nos braços…é dela esse dia!

Aqui perto de nós, a mãe do menino arrastado e morto e quantos mais enterrados pela violência…é delas esse dia!

Daquela professora que ensina nossos filhos e netos como se fossem seus…é dela esse dia!

Da mulher forte, guerreira, que luta por seus direitos, da atriz, da política, da doméstica, daquela que passa noites nos hospitais, cuidando, como anjos bons, aqueles que lá estão…é delas esse dia!

Da modelo, da empresária, da aeromoça, da servente, da secretária, daquela que sai com sua carteira de trabalho nas mãos procurando um emprego…é delas esse dia!

Da que cozinha, lava, passa, arruma, não ganha salário e ainda é, muitas vezes, agredida por seus companheiros…é dela esse dia!

Daquela que oferece ajuda a outros, da que com seu sorriso ilumina o dia dos que estão à sua volta, da escritora, da atleta, da musicista, da cantora, da arquiteta, jornalista, advogada, policial, designer…é delas esse dia!

E de tantas outras, sem nome nem sobrenome…também é delas esse dia!

E a nós, mulheres, que resumimos toda essa gama de profissões numa só, que temos o poder de mudar as coisas, de dar a vida…é nosso esse dia!

Que possamos com responsabilidade e amor, usar esse poder transformador para contribuir na construção de um mundo melhor!

Imagens: 1) freepik.com; 2) blogelartedeeducar.blogspot.com

“ENGANOSA É A GRAÇA, E VAIDADE A FORMOSURA, MAS A MULHER QUE TEME AO SENHOR, ESSA SERÁ LOUVADA.” Provérbios, 31- 30

 

 

 

 

BROINHAS DE FUBÁ

Essas broinhas de fubá me fazem lembrar de minha avó paterna, uma mineira que fazia essas “quitandas”.

Aí uma amiga, colega de tantos anos, a Maria de Lourdes, colocou essa receita no nosso whatsapp e corri fazer.

INGREDIENTES

5 colheres (sopa) de fubá

10 colheres (sopa) de farinha de trigo

2 colheres (sopa) de açúcar

1/2 colher (chá) de sal

3 ovos

75 gramas de manteiga

120 ml de leite

120 ml de água

Primeiro unte uma forma e polvilhe fubá.

Aqueça o forno a 220° (temperatura alta).

Coloque em uma panela o leite, água, açúcar, manteiga e sal e leve ao fogo.

Assim que começar a ferver adicione o fubá e a farinha de trigo mexendo bem para formar uma fina camada de massa seca no fundo da panela.

Retire e transfira para a tigela da batedeira e bata por mais ou menos 5 minutos até esfriar.

Adicione os ovos um a um, continuando a bater por mais 2 minutos.

Molde as bolinhas (eu peguei a massa com uma colher cheia) e vá colocando na forma. Polvilhe as broinhas com fubá.

Leve para assar por 15 minutos e depois diminua a temperatura do forno para 180° deixando assar por mais ou menos 20 minutos.

Fica uma delícia quentinha pura ou com manteiga.

Delícia!!!

“POIS QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO, SE PERDER A SUA ALMA? OU QUE DARÁ O HOMEM EM RECOMPENSA DA SUA ALMA?” Mateus, 16- 26

 

 

 

CHÁ DE NATAL DO DANIEL

Pois é… (adoro começar assim…) mais um netinho chegando!!!

E, como teve a Feijoada do Cesinha que já coloquei a receita para vocês, agora foi a vez de um churrasco (Maria Macia, é claro), saladas, maionese e o Risoto de Palmito da vovó (no caso eu).

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Como fiz anteriormente com os outros netos, (Isadora, Heitor e Cesar) é claro que nosso bebê também ganhou uma poesia!

DANIEL

O que dizer de mais um

presente vindo do céu?

Pois a alegria nos espera

em pleno mês de janeiro.

Um irmão para o Cesinha

que terá um companheiro.

E será ao certo, como aquele

que um dia Deus escolheu:

forte, bonito e sábio

orgulho dos pais e avós,

alegre como o maninho,

encanto de todos nós!

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(Essa é a carinha de alegria do maninho!)

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(Papai Paulo e mamãe Pati, recebendo os convidados.)

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(Picanha Maria Macia, feita no capricho pelo papai!)

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(Uma gostosura!!!)

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(As saladas, maionese e o risoto)

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(Vista geral: vejam uma sombrinha pendurada… chovia muito, mas não atrapalhou em nada o brilho da festa!)

