MEU PEDACINHO DE CHÃO

“Era uma vez um lugar chamado Vila de Santa Fé”.

Assim começou essa novela tão encantadora, cheia de pessoas simples, mostrando que existe vida, além de matanças, ciúmes e maus exemplos que cansamos de assistir a todo instante!

Quem não gostaria de morar nesse lugar encantado?

galo meu pedacinho...

Onde a neve cai de repente deixando tudo branquinho, onde a primavera enche de flores os caminhos, onde a locomotiva vem apitando pelas campinas, onde as crianças brincam sossegadamente, onde as mulheres se vestem com longos vestidos e onde existe a delicadeza de movimentos e música pairando no ar?

E esse faz de conta vai chegando ao fim…

Uma novela com um elenco tão enxuto, mas cheia de grandes nomes!

O que é o pequeno (no tamanho) Osmar Prado e que se tornou um gigante na pele do temível e adorável Coronel Epa?

O que é o formidável Antonio Fagundes que adota um andar puladinho, vestido de dono de bar como um Giácomo tão feio?

E o galã de outras novelas, Rodrigo Lombardi, que como Raj despertava suspiros e aparece agora como um barbudo analfabeto de nome Pedro Falcão?

Os verdadeiros atores são assim mesmo: nos encantam com suas atuações em qualquer papel que se nos apresente… grandes nomes que se dispuseram a deixar seus rótulos de galãs para enfeiarem em sua aparência, mas sem deixar de ser menos maravilhosos!

E ele se mostra apaixonado por sua esposa, a dona Tê (Inês Peixoto) que com seu acordeom deu vida à sua casa e chamando-o de “pai” se mostrou de uma versatilidade tão grande… sem dizer que eu nem conhecia essa atriz!

E aí vem a lindíssima Juliana Paes no papel da irriquieta Catarina que conquistava todos com sua risada aberta, escancarada, cheia de charme.

A “perfessora” Juliana (Bruna Linzmaier) com seus cabelos cor de rosa e que desperta a paixão no fabuloso Zelão (Irandir Santos).

Esse Zelão, sem saber, caiu nas graças de milhares de mulheres que o viram como um homem viril, sedutor e de uma sensibilidade tamanha!

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E o jovem Ferdinando (Johnny Massaro) que acaba conquistando o coração da indomável Gina (Paula Barbosa) e vivendo uma linda história de amor?

E por aí vem: Padre Santo, o tão querido Emiliano Queiroz; Rodapé (Flávio Bauraqui) com seu jeito esquisito, cantando enquanto tira o leite da vaca; Amância (Dani Ornellas), uma empregada metida e tão amada; Mãe Benta (Teuda Bara) tão especial no seu papel de benzedeira; o Prefeito das Antas (Ricardo Blat) que ficou praticamente irreconhecível nesse papel; Marimbondo (Fernando Sampaio), Izidoro (Raul Barretto), Rosinha (Letícia Almeida) um rosto lindo que acaba conquistando o solitário italiano Giácomo; Doutor Renato (Bruno Fagundes) em sua primeira novela; Tuim (Kauê Ribeiro de Souza) o amigo querido das duas crianças e mais um casal lindo: Milita (Cintia Dicker) com suas sardas e tranças e Viramundo (Gabriel Sater), romântico e com uma voz suave e gostosa de ouvir…

E tem o Galo Bené, testemunha dos grandes acontecimentos da Vila.

E, por último, as duas crianças que, para mim, foram a grande revelação da novela: Pituquinha (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomás Sampaio).

O que eram essas crianças lendo, ou melhor, devorando os livros de Monteiro Lobato?

E a vontade de aprender que as pessoas tinham e a atual crítica sobre a política brasileira, tudo de uma maneira sutil e verdadeira?

Esse vídeo abaixo vai levar vocês a uma viagem musical com todos os personagens dessa novela.

Não deixem de assistir: é emocionante “por demais” e a música Chuá Chuá é um clássico sertanejo lindo!

