FINADOS- SEM ADEUS

“AQUILO QUE ESTÁ ESCRITO NO CORAÇÃO NÃO NECESSITA DE AGENDAS PORQUE A GENTE NÃO ESQUECE.  O QUE A MEMÓRIA AMA FICA ETERNO…” Rubem Alves.

Rosa-coracao

SEM ADEUS

MÃE…

ATÉ HOJE CHORO

COM A SUA PARTIDA.

OS SONS DO PIANO,

A RISADA GOSTOSA,

O CHEIRO DA SUA COMIDA.

—–

MÃE…

AINDA SINTO

SEU ABRAÇO TÃO QUENTE,

SEU PERFUME,

SUAS MÃOS SOBRE AS MINHAS,

SUA VOZ TÃO PRESENTE.

—–

MÃE…

FAÇA FESTA NO CÉU!

ENSINE OS ANJOS A CANTAR,

MOSTRE O QUE VOCÊ FEZ

NA TERRA, PRÁ TANTA GENTE,

VOLTE MEUS SONHOS EMBALAR.

—–

MÃE…

SEPARE UM LUGAR PARA MIM.

AÍ, BEM AO LADO DE DEUS.

AFINAL, É UM “ATÉ LOGO”,

PRÁ NÓS,

QUE NUNCA NOS DEMOS “ADEUS”.

—–

flores

Essa poesia que fiz, dediquei à minha mãe logo que se foi após um infarto fulminante, não dando tempo para nos despedirmos.

Com ela, lembro meu pai e através dessas lembranças, faço uma homenagem a todos aqueles que, nesse dia, recordam dos seus com saudades. 

Imagens: 1) dankamachine.blogspot..com; 2) fanficcountonme.tumblr.com

“O SENHOR O DEU E O SENHOR O TOMOU; BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR.” Jó 1- 21

CIDADES ONDE MOREI: 8- CURITIBA (1ª PARTE)

E cá estou eu de volta com a série sobre “Cidades onde morei”…

Morar em Curitiba sempre foi o sonho dos meus pais e foi assim que chegamos.

O ano era 1964 e eu completando 16 anos.

instituto

Entrei no Instituto de Educação do Paraná para fazer o curso Normal, hoje Magistério e comecei a namorar sério aquele que veio a ser meu marido.

Nesses três anos de curso todas as moças eram noivas ou estavam com data marcada para o casamento e era o que meus pais esperavam de mim: ser professora normalista e casar.

E assim foi.

beatles

E foram anos de inúmeros acontecimentos marcantes no Brasil e no mundo: Beatles (eu sempre preferi Elvis Presley), o homem pisando na lua, festival de Woodstock, guerra do Vietnã, Jovem Guarda, Pelé, O Pasquim, etc, etc, etc.

Bem, terminei o curso, dei aulas no Instituto Maria José que ficava na rua Dr. Murici, bem no lugar onde hoje temos um viaduto e… casei.

curitiba anos 60

(Praça Rui Barbosa daquele tempo)

Tendo meu marido passado no concurso para Juiz de Direito, arrumamos nossa mudança e fomos morar no interior do Paraná, uma cidade que pertencia à primeira instância e onde começamos nossa jornada.

E segue um poema da nossa eterna Helena Kolody.

CURITIBA, CIDADE-MENINA
Curitiba, cidade menina
paisagem do meu amanhecer.
Por toda parte, a marca de meus passos,
o fantasma de meus sonhos.
Jardins, pomares,
pinheiros e mais pinheiros,
onde moravam sabiás cantores
e bem-te-vis moleques
As torres da Catedral
olhavam por cima dos sobrados.
Carroças de Santa Felicidade
trepidavam no calçamento das ruas
e faziam tremer a voz cantante
das colonas italianas:
– “Qué comprá lenha,
batata doce, repolho,óvo!”
Bondes elétricos circulavam, vagarosos,
do centro para os bairros.
Perdia-se nos longes
o pregão do peixeiro português:
-“Pei…..xe! Camarão!”
Corria pelas ruas
o anúncio dos pequenos jornaleiros:
– “Gazeta do Dia”
– “Diário da Tarde!”
Estudantes eletrizavam a cidade
com sua ruidosa juventude.
Acotovelavam-se risos e conversas de crianças,
pombos brancos a caminho da escola.
Recordo Curitiba adolescente..
Uma névoa de saudade
me envolve o coração.
Helena Kolody 1997
Helena e eu 001
Para ler um poema meu sobre Curitiba, você clica em: Curitibano.
Imagens: 1) institutoerasmopilotto.blogspot.com; 2) beatlemania.musicblog.com.br; 3) publicar-atualidades.blogspot.com
” DISSE JESUS: O CÉU E A TERRA PASSARÃO, MAS AS MINHAS PALAVRAS NÃO HÃO DE PASSAR.” Mateus, 24- 35.

