POETIZANDO… VINÍCIUS DE MORAES

Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, escritor, compositor e diplomata brasileiro.

É autor de “Soneto de Fidelidade”, uma das mais importantes obras da literatura Brasileira, da peça “Orfeu da Conceição”, e ainda, um dos precursores da Bossa Nova no Brasil.

Foi durante a segunda fase do modernismo no Brasil que Vinícius de Moraes teve destaque com suas poesias eróticas e de amor.

No período de 1949 a 1951, entra em contato com expoentes da literatura, como o pernambucano João Cabral de Melo Neto – que contribui para a publicação do poema Pátria. Passa a conviver com o chileno Pablo Neruda e o pintor Di Cavalcanti.

No regresso ao Brasil, em 1951, volta a trabalhar no jornalismo, desta vez no Última Hora, onde colabora por meio de crônicas e permanece na crítica cinematográfica.

Lança sua antologia poética, “A Noite”, trabalho que conta com a atuação de Manuel Bandeira na organização.

As parcerias com João Gilberto e Tom Jobim se revelam promissoras em 1959 com o movimento denominado “Bossa Nova”e suas composições são interpretadas por João Gilberto no disco “Chega de Saudade”.

Frases

  • Eu talvez não tenha muitos amigos, mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter.”
  • Eu poderia, embora não sem dor, perder todos os meus amores, mas morreria se perdesse todos os meus amigos.”
  • Se o cachorro é o melhor amigo do homem, então uísque é o cachorro líquido.”
  • Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.”
  • A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nesta vida.”
  • A vida é a espera da morte. Faça da vida um bom passaporte.”

“GRAÇAS TE DOU, Ó SENHOR, PORQUE, AINDA QUE TE IRASTE CONTRA MIM, A TUA IRA SE RETIROU, E TU ME CONSOLASTE.”Isaías, 12- 1

POETIZANDO… ALPHONSUS DE GUIMARÃES

Alphonsus de Guimaraens (ou Afonso Henriques da Costa Guimarães) nasceu em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Minas Gerais. Além de poeta, foi promotor, juiz e jornalista.

A morte de sua primeira noiva — a prima Constança — fez com que o escritor passasse a ver a realidade com os olhos da tristeza.

Assim, o autor, que faleceu em 15 de julho de 1921, fez parte do simbolismo brasileiro e produziu melancólicas poesias, caracterizadas por uma linguagem simples, além do uso de aliterações e sinestesias. Devido à perda de sua amada, é também recorrente, em seus textos, a presença da mulher idealizada e da temática da morte.

“A melancolia é mais um traço característico de sua poesia, cujas temáticas recorrentes são solidão e morte.”

Mas há outros temas na obra de Alphonsus de Guimaraens: a solidão, por exemplo, agravada pela percepção da dualidade entre corpo e alma; o isolamento experimentado pelo homem ao entrar nas imensas catedrais (imagem do homem em contato com Deus); a loucura, como efeito da angústia para romper a distância entre o celestial e o terreno; e a desilusão, como se o belo e o perfeito tivessem sido subtraídos da condição humana.

Ainda que tenha explorado a prosa, foi na poesia que Alphonsus teve maior destaque. De sua obra poética destacam-se: Setenário das dores de Nossa Senhora (1899) Dona Mística (1899).

“A MINHA ALMA DISSE AO SENHOR: TU ÉS O MEU SENHOR; NÃO TENHO OUTRO BEM ALÉM DE TI.” Salmos, 16- 2

UM ANO DE PORTUGAL

Hoje está fazendo exatamente um ano em que pisei pela primeira vez em solo português!

Dei uma parada nos posts sobre “Poetizando” porque vale a pena recordar!

Escrevi muito sobre os dias que passei lá e podem ver os posts a partir do primeiro: Portugal-1- Lisboa e seguir por todos os outros lugares.

Difícil escolher entre tantas fotos algumas delas…

(Padrão dos descobrimentos)

(Torre de Belém)

(Miradouro do Adamastor-Lisboa)

(Livraria Lello- Porto)

(Cascais)

(Sintra)

(Évora)

(Castelo de São Jorge- Lisboa)

Lembranças tão bonitas, tão cheias de encantamento!

Agradeço a Deus pela oportunidade de conhecer esse país tão cheio de histórias!

Recordar é viver!!!

“DISSO ME RECORDAREI NO MEU CORAÇÃO; POR ISSO, TENHO ESPERANÇA.” Lamentações, 3- 21

POETIZANDO… FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Fernando Pessoa já foi considerado por especialistas de sua obra como o mais universal poeta português.

O poeta criou vários heterônimos (autores fictícios, com características próprias). Os heterônimos mais conhecidos de Pessoa são: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares.

Foi em 1902 que publicou seu primeiro poema — “Quando a dor me amargurar” — no jornal O Imparcial, em Lisboa, enquanto estava de férias em seu país natal.