CHUÁ CHUÁ

Benedito Ruy Barbosa é o autor dessa novela encantadora que já está deixando saudades…

Que venham mais “pedacinhos de chão” para nos encantar e sonhar com novos “Zelões” e que nos levem a voar sobre jardins floridos…

Imagem 1: redeglobo.globo.com; imagem 2: blogs.odiario.com

TRÊS MULHERES ESPECIAIS

Trabalho há anos numa grande empresa e é interessante observar a diferença que existe entre as pessoas.

E nem sou psicóloga…

Primeiro passei a notar a Halina que é uma moça bem jovem e bonita.

Num meio em que, muitas vezes, as pessoas nem se conhecem e mal se cumprimentam, ela oferece o seu “bom dia” mavioso.

Isso mesmo: mavioso, de suave, terno, afável.

Quase vejo notas musicais saindo desse seu bom dia que ela oferece a todos, indistintamente.

– BOM DIA!

notas musicais

A segunda e não menos importante, é a Ana Carla.

Estávamos passando por um período de grande estiagem.

A grama, flores e arvorezinhas do nosso jardim estavam secas e tristonhas.

Aí, uma manhã, dois empregados da manutenção, chegaram com sua máquina Vap de lavar calçadas e começaram a esfregar o pátio demoradamente.

Algumas horas depois ela chega transtornada pedindo que parassem com aquilo, que era muita água sendo desperdiçada.

– São ordens! Responderam eles, continuando.

Ela então vai até a administração e conta o problema.

Mais tarde, ela que sempre se mostrou calma, contou-me que não tinha sido atendida, mas que tinha deixado registrado o seu protesto.

– Não adiantou nada! Disse ela tristemente.

lavadora VAP

Engano seu, minha amiga, são exemplos como o seu que nos fazem parar e pensar!

E a terceira é a Solange.

Nem trabalha mais conosco, mas talvez se soubessem de suas atitudes teria sido mais valorizada.

Nós usamos copos descartáveis para tomar água.

Como eles são muito frágeis, muitas vezes pegamos dois copos para ficar mais firme.

Um belo dia, ela chegou com um presente para todos do setor: um porta copos de plástico duro, perfeito para ser colocado o outro dentro.

– Assim não será preciso usar dois. Um só basta! Ela falou.

Em outra ocasião, na cozinha que fica ao lado, várias canecas e chaleiras ferviam água para o café.

A zeladora que o preparava não estava por ali.

Muitos tinham passado sem fazer nada.

Ela entrou, desligou a chama do gás para não ficar fervendo à toa.

Ninguém viu… só eu, mas foi um exemplo maravilhoso de alguém que, sem se mostrar, fez a sua parte.

chaleira

E eu fiquei pensando com meus botões: ainda bem que existem pessoas como essas mulheres que oferecem sorrisos, que se importam com o meio ambiente, que sabem a importância do poupar!

Nem tudo está perdido!

No final do túnel, existe luz!

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Imagens: 1) pensando.dihitt.com; 2) http://www.americanas.com.br; 3) http://www.robsonpiresxerife.com; 4) andretaka.wordpress.com

 

DIA DOS NAMORADOS/ PRIMEIRO JOGO DO BRASIL

UAU!!!

As duas comemorações juntas?

Como vai ser?

coração verde e amarelo

Muito se tem escrito sobre o Dia dos Namorados e a estreia do Brasil na Copa e muito tenho lido sobre isso.

Sobre o primeiro, confesso que já nem comemoro mais… meus tempos de namoro já estão bem longe.

Sobre o segundo, sim: gosto de futebol!

Torço e sofro pelo meu time.

Assisto às partidas na TV e, quando não passa, ouço pelo rádio.

Agora, a Copa do Mundo é ainda mais emocionante!

Todos torcemos juntos pelo nosso país.

Penso e fico triste ao lembrar do desperdício de dinheiro, o uso desmedido dele e o quanto poderia ter sido feito em prol de uma vida mais digna para milhares de brasileiros que, esquecidos da dor, do sofrimento e da vergonha, vão pular, torcer e gritar hoje, na hora em que o jogo começar e, como eu, vestir o verde e amarelo.

E passo a observar o casal de namorados que se prepara para assistir o jogo na sala onde estou.

Os dois com a camisa da seleção.

