Ontem, 20 de outubro, foi o dia do Poeta.
E, como já dizia Pessoa, o poeta é um fingidor…finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.
E cá estou eu, comemorando a data com mais uma poesia minha, fingindo ser poeta…
A MULHER NUA
Ela se deixou ver.
– Vejam, olhem como sou!
Gritava ela.
E o espanto estampou-se
em rostos enigmáticos,
assustados.
Abrindo os braços,
mostrava toda a dor sentida
no corpo e na alma.
Incompreendida
pelo mundo,
sofrendo sem amor.
Que passava em sua mente
nesse instante de abandono cruel?
Era como um rio caudaloso
levando sua dor
tal qual
um barco de papel.
Alguém perto protegeu-a
com um manto qualquer.
E ela se foi,
coberta a nudez,
sem destino, na luta pela vida,
apenas, mais uma mulher.
Sílvia Fernandes-escritora
Desenho: dreamstime
“AGORA, POIS, MINHA FILHA, NÃO TEMAS; TUDO QUANTO DISSESTE TE FAREI, POIS TODA A CIDADE DO MEU POVO SABE QUE ÉS MULHER VIRTUOSA.” Rute, 3- 11