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(Lembrancinhas para as crianças e potes de palha italiana para as mamães, tudo muito bem enfeitado pela mamãe Pati)

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E aqui o agradecimento do dono da festa: Daniel!

Foi tudo muito lindo e ficamos aguardando ansiosos a chegada de mais essa bênção em nossas vidas!

“ORA, A ESSES QUATRO JOVENS DEUS DEU O CONHECIMENTO E A INTELIGÊNCIA EM TODAS AS LETRAS E SABEDORIA; MAS A DANIEL DEU ENTENDIMENTO EM TODA VISÃO E SONHOS.” Daniel, 1- 17

TRICOTANDO AMOR…

E lá vou eu novamente relembrar passado!

Acho que isso é coisa da idade…

Mas é na hora em que escolho uma lã, agulhas e começo a tricotar é que aquele sentimento de avó toma conta de mim.

tricô

(Leiam também “Passeio por Curitiba com o tricô da vovó” e “Fazendo tricô“)

E enquanto a carreira termina e começo outra, as lembranças vão vindo nítidas e parece que vejo minha avó paterna que fazia maravilhas com suas agulhas.

E eu tão menina, a observar e a encher de perguntas, tipo:

-O que você está fazendo? Quando vai ficar pronto? Posso fazer um pouquinho?

Mas ela nunca ia embora de casa sem deixar pronto muitas meias, casacos e até vestidos!

São coisas tão boas prá se lembrar…

E meu tricô vai crescendo.

Estou fazendo uma manta para a boneca da minha neta Isadora.

bonecas

Já fiz muitas de muitas cores.

Mas essa é especial porque prometi a ela que quando viesse me visitar na casa nova, estaria pronta.

E como promessa é dívida, ela ganhou a mantinha para minha “bisneta”.

manta

E eu acho lindo vê-la conversar com suas filhinhas, enrolá-las para ficarem quentinhas e colocá-las para dormir…

isa e boneca

Minha pequena boneca Isadora, que nessa semana completa 7 anos, mãezinha em miniatura…

isa

Esse sorriso não tem preço…

“PODE UMA MULHER ESQUECER-SE TANTO DO FILHO QUE CRIA, QUE SE NÃO COMPADEÇA DELE, DO FILHO DO SEU VENTRE? MAS, AINDA QUE ESTA SE ESQUECESSE, EU, TODAVIA, ME NÃO ESQUECEREI DE TI.” Isaías, 49- 15

BRINCANDO DE DANÇAR

O que nos faz fazer uma menininha de quase três anos, linda e com uma disposição de dar inveja!

Claro, também já fui assim, sua mãe e tia também foram e, minha mãe, com certeza absoluta um dia também foi assim.

Mas agora eu sou avó!

E essa menininha consegue me transformar em bailarina, comer de mentirinha, dar banhos de faz de conta em suas bonecas, além de tricotar mantas coloridas para cada uma delas.

Mas é dançando que nos divertimos mais.

bailarinas-5-1024x756Na primeira vez, comecei a cantar a melodia do Danúbio Azul (Strauss que me perdoe) enquanto ela ensaiava seus passos de balé.

Aí não teve mais jeito: só queria dançar se eu cantasse essa música e mais, eu tinha que dançar junto com ela!

Coitada dessa avó… cantando e dançando ao mesmo tempo…

Foi quando ela resolveu que queria uma plateia para nos ver e aplaudir.

Resultado: a mãe com seu bebezinho de um mês no colo e a titia sentaram-se, rindo muito, munidas de suas câmeras para filmar o acontecimento.

Colocamos coroas na cabeça (imagina só), fomos atrás das cortinas da sala e eu com a voz empostada falei: “atenção, senhoras e senhores”, (afinal tínhamos um menino na plateia), “vamos apresentar o balé Danúbio Azul com Isa e sua avó”!

Palmas.

Abre a cortina.

Começo a cantar e dar os primeiros passos tendo o cuidado de ficar mais atrás.

E ela, como se fosse a própria primeira bailarina dançando no Municipal, rodopiava compenetrada e feliz, erguendo ora uma perna, ora os braços e pulando de um lado a outro.

desenho de bailarina

Minha voz já não acompanhava meus movimentos e então tratei logo de chegar ao “gran finalle”.

Fizemos uma mesura a espera dos aplausos.

Ela então me abraçou e aquele momento mágico me fez sorrir de alegria e encantamento.

Pequenos gestos, pequenas coisas, mas que fazem um coração de vó quase arrebentar!

Agora sim, compreendo o que minha mãe também fazia com tanto prazer.

Era a inimaginável felicidade de ser avó!

Imagens: 1. http://www.martacostapaineis.com.br

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