Ele, ansioso, mal olha para ela, parece estar concentrado, contendo a respiração.

Ela, a olhar para ele, pegando em sua mão, esperando palavras ou gestos de carinho nesse dia que é dos dois.

– Será que ele se lembra? Será que comprou alguma coisa para mim?

E começa o jogo e as vozes de um Brasil inteiro cantam unidas ao bater de um só coração… bem próprio para hoje!

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E termina o espetáculo!

E é quando ele se lembra de olhar ao lado e tira da mochila um presente para ela.

Ela sorri feliz e rasga o papel, curiosa, retirando algo de dentro.

Chego mais perto ao ver a decepção estampada no rosto dela!

– Completo! Ele diz com ares de vitória!

Em suas mãos o presente: um álbum de figurinhas da Copa…

Imagens: 1) seuperfilmega.blogspot.com; 2) portalcapacitar.com.br

O SORRISO DO GATO DA ALICE

Passei minha infância lendo muitos livros de histórias e, uma das que mais gostava, era a de Alice no País das Maravilhas.

Depois de ler e reler muitas vezes ganhei o disco, pequeno, colorido, 78 rotações que ouvia em minha vitrola de 6 pilhas gigantes que acho nem existir mais.

Colocava do lado 1 e depois virava para ouvir o lado 2.

Depois de adulta quando vi pela primeira vez um CD, pedi para ouvir o outro lado… minha filha riu muito de mim!

Voltando a Alice, era encantadora as peripécias daquela menina loira, vestido azul rodado e que perseguia o Coelho Branco, conversava com as Lagartas, brigava com a Rainha de Copas, aumentava e diminuía de tamanho.

alice

Sabia a história inteira de cor e cantava todas as músicas dela.

Agora o que eu mais gostava mesmo, era do Gato!

gato

Ele tinha uma voz vagarosa, quase arrastada e, do alto da árvore, conversava com Alice.

Aos poucos ele ia sumindo, às vezes ficava visível só sua cabeça, outras vezes só o seu longo rabo, mas quase sempre ficava somente seu sorriso.

Só o sorriso, sem corpo, naquele fundo escuro!

Quando tive meus filhos, contei e recontei a mesma história.

Dei a eles o livro, bem mais colorido e ilustrado e o disco, que já era um long play, e a história encantou a eles também.

Fizemos então uma associação das imagens do sorriso do Gato com a lua no céu em sua fase minguante… céu escuro e aquela lua lá em cima sorrindo…

lua

– Mamãe, olha lá no céu o sorriso do Gato da Alice!

Para quem está de bem com a vida, olhar para o céu e ver um sorriso… não tem preço!

Imagens: 1) http://www.planetadisney.com.br; 2) variedadesnotaveis.blogspot.com; 3) aversatil.wordpress.com

PARECENÇAS

Que somos todos pedacinhos de nossos antepassados, isso já sabemos.

Mas o que eu não tinha consciência é de que, quanto mais idosa vou ficando, mais essas semelhanças vão acentuando.

Em minha juventude quando alguém me achava parecida com minha mãe ou meu pai, eu nem gostava muito porque os via como velhos, cabelos brancos, rugas, etc, mas agora que estou como eles eram, nem me acho tão velha assim.

Ah, essas parecenças…

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Começou dias atrás em que eu escrevia um texto e quando olhei para minha letra, jurava que era meu pai quem acabara de escrever!

Aquela caligrafia inconfundível dançava em frente aos meus olhos pasmos!

E o jeito “mineirês” de falar, então: palavras que só meu pai falava e entendia e que eu aprendera há tanto tempo e agora repetia…

Outro dia, vesti um casaco vermelho (minha mãe adorava vermelho) e fiz um gesto para abrir e mostrar à minha filha; ela parou de boca aberta me olhando e disse:

– Mãe, você fez igualzinho a vovó!

Depois, num domingo, fui almoçar com minha irmã.

Eu acabara de cortar o cabelo bem curto e enquanto conversávamos coloquei meus óculos para ler o que ela me mostrava.

– Meus santo, mana! Nunca te achei parecida com a mãe, mas você está igual a ela! Disse com olhos arregalados…

Achei um exagero dela!