O seu poema mais famoso foi longo: “O guardador de rebanhos”, e abaixo um trecho:

“Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Em fevereiro de 2024 tive a alegria de estar em Lisboa e ver cada cantinho por onde Fernando Pessoa passou: Portugal 10- Fernando Pessoa.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”Fernando Pessoa- Aquela frase que faz todo sentido.

“ANDA COM OS SÁBIOS E SERÁS SÁBIOS, MAS O COMPANHEIRO DOS TOLOS SERÁ AFLIGIDO.! Provérbios, 13- 20

POETIZANDO… MANUEL BANDEIRA

Manuel Bandeira foi um escritor brasileiro, além de professor, crítico de arte e historiador literário. Fez parte da primeira geração modernista no Brasil.

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1886, no Recife, Pernambuco.

Aos dez anos de idade mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II entre os anos de 1897 a 1902. Mais tarde, formou-se em Letras.

Com uma obra recheada de lirismo poético, Bandeira foi adepto do verso livre, da língua coloquial, da irreverência e da liberdade criadora. Os principais temas explorados pelo escritor são o cotidiano e a melancolia.

Na Academia Brasileira de Letras (ABL), Manuel Bandeira foi o terceiro ocupante da Cadeira 24, eleito em 29 de agosto de 1940.

Em 1903, começa a estudar Engenharia na Faculdade Politécnica em São Paulo. No entanto, abandona o curso, pois sua saúde fica frágil.

Diante disso, procura curar-se da tuberculose em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Suíça, onde permanece durante um ano, e, de volta ao Brasil, em 1914, dedica-se a sua verdadeira paixão: a literatura. Durante anos de trabalhos publicados em periódicos, publica seu primeiro livro de poesias intitulado “Cinza das Horas” (1917).

Seus poemas mais famosos são Os sapos e Vou-me embora pra Pasárgada.

Faleceu no Rio de Janeiro, aos 82 anos, em 13 de outubro de 1968, vítima de hemorragia gástrica.

“OUVE A VOZ DAS MINHAS SÚPLICAS, QUANDO A TI CLAMAR…” Salmos, 28- 2

POETIZANDO… ADÉLIA PRADO

Adélia Prado é uma escritora mineira. Ela nasceu em 13 de dezembro de 1935 na cidade de Divinópolis, no estado de Minas Gerais. Mais tarde, trabalhou como professora, foi diretora de um grupo de teatro e chefiou a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis.

Foi professora durante 24 anos até se dedicar por completo à carreira de escritora e foi também a primeira mulher premiada na categoria Conjunto da Obra, pela contribuição à literatura brasileira, no concurso Literatura do Governo de Minas, em fevereiro de 2023.

Adélia Prado escreveu seus primeiros versos aos 15 anos, quando sua mãe morreu. Exerceu o magistério em Divinópolis, mas o sucesso como escritora a fez abandonar a carreira, depois de 24 anos. Casou e teve cinco filhos.

É autora de vários livros de poesia, além de romances e contos. No entanto, seu legado principal é sua poesia. Em seus versos, a poetisa celebra o cotidiano feminino. Desse modo, é uma das principais vozes femininas da literatura contemporânea brasileira.

Adélia Prado possui vários poemas que merecem destaque, como “Impropérios”, “Grande desejo”, “Desenredo”, “Mulheres”, “A catecúmena”, “O espírito das línguas”, “Poema esquisito”, “Bilhete em papel rosa”, “Lápide para Steve Jobs” e “O ditador na prisão”, por exemplo.

Seus textos mostram, com lirismo, o cotidiano. Apresentam caráter universal, fazem reflexões existenciais e evidenciam a religiosidade. Adélia Prado, em 2024, ganhou o prêmio Machado de Assis e o famoso prêmio Camões.

Está com 87 anos e continua vivendo em Divinópolis.

“TODAVIA, EU ME ALEGRAREI NO SENHOR, EXULTAREI NO DEUS DA MINHA SALVAÇÃO.” Habacuque, 3- 18

POETIZANDO… CECÍLIA MEIRELES

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, dia 7 de novembro de 1901.

Foi criada pela sua avó católica e portuguesa da ilha dos Açores. Isso porque seu pai havia morrido três meses antes de seu nascimento e sua mãe quando tinha apenas 3 anos.

Desde pequena recebeu uma educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura, escrevendo poesias a partir dos 9 anos de idade.

Além de poeta, cronista, teatróloga e jornalista, Cecília também teve uma renomada carreira de tradutora literária, pelo que recebeu mais de um prêmio e reconhecimentos internacionais e tinha conhecimento do inglês, francês, italiano, alemão, russo, espanhol, hebraico e dialetos do grupo indo-iraniano, tendo aprendido o sânscrito e hindi. 