CIDADES ONDE MOREI: 2. LONDRINA-PR

E eu com três anos e meio, diretamente das Minas Gerais, fui morar em Londrina, no Paraná, uma cidade que cresce a cada dia!

De uma cidade produtora de café para outra cuja riqueza era o café.

mapa

É a segunda cidade mais populosa do Estado e seu nome tem origem em Londres (capital da Inglaterra e Reino Unido).

vista

Lá meu pai dava aulas de Português em colégios e minha mãe, aulas de piano em casa.

Foi quando nasceu minha irmã Ângela para alegria minha que só tinha um irmão mais velho (Ciro) e que já virou um “pé vermelho” voltando a morar lá há muitos anos.

Melhor para nós que podemos voltar!

aérea

E, aqui vai um poema lindo sobre ela, de ninguém nada mais, nada menos que Cora Coralina!

Homens pioneiros
chegaram de longe
cheios de Fé.
Na terra vermelha,
no seio da mata,
na cova profunda
plantaram café.

Vanguardeiros.
Braços possantes
ergueram a cidade
na terra distante.

Homens vieram,
mulheres, meninas.
Casadas, solteiras,
perdidas e achadas.
Alvas. Morenas. Cafusas.
Mescladas.

Unidos, reunidos
criando a riqueza
nas terras escuras
roxo-vermelha do Paraná.

Planta. Replanta.
Trato. Colheita.
Peneiras. Terreiros. Poeira.
Carretas, machados, arados.
Serras. Serradores. Serrarias.
Toras, galhadas e troncos.
Machadeiros. Galpões.
Homens – mulheres – meninos.
Luta. Trabalho.
Terras – Norte do Paraná.

O chamado da terra.
O apelo da gleba.
O homem presente.
Londrina nasceu.
Londrina cresceu.
Baliza altaneira.
Porta-bandeira
levando um brasão.
Caminha adiante,
plantando cidades,
nas terras vermelhas
do Paraná.

Riqueza. Abastança. Cultura.
Seus homens unidos
lutando valentes
na terra feraz,
nem clamam, nem pedem.
Fartas ofertas,
as fontes abertas
– sugando.
Seus homens sorrindo,
suas sobras caindo,
num crivo sem fim.

O trigo dourando
a terra padrão.

Dizendo fartura,
certeza de pão.
A cana acamada
vestindo de verde
a terra lavrada.

Cafezais montam guarda
e mandam a mensagem
da terra vermelha –
do Paraná.

Entradas. Estradas.
Picadas, balizas
avançam pra frente.
Rodagens. Asfalto.
Carroças. Carretas. Tratores.

Apitos de usinas.
Motores. Vapores.
Criadores. Currais.
Riqueza que espelha
a terra vermelha
do Paraná.

Giram-girando
às voltas do sol
os campos floridos
dos girassóis.
O rami alastrado,
conjugado
ao verde entonado
das amoreiras.
E os grandes ranchões
do bicho-da-seda
fiando a riqueza
da terra vermelha
do Paraná.

No fim a estória contada,
a estória acabada.
O Pioneiro – vencedor e vencido
já velho e abatido,
descansa caído
vestindo a mortalha
de uma terra vermelha
que bem trabalhou.

©CORA CORALINA
In Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais, 1965

londrina lago

“O SENHOR, POIS, É AQUELE QUE VAI ADIANTE DE TI; ELE SERÁ CONTIGO, NÃO TE DEIXARÁ, NEM TE DESAMPARARÁ; NÃO TEMAS, NEM TE ESPANTES”. Deuteronômio, 31-8

Imagens: 1) pt.wikipedia.org; 2) ibiscoito.com; 3) imoo.com.br; 4) http://www.blessviagens.com.br

CHUVA DE VERÃO

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ENTRO.

Vem como se fosse a pior das tormentas.

Olho antes para o céu escuro

com nuvens que chegam sedentas

tangidas pelo vento.

—–

ESCUTO.

O rugido dos trovões se faz ouvir no clarão.

As árvores se dobram

e seus galhos lambem o chão

coberto de folhas que por ele rolam.

—–

ESPERO.

E ela cai com força.

Como uma sinfonia perfeita

nos sons cristalinos de poças enchendo,

bueiros vazando, calhas escorrendo.

—–

ASPIRO.

Aquele cheiro de terra molhada

me faz sonhar…

E a água benfazeja banha as flores,

lava as folhas, limpa o ar.

—–

OLHO.

Já vai passando e o céu, aos poucos,

vai de azul se tingir.

Os passarinhos tornarão a cantar

e penso que, por certo, à noite,

a lua imensa, redonda, irá brilhar.

Posso sair!

lua

Imagens: 1) http://www.cetesb.sp.gov.br; 2) zenipa.blogspot.com

(Do meu livro: Um Pouco de Mim)