Na manhã seguinte ao escovar meus dentes, dei de cara comigo no espelho: não era eu, era minha mãe me olhando espantada!

Sorri para ela que era eu e, nesse momento, tantas coisas vieram à minha mente: um passado gostoso onde pai e mãe eram toda minha estrutura, meu amparo, minha força.

É, os anos passam!

E nem que não queiramos (o que não é o meu caso) lá está em nós um pedacinho dos que foram antes de nós.

E, por certo, lá na frente haverá pedacinhos de mim em outros rostos de pessoinhas do futuro.

É bom saber que não morremos!

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Imagens: 1) nuvemdeestrelas.blogspot.com; 2) wp.clicrbs.com.br

 

A CHEGADA DA GELADEIRA

É inacreditável!

Nesses tempos de hoje em que nesse exato momento uso um computador para escrever, falo com minha filha na África como se ela estivesse aqui na esquina e vejo folhas saindo do fax, começo a lembrar das dificuldades que tínhamos há pouco tempo atrás.

Quando eu tinha meus nove anos (parece que foi ontem), vivia com minha família em uma pequena cidade do interior do Paraná, Sengés.

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Lembro de um rio que atravessava a cidade e passava bem nos fundos de casa; de um cinema que funcionava atrás de um bar com cadeiras que mudávamos de lugar a nosso bel prazer.

Lá assisti filmes ao lado de minha mãe, que adorava cinema.

“A Fonte dos Desejos” e “Marcelino Pão e Vinho” foram alguns.

Lembro da escola onde estudava e “briguei de puxar cabelo” pela primeira e última vez em minha vida, por causa de uma colega que insistia em caçoar da maneira com que eu respondia a chamada: “presentiii”.

Era meu jeito “mineirês” de falar (hoje isso seria chamado de bulling)…

E tinha a nossa casa.

Grande, de esquina, no final de uma descida onde, numa manhã, um caminhão sem freios entrou por dentro dela fazendo enorme estrago!

Ainda bem que não brincávamos na varanda naquele momento!

E foi, num belo dia, que ao olharmos pela janela, vimos uma carroça trazendo da loja a nossa tão sonhada geladeira!

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Papai já nos contara a novidade e esperávamos aflitos esse dia chegar.

Ela foi colocada triunfalmente em nossa sala de jantar!

A cozinha era pouco para ela!

Meu pai a ligou na tomada, mamãe passou um pano com cuidado e colocou as forminhas com água para fazer gelo enquanto nós ficávamos ali olhando e esperando como “galinhas chocas” ele ficar pronto.

Como éramos felizes em nossa simplicidade!

Acabamos ficando todos com dor de garganta pois nunca roemos tanto gelo e tomamos tanta água gelada!

Ontem passei por uma loja de eletrodomésticos e fiquei pasma com a sofisticação e preço das geladeiras modernas!

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Na minha mente veio aquela cena da carroça trazendo aquele hoje “elefante branco” que nos deixou maravilhados.

Por certo, daqui há alguns anos, alguma pequena menina de hoje, vai escrever uma crônica sobre certas geladeiras de sua infância que nem sabiam falar…

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia”)

Imagem de Sengés: http://www.rotadostropeiros.com.br

A MÃE QUE VIROU LOBO

Estávamos, há muitos anos atrás, em uma pequena cidade de Minas onde o trilho do trem cortava toda a cidade.

Ele vinha apitando forte nas curvas, menos na Sexta Feira Santa quando não se podia falar alto, nem assobiar, muito menos ligar o rádio em casa.

Assobiar o vovô não deixava mesmo!

– Mulher distinta, não assobia!

E eu que estava longe de ser mulher e nem sabia o que era distinta, apenas obedecia sem graça.

E lá ia o tempo passando, devagar, porque tudo ali era sem pressa.

Foi quando mamãe resolveu brincar “de mentirinha” comigo.

– Sabe, querida, que às vezes eu viro lobo?

– Como assim? Perguntei.

– Eu vou andando pelos trilhos até aquela curva e quando volto, sou um lobo.

Fiquei pensando, pensando e resolvi que queria ver.