Como poeta, seu estilo era principalmente neossimbolista e seus temas incluíam tempo efêmero e vida contemplativa. Embora não se preocupasse com a cor local, o vernáculo nativo ou os experimentos em sintaxe (popular), ela é considerada um dos poetas mais importantes da segunda fase do modernismo brasileiro, conhecida pelo vanguardismo nacionalista. Como professora, ela fez muito para promover reformas educacionais e defendeu a construção de bibliotecas infantis.

Pelo trabalho realizado na literatura ela recebeu diversos prêmios, dos quais se destacam:

Prêmio de Poesia Olavo Bilac

Prêmio Jabuti

Prêmio Machado de Assis

Alguns de seus livros: Espectros, A hora da estrela, O menino azul, O aeronauta. 

Faleceu em 09 de novembro de 1964.

“QUEM NÃO É COMIGO É CONTRA MIM; E QUEM COMIGO NÃO AJUNTA, ESPALHA.” Mateus, 12- 30

POETIZANDO… PAULO LEMINSKI

Paulo Leminski foi um poeta brasileiro, nascido em Curitiba, Paraná em 24 de agosto de 1944.

Atuou como professor em curso pré-vestibular, se tornou faixa preta de judô, trabalhou em agências publicitárias, além de escrever para alguns periódicos. Suas obras trabalham com perspectivas de multimídia, possuem caráter experimental e traços de humor.

Um dos livros mais conhecidos do escritor é o romance experimental Catatau.

 Tinha uma poesia marcante, pois inventou um jeito próprio de escrever, com trocadilhos, brincadeiras com ditados populares e influência do haicai, além de abusar de gírias e palavrões. 

Foi influenciado pela cultura japonesa, principalmente pela poesia curta e objetiva dos haicais de Matsuo Bashô, autor sobre o qual Leminski escreveu uma biografia. Além da influência japonesa em sua poesia, Leminski também era faixa preta de judô.

Em 1967, fundou o Grupo Áporo, que em seu manifesto se propunha a combater o “provincianismo cultural de Curitiba” e no mesmo ano, começa a escrever Catatau.

Morreu em 7 de junho de 1989, em consequência do agravamento de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos.

No ano de sua morte, foram publicadas a segunda edição de Catatau e o livro de poemas de literatura juvenil A lua no cinema.

Em Curitiba, seu nome está presente na famosa Pedreira Paulo Leminski, um dos principais espaços para eventos no Brasil, localizada no bairro Abranches e que tem capacidade para mais de 30 mil pessoas.

“PORQUE TU, SENHOR, ÉS A MINHA CANDEIA; E O SENHOR CLAREIA AS MINHAS TREVAS.” II Samuel, 22- 29

POETIZANDO… MIA COUTO

Antonio Emílio Leite Couto,  nasceu e estudou na Beira, cidade capital da província de Sofala, em Moçambique em 05 de julho de 1955.

Adotou o pseudonimo de Mia Couto porque tinha uma paixão por gatos. 

Além de considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. 

Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Premio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos e em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. 

Em 2013, foi homenageado com o Premio Camões.

Como biólogo, dirige as Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane.

Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crónicas, e é considerado como um dos escritores mais importantes de Moçambique. As suas obras são publicadas em mais de 22 países e traduzidas em alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.

“E O TESTEMUNHO É ESTE: QUE DEUS NOS DEU A VIDA ETERNA; E ESTA VIDA ESTÁ EM SEU FILHO.” I João, 5-11

POETIZANDO…MÁRIO QUINTANA

Mário de Miranda Quintana nasceu em Alegrete (RS) em 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre (RS) em 05 de maio de 1994.

Foi poeta, tradutor e jornalista.

Em 1940, lançou o seu primeiro livro de várias poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, lançada para comemorar seus sessenta anos de idade, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras.

Nunca casou nem teve filhos. Solitário, viveu grande parte da vida em hotéis.

O poeta tentou por três vezes uma vaga à ABL, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.

Alguns dos livros publicados mais famosos de Mario Quintana estão “Sapato florido (1948), O aprendiz de feiticeiro (1950), Espelho mágico (1951), Caderno H (1973), Quintanares (1976), Baú de espantos (1986), entre tantos outros.

Poeminha do contra

Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!

Nesse poema, considerado um dos mais famosos de Mario Quintana, o humor, característica recorrente na poesia do poeta gaúcho, expressa-se no trocadilho que é feito pela voz lírica com o verbo “passarão” e com o substantivo “passarinho”, dando a entender que aqueles que atrapalham a vida do eu lírico serão passageiros, ou seja, logo cairão no esquecimento, ao passo que ele, a vítima desses que o atrapalham, alçará voos de liberdade como o faz um pássaro.

“TODO CAMINHO DO HOMEM É RETO AOS SEUS OLHOS, MAS O SENHOR SONDA OS CORAÇÕES.” Provérbios, 21- 2