– Quero ver, mãe, se isso é verdade!

– Pois então veja, mas não vale chorar!

E lá fiquei eu, na beira do trilho enquanto ela desaparecia na curva.

Nem lembro bem o que se passou na minha mente àquela hora: medo, angústia, dúvida…talvez!

E ela voltou.

lobo mau

Era um lobo, andando sobre duas pernas, com as roupas de minha mãe mas a cara de um lobo.

Horrorizada, corri até ele abraçando sua cintura e gritando:

– Não, mamãe! Não quero você lobo! Por favor! Vire minha mãe outra vez!

E mamãe me abraçava sorrindo dizendo:

– Mas sou eu, filhinha, sua mãe!

E eu com os olhos fechados, respondia:

– Não! É o lobo! Volte, mamãe!

E assim ficamos abraçadas, durante muito tempo!

mãe e filha

Muitos e muitos anos depois, quando nos reunimos para conversar, sou alvo das risadas de todos e ainda juro que vi minha mãe virar lobo.

E ela quando perguntada, sorri enigmaticamente e sacode a cabeça como quem diz:

– Quem sabe?

(Do meu livro Confidências ao Meio Dia, com um segundo título: O PODER DA SUGESTÃO)

Imagens: 1) http://www.popscreen.com; 2) galeria.colorir.com

 

O DIA EM QUE CONHECI O MAR

Eu acabara de completar doze anos.

Menina ainda, magrinha, curiosa e cheia de energia quando desembarquei do trem na estação da pequena cidade de Antonina, litoral do Paraná.

Cidade histórica com um porto que teve seus dias de glória e, agora, tristemente abandonado, com sua gente calma, sentada em cadeiras nas calçadas vendo o tempo passar.

E foi ali que chegamos, vindo das Minas Gerais, para morarmos.

Nem bem deixamos as malas na casa do velho casal que iria nos hospedar por um bom tempo até acharmos uma para alugar, corremos pelas ruas estreitas de paralelepípedos gastos, até o Mercado Municipal que era a “porta” do mar.

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Ali eu parei, olhando, absorvendo cheiros, sentindo na pele o vento passante que desmanchava meus cabelos.

E fui caminhando como uma encantada até ele.

– Tire seus sapatos! Ouvi meu pai falando.

E depressa tirei, sentindo na planta dos pés o roçar da areia úmida fui caminhando enquanto ouvia minha mãe, braços abertos, cantarolar Caymi: “o mar, quando vai lá na praia, é bonito é bonito, é bonito demais”.

E lá na beirada, onde as ondas vinham aos poucos se chegando, eu parei.

Lembrei do que me disseram sobre a água do mar ser salgada e olhei para meu pai que, adivinhando meu pensamento, mandou que eu molhasse meus dedos nela e experimentasse: provei, senti seu sabor e experimentei novamente para acreditar.

Então entrei na água, molhando todo o meu vestido rodado!

As ondas me saudavam suaves enquanto gaivotas faziam festa sobre nossas cabeças.

O sol se despedia tranquilo e o mar me recebia com seus “braços” abertos (se braço os tivesse) e me oferecia toda sua grandeza, seu poder, sua magia envolvente.

E eu me apaixonei por ele!

Estava feliz por poder morar ali onde teria todo o dia, o dia todo, esse mar para mim!

E muitas alegrias em minha vida, tiveram o mar como testemunha: pescarias, passeios de barco, muitos amores…

Dizem que o mineiro ama o mar porque não o tem, mas a recíproca foi verdadeira, a sintonia foi real.

Ah, mar!

antoninaImagens: 1) rapps.ademadan.org.br; 2) specialparana.com

 

 

 

A CONTADORA DE HISTÓRIAS

Minha mãe contava histórias.

E como era maravilhoso ouvi-la!

Através de seu dom nos fazia “viajar” com ela naquele passeio imaginário que conhecia tão bem.

E nos reuníamos: filhos, amigos, empregada, agregados e quantos mais pessoas houvesse, já perguntando uns aos outros que história seria.

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Algumas ela contava em capítulos (foi uma precursora das novelas de agora…) e nós adorávamos!

Uma vez, ela que terminava o curso de piano na capital, ficou vários dias fora e, quando voltou, passou a nos contar os filmes que assistira no cinema: A Noviça Rebelde e Sissi.

Naquela noite, estávamos eufóricos esperando mamãe começar.

Era como um teatro: sentávamos à sua frente em meia lua num silêncio total e a magia começava.

Foram noites memoráveis!

Seus olhos brilhavam, suas mãos acompanhavam em gestos os acontecimentos e sua voz ora baixava num sussurro ora erguia em tom mais alto quando era necessário.

Eu “via” em minha frente aquela fila de moças bonitas em seus vestidos longos e rodados, esperando o príncipe fazer a sua escolha.

E ele passava por elas com um buquê de rosas vermelhas para entregar à sua escolhida que era, nada mais nada menos, que Sissi com seus cabelos vermelhos e ar de menina levada.

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O suspense era geral e ela parava propositadamente nos momentos mais importantes.

No dia seguinte, lá estávamos todos nós novamente, esperando a continuação da história.

Minha mãe tinha nos enfeitiçado!

Era como uma mão poderosa segurando um fio que manipulava nossas vidas.

Hoje, tanto tempo depois, sou grata por esse privilégio que tive, num mundo onde poucas pessoas o tem.

É dela que puxei esse dom e esse é o início de muitas histórias que vou passar a contar.

Em tempo: quando fui assistir aos filmes, nem de longe me foram tão lindos quanto aos que ouvi minha mãe contar!

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(Do meu livro Confidências ao Meio Dia)

Imagens: 1. anjosdecristal.blogspot.com; 2. abitconfusing.blogspot.com; 3. analisedecinema.blogspot.com

 

 

 

CARTA ÀS CRIANÇAS

(Sobre a campanha “Vamos cuidar do nosso Planeta”).

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Já desisti dos adultos.

Eles ouvem, concordam e não agem.

Se reúnem, dialogam, firmam contratos e não cumprem.

Minha esperança são vocês, crianças.

Jesus há muito tempo atrás, já sabia disso ao dizer: “não as impeçam”, “é delas o reino”.

Dos céus e da terra também!

Essa terra ignorada, maltratada e roubada!

Gigante adormecido, acorda!

Só porque não temos vulcões expelindo lavas e cinzas, trazendo pânico à rota de seus aviões; porque não temos terremotos devastando e matando populações inteiras; porque não temos tsunamis varrendo praias e inundando vilas; porque não temos tornados e furacões assombrando cidades?

Porque temos um país rico, com florestas, praias imensas, fauna diversa, flora exuberante, céu de tanto azul, povo alegre e unido em sua diversidade de cultura e costumes?

Alôôôôôôôô!!! Isso tudo acaba!

E o que fazem os adultos?

Elegem governantes que não se preocupam com nada nem ninguém a não ser eles próprios, que trazem para “trabalhar” com eles membros podres de suas famílias para continuarem a roubar, desdenhando o amanhã.

Então, só nos restam vocês, crianças!

São vocês que separam o lixo, que com carinho cuidam dos animais, que escrevem nos dois lados das folhas de seus cadernos, que guardam seus livros para doar para os próximos alunos, que fecham a torneira enquanto ensaboam as mãos, que apagam as luzes dos quartos vazios, que nunca jogam papéis no chão nem latas e garrafas vazias em rios, que respeitam e dão lugar aos idosos, que atravessam a rua na faixa de pedestres, que não picham muros e paredes, pois isso são coisas que só adultos fazem.

Crianças, vocês são a esperança de pessoas que, como eu, se sentem sozinhas e cansadas para lutar.

Queremos e não conseguimos, nos falta garra e otimismo e isso vocês tem de sobra.

Tem a juventude, a disposição, a inteligência, os auxílios da comunicação cada vez mais fantásticos!

E tem a inocência, o perdão e a esperança em seus corações.

Como não entregar a vocês essa tarefa?

Por favor, cuidem do nosso planeta!

Ele é de vocês!

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(Do meu livro “Confidências ao Meio Dia”)

Imagens: 1- http://www.aprimorar.com; 2- http://www.unicefkids.org.br